quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Relatório Raquel 10B

Como fazer um resumo do texto.
1. Introdução à obra, ao tema e ao autor.
2. Enunciar as teses principais defendidas.
3. Enunciar os problemas.
4. Analisar os argumentos que o autor dá e as objecões que coloca.
5. Concluir.

TEXTO
 
A Filosofia, como entenderei a palavra, é algo intermédio entre a teologia e a ciência. Como a teologia consiste em especulações sobre matérias inacessíveis até agora ao conhecimento definido, mas como a ciência apela para a razão de preferência à autoridade, quer da tradição, quer da revelação. Todo o conhecimento definido (…) pertence à ciência; todo o dogma como o que excede o conhecimento definido pertence à teologia. Mas entre teologia e ciência há uma terra sem dono exposta aos ataques de ambos os lados: é a filosofia. As questões de maior interesse para os espíritos especulativos raro têm resposta científica e as respostas confiantes dos teólogos já não parecem tão confiantes como nos séculos anteriores. Estará o mundo dividido entre espírito e matéria? e, sendo assim, que é espírito e que é matéria? Está a alma sujeita à matéria ou tem energias independentes? Tem o universo unidade ou fim? Evolui para algum objetivo? Há realmente leis da natureza ou cremos nelas devido ao nosso inato amor da ordem? É o homem o que aparece ao astrónomo, um pequeno conjunto de carvão impuro e água, a arrastar-se impotente sobre um pequeno planeta sem importância? Ou é o que pensava Hamlet? Será as duas coisas? Há um tipo nobre e um tipo baixo de vida ou são todos meramente fúteis? Se um deles é nobre, em que consiste e como realizá-lo? Deve o bem ser eterno para poder ser apreciado ou merece procurar-se ainda quando o universo caminha inexoravelmente para a morte? Existe de fato a sabedoria ou não passa de derradeiro requinte de loucura? Não há resposta em laboratório para tais questões. Pretenderam as teologias dar respostas, todas demasiado definidas, o que as torna suspeitas a espíritos modernos. Estudar essas questões, senão responder-lhes, é a tarefa da filosofia.
 
Bertrand Russell "História da Filosofia Ocidental’

Análise lógica do texto da "Apologia de Sócrates"de Platão




Sócrates apresenta sua defesa em tribunal, Atenas sec IV ac.
I
Ora bem, que diziam os caluniadores ao caluniar-me? É necessário ler a ata da acusação jurada por esses tais acusadores:
-Sócrates comete crime e perde a sua obra, investigando as coisas terrenas e as celestes, e tornando mais forte a razão mais fraca, e ensinando isso aos outros.
-Tal é , mais ou menos, a acusação.
Mas de onde nasceram tais calúnias? Se não me tivesse ocupado de uma coisa diferente das que todos fazem, na verdade não teria ganho tal fama e não teriam nascido tais acusações.
Diz, pois, o que é isso que fazes, a fim de que não te julguem ao acaso.
Procurarei demonstrar-vos que jamais foi essa a causa produtora de tal fama e de tal calúnia. Ouvi-me. Talvez possa parecer a algum de vós que eu estou a gracejar; entretanto, sabei-o bem, eu vos direi toda a verdade.
Porque , cidadãos atenienses, se conquistei essa fama de que ensino os jovens por dinheiro, foi por alguma sabedoria, embora reconheça que nada sei para ensinar. Mas então, que sabedoria é essa? Aquela que é, talvez propriamente, a sabedoria humana. É, em realidade, arriscado ser sábio nela: mas aqueles de quem falávamos ainda há pouco (os que ensinam por dinheiro) seriam sábios de uma sabedoria mais que humana, ou não sei que dizer, porque certo não a conheço. Não façais rumor, cidadãos atenienses, não fiqueis contra mim, ainda que vos pareça que eu diga qualquer coisa absurda: pois que não é meu o discurso que estou por dizer, mas refiro-me a
outro que é digno de vossa confiança. Apresento-vos, de facto, o deus de Delfos (deus Apolo) como testemunha da minha sabedoria, se eu a tivesse, qualquer que fosse. Conheceis bem Xenofonte. Era meu amigo desde
jovem, também amigo do vosso partido democrático, e participou do vosso exílio e convosco repatriou-se. E sabeis também como era Xenofonte, veemente em tudo aquilo que empreendesse. Uma vez, de facto, indo a Delfos, ousou interrogar o oráculo a respeito disso e -não façais rumor, por isso que digo -perguntou-lhe, pois, se havia alguém mais sábio que eu. Ora, a pitonisa respondeu que não havia ninguém mais sábio. E a testemunha disso é seu irmão, que aqui está.

Poderemos conceber duas vias para análise lógica
1ª Via
TEMA: A defesa de Sócrates contra os seus caluniadores.
Problema: De onde nasceram as calúnias de que acusam Sócrates?
Tese: Nasceram de Sócrates se ocupar de algo diferente do que todos fazem.
Argumento: Sócrates faz algo diferente. Não ensina por dinheiro pois não se julga possuidor de uma sabedoria mais que humana, os que julgam ser sábios ensinam uma certa sabedoria que Sócrates diz não possuir. Na verdade ele afirma nada saber. Alguém que nada sabe não pode ensinar. Os jovens não o seguem por essa sabedoria de que falam "investigando as coisas terrenas e as celestes, e tornando mais forte a razão mais fraca" mas por outra forma de sabedoria que os seus acusadores desconhecem e por desconhecer julgam-no e condenam-no erradamente.
Conceitos: Sabedoria, calúnia, 

2ª Via
TEMA: A sabedoria Humana.
Problema: Em que consiste a verdadeira sabedoria?
Tese: A verdadeira sabedoria consiste em saber que nada se sabe e investigar.
Argumento: O DEUS Apolo através da Pitonisa declarou Sócrates como o mais sábio. Ora o Deus diz a verdade e não mente. Então podemos concluir que Sócrates é mais sábio que os outros que pensam saber e ensinam por dinheiro, pois ele não está enganado sobre o que é a sabedoria humana - de pouco valor - e não pretende outro tipo de sabedoria senão a humana, daí não poder levar dinheiro para ensinar o que não sabe.Essa é a verdade, logo o que está próximo da verdade é aquele que afirma nada saber.

Conceitos: Sabedoria humana, verdade,pitonisa

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Matriz para o 1º Teste de Filosofia - 26 Outubro de 2018

CONTEÚDOS

1. Problema: O que é a Filosofia?
1.1. A origem etimológica.
1.2. A atitude do Filósofo (exemplo Sócrates) como aquele que está entre a sabedoria e a ignorância.
 1.3. A origem da Filosofia: Os filósofos pré-socráticos.
1.4. Caracterização da Filosofia pré-socrática. A questão do "arché". O espírito lógico científico. A separação dos mitos.
1.5. As propostas dos vários filósofos pré-socráticos.
1.6. A Alegoria da caverna e a condição humana.
1.7. A distinção entre os vários saberes: A Filosofia, o Senso Comum e a Ciência
1.8. As várias disciplinas/áreas da Filosofia e os problemas que tentam resolver.
1.9. Caracterização da actividade filosófica: Crítica, problematizante, argumentativa, conceptual.

2. O discurso filosófico.
2.1. Instrumentos lógicos: Conceitos/termos; Definição implícita e explícita; Extensão e compreensão
2.2. Juízos ou proposições; Definição de proposição; distinção entre frase e proposição.
2.3. Raciocínios ou argumentos.Definição de argumento; distinção entre argumentos dedutivos e indutivos.
2.4. A  Lógica como ciência da validade dos raciocínios ou argumentos.
2.5. Análise lógica dos textos: Tema, problema, Tese, Argumentos e conceitos principais.

ESTRUTURA:
Grupo 1
Análise lógica de um texto - 30 Pontos
2 Perguntas de resposta breve sobre conceitos - 2x20  = 40 Pontos.  Grupo 2 e 3
10 Perguntas de ESCOLHA MÚLTIPLA OU V/F - 10x5 = 50 Pontos.

Grupo 4
4 Perguntas para desenvolvimento e construção sobre os conteúdos leccionados- 4 x 20= 80 Pontos


COMPETÊNCIAS
- Saber analisar um texto.
- Saber definir um conceito.
- Explicar os temas, teses e argumentos de um texto filosófico.
- Saber fundamentar as respostas dadas.
- Adequar os conhecimentos às perguntas que são feitas.
- Saber problematizar e argumentar.
- Aplicar a teoria a situações novas.
- Exemplificar conceitos, proposições e argumentos.
- Relacionar os vários saberes.
- Sintetizar a Alegoria da Caverna
- Compreender as várias áreas  da Filosofia.


Critérios gerais de Correcção:

1. Boa articulação das ideias.

2. Domínio dos conceitos e conteúdos.

3. Adequação da resposta à pergunta.

4. Clareza e correcção da exposição escrita.

5. Boa construção argumentativa. 

6. Análise correta do texto.







quarta-feira, 3 de outubro de 2018

TPC 10º B

SELECCIONAR OS PRINCIPAIS CONCEITOS E PROPOSIÇÕES PRESENTES NOS TEXTOS
 
TEXTO 1
"Os conhecimentos da razão contrapõem-se aos conhecimentos históricos. Aqueles são conhecimentos a partir de princípios; estes, conhecimentos a partir de dados. Porém um conhecimento pode provir da razão e, não obstante, ser histórico; como quando, por exemplo, um simples literato aprende os produtos de uma razão alheia; o seu conhecimento de tais produtos da razão é, assim, simplesmente histórico."
(...) Aquele que quiser aprender a filosofar deve, pelo contrário, encarar todos os sistemas da filosofia apenas como história do uso da razão e como objeto do exercício do seu talento filosófico.
O verdadeiro filósofo tem, portanto, como pensador por si próprio, de fazer um uso livre e próprio, não um uso imitador e servil, da sua razão."
Immanuel Kant, O conceito de filosofia em geral.
TEXTO 2
" O núcleo da filosofia reside em certas questões que o espírito reflexivo humano acha naturalmente enigmáticas, e a melhor maneira de começar o estudo da filosofia é pensar diretamente sobre elas.
(...) A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias , pensando em argumentos possíveis contra elas e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.
A preocupação fundamental da filosofia consiste em questionarmos e compreendermos ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensarmos nela. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: 'O que é o tempo?'. Um matemático pode investigar as relações entre os números, mas um filósofo perguntará: 'O que é um número?'. Um físico perguntará de que são constituídos os átomos ou o que explica a gravidade, mas um filósofo irá perguntar como podemos saber que existe qualquer coisa fora das nossas mentes. Um psicólogo pode investigar como é que as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: ' Que faz uma palavra significar qualquer coisa?'
Qualquer pessoa pode perguntar se entrar num cinema sem pagar é correto ou não, mas um filósofo perguntará: 'O que torna uma ação boa ou má?'
Thomas Nagel (1995) Que quer dizer tudo isto? Uma iniciação à filosofia (Lisboa ,Gradiva).
TEXTO 3
"4.11 A totalidade das proposições verdadeiras é toda a ciência natural (ou a totalidade das ciências da natureza).
4.11.1 A Filosofia não é uma das ciências da natureza.
(A palavra filosofia tem de denotar alguma coisa, que está acima ou abaixo das ciências da natureza, mas não ao lado delas).
4.11.2 O objeto da Filosofia é a clarificação lógica dos pensamentos.
A Filosofia não é uma doutrina, mas uma atividade. Um trabalho filosófico, consiste essencialmente em elucidações.
O resultado da Filosofia não é "proposições filosóficas", mas o esclarecimento de proposições.
A Filosofia deve tornar claros e delimitar rigorosamente os pensamentos, que doutro modo são como que turvos e vagos."
Ludwig Wittgenstein (1987) ,Tratado Lógico-Filosófico, Lisboa, Ed. Fund.Calouste Gulbenkian.