segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Texto para resumo Giovanna ou Inês 10E

 


Diferença entre relativismo cultural e relativismo moral

Nas discussões calorosas sobre a universalidade de valores morais tornou-se comum apelar para a cultura. Nesses argumentos, a cultura seria responsável para justificar as atitudes. Porém, o conceito de cultura empregue nessas discussões, é muito vago e é  importante diferenciar o relativismo moral do relativismo cultural.

Relativismo cultural é uma atitude e pressuposto de método de pesquisa que serve para descrever, analisar e avaliar a cultura de um grupo humano baseado em termos e valores daquele grupo. Quando se refere aos aspetos morais, trata-se de um relativismo moral descritivo.

Por outro lado, relativismo moral é acreditar que não há valores absolutos ou universais, mas que a moral é determinada pelas circunstâncias.

O relativismo cultural opõe-se ao etnocentrismo enquanto relativismo moral opõe-se ao universalismo moral.

O problema de como julgar os “outros”  ou o “estranho” é universal e antigo. Os gregos chamavam de barbaroi a todos os que eles não entendiam. Os primeiros portugueses a encarar a diversidade cultural dos nativos brasileiros submeteram línguas como o tupi antigo à gramática latina e reclamavam que para os tupi não havia “fé, nem lei, nem rei” – tanto pela ausência dos fonemas /f/, /l/ e /r/  quanto pela falta de religião, normas legais e organização social nos moldes europeus. Assim, a língua indígena por não ser nada similar aos que os europeus conheciam, era tida como defeituosa como os próprios indígenas. Essa atitude de julgar a cultura alheia, frequentemente julgando-a inferior, exemplifica o etnocentrismo.

Baseando-se nesse etnocentrismo, autoridades coloniais e antropólogos do século XIX categorizavam o mundo num esquema evolutivo em civilizados (eles mesmos),  bárbaros (outras nações) e selvagens (gente que supostamente viviam como animais). Tais diferenças de escala teriam razões deterministas: ou era a raça ou o clima que afetavam o grau de civilidade.

O relativismo cultural defende que não é possível julgar culturas diferentes e opõe-se ao etnocentrismo.

Uma maneira de diferenciar os conceitos de relativismo moral e relativismo cultural é aplicá-los num caso. Tomamos, por exemplo, a linguagem. Sob a perspetiva do relativismo cultural, todas as línguas são válidas — não há línguas melhores que outras, pois todas são completas para expressar pensamentos e emoções. Também cada registro linguístico é válido no seu contexto. (…) Agora, aplicando o conceito de relativismo moral: seria certo um ministro chamar os seus pares com um palavrão? Ou ofender verbalmente um membro de outro partido? Ambas as ofensas são moralmente inaceitáveis, embora possíveis com os recursos linguísticos daquelas comunidades. O fato de esses termos existirem nessas comunidades culturais não tornaria seus usos indiscriminados moralmente legítimos.

ALVES, Leonardo Marcondes. Diferença entre relativismo cultural e relativismo moral. Ensaios e Notas,

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Trabalhos práticos para cidadania

 


Fotografia Bloncourt

ATENÇÃO NOVAS DATAS PARA AS APRESENTAÇÕES ORAIS:
Grupos de 4 alunos

Apresentação oral com diapositivos. Todos os alunos têm de entregar o diapositivo até dia 24 de Fevereiro para logosferas@gmail.com

Data de entrega: 24 Fevereiro (todos os trabalhos em diapositivo). 

Apresentações orais: 24 FEV (GRUPOS 1, 2 e 4)

25 FEV (GRUPOS 3, 5 e 6)



Temas Gerais: Interculturalidade e Igualdade

1. O Terrorismo e o choque de culturas. Será o terrorismo provocado pela marginalização de certas comunidades? Será um problema religioso ou político? (GRUPO 2)

2. IGUALDADE DE GÉNERO -Violência doméstica. Qual a origem da violência doméstica? (GRUPO 1)

3. Multiculturalismo e Interculturalidade. Que políticas seguir em sociedades com grande diversidade cultural? Deve haver leis universais para todos ou cada comunidade deve seguir as suas leis e costumes mesmo dentro de outro Estado? (GRUPO 6)

4. IGUALDADE DE GÉNERO - As lutas de emancipação das mulheres. Qual a origem da discriminação contra as mulheres? (GRUPO 5)

5. Dimensão ética dos valores. O relativismo moral. Devemos tolerar todas as práticas apenas porque são de culturas diferentes? Porquê? (GRUPO 4)

6.Estudo de casos de descriminação devido ao género, à etnia ou à religião. O que está na origem da discriminação?(GRUPO 3)


DIAPOSITIVO:

INTRODUÇÃO - Introduz o tema, explica o problema. define os conceitos que vão ser usados.
DESENVOLVIMENTO POR CAPÍTULOS:  Organização da informação que possa conduzir a um esclarecimento do problema colocado.
CONCLUSÃO.: Resposta bem fundamentada à questão colocada.
BIBLIOGRAFIA: Sites, textos

AVALIAÇÃO:


Avaliação auto e heteroavaliação
Diapositivo:

1. Apresentação criativa.

2. Investigação cuidada ao nível da informação.

3. Bem organizado e estruturado.

4. Resposta bem fundamentada à questão colocada. (CONCLUSÃO)


Apresentação oral:

1. Discurso bem articulado.
 
2. Atitude dinâmica e de interação com os colegas.

3. Boa assimilação dos conteúdos expostos.

4. Argumenta e problematiza de forma correta.




quarta-feira, 12 de janeiro de 2022








"Pondo de lado algumas utilizações puramente técnicas da palavra "ação" (por exemplo, ação como participação no capital de uma empresa), o núcleo significativo da palavra assenta na produção ou no causar um efeito. 

A palavra "ação" emprega-se, por vezes, para falar de animais não humanos (diz-se que a ação das cegonhas é benéfica para a agricultura) ou até, inclusivamente, de seres inanimados (diz-se que a gravidade é uma forma de ação à distância. No entanto, empregamos sobretudo a palavra "ação" para falar do que fazem os Homens. Aqui só nos interessa este tipo de ação, a ação humana . As nossas ações (algumas) são as coisas que fazemos. 

Na realidade, o verbo "fazer" abarca um campo semântico bastante mais amplo que o substantivo "ação". O latim distingue o agere  do facere, que em francês, por exemplo, dão agir e faire (em português "agir" e "fazer"). O substantivo latino  derivado do agere, deu  lugar ao substantivo ação. 

Tudo o que fazemos faz parte da nossa conduta, mas nem tudo o que fazemos constitui uma ação.

Enquanto dormimos, fazemos muitas coisas: respiramos, transpiramos, sonhamos, damos voltas e andamos sonâmbulos pela casa. Todas estas coisas fazemos inconscientemente. Fazemo-las, mas não nos damos conta disso, não temos consciência de que as fazemos, por isso não lhes vamos chamar ações. 

Reservamos o termo "ação" para aquelas coisas que fazemos conscientemente, dando-nos conta de que as fazemos.

 Uma ação é uma interferência consciente e voluntária de uma pessoa (o agente) no decurso normal dos acontecimentos, os quais sem a sua interferência teriam seguido um caminho diferente. Uma ação consta, assim, de um evento que acontece graças à interferência de um agente que tenha a intenção de interferir de modo a que tal evento aconteça".

 


J.Mosterin, Racionalidade e Ação Humana, seleção de parágrafos, Alianza Universidad. Madrid.1987 (Clayton Silva)



terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Matriz para o 2º Teste -14 Janeiro




A. Estrutura e Cotações

A prova destina-se a avaliar três competências básicas: Concetualizar, Argumentar e Problematizar. 

A competência transversal é a comunicação/correção escrita.

Está dividida em três grupos de acordo com cada competência. Cada grupo tem uma pontuação de 0 a 20 Valores.

 Grupo I - Concetualizar: Dez perguntas de escolha múltipla (10x2= 20 valores)

Grupo II - Argumentar: Inclui um texto com 4 perguntas de interpretação e análise de texto. Todas as perguntas implicam justificação/argumentação (4x50 Pontos; Total 200 Pontos)

Grupo III - Problematizar: Inclui 3 perguntas com alíneas. (1,2 - 70 Pontos cada; 3 - 60 Pontos divididos por três alíneas; Total 200 Pontos)

Conteúdos e competências

1. Lógica Formal 

a. Identificar as formas de inferência válidas e as falácias formais: Modus Ponens, falácia da afirmação do consequente, Modus Tollens, falácia da negação do antecedente, contraposição, silogismo disjuntivo, Leis de De Morgan (negação da conjunção e negação da disjunção), silogismo hipotético e dupla negação. 

b. Aplicar as tabelas de verdade para verificar se os argumentos são válidos ou não. 

2. Lógica Informal 

a. Identificar os diferentes tipos de argumentos não dedutivos: argumentos indutivos (generalização e previsão), argumentos por analogia e argumentos de autoridade. 

b. Aplicar as regras de validade dos diferentes argumentos de forma a verificar se os diferentes argumentos são fortes ou fracos. 

c. Identificar as respetivas falácias dos argumentos não dedutivos: falácia da generalização apressada, falácia da amostra não representativa, falácia da falsa analogia, a falácia do apelo à autoridade. 

d. Identificar as restantes falácias informais: Ad Populum (apelo à opinião popular), Ad Hominem (ataque pessoal), Petição de Princípio, Falso Dilema, Derrapagem, Falsa Relação Causal, Boneco de Palha e Apelo à Ignorância. 

3. A Rede Concetual da Ação 

a. Distinguir os acontecimentos da natureza e as atividades humanas (acontecimentos que estão ligados à manutenção da componente biológica do ser humano). Identificar as atividades humanos como atos reflexos e atos acidentais. 

b. Perceber que nem tudo o que o ser humano faz pode ser considerado como ações humanas: apenas aquilo que fazemos de forma consciente e voluntária pode ser considerado uma ação humana, pois parte da vontade e podemos atribuir uma responsabilidade ao agente da ação. 

c. Estabelecer uma rede concetual da ação: agente, consciência, intenção, motivo, finalidade, deliberação e decisão. 

d. Explicar as teses das duas teorias que definem a ação: causalista e volitiva.

4. Determinismo e Liberdade na Ação Humana 

a. Distinguir os diferentes tipos de condicionantes da ação humana: condicionantes físico-biológicas e histórico-culturais. 

b. Esclarecer os conceitos de determinismo e de livre-arbítrio. 

c.  Compreender o problema do livre-arbítrio.

d. Fundamentar uma posição pessoal sobre a questão de sermos livres ou não.

e. Distinguir as teorias compatibilistas (há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio) das teorias incompatibilistas (não há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio). 

f. Dominar os diferentes argumentos de cada uma das teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical e libertismo e as objeções a cada uma delas.

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

As proposições simples e de que modo podemos relacioná-las

Por

O quadrado de oposições representa as relações existentes entre os quatro tipos de proposições categóricas. No canto superior esquerdo temos a proposição universal afirmativa (A), no canto superior direito a universal negativa (E), no canto inferior esquerdo a particular afirmativa (I) e no canto inferior direito a universal negativa (O).
Conhecer o quadrado de oposições e as relações existentes entre cada uma das proposições que o compõem serve para podermos fazer inferências e raciocinar adequadamente sobre classes de objetos.

A imagem acima representa as quatro relações (contraditórias, contrárias, subalternas e subcontrárias) existentes entre os quatro tipos de proposições categóricas. Dizemos que A e E são contrárias, I e O são subcontrárias, A e I são subalternas, assim como E e O e A e O, por um lado, e E e I, por outro, são proposições contraditórias.
Agora vamos analisar cada uma dessas relações e o que podemos aprender com elas.

Proposições contraditórias

Considere as duas afirmações abaixo:
Todos os advogados são bem pagos (A).
Alguns advogados não são bem pagos (O).
Se uma é verdadeira a outra é falsa. Se é verdade todos os advogados são bem pagos, então é falso que alguns não são bem pagos. Se é verdade que alguns advogados não são bem pagos, então é falso que todos os advogados são bem pagos. Pelo fato de essas afirmações não poderem ser verdadeiras ao mesmo tempo, são chamadas de contraditórias.
Proposições universais afirmativas e particulares negativas são contraditórias, assim como universais negativas e particulares afirmativas.
Vamos ver mais um exemplo desse caso:
Nenhum morcego representa risco à saúde (E).
Algum morcego representa um risco à saúde (I).
Por serem duas proposições contraditórias, sabemos que, se uma é verdadeira, a outra é falsa. Se é verdade que nenhum morcego representa um risco à saúde, então é falso que algum morcego representa um risco à saúde. Ao contrário, se a segunda proposição for verdadeira, a primeira é falsa.

Proposições contrárias

Analise o exemplo abaixo:
Todos os políticos são corruptos (A).
Nenhum político é corrupto (E).
A primeira proposição é universal afirmativa (A) e a segunda é universal negativa (E). Essas proposições são contrárias, porque pelo menos uma tem que ser falsa. Se a primeira é verdadeira, então a segunda é falsa. Se a segunda é verdadeira, a primeira tem que ser falsa. No entanto, como ocorre nesse exemplo, proposições contrárias podem ser ambas falsas ao mesmo tempo, já que tanto a primeira quanto a segunda afirmação são falsas.

Proposições subalternas

A relação de subalternidade existe entre uma proposição universal afirmativa (A) e particular afirmativa (I), por um lado, e universal negativa (E) e particular negativa (O) por outro.
Todos os gatos são peludos (A).
Alguns gatos são peludos (I).
Nesse caso, se a proposição A é verdadeira, a proposição I também tem que ser verdadeira. Porém, se A é falso, I pode ser verdadeiro ou falsa. Se é verdade todos os gatos são peludos, então também é verdade que alguns gatos são peludos. Porém, se é falsa que todos os gatos são peludos, pode ser que existam alguns que sejam. Então, nesse caso, o valor I fica indeterminado.
Se, por outro lado, I é falso, A também deve ser falso. Se é falso que alguns gatos são peludos, então é necessariamente falso que todos os gatos são peludos. Se, ao contrário, é verdade que alguns gatos são peludos, não é possível saber se é verdade que todos os gatos são peludos. O valor de verdade de A é indeterminado.
Considere agora um exemplo com proposições negativas:
Nenhum pescador fala a verdade (E).
Algum pescador não fala a verdade (O).
As relações lógicas existentes entre essas duas proposições são as mesmas identificadas entre as proposições afirmativas A e I acima. Se E é verdadeira, então O é verdadeira. Se E é falsa, então o valor de verdade de O é indeterminado. Se O é falsa, por outro lado, E também é falsa. Se O é verdadeira, o valor de verdade de E é indeterminado.
Relações entre proposições subcontrárias
Se A é verdadeira I é verdadeira
Se E é verdadeira O é verdadeira
Se A é falsa I é indeterminada
Se E é falsa O é indeterminada
Se I é verdadeira A é indeterminada
Se O é verdadeira E é indeterminada
Se I é falsa A é falsa
Se O é falsa E é falsa

Proposições subcontrárias

Por fim temos as relações lógicas entre proposições subcontrárias particular afirmativa (I) e particular negativa (O).
Considere um exemplo:
Algum animal é um gato (I).
Algum animal não é um gato (O).
Proposições subcontrárias podem ser ambas verdadeiras ao mesmo tempo, mas não podem ser ambas falsas. Assim, se I é verdadeira, O pode ser verdadeira ou falsa. Mas se I for falsa, então O é verdadeira.

Fazendo inferências com o quadrado de oposições

A tabela abaixo é uma síntese das inferências imediatas que é possível fazer a partir das relações lógicas existentes entre os tipos de proposições.
Proposição Inferência imediata
Se A é verdadeira E é falso, I é verdadeiro e O é falso
Se E é verdadeira A é falso, I é falso, e O é verdadeiro
Se I é verdadeira E é falso e A e O são indeterminados
Se O é verdadeira A é falso e I e E são indeterminados
Se A é falsa O é verdadeira, E e I são indeterminados
Se E é falsa I é verdadeira, A e O são indeterminados
Se I é falsa A é falsa, E é verdadeira e O é verdadeira
Se O é falsa A é verdadeira, E é falsa e I é verdadeira.
Existem ainda outros três tipos de inferências imediatas que podem ser feitas com as proposições categóricas, essas são chamadas de conversão, obversão e contraposição e são o tema do próximo artigo.

Texto para resumo Carolina Miranda 10E

O que é a validade?

  Dizemos frequentemente que uma ideia, uma pessoa ou uma iniciativa são válidas. Com isso queremos dizer que tal pessoa, tal ideia ou tal iniciativa são boas ou úteis, ou que têm um certo valor. Isso é o que acontece na linguagem comum. Em lógica e filosofia, porém, o termo «validade» tem um significado diferente e muito preciso, que já veremos qual é. Antes disso, há uma ideia que tem de ficar bem clara. Essa ideia é a da distinção entre verdade e validade; distinção fundamental em lógica e filosofia.
  De uma proposição dizemos que é verdadeira ou falsa. Mas de um argumento, que é formado por várias proposições, já não podemos dizer que é verdadeiro ou falso. Isso seria um erro enorme. Algumas pessoas pensam que se um argumento é um conjunto de proposições e como as proposições são verdadeiras ou falsas, assim também os argumentos podem ser verdadeiros ou falsos. Isso seria o mesmo que dizer que um conjunto de pessoas é alto porque é formado por pessoas altas. As pessoas podem ser altas ou baixas, mas os conjuntos (sejam eles de pessoas ou de outra coisa qualquer) não são altos nem baixos. Se, como se verá, o mesmo argumento pode conter proposições verdadeiras e falsas, por que razão afirmaríamos que esse argumento é verdadeiro em vez de falso, ou vice-versa? Aquilo que, primeiramente, nos interessa num argumento é saber se a conclusão se segue das premissas. No caso de isso acontecer estamos perante um argumento válido. Caso contrário, estamos perante um argumento inválido. O seguinte argumento é claramente válido:
Todos os espanhóis são toureiros.
Bill Clinton é espanhol.
Logo, Bill Clinton é toureiro.
  Ao analisar este argumento, a diferença entre verdade e validade torna-se clara. É fácil verificar que tanto as premissas como a conclusão são falsas. Contudo, a conclusão segue-se das premissas. Por isso o argumento é válido. Falamos de verdade e falsidade quando referimos as premissas e a conclusão e falamos de validade ou invalidade quando referimos o próprio argumento. Veja-se agora o seguinte argumento claramente inválido:
Todos os portugueses são europeus.
Luís Figo é europeu.
Logo, Luís Figo é português.
  É muito fácil verificar que se trata de um argumento inválido, bastando substituir o nome de Luís Figo por outro nome como, digamos, Tony Blair, mas mantendo tudo o resto. E, apesar de ser um argumento inválido, todas as proposições que o constituem são verdadeiras. Só que a conclusão não é sustentada pelas premissas.
  Mais uma vez se diz que um argumento é válido ou inválido consoante a sua conclusão se segue ou não das premissas, sejam elas verdadeiras ou falsas. Mas esta é ainda uma forma imprecisa de dizer o que é a validade. Existe, contudo, uma definição explícita de «argumento válido». Assim, diz-se que «um argumento é válido se, e só se, é logicamente impossível ter premissas verdadeiras e conclusão falsa». Sabemos agora exactamente o que procurar num argumento para saber se é válido ou não. Tudo pode acontecer com um argumento válido, menos uma coisa: ter premissas verdadeiras e conclusão falsa. Mas isto não significa que o argumento é válido desde que não tenha premissas verdadeiras e conclusão falsa. Não basta que não tenha as premissas verdadeiras e a conclusão falsa; é necessário que isso seja impossível de acontecer. Repare-se no meu último exemplo: não acontece ele ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa, até porque premissas e conclusão são todas verdadeiras. Mas se no mesmo argumento substituirmos, como atrás sugeri, o nome de Luís Figo pelo de Tony Blair, o que acontece? Acontece que as premissas continuam verdadeiras mas a conclusão é falsa. E essa é a única coisa que não pode acontecer num argumento válido. Portanto, é inválido.
  Para tornar mais clara a noção de validade, podemos mesmo prescindir de qualquer nome, seja ele Luís Figo ou Tony Blair, e construir um argumento com a seguinte forma:
Todo o A é B.
c é A.
Logo, c é B.
  Seja o que for que A, B e c signifiquem, este argumento é claramente válido. Admitindo que as premissas são verdadeiras, a sua conclusão não pode ser falsa. Mas como sabemos que este argumento é válido se não sabemos ainda o que significam A, B e c? Sabemos isso porque a validade de um argumento não depende daquilo que nele se afirma, isto é, do seu conteúdo, mas da sua forma lógica. Para sabermos se um argumento é válido nada mais temos de fazer senão atender à forma como está estruturado.É por isso que um argumento pode ser válido mesmo que nele se afirmem as coisas mais inverosímeis do mundo. Um bom exemplo disso é o seguinte:
Se as bananas têm asas, o ouro é um fruto seco.
Acontece que as bananas têm asas.
Logo, o ouro é um fruto seco.
  Também aqui a conclusão terá de ser verdadeira, caso as premissas o sejam. Contudo, dificilmente alguém estaria disposto a aceitar um argumento destes. O que acontece é que não é suficiente um argumento ser válido para termos de o aceitar, mostrando assim que nem todos os argumentos válidos são bons. Não estamos interessados em aceitar a conclusão de um argumento válido quando essa conclusão é inferida de falsidades. Queremos também que um argumento seja sólido. Ou seja, que, além de ser válido, tenha premissas verdadeiras.

Aires de Almeida

Proposta de correção do 1º Teste de 11 de Novembro

 



GRUPO II  (4x50 Pontos)


  1. Análise lógica do texto:

Tema: Como surgiu a filosofia.

Problema: Como surgiu a Filosofia?

Tese principal: A Filosofia surgiu da capacidade que os homens têm de se surpreender.

Argumento que sustenta a tese: Porque para muitos homens o mundo é tão inexplicável como o coelho que um ilusionista tira da cartola vazia. Percebemos que o ilusionista nos enganou e pretendemos descobrir como nos enganou. Acerca do mundo somos como o coelho, sabemos que participamos num golpe de magia mas não sabemos como esse golpe de magia é feito e gostaríamos de saber como. Somos como parasitas minúsculos na pele do coelho. Os filósofos procuram trepar nos pelos do coelho para tentar ver de perto e olhar nos olhos o ilusionista.

Conceitos, filosofia, magia, universo, filósofo.


  1. Quando o ilusionista tira um coelho de uma cartola vazia, faz um truque de magia is parece-nos algo inexplicável, esse truque surpreende-nos porque não sabemos como foi possível acontecer. O autor do texto utiliza esta imagem para nos ilustrar a forma como a filosofia surge, da capacidade que os homens têm de se surpreender com o mundo como se ele fosse o coelho que surge do nada e, por isso se apresenta misterioso e inexplicável. Dessa atitude de surpresa perante o inexplicável que o mundo é, nascem as perguntas filosóficas.


Versão A                    

3. Tendo em conta o dicionário, traduz a seguinte fórmula para linguagem natural. 

Dicionário: 

P = Eu estudo para o teste.  

Q = Eu obtenho bom resultado.


3.1.  ~P →Q                                          (15 pontos)

R: Se eu não estudo para o teste então obtenho bom resultado. 



3.2. Classifica a fórmula proposicional anterior quanto ao seu valor de verdade (contingência, tautologia ou contradição), através da construção de uma tabela de verdade. Justifica.                            

                              (tabela de verdade = 10 pontos; classificação = 15 pontos; justificação = 10 pontos) 


P        Q 

~ P   →    Q

V          V

V          F

F          V

F          F

F      V   V

F      V    F

V     V    V

V     F     F


R: A fórmula proposicional é uma contingência, pois, como se pode observar pela tabela de verdade, apresenta diferentes valores de verdade (V ou F). 

4.  Formaliza o seguinte argumento:       

“Se a lógica ensina a pensar, então é útil. A lógica ensina a pensar, por conseguinte, é útil.”

    ( dicionário = 5 pontos; formalização = 10 pontos)

Dicionário: P: A lógica ensina a pensar. 

                   Q: A lógica é útil. 


Premissa 1: P →Q 

Premissa 2: P

Conclusão: Q. 


4.1. Testa a validade do argumento anterior recorrendo a um inspetor de circunstâncias. Justifica.                            

                   (inspetor = 15 pontos; justificação = 10 pontos)

P            Q

P  →Q,   P    Q

V           V

V           F

F           V

F           F

    V          V       V

     F          V        F

    V           F        V

    V           F        F


R: O argumento é válido, pois, como é visível pelo inspetor de circunstância, não há uma única circunstância em que todas as suas premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa. 


4.2. Identifica a inferência presente no argumento anterior.                      (10 pontos)

R: Modus Ponens

Versão B


               

3. Tendo em conta o dicionário, traduz a seguinte fórmula para linguagem natural. 

Dicionário: 

P = Eu estudo para o teste.  

Q = Eu obtenho bom resultado.


3.1.  P → ~ Q                                          (15 pontos)

R: Se eu estudo para o teste então não obtenho bom resultado. 



3.2. Classifica a fórmula proposicional anterior quanto ao seu valor de verdade (contingência, tautologia ou contradição), através da construção de uma tabela de verdade. Justifica.                            

                              (tabela de verdade = 10 pontos; classificação = 15 pontos; justificação = 10 pontos) 


P        Q 

P   →   ~ Q

V          V

V          F

F          V

F          F

V   F    F

V   V    V

F    V    F

F     V  V


R: A fórmula proposicional é uma contingência, pois, como se pode observar pela tabela de verdade, apresenta diferentes valores de verdade (V ou F). 


4. 1. Formaliza o seguinte argumento:       

“Se tivermos cuidado na linguagem então escrevemos bem. Não escrevemos bem. Logo, não temos cuidado na linguagem”

    ( dicionário = 5 pontos; formalização = 10 pontos)

Dicionário: P: Temos cuidado com a linguagem 

                   Q: Escrevemos bem


Premissa 1: P →Q 

Premissa 2: ~Q

Conclusão: ~P. 


4.2. Testa a validade do argumento anterior recorrendo a um inspetor de circunstâncias. Justifica.                            

                   (inspetor = 15 pontos; justificação = 10 pontos)

P            Q

P  →Q,   ~Q    ~P

V           V

V           F

F           V

F           F

    V          F         F

     F          V         F

    V           F         V

    V           V         V


R: O argumento é válido, pois, como é visível pelo inspetor de circunstância, não há uma única circunstância em que todas as suas premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa. 


4.2. Identifica a inferência presente no argumento anterior.                      (10 pontos)

R: Modus Tollens

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(GRUPO 3)  

1-70 pontos/2-70 Pontos/3-60 Pontos

  1. Platão pretende-nos alertar para o facto de vivermos prisioneiros do senso comum, agarrados às formas que vemos sem querer saber mais do que aquilo que nos é imediatamente visível e somos  intolerantes a quem nos possa apresentar outra visão como aquela que o homem que se liberta apresenta. Também  nos chama a atenção para a condição humana de ignorância e escuridão, fechada nos seus preconceitos e nos seus hábitos, sem problematizar, sem pôr em questão aceitando de forma acrítica tudo aquilo que é dado. 

  2. Questões filosóficas lógicas: Como sabemos se um argumento é válido? Questões éticas?  Como devo agir para agir corretamente? Será que os valores éticos e as normas morais são universais? Questões epistemológicas? Será possível um conhecimento verdadeiro do mundo?  


3. Atenta no seguinte argumento: 


    “Se a Terra fosse esférica e a percorressemos na totalidade, então, eventualmente, cairemos no abismo do espaço sideral. Mas como podemos percorrer a Terra em todo o seu diâmetro sem cairmos no abismo do espaço sideral, então não é verdade que a Terra seja esférica. Isto é: a Terra é plana!” 


2.1. A estrutura lógica deste argumento é válida. Porém, será isso suficiente para que o consideremos um bom argumento? Justifica a tua posição.


Possível resposta: 

Um argumento tem uma dimensão formal, onde se insere a questão da validade ou invalidade, e uma dimensão material, o correspondente ao seu conteúdo, a isso que afirma sobre a realidade e que pode ser verdadeiro ou falso. 

Ora, o argumento em causa, tem uma estrutura formal válida, isto é, a conclusão segue-se logicamente das premissas. Não obstante, falha na sua dimensão material, naquilo que afirma sobre a realidade. Até onde sabemos, o facto de conseguirmos percorrer a Terra na sua totalidade e o facto de ela ser esférica não entram em conflito: não caímos no espaço sideral. 

Para ser um bom argumento teria de ser um argumento sólido: isto é, um argumento com uma estrutura lógica válida e com premissas e conclusão verdadeiras.