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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Síntese Modus Ponens e Falácia da afirmação da consequente

 

Formas de inferência válidas e principais falácias formais.


Existem certas formas argumentativas válidas utilizadas muito frequentemente. Para muitas delas nem precisamos de utilizar 

um inspetor de circunstância para compreendermos que são válidas, conseguimos ver isso intuitivamente.


Modus ponens  

Modus ponens é expressão latina que significa “modo da afirmação”)                   


P → Q

P

∴ Q


Em linguagem natural poderíamos dizer: Se gosto de ir à escola então 

gosto de aprender. Gosto de ir à escola. Então,gosto de aprender.


Se acontece P então acontece necessariamente Q. Aconteceu P. Logo, aconteceu Q.


Vejamos o inspetor de circunstância para confirmar:


P  Q     P → Q    P   ∴ Q

V   V         V         V       V

V   F         F         V       F

F   V         V         F       V

F   F         V         F       F


Como dá para ver não há qualquer hipótese das premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa. O que faz desta forma 

argumentativa uma forma válida.

 

Falácias Formais


Existem também falácias formais. Isto é, erros de raciocínio da lógica formal, modos de inferência inválidos. 


Falácia da afirmação da consequente:


P → Q

Q

∴ P


Esta forma não é válida. Vejamos um exemplo em linguagem natural onde isso fica claro: Se 

estou em Lisboa então estou em Portugal. Estou em Portugal. Logo, estou em Lisboa.


Ora, é fácil de entender que posso estar em Portugal e não estar em Lisboa. Posso estar em Beja ou no Porto.


Para tirar qualquer dúvida podemos construir um inspetor de circunstância para verificar:


P  Q     P → Q    Q   ∴ P

V   V         V         V       V

V   F         F         F       V

F   V         V         V       F

F   F         V         F       F


Como vemos, há uma possibilidade das premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa. O que não pode acontecer num

 argumento dedutivo válido. Daí ser inválido.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

sábado, 17 de outubro de 2020

Lógica Proposicional: conectivas verofuncionais e traduções

 1. As conectivas verofuncionais.

A lógica proposicional clássica lida com proposições complexas - proposições ligadas por conectivas proposicionais.

Mais precisamente com conectivas proposicionais verofuncionais.

Estas conectivas são aquelas que nos permitem aferir o valor de verdade da proposição complexa apenas sabendo o valor de verdade das proposições simples e qual a conectiva em causa.

As conectivas verofuncionais que vamos estudar são seis, cada uma delas com o seu símbolo:

Negação ("não"; "é falso que"; "não é verdade"). Símbolo: ㄱ ou ~

Conjunção ("e"; "assim como"; "também"). Símbolo: ∧

Disjunção inclusiva ("ou"). Símbolo: Ⅴ

Disjunção exclusiva ("ou...ou"). Símbolo: ⊻

Condicional ("se...então"; "desde que"; "a não ser que"). Símbolo: ⟶

Bicondicional ("se e só se"; "se e somente se"; "... e vice-versa"). Símbolo: ↔️

Tendo em conta que a lógica formal se ocupa da forma dos argumentos, é mais fácil representar cada proposição simples com uma letra - P, Q, R, ... - (chamadas variáveis proposicionais) e as conectivas pelos seus respectivos símbolos.

2. Traduções

Para traduzir as proposições complexas é necessário primeiro fazer um dicionário.

Exemplo: "O João gosta de chocolate e gelado"

Dicionário: P: "O João gosta de chocolate"; Q: "O João gosta de gelado".

Formalização/ tradução para linguagem formal: P ∧ Q

Para fazer o dicionário utilizamos as letras para simbolizar apenas as proposições simples. É preciso ter atenção à negação: não esquecer que é uma conectiva - por isso a seguinte proposição: "O João não gosta de gelado" traduz-se da seguinte maneira:

Dicionário: P: "O João gosta de gelado"

Formalização/tradução para linguagem formal:  ~P

Este tipo de linguagem permite formalizar proposições com várias variáveis e várias conectivas. Nós só precisamos de saber traduzir proposições com até três variáveis (três letras P, Q, R).

Neste tipo de casos é necessário ter em atenção qual a conectiva com maior âmbito. Para isso utilizamos parêntesis. 

Exemplo: P ⟶ (Q ν R)

Aqui a conectiva de maior âmbito é a condicional. Isto é, é a conectiva principal desta proposição. Tal como na matemática, é aquela operação que vamos "resolver" em último lugar de modo a dar-nos o "resultado final".

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Tabelas de verdade


https://www.slideshare.net/helenaserrao/pp4-238798870 

Clique no link para aceder aos diapositivos

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Lógica, Proposições, Argumentos, Validade dedutiva e indutiva, Verdade e Solidez

 


1. O que é a lógica?

A palavra "lógica" vem do grego logos e significa razão, discurso, palavra.

A lógica é a área da filosofia que estuda a distinção entre argumentos válidos e argumentos inválidos, identificando as condições necessárias para que de um dado ponto de partida (premissas) se possa retirar uma dada conclusão. A lógica estuda as regras às quais o nosso pensamento e discurso deve obedecer de modo a ser válido.

2. Proposições

A filosofia  trabalha com problemas em aberto, problemas para os quais não há uma solução consensual. As respostas a estes problemas são as teses filosóficas. Estas teses são expressas em proposições.

Uma proposição é o conteúdo de uma frase declarativa que pode ser verdadeiro ou falso - ter um "valor de verdade".

3. Argumentos

As proposições são os componentes dos argumentos utilizados para defender as teses filosóficas. Tendo em conta o facto de os problemas a que elas respondem serem problemas em aberto, o melhor modo que temos para provar que uma tese filosófica é melhor que outra é através da argumentação.

Um argumento é um conjunto variável de proposições articuladas entre si com o intuito de uma delas ser apoiada pelas outras. A proposição que se quer apoiar chama-se conclusão. Aquelas que utilizamos para apoiar são chamadas premissas. Um argumento pode ter uma ou mais premissas, mas só uma conclusão. 

Nem sempre as premissas de um argumento aparecem claramente enunciadas e com a conclusão no final. 

Para identificar a conclusão e as premissas podemos estar a tendo a certas palavras/expressões. Os indicadores de conclusão, e os indicadores de premissa. 

Indicadores de conclusão: logo, portanto, sendo assim, isto prova, desta forma, etc.

Indicadores de premissa: porque, pois, visto que, devido a, a razão é, se, etc.

4. Validade, Verdade e Solidez.

Depois de identificados os argumentos, podemos avaliá-los. Podemos ver se são válidos ou inválidos e, mais ainda, se são sólidos.

A verdade é uma propriedade das proposições, portanto, das premissas e da conclusão do argumento e não ao argumento como um todo. A verdade é a correspondência entre a proposição e a realidade. Se digo "O João está a dormir", esta proposição é verdadeira se o João estiver de facto a dormir.

Já a validade diz respeito ao argumento como um todo. De um argumento diz-se que é válido ou inválido, nunca verdadeiro ou falso. Um argumento é válido se as suas premissas apoiarem suficientemente a conclusão.

Um argumento é sólido se for válido e tiver as suas premissas verdadeiras.

5. Argumentos dedutivos e indutivos

Existem dois tipos de argumentos com dois tipos de validade diferente.

Temos a validade dedutiva - dos argumentos dedutivos - segundo a qual: um argumento é válido se e só se for impossível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Ou, dito de outro modo: num argumento dedutivo válido a conclusão não pode ser falsa se todas as premissas forem verdadeiras.

Os argumentos dedutivos válidos são, portanto, aqueles em que a conclusão se segue necessariamente das premissas, e por isso, caso as premissas forem verdadeiras a conclusão será necessariamente verdadeira também. 

É deste tipo de argumentos que se ocupa a lógica formal, a área da lógica que estuda os aspectos da estrutura/forma dos argumentos que são relevantes para a sua validade.

Por sua vez, a validade indutiva - dos argumentos indutivos - diz-nos apenas que caso as premissas de um argumento sejam verdadeiras então a conclusão é provavelmente verdadeira. este tipo de argumentos é estudado pela lógica informal.

A diferença entre os dois tipos de argumentos/validade está justamente no facto de que, nos argumentos dedutivos, caso o argumentos seja válido e as suas premissas verdadeiras, a conclusão é necessariamente verdadeira, enquanto no caso dos argumentos indutivos, caso as premissas sejam verdadeiras e a forma válida, a conclusão é apenas provavelmente verdadeira.