terça-feira, 25 de novembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

O Problema do Livre-arbítrio.

Argumentos contra o livre-arbítrio:(a favor do determinismo na acção humana)

1. Argumento da causalidade à distância:As nossas acções são o efeito de causas como acontecimentos passados e factores físicos que não controlamos.

2. Argumento da inevitabilidade:Assim como um computador está programado de um determinado modo e só pode responder de acordo com a programação prévia, assim também temos crenças e desejos e não podemos agir de outro modo senão segundo o que queremos e acreditamos.

( a acrasia contraria de forma imediata estes argumentos porque agimos contra o que cremos e desejamos, todavia pode sempre dizer-se que a acrasia tem uma causa que a determina)

Contraponto a estes dois argumentos:

Há diferença entre comportamento voluntário e intencional e comportamento determinado por forças físicas e psicológicas fortes.

Exemplo :
Freud, O caso do lavador de mãos – comportamento compulsivo
Caso de Patty Hearst em 1974 – lavagem ao cérebro

Estes casos contrariam a tese determinista porque demonstram que há uma diferença entre comportamento voluntário e intencional e comportamento determinado

A CAUSALIDADE EM QUESTÃO:
O Determinismo defende que, se todos os factores causais relevantes forem conhecidos então podemos prever o que irá acontecer a seguir.

Mas recentemente com a Teoria Quântica, o comportamento das partículas elementares é indeterminista. Para uma interpretação da teoria: uma descrição completa de um sistema físico deixa em aberto o que virá a ser o seu futuro. Alguns futuros serão mais prováveis que outros mas o número de possibilidades é sempre maior que um.

Se os objectos físicos não obedecem a leis deterministas, os nossos desejos e crenças não determinam o que serão as nossas acções. A relação é uma vez mais probabilística, o presente não determina o futuro — o acaso faz parte do mundo.

Argumentos a favor do Livre-arbítrio: (tradicional)1. Admite uma Posição dualista de que há uma mente distinta do corpo, que as crenças e desejos do sujeito representam escolhas deliberadas e reflectidas e que são essas escolhas que nos fazem agir de determinado modo. A mente ou alma obedece a crenças e valores que dependem do nosso estado de conhecimento e não de causas físicas. A mente é livre.

2. Posição de Searle.
 Não é dualista mas monista (a mente é uma função do cérebro) corpo e mente têm a mesma substância mas obedecem a leis diferentes e apresentam características diferentes.
Características da mente diferentes do corpo:
Consciência, parece uma característica única da mente que não pertence ao corpo.

Intencionalidade .capacidade de um estado mental se dirigir ao mundo e ao mesmo tempo a si próprio.

Subjectividade dos estados mentais. Ver o mundo a partir de um certo ponto de vista, ter dores que só são experimentadas pelo sujeito por mais ninguém.

A concepção de que somos livres é uma convicção da nossa consciência que é inseparável do estado mental que nos diz que temos sempre alternativas e que podemos fazer outra coisa diferente do que fazemos.
Também temos a experiência de que somos livres porque podemos agir contrariando as expectativas e ordens.

 Os factores psicológicos que nos impelem a agir podem influenciar mas não determinam o comportamento ( não há determinismo psicológico)

Logo, a possibilidade de alternativas (escolhas) faz parte , é intrínseca do comportamento humano voluntário e intencional.
Fica por explicar de que modo as acções (mentais) interferem no mundo (físico).

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Como explicar a acção humana?



Quais os problemas tratados na Filosofia da acção?
A Filosofia da acção trata de problemas como: A classificação das acções. Como explicar uma acção. Não será acção uma sucessão de acontecimentos? Como separar as acções umas das outras? Até onde poderemos considerar os efeitos de uma acção? Os efeitos e as causas de um acontecimento são o mesmo que intenções e motivos?
Como explicar as acções?
1. Partimos do princípio que as acções humanas são realizadas por um ser racional e não apenas por instinto.
2. Um ser racional pode explicar o que faz e porque faz. Intenção (O quê) e motivo.(porquê)
3. Daí que explicar uma acção não pode deixar de ter a intervenção do agente, porque só ele pode dar uma explicação. Só ele sabe a intenção e o motivo.
4. Exemplo: atravessar uma rua. O acontecimento físico visível é o corpo a atravessar. Mas isso não explica a acção, explica um acontecimento. Como explicar? Esse movimento físico pode corresponder a acções diferentes:
- Porque é que alguém atravessa uma rua? Teremos de explicar segundo as intenções do agente.

O que são intenções e motivos?
1. As intenções são próprias de seres racionais como o homem, seres capazes de explicar e racionalizar as suas acções. Assim as intenções pressupõem Crenças e desejos do agente, pois como explicar algo senão fundamentando-o naquilo em que acredito e no que quero?

INTENÇÃO – O que explica a acção. A consciência de. Responde à pergunta “ O que fazes?” e pressupõe um agente dotado de uma CRENÇA – certos conhecimentos e princípios que segue e nos quais acredita. E um DESEJO – vontade de fazer algo de concretizar pela acção essa crença.

MOTIVO – Também faz parte da racionalidade da acção e contribui para a sua explicação: o MOTIVO responde à questão Porquê? Implica crenças e desejos tal como a intenção e está de tal modo associado à intenção que se confundem. O motivo é a razão pela qual faço algo. A razão pela qual ajo.

AGENTE – Aquele age, alguém que tem consciência, capacidade de se aperceber de si mesmo. Capacidade para reconhecer que é o autor da acção. Que pode ser responsabilizado visto que agiu por opção. Tinha alternativas ou livre-arbítrio.

Este pressuposto não exige que os seres humanos sejam inteiramente racionais em
todos os momentos, mas apenas que lhes seja possível dar conta das razões por que
agem como agem e que isto seja um traço dominante do seu comportamento.

Mas como explicar os casos em que os agentes dizem ter um desejo e uma crença e, no entanto, agem contra tal desejo ou tal crença, parecendo ser irracionais?


«ACRASIA» fenómeno que se costuma designar (no senso-comum)por falta de força de vontade de um agente. Um agente tem falta de força de vontade se tiver o desejo de produzir um certo efeito e tiver a crença de que uma dada acção é a melhor forma de produzir esse efeito e, no entanto, não realizar a acção com a qual obteria o efeito desejado.

Suponhamos que desejas entrar na universidade e que acreditas que estudar
arduamente é o melhor caminho para conseguir o que desejas. Se admitirmos que os seres humanos são racionais e visto que és um ser humano, qual é a única coisa que é racional fazeres? Estudar arduamente, claro. Que dizer se não o fizeres? Que tens falta de força de vontade. Que sofres de “acrasia”. Não sendo uma doença, é um fenómeno que intrigou os filósofos desde a antiguidade, porque viola uma das formas mais primárias de racionalidade. Como poderemos explicar o fenómeno da “ acrasia”?


ANTÓNIO ACREDITA QUE O TABACO FAZ MAL
ANTÓNIO DESEJA SER SAUDÁVEL
ANTÓNIO FUMA

Se as acções humanas são racionais e racionalizáveis como explicar a ACRASIA? Somos então todos irracionais?
Primeiro: António está enganado acerca do seu desejo. Tem certamente outros desejos mais fortes. talvez o António não tenha realmente o desejo de ser saudável e estejja enganado sobre os desejos que pensa ter. Ou talvez o António tenha o desejo que diz ter, mas não tenha reparado que tem outros desejos ainda mais fortes do que o de ser saudável.
Segundo: talvez a crença do António esteja errada. Talvez haja outra maneira, outra
acção, que seja melhor para alcançar uma vida saudável. Fazer desporto e comer com
moderação, por exemplo. Ou talvez o António não acredite muito naquilo que diz.
Terceiro: e será que o António ponderou realmente a sua acção? Por que teremos de aceitar a ideia de que cada acção humana deverá ser precedida de um raciocínio?

Explicação de Aristóteles:
1. Acrasia – fenómeno que se explica considerando que momentaneamente o agente está fora de si.
2. Sabe das regras, não ignora a finalidade da acção mas por não ter controle na sua vontade, não realiza o que pensou.
3. Não é mau (ignora os fins)
4. Não é libertino (equivocado acerca do verdadeiro prazer)
5. É responsável por ter criado as circunstâncias em que sucumbe às paixões. Tem uma sabedoria latente mas não realizável.
6. A sua acção é intencional, porque sabe que está a realizá-la, mas não se abandona a ela e em geral arrepende-se dela.

Explicação de Donald Davidson
1. Acrasia não pode ser interpretada eticamente porque não é falta de domínio sobre si ou um cair em tentação que são juízos éticos.
2. Explica-se à luz de vários sistemas coerentes entre si, racionais que podem concorrer no agente e entrar em conversação.
3. Se dividirmos a mente em partes, potencialmente incompatíveis entre si, mas coerentes sistemas de razões cada um por si, poderemos explicar que sendo o pensamento X e a acção Y. Sendo a acção y causada por outro desejo e outra crença e não aquela que é o raciocínio mais imediato do agente.(posição que deriva da existência provável de vários eus – Freud)




Sobre a acção humana:O que é uma acção humana?
Não é apenas um acontecimento porque há acontecimentos que não são acções (embora todas as acções sejam acontecimentos, porque é algo que ocorre no espaço e no tempo e provoca uma mudança no mundo).
Também não é apenas um movimento físico porque um mesmo movimento (por exemplo correr) pode ser diferentes acções: por exemplo: fazer exercício físico, tentar apanhar alguém, estar atrasado…) Diferentes movimentos físicos podem ser a mesma acção; exemplo estudar: pode-se estudar a escrever e a ler, só a ler, a repetir em voz alta ou em silêncio.
As acções são acontecimentos que envolvem Agentes conscientes (só eles poderão explicar a sua acção)
Estes agentes têm estados mentais conscientes, como desejos e crenças, mas não basta ter agente que faz algo : Por exemplo o João caiu. Mas a queda não é uma acção feita pelo João, aconteceu-lhe, ele não teve a intenção.
Logo as acções são acontecimentos que o agente faz intencionalmente.Mas por exemplo, a jogar à bola o João parte o vidro, é uma acção mas não é intencional. Então é ou não é acção? A acção do João foi atirar a bola (era essa a sua intenção) mas não partir o vidro.
Como se explicam as acções? Explica-se uma acção indicando as crenças e desejos do agente que motivaram ou causaram essa acção. Porque atiraste a bola? Porque queria que ela chegasse ao outro jogador. Porque jogas à bola? Porque gosto ou porque me alivia da tensão. (Crenças e desejos) Sobre a acção humana: