Better off - Os mais favorecidos - Devem ter suas expectativas materiais minimizadas, sendo convencidos através do apelo altruístico de que o talento está a serviço do coletivo, preferencialmente voltado para o atendimento dos menos favorecidos.
terça-feira, 26 de maio de 2026
Texto para resumo: Maria Eduarda
Better off - Os mais favorecidos - Devem ter suas expectativas materiais minimizadas, sendo convencidos através do apelo altruístico de que o talento está a serviço do coletivo, preferencialmente voltado para o atendimento dos menos favorecidos.
Texto para resumo Carolina 10B
O contrato social
Como chegar a um acordo entre todos para poder implementar princípios de justiça?
Mas talvez – o mais provável – é que não exista um verdadeiro acordo a que possamos recorrer. Que outra coisa poderíamos fazer? Um segundo pensamento é solicitar o conselho de um “espectador imparcial”. (…)
Mas, e se nas imediações não estiver pessoa alguma com estas características? Uma terceira estratégia consistiria em evocar alguém mentalmente – um espetador hipotético. “O que diria o teu pai, se aqui estivesse?” (…)
Por fim, podíamos fazer apelo a um acordo hipotético. Mentalmente, podíamos analisar o acordo que teríamos feito se um de nós tivesse colocado a questão antes de o jogo começar. Talvez eu consiga convencer o leitor de que, se tivéssemos discutido o assunto, teríamos concordado em anular a jogada nestas circunstâncias. O leitor só discorda porque está influenciado pelo jogo que tem na mão. (…) Isso não o deixa ver a justiça da situação. Imaginar aquilo com que teria concordado antes de ter o jogo na mão é uma forma de tentar filtrar a parcialidade originada pelos seus próprios interesses. E é esta a ideia que Rawls adota na tentativa de defesa dos seus princípios de justiça.
É claro que, se quisermos usar o argumento do acordo hipotético para resolver os problemas da justiça, temos de supor que o contrato hipotético ocorrerá em circunstâncias de algum modo especiais. (…) Assim, pressupomos alguma ignorância. Nenhum de nós sabe o jogo que lhe tocará. Se conseguirmos imaginar isto, ficaremos numa posição em que não poderemos ser influenciados pelos nossos interesses particulares; ou seja, pelo facto de termos ou não um bom jogo em mãos. Se não fizermos esta abstração, a probabilidade de conseguirmos definir um acordo hipotético torna-se diminuta.
Rawls, então, usa o argumento do contrato hipotético para justificar os seus princípios de justiça. Consequentemente, podemos dividir o projeto de Rawls em três elementos. O primeiro é a definição das circunstâncias nas quais se realizará o acordo hipotético; o segundo é o argumento de que os seus princípios de justiça seriam escolhidos nessas circunstâncias; e o terceiro é a afirmação de que isto mostra que aqueles são princípios de justiça corretos, pelo menos para regimes democráticos modernos. Consideremos o primeiro destes elementos, as circunstâncias do contrato, que Rawls designa como “posição original”. Que ignorância ou que conhecimento precisamos de atribuir aos contratantes para se tornar possível um acordo sobre justiça social?
Se quiséssemos tentar imaginar um contrato hipotético celebrado entre todas as pessoas de uma sociedade moderna, não conseguiríamos. Não há termos com os quais literalmente todas as pessoas concordassem (ou, a haver alguns, estes dificilmente constituiriam uma conceção integral da justiça). Podemos antecipar que algumas pessoas ricas, por exemplo, se oporão fortemente à tributação, ao passo que algumas pessoas pobres quererão que os ricos sejam mais tributados do
que atualmente, por forma a aumentar o financiamento das prestações sociais. Deste modo, surgirá uma disputa – o objetivo de uma teoria da justiça é tentar resolver disputas desta índole.
Rawls pressupõe que as perspetivas que as pessoas têm da justiça são muitas vezes parciais, em parte devido aos seus próprios interesses específicos. Uma vez que elas já sabem as cartas sociais que lhes couberam em sorte – inteligência, força, etc. – não conseguem frequentemente assumir uma posição devidamente imparcial, conforme se exige a bem da justiça. O principal pensamento de Rawls é que, embora a justiça requeira imparcialidade, a imparcialidade pode ser modelada através do pressuposto de ignorância. Isto abre caminho a um argumento do contrato hipotético.
Jonathan Wolff (2004). Introdução à filosofia política. Gradiva, pp. 219-222.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Matriz do 4º Teste - dia 28 de maio
Este elemento de avaliação é composto de dois testes,
cada um é avaliado de 0 a 20 valores.
Cada teste avalia competências diferentes. O primeiro teste
avalia a competência do domínio dos conceitos: Conceptualização que vale
40% na avaliação final. O segundo teste destina-se a avaliar as competências de
Problematização e Argumentação que valem 30% na avaliação final.
Primeiro Teste – Conceptualização - 10 questões de escolha múltipla (10 x 14 pontos=140 pontos); Esclarecer conceitos (2 x 30 pontos=60 pontos); Total - 200 Pontos
Segundo Teste – Problematização e Argumentação
As perguntas colocadas implicam desenvolvimento/explicação/justificação
Grupo I: Questão 1 - 25; Questão 2 - 30; Questão 3 - 35; Grupo II: Questão
1- 25; Questão 2 - 25; Grupo III - 60 Pontos - Total - 200 Pontos
Competência transversal: comunicação /
correção escrita.
Este elemento de avaliação é composto de dois testes,
cada um é avaliado de 0 a 20 valores.
Cada teste avalia competências diferentes. O primeiro teste
avalia a competência do domínio dos conceitos: Conceptualização que vale
40% na avaliação final. O segundo teste destina-se a avaliar as competências de
Problematização e Argumentação que valem 30% na avaliação final.
Primeiro Teste – Conceptualização - 10 questões de
escolha múltipla (10 x 14 pontos=140 pontos); Esclarecer conceitos (2 x 30
pontos=60 pontos); Total - 200 Pontos
Segundo Teste – Problematização e Argumentação
As perguntas colocadas implicam desenvolvimento/explicação/justificação
Grupo I: Questão 1 - 25; Questão 2 - 30; Questão 3 - 35; Grupo II: Questão
1- 25; Questão 2 - 25; Grupo III - 60 Pontos - Total - 200 Pontos
Competência transversal: comunicação /
correção escrita.
Conteúdos
A necessidade de
fundamentação da moral -análise comparativa de duas perspectivas filosóficas: A
ética deontológica de Kant e a ética utilitarista de MIll.
O que é uma ação
moralmente correta?
• A fundamentação da ação moral - A ética deontológica de
Immanuel Kant:
- Ação por dever/ Ação em conformidade com o dever;
• O problema do critério ético da moralidade de uma ação:
- Imperativo categórico;
• A fundamentação da ação moral - A ética utilitarista de
Stuart Mill:
- O princípio da utilidade ou da maior felicidade
- Prazeres superiores e prazeres inferiores;
- Cálculo da maior felicidade agregada;
• Análise comparativa das éticas de Kant e Mill:
- Deontologismo versus Consequencialismo;
Como organizar uma
sociedade justa?
• O problema da organização de uma sociedade justa: A Teoria
da Justiça de John Rawls;
- A justiça como equidade;
- A Posição Original
- O Véu de Ignorância;
- Regra Maximin;
Os princípios da Justiça como equidade;
- Princípio da Liberdade igual para todos;
- Princípio de igualdade equitativa de oportunidades;
- Princípio da diferença;
• Análise comparativa das posições de Rawls, Sandel e
Nozick;
Crítica de Sandel ao sujeito desvinculado de Rawls;
Crítica de Nozick ao princípio da diferença;
A função do Estado mínimo de Nozick;
Objetivos/Competências
Explicar o critério da moralidade de uma ação em Kant;
intenção e dever.
Esclarecer a importância do imperativo categórico na moral
Kantiana.
Explicitar o critério da moralidade de uma ação em Mill;
Descrever o princípio da utilidade ou da maior felicidade;
Diferenciar prazeres superiores e inferiores;
Confrontar a posição Deontológica de Kant com a posição
Consequencialista de Mill;
Identificar as objeções a ambas as teorias;
Fundamentar uma posição crítica sobre as teorias
estudadas.
Formular o problema da organização da sociedade justa.
Explicitar teses e
argumentos da teoria da Justiça como equidade, de Rawls.
Definir conceitos nucleares: Posição Original; Véu de
Ignorância; regra maximin,
contratualismo, equidade.
Descrever os três princípios da justiça.
Argumentar sobre a
prioridade de cada um dos princípios da justiça.
Confrontar o liberalismo de Rawls com o comunitarismo de
Michael Sandel e o libertarismo de Robert Nozick.
terça-feira, 12 de maio de 2026
Texto para resumo Sebastião 10B
"Imagina que não conheces o teu lugar na sociedade, a tua classe e estatuto social, os teus gostos pessoais e as tuas características psicológicas, a tua sorte na distribuição dos talentos naturais (como a inteligência, a força e a beleza) e que nem sequer conheces a tua concepção de bem, ignorando que coisas fazem uma vida valer a pena. Mas não és o único que se encontra nesta posição original; pelo contrário, todos estão envoltos neste véu de ignorância. Rawls afirma que esta situação hipotética descreve uma posição inicial de igualdade e nessa medida este argumento junta-se ao argumento intuitivo da igualdade de oportunidades. Ambos procuram defender a concepção de igualdade que melhor dá conta das nossas intuições de igualdade e justiça. De seguida, Rawls levanta a questão central: Que princípios de justiça seriam escolhidos por detrás deste véu de ignorância? Aqueles que as pessoas aceitariam contando que não teriam maneira de saber se seriam ou não favorecidas pelas contingências sociais ou naturais. Nessa medida, a posição original diz-nos que é razoável aceitar que ninguém deve ser favorecido ou desfavorecido.Apesar de não sabermos qual será a nossa posição na sociedade e que objectivos teremos, há coisas que qualquer vida boa exige. Poderás ter uma vida boa como arquitecto ou poderás ter uma vida boa como mecânico e parece óbvio que estas vidas particulares serão bastante diferentes. Mas para serem ambas vidas boas há coisas que terão de estar presentes em qualquer uma delas, assim como em qualquer vida boa. A estas coisas Rawls chama bens primários. Há dois tipos de bens primários, os sociais e os naturais. Os bens primários sociais são directamente distribuídos pelas instituições sociais e incluem o rendimento e a riqueza, as oportunidades e os poderes, e os direitos e as liberdades. Os bens primários naturais são influenciados, mas não directamente distribuídos, pelas instituições sociais e incluem a saúde, a inteligência, o vigor, a imaginação e os talentos naturais. Podes achar estranho que as instituições sociais distribuam directamente rendimento e riqueza, mas segundo Rawls as empresas são instituições sociais.
Texto para resumo Tiago 10B
Robert Nozick é o crítico mais duro do princípio da diferença de Rawls. A perspetiva que propõe é a da titularidade das posses justas. Esta perspetiva diz que tudo o que ganhas honestamente através do teu esforço e de acordos justos é teu. Se alguém ganhou legitimamente o que tem, então a distribuição que daí resulta é justa — independentemente de poder ser desigual. Ainda que outros tenham muito menos, ninguém tem o direito de se apropriar das tuas posses. Esquemas (como taxas diferenciadas de impostos) que forçam a redistribuição de riqueza são errados porque violam o teu direito à propriedade. Roubam o que é teu para dar a outros.
Quanto devem ganhar os médicos? Segundo Nozick, devem ganhar seja o que for que ganhem legitimamente. Numa sociedade podem ganhar praticamente o mesmo que qualquer outra pessoa; noutra, podem ganhar grandes somas de dinheiro. Nos dois casos, são titulares do que ganham — e qualquer esquema que lhes retire os seus ganhos para ajudar outros é injusto.
Que perspectiva devemos preferir, a de Rawls ou a de Nozick? Se apelarmos a intuições morais, ficaremos num impasse; as intuições liberais estão de acordo com Rawls, enquanto as intuições libertárias estão de acordo com Nozick. Contudo, eu afirmaria que a consistência racional favorece algo de parecido com a perspectiva de Rawls. Imagina uma sociedade organizada segundo a concepção de mercado livre de Nozick e na qual, depois de várias gerações, há um grande fosso entre ricos e pobres. Aqueles que nasceram numa família rica são ricos, e aqueles que nasceram numa família pobre sujeitam-se a uma pobreza que não podem vencer. Imagina que tu e a tua família sofrem desta pobreza. Se estiveres nesta situação, poderás desejar que os princípios de Nozick sejam seguidos?
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Trabalhos de grupo 2026 - 10B
Temas problemas do mundo contemporâneo:
Os textos de referência para o trabalho estão no Teams ou na Reprografia da Escola, o tema da Guerra está no manual escolar.
Os diapositivos de todos os trabalhos devem ser enviados até dia 7 de maio para o endereço:
helena.serrao@aepa.pt
A apresentação oral do tema 1 e 2 será no dia 7 de maio
Tema 3, 4 e 5 dia 14 de maio
Tema 6 dia 19 de maio
Tema 1.
A pobreza
como um problema moral. Será a pobreza um problema moral?
Grupo: Mariana, Eva Costa, Rafaela e Leanísia
Manual “A arte de pensar” Da página 169 à página 181 nos
ficheiros do Teams
GUIÃO: Explicar o problema. Apresentar duas teses e argumentos sobre o problema. Problematizar a partir do estudo de um caso de pobreza absoluta.Tomar uma posição fundamentada.
Apresentação com diapositivo - dia 7 de maio
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Tema 2
Os problemas de género: A violência sobre as mulheres será um problema cultural?
Grupo: Ana, Carlota e Mel
GUIÃO: Ler e resumir a informação relevante dos textos.Partir de um estudo de um caso. Problematizar. Tomar posição fundamentada sobre a questão.Argumentar a favor da sua posição apresentando também uma objeção.
Apresentação dia 7 de maio
Textos na reprografia
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TEMA 3.
O problema da morte assistida. Será eticamente correto legalizar a eutanásia?
Grupo: Francisco, Rebeca e Tiago
GUIÃO: Explicar qual é o problema. Explicar as várias formas de eutanásia. Retirar as teses principais dos textos dados. Estudar um caso.Tomar uma posição fundamentada com argumentos.
Apresentação com diapositivos dia 14 de maio
Textos de referência nos Ficheiros
do Teams
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Tema 4.
O Terrorismo e o choque de culturas. O terrorismo será um problema religioso?
Grupo: António, Daniel e Diana.
GUIÃO: Explicar o conceito de terrorismo. Resumir o texto dado. Partir de um estudo de caso.Tomar uma posição, argumentar a favor da sua posição e colocar objeções à sua posição.
Apresentação dia 14 de maio
Textos: Capítulo 3 da obra de Slavoj Zizek, Violência - nos Ficheiros do Teams
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Tema 5.
O problema da guerra. Será a guerra justificável? A violação dos direitos humanos por causa da guerra será de algum modo, justificável?
Grupo: Diogo, Gonçalo, Sebastião e Vicente
GUIÃO: Explicar o conceito de Guerra. Apresentar alternativas de resposta ao problema com teses e argumentos. Estudar um caso concreto. Tomar uma posição, argumentar a favor da sua posição e colocar também objeções.
Apresentação dia 1 ou 2 de maio
Textos do manual de Filosofia”Agora”- pág.240 à pág.
260
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Tema 6
Cidadania e participação política. Haverá casos em que é moralmente aceitável desobedecer à lei?
O caso de Rosa Parks.
Grupo:Carolina, Eduarda e Eva Ascensio
GUIÃO: Explicar o problema. Resumir os textos dados com alternativas de resposta ao problema.Partir de um estudo de um caso. Tomar posição fundamentada com argumentos e também colocar objeções à sua posição.
Apresentação dia 19 de maio
Textos na reprografia.
Critérios de avaliação:
1. Explicar bem os conceitos em causa. (30)
4. Fundamentar as posições apresentadas com bons argumentos e apresentar pelo menos uma objeção (exemplos/factos ou razões) (30)
domingo, 12 de abril de 2026
Texto para resumo Rafaela 10B
Faustino Vaz
Retirado DAQUI
quarta-feira, 25 de março de 2026
Texto para resumo Eva Costa 10B
As teorias éticas
Há duas grandes classes de teorias éticas — consequencialistas e deontológicas — que têm dado forma ao entendimento que a maior parte das pessoas tem da ética. Os consequencialistas defendem que devemos escolher a ação disponível que têm as melhores consequências globais, ao passo que os deontologistas defendem que devemos agir de circunscritos por regras e direitos morais e que estas regras ou direitos se definem (pelo menos em parte) independentemente das consequências. (…)
Quando enfrentamos uma decisão moral, devemos considerar as ações alternativas disponíveis, traçar as consequências morais prováveis de cada uma delas, e depois selecionar a alternativa com as melhores consequências para todos os envolvidos. Quando descrita desta forma vaga, o consequencialismo é claramente uma teoria apelativa. Afinal de contas, parece difícil negar que alcançar o melhor resultado possível seria bom. O problema, claro, é decidir que consequências devemos ter em consideração e o peso que devemos dar a cada uma delas. Pois sem sabermos isso não podemos saber como raciocinar sobre a moralidade.
O utilitarismo, a forma mais comum de consequencialismo, tem uma resposta. Os utilitaristas afirmam que devemos escolher a opção que maximiza “a maior felicidade para o maior número”. Defendem igualmente a completa igualdade: “cada qual conta como um e não mais de um”
As teorias deontológicas contrastam na sua maior parte com as teorias consequencialistas. Ao passo que os consequencialistas defendem que devemos sempre procurar promover as melhores consequências, os deontologistas defendem que as nossas obrigações morais — sejam elas quais forem — são de algum modo e em certo grau independentes das consequências. Assim, se eu tenho a obrigação de não matar, roubar ou mentir, estas obrigações estão justificadas não apenas porque seguir tais regras produz sempre as melhores consequências.
É por isso que tantas pessoas acham que as teorias deontológicas são tão atraentes. Por exemplo, a maior parte de nós ficaria ofendida se alguém nos mentisse, ainda que essa mentira produzisse a maior felicidade para o maior número. Eu ficaria sem dúvida ofendido se alguém me matasse, ainda que a minha morte pudesse produzir a maior felicidade para o maior número (usando os meus rins para salvar a vida de duas pessoas, o meu coração para salvar uma terceira, etc.). Assim, o que há de errado ou certo em mentir ou matar não pode ser explicado, defendem os deontologistas, unicamente por causa das suas consequências. Claro que há muito desacordo entre os deontologistas sobre quais regras são verdadeiras. Também discordam sobre como se determina que regras são essas. Alguns deontologistas afirmam que a razão abstrata nos mostra como devemos agir (Kant).
Teorias sobre a ética, Hugh LaFollette
domingo, 22 de março de 2026
Texto para resumo Gonçalo 10B
De dois prazeres, se houver um ao qual todos ou quase todos aqueles que tiveram a experiência de ambos derem uma preferência decidida, independentemente de sentirem qualquer obrigação moral para o preferir, então será esse o prazer mais desejável. Se um dos dois for colocado, por aqueles que estão competentemente familiarizados com ambos, tão acima do outro que eles o preferem mesmo sabendo que é acompanhado de um maior descontentamento, e se não abdicarem dele por qualquer quantidade do outro prazer acessível à sua natureza, então teremos razão para atribuir ao deleite preferido uma superioridade em qualidade que ultrapassa de tal modo a quantidade que esta se torna, por comparação, pouco importante.
Ora, é um facto inquestionável que aqueles que estão igualmente familiarizados com ambos, e que são igualmente capazes de os apreciar e de se deleitar com eles, dão uma preferência muitíssimo marcada ao modo de existência que emprega as suas faculdades superiores. Poucas criaturas humanas consentiriam ser transformadas em qualquer dos animais inferiores perante a promessa da plena fruição dos prazeres de uma besta, nenhum ser humano inteligente consentiria tornar-se tolo, nenhuma pessoa instruída se tornaria ignorante, nenhuma pessoa de sentimento e consciência se tornaria egoísta e vil, mesmo que a persuadissem de que o tolo, o asno e o velhaco estão mais satisfeitos com a sua sorte do que ela com a sua. (...) Um ser com faculdades superiores precisa de mais para ser feliz, provavelmente é capaz de um sofrimento mais agudo e certamente é-lhe vulnerável em mais aspectos. Mas, apesar destas desvantagens, não pode nunca desejar realmente afundar-se naquilo que se lhe afigura como um nível de existência inferior. (...) Quem supõe que esta preferência implica um sacrifício da felicidade - que, em igualdade de circunstâncias, o ser superior não é mais feliz que o ser inferior - confunde as ideias muito diferentes de felicidade e de contentamento. É indiscutível que um ser cujas capacidades de deleite sejam baixas tem uma probabilidade maior de as satisfazer completamente, e que um ser amplamente dotado sentirá sempre que, da forma como o mundo é constituído, qualquer felicidade que possa procurar é imperfeita. Mas pode aprender a suportar as suas imperfeições, se de todo forem suportáveis, e estas não o farão invejar o ser que, na verdade, está inconsciente das imperfeições, mas apenas porque não sente de modo nenhum o bem que essa imperfeições qualificam. É melhor um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; é melhor Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito. E se o tolo ou o porco têm uma opinião diferente é porque só conhecem o seu próprio lado da questão. A outra parte da comparação conhece ambos os lados.
John Stuart Mill, Utilitarismo, Porto Editora, Porto, 2005
quarta-feira, 18 de março de 2026
Texto para resumo Francisco 10B
O princípio da maior felicidade
O utilitarismo é um tipo de ética consequencialista. O seu princípio básico, conhecido como o Princípio da Utilidade ou da Maior Felicidade, é o seguinte: a acção moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número. E deve fazê-lo de uma forma imparcial: a tua felicidade não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa. Saber por quem se distribui a felicidade é indiferente. O que realmente conta e não é indiferente é saber se uma determinada acção maximiza a felicidade. Saber se a avaliação moral de uma acção a partir do Princípio da Maior Felicidade depende das consequências que de facto tem ou das consequências esperadas é um aspecto da ética de Mill que permanece em aberto.Apesar de haver pessoas que não o aceitam, o princípio básico dos utilitaristas é hoje central nas disputas morais. Mas há cento e cinquenta anos foi uma ideia revolucionária. Pela primeira vez, filósofos defendiam que a moralidade não dependia de Deus nem de regras abstractas. A felicidade do maior número é tudo o que se deve perseguir com a ajuda da experiência. Isto explica que os utilitaristas tenham sido reformadores sociais empenhados em mudanças como a abolição da escravatura, a igualdade entre homens e mulheres e o direito de voto para todos, independentemente de deterem ou não propriedade.
Faustino Vaz, retirado DAQUI









