quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Relatório/resumo Duarte Araújo 10B

DIFICULDADES COM A FALÁCIA DO ARGUMENTUM AD HOMiNEM

Uma das falácias mais difíceis de expor e também uma das mais comuns chama-se 'argumentum ad hominem'. Esta designação refere-se a um argumento que é dirigido CONTRA A PESSOA E NÃO CONTRA O QUE A PESSOA DIZ, A FIM DE SE MOSTRAR QUE AQUILO A PESSOA DIZ NÃO PODE SER VERDADEIRO . A política dá-nos muitos exemplos de argumenta ad hominem. Suponhamos que um deputado de um partido de esquerda argumenta: 'É extremamente importante rejeitar a construção de centrais nucleares, pois os efeitos destas são nefastos para o ambiente no longo prazo.' Um deputado de direita poderia responder: 'Oh claro! Não podemos acreditar no que ele diz, pois ele é um homem de esquerda e sabemos que a esquerda está sempre a deitar abaixo o nuclear.' O deputado de direita está a dirigir o seu argumento contra o homem. Tentou refutar o que o deputado de esquerda disse referindo que este é partidário de uma ideologia oposta. Porém, esta refutação é baseada numa falácia, visto que a forma apropriada de refutar um tal argumento consistiria em reunir factos que mostrassem que o que ele disse é falso - nomeadamente, que a construção de centrais não é assim tão nefasta para o ambiente.

O que faz com que o argumentum ad hominem seja tão persuasivo, e tão difícil de refutar, pode mostrar-se com o seguinte exemplo. Suponhamos que uma testemunha num tribunal está a depor e diz que viu o réu cometer um crime. Suponhamos, além disso, que ao interrogar a testemunha o advogado de defesa prova que esta já depôs em outros julgamentos e que em alguns casos o seu testemunho se veio a revelar falso (assumamos, para ajudar ao exemplo, que a testemunha chegou a ser condenada por perjúrio). A nossa tentação, enquanto juízes, seria a de não ter em conta o que a testemunha diz neste julgamento, pelo facto de esta não ser uma fonte de informação fiável. Contudo, não tê-lo em conta é incorrer na falácia do argumentum ad hominem. O que a testemunha diz nesta ocasião pode ser verdadeiro. Se possível, o seu testemunho devia ser testado confrontando-o com outra evidência disponível ou que pudesse vir a estar disponível durante o julgamento. Aquilo que é importante é reconhecer que devemos considerar o que é dito independentemente de quem o diz. NÃO PODEMOS MOSTRAR QUE UMA DECLARAÇÃO É FALSA APENAS PORQUE SE PODE MOSTRAR QUE O INDIVÍDUO QUE A PROFERE TEM FALTA DE CARÁCTER

Richard Popkin and Avrum Stroll, Philosophy Made Simple (New York, 1993, pp. 262-263). Tradução Carlos Marques.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Relatório/Resumo Manuel 10B

FALÁCIAS DE RELEVÂNCIA
( Quando as razões são logicamente irrelevantes embora possam psicologicamente ser relevantes)
Argumentum ad baculum (apelo à força) quando ameaça o ouvinte.
Argumentum ad misericordiam (apelo à misericórdia) quando se procura comover o ouvinte.
Argumentum ad populun (apelo ao povo) quando se apela ao que a maioria das pessoas faz, ao “espírito das massas”.
Argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa) quando para destruir o argumento de alguém tenta-se destruir a pessoa.
FALÁCIAS DAS PREMISSAS INSUFICIENTES:
(Quando a indução é fraca e as premissas embora relevantes não são suficientes para justificar a conclusão)
Argumentum ad verecundiam (apelo ao uma autoridade não qualificada). Quando para se justificar algo se recorre a uma autoridade que não é digna de confiança ou que não é uma autoridade no assunto.
Argumentum ad ignorantiam (apelo à ignorância). Quando as premissas de um argumento estabelecem que nada se sabe acerca de um assunto e se procura concluir a partir dessas premissas algo acerca do assunto.
Exemplos:Os fantasmas existem! Já provaste que não existem?
Como os cientistas não podem provar que se vai dar uma guerra global, ela provavelmente não ocorrerá.
Fred disse que era mais esperto do que Jill, mas não o provou. Portanto, isso deve ser falso..
Generalização apressada . Quando se extrai uma conclusão de uma amostra atípica e não significativa.
Exemplos: Fred, o australiano, roubou a minha carteira. Portanto, os Australianos são ladrões. (Claro que não devemos julgar os Australianos na base de um exemplo).
Perguntei a seis dos meus amigos o que eles pensavam das novas restrições ao consumo e eles concordaram em que se trata de uma boa ideia. Portanto as novas restrições são populares.
Falsa Causa. Quando a ligação entre premissas e conclusão depende de uma causa não existente.Os argumentos causais são os argumentos onde se conclui que uma coisa ou acontecimento causa outra. São muito comuns mas, como a relação entre causa e efeito é complexa, é fácil cometer erros. Em regra, diz-se que C é a causa do efeito E se e só se:Geralmente, quando C ocorre, também E ocorre.
Exemplo de uma Falsa Causa: Ganho sempre ao poker quando levo uma camisa preta. Amanhã, se levar a camisa preta também ganharei.
Também a podemos designar como falácia: post hoc ergo propter hoc , o nome em latim significa: "depois disso, logo, por causa disso". Um autor comete a falácia quando pressupõe que, por uma coisa se seguir a outra, então aquela teve de ser causada por esta.
Mais Exemplos:A imigração do Alentejo para Lisboa aumentou mal a prosperidade aumentou. Portanto, o incremento da imigração foi causado pelo incremento da properidade.
Tomei o EZ-Mata-Gripe e dois dias depois a minha constipação desapareceu...Prova: Mostre que a correlação é coincidência, mostrando: 1) que o "efeito" teria ocorrido mesmo sem a alegada causa ocorrer, ou que 2) o efeito teve uma causa diferente da que foi indicada.
Reacção em cadeia. Quando as premissas apresentam uma reacção em cadeia com uma probabilidade mínima de acontecer.
Exemplos: Se aprovamos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas, e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas.
Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
Se eu abrir uma excepção para ti, terei de abrir excepções para todos.
FALÁCIAS DE PRESSUPOSIÇÃO
Petitio principii (Petição de princípio). Quando o que devia ser aprovado pelo argumento é já suposto pelas premissas.
Exemplos:Dado que não estou a mentir, segue-se que estou a dizer a verdade.
Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que foi escrita por Deus e Deus não mente. (Neste caso teríamos de concordar primeiro que Deus existe para aceitarmos que ele escreveu a Bíblia.)
 Adaptado das classificações em Stephen Downes (in Crítica na Rede) e Enciclopédia de Termos lógico Filosóficos (Gradiva, Lisboa 2001).

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Exercícios para quarta - Lógica informal. Argumentos e falácias.


 Lógica informal:

1.Identifique e avalie os seguintes argumentos:

a. "Outrora as mulheres casavam-se muito novas. A Julieta da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, ainda não tinha 14 anos. Na Idade Média, 13 anos era a idade normal de casamento para uma rapariga judia. E durante o Império Romano muitas mulheres casavam aos 13 anos, ou mesmo mais novas".
.
b.” Colhe-se o que se semeia. Se plantarmos amoras, colhemos amoras. Se plantarmos cebolas obtemos cebolas. Do mesmo modo quem semeia a guerra não pode esperar obter paz, justiça e fraternidade.”

c. “Se o Público afirma que Portugal não cumpre a taxa de acolhimento de emigrantes estipulada pela EU, então é verdade e é preciso fazer qualquer coisa.”

d. O terrorismo deve-se a fatores de marginalidade cultural, de pobreza e pelo ódio contra o mundo ocidental, esse odio tem como causa principal a inveja de não ser um dos participantes desse mundo.”



2. Identifique as seguintes falácias e justifique.

1. O meu médico diz que não há provas que a minha dor de cabeça seja provocada por “falta de vista”, mas também não há provas que não seja, logo, eu tinha razão, as minhas dores de cabeça são mesmo “falta de vista”.



     2. Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.


 3. Einstein foi o criador da relatividade mas é preciso ver que Einstein era judeu e comunista, logo a teoria da relatividade só pode ser mentira.



4. Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que foi escrita por Deus e Deus não mente.
5. João: Nós deveríamos ter leis menos rígidas em relação à legislação sobre o tabaco; Joana: Não, estás a dizer que todos deviam suportar a loucura suicida dos fumadores, estás a defender o caos.

6. Ou usas os bens que o capitalismo te disponibilizou e tens de defender o capitalismo ou, se és contra, vais viver sozinho para a montanha e alimentas-te de ervas.

7. O grande psicanalista Freud fumava, então o fumo deve ser bom.
8. Os alunos do 11ºG leem bastante e são jovens, logo, no presente, os jovens leem mais.
9. Vou ter boa nota no teste porque está Lua cheia e sempre que está Lua cheia eu sei que a sorte está comigo.

Análise dos argumentos na lógica informal


Logica informal from https://www.slideshare.net/helenaserrao" target="_blank">Helena Serrão

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Relatório Manel 10B



FALÁCIAS DE NÃO RELEVÂNCIA

( Quando as razões são logicamente irrelevantes embora possam psicologicamente ser relevantes)
1. Argumentum ad populun (apelo ao povo) quando se apela ao que a maioria das pessoas faz, ao “espírito das massas”.
2. Argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa) quando para destruir o argumento de alguém tenta-se destruir a pessoa.

FALÁCIAS DAS PREMISSAS INSUFICIENTES:
(Quando a indução é fraca e as premissas embora relevantes não são suficientes para justificar a conclusão)
3. Argumentum ad verecundiam (apelo ao uma autoridade não qualificada). Quando para se justificar algo se recorre a uma autoridade que não é digna de confiança ou que não é uma autoridade no assunto.
4. Argumentum ad ignorantiam (apelo à ignorância). Quando as premissas de um argumento estabelecem que nada se sabe acerca de um assunto e se procura concluir a partir dessas premissas algo acerca do assunto.
Exemplos:Os fantasmas existem! Já provaste que não existem?
Como os cientistas não podem provar que se vai dar uma guerra global, ela provavelmente não ocorrerá.
5. Generalização apressada . Quando se extrai uma conclusão de uma amostra atípica e não significativa.
Exemplos: Fred, o australiano, roubou a minha carteira. Portanto, os Australianos são ladrões. (Claro que não devemos julgar os Australianos na base de um exemplo).
6. Amostra não representativa: Os alunos do 11ºAno desta escola leem muito. São jovens, logo, hoje em dia os jovens leem mais.

7. Falsa Causa. Quando a ligação entre premissas e conclusão depende de uma causa não existente. Os argumentos causais são os argumentos onde se conclui que uma coisa ou acontecimento causa outra. São muito comuns mas, como a relação entre causa e efeito é complexa, é fácil cometer erros. Exemplo de uma Falsa Causa: Ganho sempre ao poker quando levo uma camisa preta. Amanhã, se levar a camisa preta também ganharei.
8. Reação em cadeia (derrapagem). Quando as premissas apresentam uma reação em cadeia com uma probabilidade mínima de acontecer.
Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
Se eu abrir uma exceção para ti, terei de abrir exceções para todos.

9. Espantalho ou boneco de palha: Quando se deturpa o argumento adversário de modo a torná-lo mais fácil de atacar. Exemplo: Não pode estacionar o carro no passeio porque impede as pessoas de passarem! Estou a ver quer que eu estacione o automóvel no meio da rua.
10. Falsa analogia: Quando se faz uma comparação entre duas coisas que têm diferenças que não podem ser ignoradas porque são determinantes.

11. Falso dilema: Coloca apenas duas alternativas como se fossem únicas quando há mais alternativas possíveis. Exemplo: Ou tomas uma atitude violenta ou és vítima de "bulling". se não queres ser vítima então tens que ser carrasco.

FALÁCIAS DE PRESSUPOSIÇÃO
12. Petitio principii (Petição de princípio). Quando o que devia ser aprovado pelo argumento é já suposto pelas premissas.
Exemplos: Dado que não estou a mentir, segue-se que estou a dizer a verdade.
Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que foi escrita por Deus e Deus não mente. (Neste caso teríamos de concordar primeiro que Deus existe para aceitarmos que ele escreveu a Bíblia.)

Texto para resumo Catarina 10B e Ana Beatriz 10A





Para além dos argumentos dedutivos temos então os argumentos:

  • Por analogia
  • Indutivos (generalizações a partir de exemplos)
  • Sobre causas
  • De autoridade
Juntamente com os argumentos dedutivos, os argumentos por analogia são os mais utilizados pelos filósofos. Os argumentos por analogia costumam apresentar a seguinte forma:

Os x são E.
Os y são como os x.
Logo, os y são E.
Os argumentos por analogia partem da ideia de que se diferentes coisas são semelhantes em determinados aspectos, também o serão noutros. Veja-se o exemplo seguinte:
Os soldados de um batalhão têm de obedecer às decisões de um comandante para atingir os seus objectivos.
Uma equipa de futebol é como um batalhão.
Logo, os jogadores de uma equipa de futebol têm de obedecer às decisões de um comandante (treinador) para atingir os seus objectivos.
O termo “como” na segunda premissa está destacado. Esse termo indica que estamos a estabelecer uma comparação entre situações análogas, característica dos argumentos por analogia. Mas será que apenas pela forma do argumento ficamos a saber se é aceitável ou não? Para tornar clara a resposta a esta pergunta, compare-se o argumento anterior com o seguinte:
Os soldados de um batalhão andam armados quando treinam.
Uma equipa de futebol é como um batalhão.
Logo, os jogadores de futebol andam armados quando treinam.
A primeira coisa que se torna evidente é que, ainda que o primeiro argumento possa ser aceitável, este último não o é com toda a certeza. Acontece, porém, que ambos exibem exactamente a mesma forma. Concluímos, assim, que a mera inspecção da sua forma não nos permite classificar os argumentos por analogia como bons ou maus. Portanto, a qualidade destes argumentos não depende da sua forma lógica. Encontramos com a mesma forma bons e maus argumentos por analogia. Por isso é que tais argumentos não fazem parte da lógica formal. Por isso também não dizemos que um argumento por analogia é válido ou inválido, coisa que só se aplica aos argumentos dedutivos. Nos argumentos por analogia nunca podemos garantir logicamente que de premissas verdadeiras se obtêm sempre conclusões verdadeiras. Isto é, os argumentos por analogia não possuem a característica de preservar logicamente a verdade.
Os bombeiros dividem-se em batalhões, obedecem a uma hierarquia e têm um quartel, como os polícias.
Os polícias usam farda.
Logo, os bombeiros usam farda.
Vimos que um argumento por analogia não é válido ou inválido, mas que nem todos os argumentos por analogia são maus. Costuma-se dizer que os argumentos por analogia são fortes ou fracos. Como distinguimos uns dos outros? O argumento anterior é constituído por premissas e conclusão verdadeiras. Aparentemente é um argumento forte por analogia. Mas veja-se agora um outro argumento por analogia (com a mesma forma do anterior, claro) com premissas também verdadeiras, mas cuja conclusão é manifestamente falsa:
Os bombeiros dividem-se em batalhões, obedecem a uma hierarquia, têm um quartel e usam farda, tal como os polícias.
Os polícias usam arma.
Logo, os bombeiros usam arma.
Este argumento é, sem dúvida, fraco. Até porque a conclusão é falsa. Ao avaliar um argumento por analogia no sentido de saber se é forte ou fraco, temos de estar atentos a três critérios, os quais se manifestam nas seguintes perguntas:
  1. As semelhanças apontadas nos casos que estão a ser comparados são relevantes para a conclusão que se quer inferir?
  2. A comparação tem por base um número razoável de semelhanças?
  3. Apesar das semelhanças apontadas, não haverá diferenças fundamentais entre os casos que estão a ser comparados?
Aplicando os critérios patentes nas perguntas anteriores, podemos verificar se uma analogia é forte ou fraca. No caso do argumento anterior, por exemplo, verificamos que falha os critérios 1e 3. As semelhanças entre os bombeiros e os polícias são muitas, mas não são relevantes para a conclusão que se quer tirar. Nenhuma delas está sequer relacionada com o uso de arma, falhando assim o critério 1. Mas também falha o critério 3 porque existe uma diferença fundamental entre os bombeiros e os polícias. Estes fazem parte de uma força da ordem, necessitando por isso dos meios para a restabelecerem quando é perturbada; aqueles são membros de uma força de paz, não necessitando de quaisquer meios de coacção.

Aires de Almeida, Lógica informal

Resumo Beatriz 10B Beatriz Benedi 10A

Argumentos com base em exemplos
ARGUMENTOS INDUTIVOS
Os argumentos com base em exemplos oferecem um ou mais exemplos específicos para apoiar uma generalização:
Outrora as mulheres casavam muito novas. A Julieta da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, ainda nem tinha 14 anos. Na Idade Média, 13 anos era a idade normal de casamento para uma rapariga judia. E durante o Império Romano muitas mulheres casavam aos 13 anos, ou mesmo mais novas.
Este argumento generaliza a partir de três exemplos —Julieta, as mulheres judias durante a Idade Média e as mulheres do Império Romano— para muitas ou para a maior parte das mulheres de outrora. Para vermos a forma deste argumento mais claramente podemos enunciar as premissas separadamente, com a conclusão no fim: Na peça de Shakespeare, Julieta nem sequer tinha 14 anos. Durante a Idade Média, as mulheres judias casavam normalmente aos 13 anos. No tempo do Império Romano muitas mulheres casavam aos 13 anos ou mesmo antes. Logo, outrora muitas mulheres casavam muito jovens.
Será um bom argumento indutivo?
Há um pequeno conjunto de regras que permitem avaliar argumentos com base em exemplos a) Use mais do que um exemplo Um exemplo único pode por vezes ser usado a título ilustrativo. O exemplo da Julieta só por si pode ilustrar o casamento em idade precoce. Mas um exemplo único não oferece praticamente qualquer apoio a uma generalização. Pode ser um caso atípico, a «excepção que confirma a regra». E necessário mais do que um exemplo.
b)  O número de exemplos necessários depende parcialmente da sua representatividade, aspecto tratado na regra . Mesmo um número elevado de exemplos pode não ser representativo do conjunto sobre o qual estamos a generalizar. O argumento precisa de ter igualmente em conta mulheres de outras partes do mundo
c) Tem que ter exemplos suficientes.  O tamanho do conjunto a partir do qual estamos a generalizar deve ser suficiente para permitir a generalização. . Conjuntos grandes requerem normalmente mais exemplos. A afirmação de que a sua cidade esta cheia de pessoas notáveis requer mais exemplos do que, digamos, a afirmação de que os seus amigos são pessoas notáveis. Mesmo dois ou três exemplos podem ser suficientes para estabelecer que os seus amigos são pessoas notáveis (depende de quantos amigos têm), mas, a menos que a sua cidade seja muito, muito pequena, são necessários mais exemplos para mostrar que a sua cidade está cheia de pessoas notáveis. Os exemplos são representativos?. Um número elevado de exemplos de mulheres romanas, unicamente, estabelece muito pouco acerca das mulheres em geral, uma vez que as mulheres romanas não são necessariamente representativas das mulheres de outras partes do mundo.
Argumentos por analogia
Há uma excepção à regra 8 («use mais do que um exemplo»). Os argumentos por analogia, em vez de multiplicarem exemplos para apoiarem uma generalização, argumentam a partir de um caso ou exemplo específico para provarem que outro caso, semelhante ao primeiro em muitos aspectos, é também semelhante num outro aspecto determinado. O presidente americano George Bush argumentou uma vez que o papel do vice-presidente é o de apoiar as políticas do presidente, concordando ou não com elas, porque «ninguém quer meter golos na própria baliza». Bush está a sugerir que fazer parte da administração é como fazer parte de uma equipa de futebol. Quando. alguém entra para uma equipa de futebol, concorda em obedecer às decisões do treinador, porque o sucesso da equipa depende dessa obediência. Bush sugere que, analogamente, entrar para a administração é um compromisso de obediência às decisões do presidente, porque o sucesso da administração depende também da obediência. Distinguindo premissas e conclusão: Quando alguém entra para uma equipa de futebol, concorda em obedecer às decisões do treinador (porque o sucesso da equipa depende da obediência dos respectivos membros). A administração americana é como uma equipa de futebol (o seu sucesso depende também da obediência dos respectivos membros). Logo, quando alguém entra para a administração americana, concorda em obedecer às decisões do presidente. 18 Repare na palavra «como» em itálico na segunda premissa. Quando um argumento sublinha as semelhanças entre dois casos, é muito provavelmente um argumento por analogia.

Anthony Weston, A Arte de Argumentar

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Correção do teste 10A


1.O valor da filosofia reside na sua incerteza que a prática da dúvida constante coloca como inevitável sobre todos os objetos e conhecimento. Esta prática não nos permite ter certeza mas alarga os nossos conhecimentos de como as coisas poderiam ser evitanto os radicalismos dogmáticos e a superficialidade do senso comum, permitindo libertar o pensamento do hábito e mostrar novas formas surprendentes de considerar o mundo, os seus objetos e as suas crenças.

2. Atitude crítica, não dogmática que dúvida e recusa-se a dar consentimento às crenças que são tomadas em conjunta sem um juízo prévio e a atitude dogmática do senso comum construída a partir de dogmas ou certezas que se recusa a pensar de outro modo.

3. O pensamento sobre certas questões filosóficas destrói as certezas pois cria novas possibilidades sobre o modo como as coisas podem ser e neste caso a destruição das certezas cria mais dúvidas mas contribui para aumentar o conhecimento pois contribui para que não erremos tanto.


2. Análise lógica do texto filosófico.Tema: O valor da Filosofia ou a sua utilidade
Problema: Onde reside o valor da Filosofia?
Tese: O valor da Filosofia reside exatamente naquilo que os homens tendem a desprezar, a sua própria incerteza.
Movimentação argumentativa: (porque/razões para justificar a tese)
(...) o homem sem Filosofia passa a vida agrilhoado a preconceitos que derivam do senso comum , convicções que cresceram na sua mente sem serem colocadas em dúvida. Para tal homem o mundo é finito definitivo, óbvio. A Filosofia, apesar de não dar respostas certas às dúvidas que levanta, é capaz de sugerir inúmeras possibilidades de resposta que alargam os nossos pensamentos e o libertam da tirania do hábito.  Assim, apesar de diminuir as nossas certezas, aumenta o nosso conhecimento do que as coisas possam ser e, por isso varre o dogmatismo arrogante de quem nunca viajou pelos caminhos da dúvida libertadora.
Conceitos: Filosofia, Incerteza, Dúvida libertadora, hábito.

3. Os primeiros filósofos, também denominados pré-socráticos porque se situam cronologicamente antes de Sócrates, tinham como principal problema a origem do mundo  e tentavam explicar essa origem através de uma substância primordial: "arché". O "arché" era um elemento material que poderia constituir a unidade através da qual toda a diversidade do mundo poderia ter surgido. Procuravam dar uma explicação recorrendo a uma certa lei natural da matéria e não recorriam apenas a histórias míticas para explicar o mundo como faziam os seus antepassados. Recorrem ao raciocínio a partir da observação da natureza tentando encontrar um “logos” uma lei ou unidade que permita explicar racionalmente a diversidade das coisas bem como a sua transformação. Esta organização da natureza a partir de uma origem comum permite a formação de um cosmos, organizado e inteligente. Assim, ao procurar o elemento original procuravam compreender a ordem do cosmos e a matéria que todas as coisas têm em comum. Assim para Tales o "arché" era a água, para Anaximandro o "Apeiron" e para Anaxímenes o ar. 

4. Estética: estuda/investiga a sensibilidade aos juízos de belo e feio e as teorias sobre a arte. Questões? O que é o Belo? Será que a beleza é objetiva ou subjetiva?

Ética: Estuda/investiga a ação e comportamento, investiga os juízos sobre a ação boa e má. O que é uma ação eticamente correta? Será que há juízos morais universais?
Filosofia política: Estuda/investiga sobre a justiça e as formas de governo. O que é um governo justo? Será que a autoridade que o Estado tem é legítima?
Lógica: Estuda/investiga a estrutura dos raciocínios e do pensamento. As condições de validade dos raciocínios ou argumentos. O que é um argumento válido? Qual a distinção entre vários tipos de argumentos?

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Correção teste Novembro 2019 - 10B


Grupo I
Análise lógica do texto filosófico apresentado no teste:
Tema: A origem da Filosofia
Problema: Como surgiu a Filosofia?
Tese: As Filosofia surgiu da capacidade dos homens se surpreenderem.
Movimentação argumentativa: O Homem acha tão estranho viver que as perguntas filosóficas surgem por si mesmas. É como imaginarmos que o mundo é um gigantesco truque de magia. Um coelho tirado subitamente, por um ilusionista, de uma cartola vazia. Sabemos que o ilusionista nos enganou mas achamos o mistério surpreendente, não sabemos como foi possível, e queremos compreender o truque. Cada um de nós é um parasita minúsculo desse coelho que é o universo, os filósofos tentam trepar pelos pêlos do coelho para ver de perto o ilusionista.
Conceitos: Filosofia, truque de magia, perguntas filosóficas.
2. Para criar uma metáfora do universo misterioso que nos rodeia. Porque se trata de uma surpresa o mundo como ele é, como se fosse um truque de magia. Esta metáfora ilustra a surpresa que marca a origem da Filosofia e caracteriza a atitude do filósofo. A Filosofia nasceu da capacidade dos homens se surpreenderem. A Filosofia resulta da estranheza que experimentamos perante o mundo.
3. Os primeiros filósofos, também denominados pré-socráticos porque se situam cronologicamente antes de Sócrates, tinham como principal problema a origem do mundo  e tentavam explicar essa origem através de uma substância primordial: "arché". O "arché" era um elemento material que poderia constituir a unidade através da qual toda a diversidade do mundo poderia ter surgido. Procuravam dar uma explicação recorrendo a uma certa lei natural da matéria e não recorriam apenas a histórias míticas para explicar o mundo como faziam os seus antepassados. Recorrem ao raciocínio a partir da observação da natureza tentando encontrar um “logos” uma lei ou unidade que permita explicar racionalmente a diversidade das coisas bem como a sua transformação. Esta organização da natureza a partir de uma origem comum permite a formação de um cosmos, organizado e inteligente. Assim, ao procurar o elemento original procuravam compreender a ordem do cosmos e a matéria que todas as coisas têm em comum. Assim para Tales o "arché" era a água, para Anaximandro o "Apeiron" e para Anaxímenes o ar.
4. Pergunta em aberto. Vectores de resposta: Defender uma visão da filosofia e dar argumentos que a justifiquem.

Grupo II
1. Verdadeiro
2. Falso, é a estética
3.  falso, conclusão verdadeira.
4. verdadeiro.
5. Verdadeiro.
6. Verdadeiro.
7. Verdadeiro.
8. verdadeiro.
9. Falso, argumentação.
10. Verdadeiro.