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sábado, 25 de setembro de 2021
TPC 10E - Os temas do texto de Platão: "Alegoria da Caverna"
Banda desenhada - Turma do Piteco, Maurício de Sousa
Temas da Alegoria da Caverna:
1. A condição humana.
2. A ignorância e a educação.
1. A CONDIÇÃO HUMANA - A Alegoria pretende alertar para a condição de escravidão e ignorância dos seres humanos. Essa escravidão consiste essencialmente na fixação a certas ideias do senso-comum que resistem a ser postas à prova e a mudar, dando-nos uma falsa ilusão de que sabemos o que, afinal, não sabemos. A questão é que o senso comum faz-nos ver as coisas pelo que habitualmente parecem ser, mas essa aparência é uma sombra de como as coisas são verdadeiramente. A verdade não é acessível ao senso comum. Vemos e ouvimos sem perguntar porque são as coisas como são. A resistência ao saber é ilustrada pela morte do homem que se liberta da caverna, como se essa libertação fosse uma ameaça para o homem comum, preso às sombras da caverna. Esse homem que ousa descrever outra realidade é considerado perigoso e seria eventualmente assassinado pelos seus companheiros.
1. Se a "Alegoria da Caverna" faz um retrato da condição humana, diga que retrato é esse que Platão elabora?
2. O homem que se liberta sabe fazer uma distinção que os homens na caverna não sabem fazer. Que distinção é essa?
3. Diga o que simbolizam, na "Alegoria da Caverna": "a caverna", "as sombras", "o fogo", "os prisioneiros", "o Sol" e "a escadaria" e o "homem que se liberta".
4. Segundo a obra de Platão, os prisioneiros matariam aquele que tentasse retirá-los das trevas. Porquê?
1. A condição humana.
2. A ignorância e a educação.
1. A CONDIÇÃO HUMANA - A Alegoria pretende alertar para a condição de escravidão e ignorância dos seres humanos. Essa escravidão consiste essencialmente na fixação a certas ideias do senso-comum que resistem a ser postas à prova e a mudar, dando-nos uma falsa ilusão de que sabemos o que, afinal, não sabemos. A questão é que o senso comum faz-nos ver as coisas pelo que habitualmente parecem ser, mas essa aparência é uma sombra de como as coisas são verdadeiramente. A verdade não é acessível ao senso comum. Vemos e ouvimos sem perguntar porque são as coisas como são. A resistência ao saber é ilustrada pela morte do homem que se liberta da caverna, como se essa libertação fosse uma ameaça para o homem comum, preso às sombras da caverna. Esse homem que ousa descrever outra realidade é considerado perigoso e seria eventualmente assassinado pelos seus companheiros.
A educação é o único meio que poderá tirar o homem da escravidão, na Alegoria ela é representada pela aprendizagem sucessiva do homem que confrontado com a luz do exterior fica cego e nada consegue ver. Precisa adaptar-se gradualmente e com esforço à luz, significando esse esforço de adaptação, o carácter difícil e incómodo da aprendizagem. Todavia, o resultado dessa educação é, sem dúvida, a percepção de um mundo de contornos mais nítidos, um mundo com riqueza de formas e contrastes que não é comparável ao mundo das sombras e da escuridão. Só pela educação da vista (aqui a vista significa a inteligência, isto é, a capacidade de entender) o homem pode compreender a sua verdadeira condição no passado, pois é por ter agora outras possibilidades de pensar que pode fazer a comparação com a vida que teve na caverna, compreender a sua pobreza e rejeitá-la.
2. A IGNORÂNCIA E A EDUCAÇÃO - O conhecimento obtido pela saída da caverna, deve ser transmitido, pois o homem que obtém conhecimento sabe o quanto os seus colegas vivem enganados e tem poder para os libertar mostrando-lhes como é o mundo, mas os homens devem querê-lo, senão não o podem atingir. É pelo poder do conhecimento e do ensino que se poderá retirar os homens da escuridão do seu falso conhecimento. Só o filósofo terá a necessidade de saber e é também dele a missão de ensinar e guiar porque o que é ignorante nada pode ensinar, não pode guiar, tem uma atitude passiva, visto que não há nele o apelo a outros mundos, a outras possibilidades mais justas.
CONCEITOS
Conhecimento versus Ignorância
Realidade versus Aparência
Hábito versus Pensamento
TESES
A condição humana é prisioneira de hábitos e teme o desconhecido.
O Filósofo é aquele que se liberta pela sabedoria e tem a função de despertar os homens para a verdade da sua condição.
A libertação da condição de ignorância é possível pela educação.
1. Se a "Alegoria da Caverna" faz um retrato da condição humana, diga que retrato é esse que Platão elabora?
2. O homem que se liberta sabe fazer uma distinção que os homens na caverna não sabem fazer. Que distinção é essa?
3. Diga o que simbolizam, na "Alegoria da Caverna": "a caverna", "as sombras", "o fogo", "os prisioneiros", "o Sol" e "a escadaria" e o "homem que se liberta".
4. Segundo a obra de Platão, os prisioneiros matariam aquele que tentasse retirá-los das trevas. Porquê?
A Alegoria da Caverna. O Texto.
Depois disto –
prossegui eu – imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua
falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa
habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz,
que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a
infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado
permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça,
por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao
longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há
um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no género
dos tapumes que os homens dos "robertos" colocam diante do público,
para mostrarem as suas habilidades por cima deles.
– Estou a ver
– disse ele.
– Visiona
também ao longo deste muro, homens que transportam toda a espécie de objectos,
que o ultrapassam: estatuetas de homens e de animais, de pedra e de madeira, de
toda a espécie de lavor; como é natural, dos que os transportam, uns falam,
outros seguem calados.
– Estranho
quadro e estranhos prisioneiros são esses de que tu falas – observou ele.
– Semelhantes
a nós – continuei -. Em primeiro lugar, pensas que, nestas condições, eles
tenham visto, de si mesmo e dos outros, algo mais que as sombras projectadas
pelo fogo na parede oposta da caverna?
– Como não –
respondeu ele –, se são forçados a manter a cabeça imóvel toda a vida?
– E os
objectos transportados? Não se passa o mesmo com eles?
–
Sem dúvida.
– Então, se
eles fossem capazes de conversar uns com os outros, não te parece que eles
julgariam estar a nomear objectos reais, quando designavam o que viam?
– É forçoso.
– E se a
prisão tivesse também um eco na parede do fundo? Quando algum dos transeuntes
falasse, não te parece que eles não julgariam outra coisa, senão que era a voz
da sombra que passava?
– Por Zeus,
que sim!
– De qualquer
modo – afirmei – pessoas nessas condições não pensavam que a realidade fosse
senão a sombra dos objectos.
– É
absolutamente forçoso – disse ele.
– Considera
pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e
curados da sua ignorância, a ver se, regressados à sua natureza, as coisas se
passavam deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a
endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, ao
fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os
objectos cujas sombras via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe
afirmasse que até então ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais
perto da realidade e via de verdade, voltado para objectos mais reais? E se
ainda, mostrando-lhe cada um desses objectos que passavam, o forçassem com
perguntas a dizer o que era? Não te parece que ele se veria em dificuldades e
suporia que os objectos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe
mostravam?
– Muito mais –
afirmou.
– Portanto, se
alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e
voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar,
e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que os que lhe
mostravam?
– Seria assim
– disse ele.
– E se o
arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e íngreme, e não o
deixassem fugir antes de o arrastarem até à luz do Sol, não seria natural que
ele se doesse e agastasse, por ser assim arrastado, e, depois de chegar à luz,
com os olhos deslumbrados, nem sequer pudesse ver nada daquilo que agora
dizemos serem os verdadeiros objectos?
– Não poderia,
de facto, pelo menos de repente.
– Precisava de
se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em primeiro lugar,
olharia mais facilmente para as sombras, depois disso, para as imagens dos
homens e dos outros objectos, reflectidas na água, e, por último, para os
próprios objectos. A partir de então, seria capaz de contemplar o que há no
céu, e o próprio céu, durante a noite, olhando para a luz das estrelas e da
Lua, mais facilmente do que se fosse o Sol e o seu brilho de dia.
– Pois não!
– Finalmente,
julgo eu, seria capaz de olhar para o Sol e de o contemplar, não já a sua
imagem na água ou em qualquer sítio, mas a ele mesmo, no seu lugar.
–
Necessariamente.
– Depois já
compreenderia, acerca do Sol, que é ele que causa as estações e os anos e que
tudo dirige no mundo visível, e que é o responsável por tudo aquilo de que eles
viam um arremedo.
– É evidente
que depois chegaria a essas conclusões.
– E então?
Quando ele se lembrasse da sua primitiva habitação, e do saber que lá possuía,
dos seus companheiros de prisão desse tempo, não crês que ele se regozijaria
com a mudança e deploraria os outros?
– Com certeza.
– E as honras
e elogios, se alguns tinham então entre si, ou prémios para o que distinguisse
com mais agudeza os objectos que passavam e se lembrasse melhor quais os que
costumavam passar em primeiro lugar e quais em último, ou os que seguiam
juntos, e àquele que dentre eles fosse mais hábil em predizer o que ia
acontecer – parece-te que ele teria saudades ou inveja das honrarias e poder
que havia entre eles, ou que experimentaria os mesmos sentimentos que em
Homero, e seria seu intenso desejo "servir junto de um homem pobre, como
servo da gleba", e antes sofrer tudo do que regressar àquelas ilusões e
viver daquele modo?
– Suponho que
seria assim – respondeu – que ele sofreria tudo, de preferência a viver daquela
maneira.
– Imagina
ainda o seguinte – prossegui eu -. Se um homem nessas condições descesse de
novo para o seu antigo posto, não teria os olhos cheios de trevas, ao regressar
subitamente da luz do Sol?
– Com certeza.
– E se lhe
fosse necessário julgar daquelas sombras em competição com os que tinham estado
sempre prisioneiros, no período em que ainda estava ofuscado, antes de adaptar
a vista – e o tempo de se habituar não seria pouco – acaso não causaria o riso,
e não diriam dele que, por ter subido ao mundo superior, estragara a vista, e
que não valia a pena tentar a ascensão? E a quem tentasse soltá-los e
conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-lo, não o matariam?
– Matariam,
sem dúvida – confirmou ele.
– Meu caro
Gláucon, este quadro – prossegui eu – deve agora aplicar-se a tudo quanto
dissemos anteriormente, comparando o mundo visível através dos olhos à caverna
da prisão, e a luz da fogueira que lá existia à força do Sol. Quanto à subida
ao mundo superior e à visão do que lá se encontra, se a tomares como a ascensão
da alma ao mundo inteligível, não iludirás a minha expectativa, já que é teu
desejo conhecê-la. O Deus sabe se ela é verdadeira. Pois, segundo entendo, no
limite do cognoscível é que se avista, a custo, a ideia do Bem; e, uma vez
avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto há de justo e
belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que,
no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e da inteligência, e que é
preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e pública.»
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