Faustino Vaz
Retirado DAQUI
um blog com materiais para as aulas
As teorias éticas
Há duas grandes classes de teorias éticas — consequencialistas e deontológicas — que têm dado forma ao entendimento que a maior parte das pessoas tem da ética. Os consequencialistas defendem que devemos escolher a ação disponível que têm as melhores consequências globais, ao passo que os deontologistas defendem que devemos agir de circunscritos por regras e direitos morais e que estas regras ou direitos se definem (pelo menos em parte) independentemente das consequências. (…)
Quando enfrentamos uma decisão moral, devemos considerar as ações alternativas disponíveis, traçar as consequências morais prováveis de cada uma delas, e depois selecionar a alternativa com as melhores consequências para todos os envolvidos. Quando descrita desta forma vaga, o consequencialismo é claramente uma teoria apelativa. Afinal de contas, parece difícil negar que alcançar o melhor resultado possível seria bom. O problema, claro, é decidir que consequências devemos ter em consideração e o peso que devemos dar a cada uma delas. Pois sem sabermos isso não podemos saber como raciocinar sobre a moralidade.
O utilitarismo, a forma mais comum de consequencialismo, tem uma resposta. Os utilitaristas afirmam que devemos escolher a opção que maximiza “a maior felicidade para o maior número”. Defendem igualmente a completa igualdade: “cada qual conta como um e não mais de um”
As teorias deontológicas contrastam na sua maior parte com as teorias consequencialistas. Ao passo que os consequencialistas defendem que devemos sempre procurar promover as melhores consequências, os deontologistas defendem que as nossas obrigações morais — sejam elas quais forem — são de algum modo e em certo grau independentes das consequências. Assim, se eu tenho a obrigação de não matar, roubar ou mentir, estas obrigações estão justificadas não apenas porque seguir tais regras produz sempre as melhores consequências.
É por isso que tantas pessoas acham que as teorias deontológicas são tão atraentes. Por exemplo, a maior parte de nós ficaria ofendida se alguém nos mentisse, ainda que essa mentira produzisse a maior felicidade para o maior número. Eu ficaria sem dúvida ofendido se alguém me matasse, ainda que a minha morte pudesse produzir a maior felicidade para o maior número (usando os meus rins para salvar a vida de duas pessoas, o meu coração para salvar uma terceira, etc.). Assim, o que há de errado ou certo em mentir ou matar não pode ser explicado, defendem os deontologistas, unicamente por causa das suas consequências. Claro que há muito desacordo entre os deontologistas sobre quais regras são verdadeiras. Também discordam sobre como se determina que regras são essas. Alguns deontologistas afirmam que a razão abstrata nos mostra como devemos agir (Kant).
Teorias sobre a ética, Hugh LaFollette
Este elemento de avaliação é composto por dois testes, cada um é avaliado de 0 a 20 valores. Cada teste avalia competências diferentes:
O primeiro teste avalia a competência do domínio dos conceitos. A Conceptualização que vale 40% na avaliação final.
O segundo teste destina-se a avaliar as competências de Problematização e Argumentação que valem 30% na avaliação final.
Estrutura:
Primeiro Teste – Conceptualização
10 questões de escolha múltipla (10x14 pontos=140 pontos)
2 questões de definição de conceitos (2 x 30 pontos=60 pontos)
Total – 200 Pontos
Segundo Teste – Problematização e Argumentação
Grupo I
1 questão - Análise de texto (40 pontos)
1 questão - Tomada de posição e articulação argumentativa. (40 pontos)
Grupo II
1 questão de seleção textual (30 Pontos)
1 questão de formulação de uma crítica a uma teoria. (30 Pontos)
Grupo III
2 questões (1x 40 pontos, 1x 20 pontos = 60 pontos)
Total -200 Pontos
Conteúdos / Competências
1. Determinismo e Liberdade na Ação Humana
Formular o problema do livre-arbítrio.
Distinguir as teorias compatibilistas (há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio) das teorias incompatibilistas (não há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio).
Dominar os diferentes argumentos de cada uma das teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical, determinismo moderado e libertismo
Expor as diferentes críticas a cada uma das teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical, determinismo moderado e libertismo
Fundamentar uma posição pessoal sobre o problema do livre-arbítrio.
2. O problema da natureza dos valores morais:
a. Distinguir juízo de facto/juízo de valor.
b.Exemplificar de juízos de facto e juízos de valor.
c. Formular o problema da natureza dos juízos morais.
d. Dominar os diferentes argumentos de cada uma das teorias sobre os juízos morais; Subjetivismo, relativismo e objetivismo.
e.Expor as diferentes críticas a cada uma das teorias sobre os juízos morais; Subjetivismo, relativismo e objetivismo.
3. O problema do fundamento da ação moral:
Distinguir a perspetiva deontológica da perspetiva utilitarista.
Explicar o que é uma ação correta na perspetiva deontológica de Kant.
Caracterizar ações por puro dever, ações conforme o dever e ações contra o dever.
Esclarecer o conceito de boa vontade.
Distinguir o imperativo categórico do imperativo hipotético.
ARGUMENTAÇÃO
Resposta estruturada e desenvolvimento do conteúdo. Exige conhecimento do tema e justificação das respostas dadas. Exposição de razões.
Interpretação/Análise dos argumentos e das teses de um texto.
PROBLEMATIZAÇÃO
Saber formular questões/problemas. Colocar objeções a uma teoria. Avaliar criticamente uma teoria.
Competências gerais:
1. Dominar com rigor os conhecimentos exigidos para responder às questões.
2. Utilizar os conceitos filosóficos.
3. Expor de forma clara e objetiva o pensamento.
4. Saber analisar logicamente um texto.
5. Selecionar no texto o que é necessário para responder.
6. Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.
7. Avaliar as várias teorias contrapondo argumentos.
8. Justificar com razões fortes as suas posições.
9. Escrever com correção.
Kant acreditava que a máxima subjacente à nossa ação era o
que realmente importava. Ele dizia que deveríamos agir somente sob as máximas
universalizáveis. Para que algo seja universal, é preciso ser aplicado a todas
as outras pessoas. Isso quer dizer que deveríamos fazer somente aquilo que
fizesse sentido para todos os outros na mesma situação. Sempre pergunte a si
mesmo: “E se todos fizessem isso?”. Não faça uma defesa própria. Kant
acreditava que, na prática, isso significava que não deveríamos usar os outros,
mas sim tratá-los com respeito, reconhecendo a autonomia das pessoas e sua
capacidade como indivíduos de tomar, por conta própria, decisões pensadas. Essa
reverência pela dignidade e pelo valor dos seres humanos individuais é o cerne
da teoria moderna dos direitos humanos. É a grande contribuição de Kant para a
filosofia moral.
É mais fácil entendermos a questão com um exemplo. Imagine
que você tenha um comércio que venda frutas. Quando as pessoas compram suas
frutas, você sempre as trata educadamente e devolve o troco correto. Talvez
você faça isso por julgar que é bom para os negócios e que as pessoas voltarão
para gastar mais dinheiro no seu comércio. Se essa é a única razão que o leva a
devolver o troco correto, você está tratando as pessoas como um meio para obter
o que quer. Kant acreditava que como não podemos sugerir que todas as pessoas
tratem os outros dessa maneira, pois essa não era uma forma moral de
comportamento. Entretanto, se você devolve o troco correto porque reconhece que
é seu dever não enganar os outros, trata-se de uma ação moral, pois é baseada
na máxima “Não engane os outros”, uma máxima que ele acreditava aplicar-se a
todos os casos. Enganar as pessoas é uma forma de usá-las para obtermos o que
queremos. Não pode ser um princípio moral. Se todo mundo enganasse a todos, não
existiria confiança: ninguém acreditaria no que cada um diz.
Nigel Warburton, Breve história da Filosofia
(VER REGRAS DO RESUMO NA BARRA DE FERRAMENTAS DO LADO DIREITO)