sábado, 22 de novembro de 2014

O Problema do Livre-arbítrio.

Argumentos contra o livre-arbítrio:(a favor do determinismo na acção humana)

1. Argumento da causalidade à distância:As nossas acções são o efeito de causas como acontecimentos passados e factores físicos que não controlamos.

2. Argumento da inevitabilidade:Assim como um computador está programado de um determinado modo e só pode responder de acordo com a programação prévia, assim também temos crenças e desejos e não podemos agir de outro modo senão segundo o que queremos e acreditamos.

( a acrasia contraria de forma imediata estes argumentos porque agimos contra o que cremos e desejamos, todavia pode sempre dizer-se que a acrasia tem uma causa que a determina)

Contraponto a estes dois argumentos:

Há diferença entre comportamento voluntário e intencional e comportamento determinado por forças físicas e psicológicas fortes.

Exemplo :
Freud, O caso do lavador de mãos – comportamento compulsivo
Caso de Patty Hearst em 1974 – lavagem ao cérebro

Estes casos contrariam a tese determinista porque demonstram que há uma diferença entre comportamento voluntário e intencional e comportamento determinado

A CAUSALIDADE EM QUESTÃO:
O Determinismo defende que, se todos os factores causais relevantes forem conhecidos então podemos prever o que irá acontecer a seguir.

Mas recentemente com a Teoria Quântica, o comportamento das partículas elementares é indeterminista. Para uma interpretação da teoria: uma descrição completa de um sistema físico deixa em aberto o que virá a ser o seu futuro. Alguns futuros serão mais prováveis que outros mas o número de possibilidades é sempre maior que um.

Se os objectos físicos não obedecem a leis deterministas, os nossos desejos e crenças não determinam o que serão as nossas acções. A relação é uma vez mais probabilística, o presente não determina o futuro — o acaso faz parte do mundo.

Argumentos a favor do Livre-arbítrio: (tradicional)1. Admite uma Posição dualista de que há uma mente distinta do corpo, que as crenças e desejos do sujeito representam escolhas deliberadas e reflectidas e que são essas escolhas que nos fazem agir de determinado modo. A mente ou alma obedece a crenças e valores que dependem do nosso estado de conhecimento e não de causas físicas. A mente é livre.

2. Posição de Searle.
 Não é dualista mas monista (a mente é uma função do cérebro) corpo e mente têm a mesma substância mas obedecem a leis diferentes e apresentam características diferentes.
Características da mente diferentes do corpo:
Consciência, parece uma característica única da mente que não pertence ao corpo.

Intencionalidade .capacidade de um estado mental se dirigir ao mundo e ao mesmo tempo a si próprio.

Subjectividade dos estados mentais. Ver o mundo a partir de um certo ponto de vista, ter dores que só são experimentadas pelo sujeito por mais ninguém.

A concepção de que somos livres é uma convicção da nossa consciência que é inseparável do estado mental que nos diz que temos sempre alternativas e que podemos fazer outra coisa diferente do que fazemos.
Também temos a experiência de que somos livres porque podemos agir contrariando as expectativas e ordens.

 Os factores psicológicos que nos impelem a agir podem influenciar mas não determinam o comportamento ( não há determinismo psicológico)

Logo, a possibilidade de alternativas (escolhas) faz parte , é intrínseca do comportamento humano voluntário e intencional.
Fica por explicar de que modo as acções (mentais) interferem no mundo (físico).

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