Escola de Atenas do pintor Rafael
Os filósofos pré-socráticos nutriam esse mesmo objetivo:
encontrar o princípio gerador ou a matéria primordial de todo o Universo. Por
isso, as suas ideias são bem parecidas. Os estudiosos sempre se esbarram nas
dificuldades que o tempo e o modo de escrita dos pré-socráticos colocaram. Não
há como fazer um estudo aprofundado de um filósofo pré-socrático, pois as
obras são escassas e fragmentadas. No entanto, é notório que eles buscavam
fundamentar o que chamavam de arché (princípio originário), por meio da
observação da physis (natureza).
Para facilitar o estudo, os historiadores da Filosofia
reuniram os pré-socráticos em “escolas filosóficas”, de acordo com sua
proximidade geográfica que também coincide com a proximidade de ideias. (…)
Teve início com Tales de Mileto, na região da Jônia, que
atualmente é parte da Turquia. Tales estabeleceu a água como princípio gerador
de tudo. Anaximandro, que teve contato com as ideias de Tales, passou pelo
mesmo processo de observação empírica da natureza e constatou que a
origem de tudo estava contida num elemento infinito e indeterminável, designado
pela palavra ápeiron. Seu discípulo, Anaxímenes, concordou que o
elemento era infinito, mas afirmou ser possível determiná-lo, pois era o ar. O
ar estaria presente em tudo, sendo, portanto, a causa material primeira.
(...)Não se tem muitos escritos dos filósofos pré-socráticos
hoje. O que se tem são fragmentos escassos e, muitas vezes, desconexos.
Os historiadores da Filosofia reuniram os pré-socráticos em escolas para
facilitar o entendimento de seus escritos. Essa escassez deve-se, principalmente,
à ação do tempo e da humanidade que — por meio de enchentes, furações,
tempestades, incêndios acidentais e incêndios provocados — destruiu muitos
documentos históricos da Grécia Antiga. Estima-se que muitos escritos tenham
sido perdidos, por exemplo, no incêndio na Biblioteca de Alexandria.
Outro fator que dificulta o entendimento e a reunião da
bibliografia dos pré-socráticos é o fato de que eles não escreviam tendo em
vista a publicação como fazemos hoje. A grande maioria dos escritos
do período não possui título, sendo esses diletantes sobre assuntos
relacionados à Cosmologia, à Matemática, à Música, à Astronomia ou sobre
qualquer outra ciência que já fosse cultivada naquele período.
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