Mostrando postagens com marcador Argumentos indutivos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Argumentos indutivos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Texto para resumo e análise Juliana Marino 10A e Beatriz Fonseca 10ºE

Argumentos com base em exemplos
ARGUMENTOS INDUTIVOS
Os argumentos com base em exemplos oferecem um ou mais exemplos específicos para apoiar uma generalização:
Outrora as mulheres casavam muito novas. A Julieta da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, ainda nem tinha 14 anos. Na Idade Média, 13 anos era a idade normal de casamento para uma rapariga judia. E durante o Império Romano muitas mulheres casavam aos 13 anos, ou mesmo mais novas.
Este argumento generaliza a partir de três exemplos —Julieta, as mulheres judias durante a Idade Média e as mulheres do Império Romano— para muitas ou para a maior parte das mulheres de outrora. Para vermos a forma deste argumento mais claramente podemos enunciar as premissas separadamente, com a conclusão no fim: Na peça de Shakespeare, Julieta nem sequer tinha 14 anos. Durante a Idade Média, as mulheres judias casavam normalmente aos 13 anos. No tempo do Império Romano muitas mulheres casavam aos 13 anos ou mesmo antes. Logo, outrora muitas mulheres casavam muito jovens.
Será um bom argumento indutivo?
Há um pequeno conjunto de regras que permitem avaliar argumentos com base em exemplos a) Use mais do que um exemplo Um exemplo único pode por vezes ser usado a título ilustrativo. O exemplo da Julieta só por si pode ilustrar o casamento em idade precoce. Mas um exemplo único não oferece praticamente qualquer apoio a uma generalização. Pode ser um caso atípico, a «excepção que confirma a regra». E necessário mais do que um exemplo.
b)  O número de exemplos necessários depende parcialmente da sua representatividade, aspecto tratado na regra . Mesmo um número elevado de exemplos pode não ser representativo do conjunto sobre o qual estamos a generalizar. O argumento precisa de ter igualmente em conta mulheres de outras partes do mundo
c) Tem que ter exemplos suficientes.  O tamanho do conjunto a partir do qual estamos a generalizar deve ser suficiente para permitir a generalização. . Conjuntos grandes requerem normalmente mais exemplos. A afirmação de que a sua cidade esta cheia de pessoas notáveis requer mais exemplos do que, digamos, a afirmação de que os seus amigos são pessoas notáveis. Mesmo dois ou três exemplos podem ser suficientes para estabelecer que os seus amigos são pessoas notáveis (depende de quantos amigos têm), mas, a menos que a sua cidade seja muito, muito pequena, são necessários mais exemplos para mostrar que a sua cidade está cheia de pessoas notáveis. Os exemplos são representativos?. Um número elevado de exemplos de mulheres romanas, unicamente, estabelece muito pouco acerca das mulheres em geral, uma vez que as mulheres romanas não são necessariamente representativas das mulheres de outras partes do mundo.
Argumentos por analogia
Há uma excepção à regra 8 («use mais do que um exemplo»). Os argumentos por analogia, em vez de multiplicarem exemplos para apoiarem uma generalização, argumentam a partir de um caso ou exemplo específico para provarem que outro caso, semelhante ao primeiro em muitos aspectos, é também semelhante num outro aspecto determinado. O presidente americano George Bush argumentou uma vez que o papel do vice-presidente é o de apoiar as políticas do presidente, concordando ou não com elas, porque «ninguém quer meter golos na própria baliza». Bush está a sugerir que fazer parte da administração é como fazer parte de uma equipa de futebol. Quando. alguém entra para uma equipa de futebol, concorda em obedecer às decisões do treinador, porque o sucesso da equipa depende dessa obediência. Bush sugere que, analogamente, entrar para a administração é um compromisso de obediência às decisões do presidente, porque o sucesso da administração depende também da obediência. Distinguindo premissas e conclusão: Quando alguém entra para uma equipa de futebol, concorda em obedecer às decisões do treinador (porque o sucesso da equipa depende da obediência dos respectivos membros). A administração americana é como uma equipa de futebol (o seu sucesso depende também da obediência dos respectivos membros). Logo, quando alguém entra para a administração americana, concorda em obedecer às decisões do presidente. 18 Repare na palavra «como» em itálico na segunda premissa. Quando um argumento sublinha as semelhanças entre dois casos, é muito provavelmente um argumento por analogia.

Anthony Weston, A Arte de Argumentar

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Texto para resumo Duarte 10E

Argumento indutivo


Um argumento indutivo é aquele no qual se parte de experiências sobre fatos particulares e se infere daí conclusões gerais. Quando dizemos que todos os homens que nascerem irão morrer porque até hoje ninguém deixou de morrer estamos usando um argumento indutivo. Tais argumentos se baseiam na experiência passada para sustentar uma conclusão.
O primeiro passo para compreender o que é um raciocínio indutivo é não associá-lo à “indução”, “induzir”.  Um dos significados de induzir é “ser causa ou motivo de; inspirar, provocar”. Nesse sentido, podemos dizer “a pessoa x foi induzida a cometer um ato de violência”. Porém, quando falamos de argumento indutivo, o significado de “indutivo” não tem nada a ver com “influenciar, inspirar, provocar”. Portanto, para compreender o que é um raciocínio indutivo é importante deixar de lado esse significado mais comum da palavra “indução”.
Chalmers, define assim um argumento indutivo:
“Se um grande número de As foi observado sob ampla variedade de condições, e se todos esses As observados possuíam sem exceção a propriedade B, então todos os As têm a propriedade B.”
Tomemos como exemplo o ponto de ebulição da água. Sempre que observamos a água ferver (A), isso aconteceu a 100 graus centígrados (propriedade B). Portanto podemos concluir que a água (A), e qualquer água encontrada na terra ou outro planeta, ferve a 100 graus centígrados (propriedade B).

Indução é generalização

Esse tipo de raciocínio também é chamado de generalização indutiva. O uso da palavra “generalização” faz referência ao fato de em um argumento indutivo “generalizarmos”, o que significa passar de premissas particulares para conclusões gerais.
Consideremos mais um exemplo. Imagine que um grupo de pesquisadores está desenvolvendo um remédio para cura da AIDS. Depois de ser testado em animais e se mostrar promissor, os pesquisadores convidam uma série de pacientes com AIDS para serem voluntários nos testes do medicamento em humanos. Inicialmente, cinco pacientes aceitam ser voluntários. Realizando os testes, os cientistas observam o seguinte:
Premissa 1: O remédio R curou a AIDS do paciente A.
Premissa 2: O remédio curou a AIDS do paciente B.
Premissa 3: O remédio R curou a AIDS do paciente C.
Premissa 4: O remédio R curou a AIDS do paciente D.
Premissa 5: O remédio R curou a AIDS do paciente E.
E a partir dessas observações, concluíram:
Conclusão: O remédio R cura a AIDS.
Note que as premissas são particulares: elas se referem a apenas um paciente que foi curado. A conclusão, por outro lado, é geral: ao dizer que “o remédio R cura a AIDS”, se aplica a qualquer eventual paciente. Significa o mesmo que “todo paciente que tomar o remédio R será curado da AIDS”. Todo argumento indutivo tem essa característica: se parte de premissas particulares e se chega a conclusões gerais.

Argumento indutivo forte e fraco

O exemplo apresentado acima é uma generalização fraca. É um pouco precipitado concluir que “o remédio R cura a AIDS” com base em apenas  cinco casos. O ideal seria fazer uma investigação mais aprofundada, testar em mais pacientes, numa diversidade maior de situações.
Um argumento indutivo pode ser mais ou menos forte. A força de um argumento indutivo depende do grau de apoio que as premissas oferecem para a conclusão. Suponha que o remédio R do exemplo anterior tenha sido testado em dez mil pacientes ao redor do mundo e em praticamente todos os casos levou à cura da AIDS. Dado o número de vezes em que o remédio foi avaliado, a conclusão de que “o remédio R cura a AIDS” é muito forte. Ou seja, sendo as premissas verdadeiras, é improvável que a conclusão seja falsa.