domingo, 22 de março de 2026
Texto para resumo Gonçalo 10B
De dois prazeres, se houver um ao qual todos ou quase todos aqueles que tiveram a experiência de ambos derem uma preferência decidida, independentemente de sentirem qualquer obrigação moral para o preferir, então será esse o prazer mais desejável. Se um dos dois for colocado, por aqueles que estão competentemente familiarizados com ambos, tão acima do outro que eles o preferem mesmo sabendo que é acompanhado de um maior descontentamento, e se não abdicarem dele por qualquer quantidade do outro prazer acessível à sua natureza, então teremos razão para atribuir ao deleite preferido uma superioridade em qualidade que ultrapassa de tal modo a quantidade que esta se torna, por comparação, pouco importante.
Ora, é um facto inquestionável que aqueles que estão igualmente familiarizados com ambos, e que são igualmente capazes de os apreciar e de se deleitar com eles, dão uma preferência muitíssimo marcada ao modo de existência que emprega as suas faculdades superiores. Poucas criaturas humanas consentiriam ser transformadas em qualquer dos animais inferiores perante a promessa da plena fruição dos prazeres de uma besta, nenhum ser humano inteligente consentiria tornar-se tolo, nenhuma pessoa instruída se tornaria ignorante, nenhuma pessoa de sentimento e consciência se tornaria egoísta e vil, mesmo que a persuadissem de que o tolo, o asno e o velhaco estão mais satisfeitos com a sua sorte do que ela com a sua. (...) Um ser com faculdades superiores precisa de mais para ser feliz, provavelmente é capaz de um sofrimento mais agudo e certamente é-lhe vulnerável em mais aspectos. Mas, apesar destas desvantagens, não pode nunca desejar realmente afundar-se naquilo que se lhe afigura como um nível de existência inferior. (...) Quem supõe que esta preferência implica um sacrifício da felicidade - que, em igualdade de circunstâncias, o ser superior não é mais feliz que o ser inferior - confunde as ideias muito diferentes de felicidade e de contentamento. É indiscutível que um ser cujas capacidades de deleite sejam baixas tem uma probabilidade maior de as satisfazer completamente, e que um ser amplamente dotado sentirá sempre que, da forma como o mundo é constituído, qualquer felicidade que possa procurar é imperfeita. Mas pode aprender a suportar as suas imperfeições, se de todo forem suportáveis, e estas não o farão invejar o ser que, na verdade, está inconsciente das imperfeições, mas apenas porque não sente de modo nenhum o bem que essa imperfeições qualificam. É melhor um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; é melhor Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito. E se o tolo ou o porco têm uma opinião diferente é porque só conhecem o seu próprio lado da questão. A outra parte da comparação conhece ambos os lados.
John Stuart Mill, Utilitarismo, Porto Editora, Porto, 2005
quarta-feira, 18 de março de 2026
Texto para resumo Francisco 10B
O princípio da maior felicidade
O utilitarismo é um tipo de ética consequencialista. O seu princípio básico, conhecido como o Princípio da Utilidade ou da Maior Felicidade, é o seguinte: a acção moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número. E deve fazê-lo de uma forma imparcial: a tua felicidade não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa. Saber por quem se distribui a felicidade é indiferente. O que realmente conta e não é indiferente é saber se uma determinada acção maximiza a felicidade. Saber se a avaliação moral de uma acção a partir do Princípio da Maior Felicidade depende das consequências que de facto tem ou das consequências esperadas é um aspecto da ética de Mill que permanece em aberto.Apesar de haver pessoas que não o aceitam, o princípio básico dos utilitaristas é hoje central nas disputas morais. Mas há cento e cinquenta anos foi uma ideia revolucionária. Pela primeira vez, filósofos defendiam que a moralidade não dependia de Deus nem de regras abstractas. A felicidade do maior número é tudo o que se deve perseguir com a ajuda da experiência. Isto explica que os utilitaristas tenham sido reformadores sociais empenhados em mudanças como a abolição da escravatura, a igualdade entre homens e mulheres e o direito de voto para todos, independentemente de deterem ou não propriedade.
Faustino Vaz, retirado DAQUI
quarta-feira, 11 de março de 2026
Texto para resumo Eva Ascêncio 10B
"Pelo contrário, conservar a própria vida é um dever, e é, além disso, uma coisa para a qual todos sentimos inclinação imediata. Justamente por isso a solicitude muitas vezes angustiante que a maior parte dos homens demonstra pela vida é destituída de todo valor intrínseco, e a máxima, que, (398) exprime tal solicitude, não tem nenhum valor moral. De fato, eles conservam a vida conformemente ao dever, mas não por dever. Ao invés, se contrariedades ou uma dor sem esperança tiraram a um homem todo o prazer da vida, se o infeliz, de ânimo forte, se sente mais enojado de sua sorte que descoroçoado ou abatido, se deseja a morte, e, no entanto, conserva a vida sem a amar, não por inclinação ou temor, mas por dever, então sua máxima comporta valor moral. Ser benfazejo, quando se pode, é um dever; contudo há certas almas tão propensas à simpatia que, sem motivo de vaidade ou de interesse, experimentam viva satisfação em' difundir em volta de si a alegria e se comprazem em ver os outros felizes, na medida em que isso é obra delas. Mas afirmo que, em tal caso, semelhante ação, por conforme ao dever e por amável que seja, não possui valor moral verdadeiro; é simplesmente concomitante com outras inclinações, por exemplo, com o amor da glória, o qual, quando tem em vista um objeto em harmonia com o interesse público e com o dever, com o que, por conseguinte, é honroso, merece louvor e estímulo, mas não merece respeito; pois à máxima da ação falta o valor moral, que só está presente quando as ações são praticadas, não por inclinação, por dever. Imaginemos pois a alma deste filantropo anuviada por um daqueles desgostos pessoais que sufocam toda simpatia para com a sorte alheia; que ele tenha ainda a possibilidade de minorar os males de outros desgraçados, sem que todavia se sinta comovido com os sofrimentos deles, por se encontrar demasiado absorvido pelos seus próprios; e que, nestas condições, sem ser induzido por nenhuma inclinação, se arranca a essa extrema insensibilidade e age, não por inclinação, mas só por dever:Immanuel Kant, Fundamentação da metafísica dos costumes
sexta-feira, 6 de março de 2026
Texto resumo Diana 10B
“- Kant tinha desde o princípio a forte impressão de que a diferença entre o justo e o injusto tinha de ser mais do que uma questão de sentimentos. Nesse aspeto ele estava de acordo com os racionalistas, que tinham explicado que era inerente à razão humana distinguir o justo do injusto. Todos os homens sabem o que é justo e o que não é, e nós sabemo-lo não apenas porque o aprendemos, mas também porque é inerente à nossa razão. Kant achava que todos os homens tinham uma “razão prática” que nos diz sempre o que é justo e o que é injusto no domínio da moral.
quarta-feira, 4 de março de 2026
Textos para resumo Carolina10B
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Texto para resumo: Rebeca 10B
Sim, quando Kant descreve a lei moral, descreve a consciência humana. Não podemos provar o que a consciência diz, mas sabemo-lo. - Por vezes, sou muito simpático para com os outros simplesmente porque é vantajoso para mim. Desse modo, posso ser popular. - Mas quando és simpática para com os outros apenas para seres popular, não estás a agir de acordo com a lei moral. Talvez não estejas a observar a lei moral. Talvez estejas a agir numa espécie de acordo superficial com a lei moral - e isso já é alguma coisa -, mas uma ação moral tem de ser o resultado de uma superação de ti mesma. Só quando fazes algo porque achas ser teu “dever” seguir a lei moral é que podes falar de uma ação moral. Por isso, a ética de Kant é frequentemente chamada “ética do dever”.
3º Teste - Matriz 10ºB 2ºSemestre
Este elemento de avaliação é composto por dois testes, cada um é avaliado de 0 a 20 valores. Cada teste avalia competências diferentes:
O primeiro teste avalia a competência do domínio dos conceitos. A Conceptualização que vale 40% na avaliação final.
O segundo teste destina-se a avaliar as competências de Problematização e Argumentação que valem 30% na avaliação final.
Estrutura:
Primeiro Teste – Conceptualização
10 questões de escolha múltipla (10x14 pontos=140 pontos)
2 questões de definição de conceitos (2 x 30 pontos=60 pontos)
Total – 200 Pontos
Segundo Teste – Problematização e Argumentação
Grupo I
1 questão - Análise de texto (40 pontos)
1 questão - Tomada de posição e articulação argumentativa. (40 pontos)
Grupo II
1 questão de seleção textual (30 Pontos)
1 questão de formulação de uma crítica a uma teoria. (30 Pontos)
Grupo III
2 questões (1x 40 pontos, 1x 20 pontos = 60 pontos)
Total -200 Pontos
Conteúdos / Competências
1. Determinismo e Liberdade na Ação Humana
Formular o problema do livre-arbítrio.
Distinguir as teorias compatibilistas (há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio) das teorias incompatibilistas (não há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio).
Dominar os diferentes argumentos de cada uma das teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical, determinismo moderado e libertismo
Expor as diferentes críticas a cada uma das teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical, determinismo moderado e libertismo
Fundamentar uma posição pessoal sobre o problema do livre-arbítrio.
2. O problema da natureza dos valores morais:
a. Distinguir juízo de facto/juízo de valor.
b.Exemplificar de juízos de facto e juízos de valor.
c. Formular o problema da natureza dos juízos morais.
d. Dominar os diferentes argumentos de cada uma das teorias sobre os juízos morais; Subjetivismo, relativismo e objetivismo.
e.Expor as diferentes críticas a cada uma das teorias sobre os juízos morais; Subjetivismo, relativismo e objetivismo.
3. O problema do fundamento da ação moral:
Distinguir a perspetiva deontológica da perspetiva utilitarista.
Explicar o que é uma ação correta na perspetiva deontológica de Kant.
Caracterizar ações por puro dever, ações conforme o dever e ações contra o dever.
Esclarecer o conceito de boa vontade.
Distinguir o imperativo categórico do imperativo hipotético.
ARGUMENTAÇÃO
Resposta estruturada e desenvolvimento do conteúdo. Exige conhecimento do tema e justificação das respostas dadas. Exposição de razões.
Interpretação/Análise dos argumentos e das teses de um texto.
PROBLEMATIZAÇÃO
Saber formular questões/problemas. Colocar objeções a uma teoria. Avaliar criticamente uma teoria.
Competências gerais:
1. Dominar com rigor os conhecimentos exigidos para responder às questões.
2. Utilizar os conceitos filosóficos.
3. Expor de forma clara e objetiva o pensamento.
4. Saber analisar logicamente um texto.
5. Selecionar no texto o que é necessário para responder.
6. Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.
7. Avaliar as várias teorias contrapondo argumentos.
8. Justificar com razões fortes as suas posições.
9. Escrever com correção.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Texto para resumo Mariana 10B
Kant acreditava que o que faz de nós seres humanos, ao contrário dos outros animais, é o fato de pensarmos reflexivamente sobre nossas escolhas. Seríamos como máquinas se não pudéssemos agir com uma intenção. Quase sempre faz sentido perguntar para um ser humano “Por que você fez isso?”. Nós não agimos somente por instinto, mas também baseados na razão. A forma de Kant dizer isso é em termos de “máximas” a partir das quais agimos. A máxima é apenas o princípio subjacente, a resposta à pergunta “Por que você fez isso?”
Kant acreditava que a máxima subjacente à nossa ação era o
que realmente importava. Ele dizia que deveríamos agir somente sob as máximas
universalizáveis. Para que algo seja universal, é preciso ser aplicado a todas
as outras pessoas. Isso quer dizer que deveríamos fazer somente aquilo que
fizesse sentido para todos os outros na mesma situação. Sempre pergunte a si
mesmo: “E se todos fizessem isso?”. Não faça uma defesa própria. Kant
acreditava que, na prática, isso significava que não deveríamos usar os outros,
mas sim tratá-los com respeito, reconhecendo a autonomia das pessoas e sua
capacidade como indivíduos de tomar, por conta própria, decisões pensadas. Essa
reverência pela dignidade e pelo valor dos seres humanos individuais é o cerne
da teoria moderna dos direitos humanos. É a grande contribuição de Kant para a
filosofia moral.
É mais fácil entendermos a questão com um exemplo. Imagine
que você tenha um comércio que venda frutas. Quando as pessoas compram suas
frutas, você sempre as trata educadamente e devolve o troco correto. Talvez
você faça isso por julgar que é bom para os negócios e que as pessoas voltarão
para gastar mais dinheiro no seu comércio. Se essa é a única razão que o leva a
devolver o troco correto, você está tratando as pessoas como um meio para obter
o que quer. Kant acreditava que como não podemos sugerir que todas as pessoas
tratem os outros dessa maneira, pois essa não era uma forma moral de
comportamento. Entretanto, se você devolve o troco correto porque reconhece que
é seu dever não enganar os outros, trata-se de uma ação moral, pois é baseada
na máxima “Não engane os outros”, uma máxima que ele acreditava aplicar-se a
todos os casos. Enganar as pessoas é uma forma de usá-las para obtermos o que
queremos. Não pode ser um princípio moral. Se todo mundo enganasse a todos, não
existiria confiança: ninguém acreditaria no que cada um diz.
Nigel Warburton, Breve história da Filosofia
(VER REGRAS DO RESUMO NA BARRA DE FERRAMENTAS DO LADO DIREITO)
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
Texto para análise/resumo Rebeca 10B

1. Francisco é um homem. 2. Todos os homens vivem na terra. Conclusão: Francisco vive na terra.
1. A maçã um tem sementes.
quinta-feira, 9 de outubro de 2025
Texto para resumo Marquinha 10B
A Argumentação é um instrumento sem o qual não podemos compreender melhor o mundo nem intervir nele de modo a alcançar os nossos objetivos; não podemos sequer determinar com rigor quais serão os melhores objetivos a ter em mente. Os seres humanos estão sós perante o universo; têm de resolver os seus problemas, enfrentar dificuldades, traçar planos de ação, fazer escolhas. Para fazer todas estas coisas precisamos de argumentos. Será que a Terra está imóvel no centro do universo? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra ela? Será que Bin Laden é o responsável pelo atentado de 11 de Setembro? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra? (…) O que é a consciência? Será que alguma vez houve vida em Marte? Queremos respostas a todas estas perguntas e a muitas mais. Mas as respostas não nascem das árvores nem dos livros estrangeiros; temos de ser nós a procurar descobri-las. Para descobri-las temos de usar argumentos.
E quando argumentamos podemos enganar-nos; podemos argumentar bem ou mal. É por isso que a lógica é importante. A lógica permite-nos fazer o seguinte:
1) Distinguir os argumentos corretos dos incorretos;
2) Compreender por que razão uns são corretos e outros não; e
3) Aprender a argumentar corretamente.
Os seres humanos erram. E não erram apenas no que respeita à informação de que dispõem. Erram também ao pensar sobre a informação de que dispõem, ao retirar consequências dessa informação, ao usar essa informação na argumentação. Muitos argumentos incorretos não são enganadores: são obviamente incorretos. Mas alguns argumentos incorretos parecem corretos. Por exemplo, muitas pessoas sem formação lógica aceitariam o seguinte argumento:
Tem de haver uma causa para todas as coisas porque todas as coisas têm uma causa.
Contudo este argumento é incorreto. A lógica ajuda-nos a perceber por que razão este argumento é incorreto, apesar de parecer correto. Chama-se “válido” a um argumento correto e “inválido” a um argumento incorreto.
Desidério Murcho, O lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, 2003, pp. 9, 10







