segunda-feira, 14 de abril de 2025
Texto para resumo Beatriz Costa 10A e Alexandre Feijão 10E
terça-feira, 25 de março de 2025
Texto para resumo Sophia Barbosa 10A
domingo, 23 de março de 2025
Texto para resumo Rebeca Cabral 10A e Manuel Moreira10E
Na segunda tribo, a dos Relativitos, as regras de bom comportamento não dependem de princípios superiores, (…) mas mais prosaicamente da boa vontade de cada um. Os membros desta tribo falam mais depressa em ética do que em moral, em bom e mau do que em bem e mal. Não existe qualquer lista pormenorizada daquilo que é permitido e daquilo que é proibido, uma vez que nesta matéria as coisas variam em função das pessoas, das épocas e das circunstâncias (…) Aqui, é opinião comum que o bom e o mau são relativos aos desejos de cada um.(…) Contrariamente aos Regiditos, os Relativitos não têm pretensão de universalidade. Tal como acontece com eles, consideram que outras tribos poderão viver segundo diferentes códigos de boa conduta. (…)
Não há dúvida que a moral é um conjunto de valores convencionais (não pode deixar de ser assim), no entanto, devemos agir como se de um conjunto de valores universais absolutos se tratasse, como fica provado com a declaração universal dos Direitos do Homem. É o princípio da universalidade sobejamente conhecido. Uma conduta que não possa ser generalizada não poderá ser uma conduta moral. É isso que se passa com a mentira: não podemos desejar que ela seja universal, não podendo, portanto, ser moral, jamais poderíamos transformá-la em “lei geral”.(…) Trata-se muito simplesmente de preservar a possibilidade de comunicar comos nossos semelhantes.
Todavia há situações em que a mentira é um ato moral, para não dizermos heroico. Por exemplo, uma pessoa, durante a Segunda Guerra Mundial, que nega abrigar um evadido quando a Gestapo lhe bate à porta. Neste caso, o respeito cego do princípio da universalidade, na medida em que ele conduz à denúncia, constitui um mal maior do que a violação (ocasional) desse princípio. Um outro princípio permite compreender este ponto, é o da reciprocidade: não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti, ou, para utilizar uma fórmula mais técnica e menos utilitarista, trata sempre a Humanidade (na tua pessoa como em qualquer outra) como um fim. Sublinhe-se que este princípio não passa de uma implicação lógica do princípio da universalidade, que o engloba. Princípios destes fazem com que possamos agir moralmente, ou seja, em virtude da nossa ideia de bem, com conhecimento de causa.
Estes dois princípios, o princípio da universalidade e o princípio da reciprocidade, não são obviamente suficientes para resolver a questão moral e separar sistematicamente o bem do mal. Mas permitem, pelo menos, duas coisas. Por um lado, permitem evitar que a moral se confunda com os interditos caprichosos e risíveis de alguns autocratas (por perversidade essas pessoas interditam tudo o que diz respeito ao prazer e o mesmo é dizer, ao bem). Por outro, permitem constituir uma terceira via entre uma moral absoluta caída do céu (ilusão da transcendência) e uma moral puramente local, ligada aos costumes e usos de uma qualquer tribo humana.
Stéphane Ferret, Aprender com as coisas, Lx, 2007, Ed. ASA, p.97 a 101
segunda-feira, 29 de abril de 2024
Texto para resumo Inês Ferreira 10C
Ora, nós chamamos aquilo que merece ser buscado por si mesmo mais absoluto do que aquilo que merece ser buscado com vista a outra coisa, e aquilo que nunca é desejável no interesse de outra coisa mais absoluto do que as coisas desejáveis tanto em si mesmas como no interesse de uma terceira; por isso chamamos de absoluto e incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa.
Ora, esse é o conceito que preeminentemente fazemos da felicidade. É ela procurada sempre por si mesma e nunca com vistas em outra coisa, ao passo que à honra, ao prazer, à razão e a todas as virtudes nós de fato escolhemos por si mesmos (pois, ainda que nada resultasse daí, continuaríamos a escolher cada um deles); mas também os escolhemos no interesse da felicidade, pensando que a posse deles nos tornará felizes. A felicidade, todavia, ninguém a escolhe tendo em vista algum destes, nem, em geral, qualquer coisa que não seja ela própria.”
Ora, na maioria dos homens os prazeres estão em conflito uns com os outros porque não são aprazíveis por natureza, mas os amantes do que é nobre se comprazem em coisas que têm aquela qualidade; tal é o caso dos atos virtuosos, que não apenas são aprazíveis a esses homens, mas em si mesmos e por sua própria natureza. Em consequência, a vida deles não necessita do prazer como uma espécie de encanto adventício, mas possui o prazer em si mesma. Pois que, além do que já dissemos, o homem que não se regozija com as ações nobres não é sequer bom; e ninguém chamaria de justo o que não se compraz em agir com justiça, nem liberal o que não experimenta prazer nas ações liberais; e do mesmo modo em todos os outros casos. Sendo assim, as ações virtuosas devem ser aprazíveis em si mesmas. Mas são, além disso, boas e nobres, e possuem no mais alto grau cada um destes atributos, porquanto o homem bom sabe aquilatá-los bem; sua capacidade de julgar é tal como a descrevemos. A felicidade é, pois, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não se acham separados como na inscrição de Delos:
Aristóteles, Ética a Nicómaco,
domingo, 4 de junho de 2023
Texto para resumo Raquel Costa 10A
quinta-feira, 20 de abril de 2023
Texto para resumo Xavier 10A, Amim 10I
Será que os dilemas morais proporcionam uma maneira de escolher teorias morais rivais?
Os dilemas morais parecem oferecer uma maneira de testar duas das teorias morais mais importantes: o utilitarismo e o absolutismo moral. Quando falo de “absolutistas morais” refiro-me àqueles que defendem que há pelo menos uma regra moral simples e que não admite exceções, como “é sempre errado matar pessoas inocentes/quebrar promessas/dizer mentiras, etc”. Os utilitaristas rejeitam regras como estas, defendendo que podem haver circunstâncias em que infringir a regra é a única maneira de minimizar as más consequências, isto é, de evitar um mal maior. Numa forma de dilema muito discutida, um agente moral, A, encontra-se numa situação em que, se matar uma de vinte pessoas inocentes que estão prestes a ser executadas, fará com que as restantes dezanove sejam libertadas. Por outro lado, se A se recusar fazer isso, o seu captor matará todas as vintes pessoas. Chamarei a isto o dilema de Williams, pois Bernard Williams elabora-o e discute-o em Utilitarianism: For and Against (Cambridge University Press, 1973), p. 98.
Tanto os utilitaristas como os absolutistas morais parecem ficar satisfeitos quando discutem este dilema e defendem que o tratamento que lhes dão é mais convincente do que o dos seus oponentes. Para o utilitarista, a discussão proporciona uma oportunidade para mostrar que, mesmo em situações de dilema, o raciocínio moral permanece possível. Pode-se considerar as consequências: não é seguramente melhor que morra um em vez de vinte? Deste modo, defende o utilitarista, por muito difíceis que sejam as circunstâncias podemos chegar a uma resposta ponderada considerando os factos. Por outro lado, segundo o absolutista os dilemas ilustram a natureza simplista do utilitarismo. Certamente os agentes morais sérios agonizam perante uma situação tão trágica como a que o dilema de Williams envolve. No entanto, se acreditarmos no utilitarista, tudo o que estes precisam de fazer é contar cabeças. Não há qualquer razão para agonizar. O absolutista conclui que o utilitarismo não é uma teoria moral para agentes morais sérios, pois não pode acomodar valores morais cruciais, como a justiça e a integridade.
Assim, é fácil ver por que razão a discussão do dilema é atraente tanto para os absolutistas como para os utilitaristas. Ela permite que o absolutista nos faça perceber a complexidade da ética e conclua que é inútil procurar um princípio moral fundamental que permita resolver todos os dilemas morais. O utilitarista, pelo contrário, espera que a superioridade racional do utilitarismo se torne manifesta na discussão. Como pode a morte de vinte ser melhor do que a morte de um? Qual é o interesse de aderirmos a proibições absolutas se, ao fazermos isso, produzimos um resultado pior do que aquele que seria necessário? A “profundidade” do absolutismo não será, afinal, confusão e irracionalidade?
Gerry Wallace
domingo, 5 de março de 2023
quinta-feira, 2 de março de 2023
Texto para resumo João Silva 10A e Laura Monteiro 10I
Chardin, A criança com um teetotum, retrato de Auguste-Gabriel Godefroy (1728-1813) 1741
Como viver?
A habitual
leitura de jornais britânicos online trouxe-me, em tempos, a não-notícia de que
a Universidade de Harvard conduziu um estudo cuja conclusão demonstra de forma
“científica” que o que faz o ser humano feliz é o amor. Devo dizer que bocejei
de imediato assim que acabei de ler o artigo (terá sido no Guardian? no
Telegraph? já não me lembro), porque a conclusão não constitui qualquer
novidade. A pessoa feliz já é descrita, antes da era cristã, no grande texto
espiritual em sânscrito Bhagavad Gita (12.19) como sendo indiferente a elogios
e insultos, capaz de estar em silêncio, capaz de encontrar contentamento em
cada situação e estando sempre “cheia de amor”. A tradição cristã também nos
ensina que a opção de vida que nos é mais benéfica é amarmos o próximo como a
nós mesmos. Portanto a “prova” vinda de Harvard — de que as pessoas mais
felizes são as que amam os seus pais, filhos, cônjuges e namorados(as) — não
corresponde propriamente à descoberta da pólvora.
Deixemos,
por conseguinte, as alegadas descobertas da ciência e, para percebermos qual é
a melhor maneira de vivermos a nossa vida, consultemos antes esse maravilhoso
texto acima referido da tradição hindu. Ora a Bhagavad Gita diz-nos muitas
coisas surpreendentes e desconcertantes, mas nenhuma, no meu entender, é mais
surpreendente do que esta: o essencial, na vida, é arredarmos de todas as
nossas ações o proveito próprio. Nada do que empreendemos, nada do que fazemos
deve ter como objetivo o nosso próprio benefício. Pelo contrário, tudo o que
fazemos deve ser feito tão-somente pelo valor intrínseco da ação em si.
A minha
própria experiência de vida tem-me ensinado de forma muito pragmática que nada
nos dá uma sensação tão agradável como empreendermos uma tarefa cujo benefício
irá reverter a favor de outrem. Por outro lado, constatamos tantas vezes que
ações empreendidas com base numa expectativa de proveito próprio acabam por não
redundar em nosso benefício. Na verdade, todas as ações que empreendemos para
beneficiar os outros, em vez de nos deixarem de mãos vazias, deixam-nos mais
ricos, pois é delas que advém a felicidade mais pura. O tal amor que (segundo o
estudo de Harvard) nos faz mais felizes é justamente aquele que nada pede em
troca.
Como
complemento à fórmula da felicidade proposta pela Bhagavad Gita, poderíamos
ainda compulsar o indispensável Mundo como Vontade e Representação de Arthur
Schopenhauer e determo-nos um pouco no capítulo 38 do Livro III. Segundo
Schopenhauer, aquilo que nos leva a agir em proveito próprio é a vontade. “Todo
o querer”, escreve o grande filósofo, “advém da carência, portanto do
sofrimento”. A sensação de carência — esse abismo hiante dentro de nós mesmos —
leva-nos a procurar realidades e circunstâncias que a mitiguem; mas (como diz
Schopenhauer) cada vez que satisfazemos um desejo que alegadamente nos iria
fazer felizes damo-nos conta de que ficaram no mínimo dez desejos ainda mais
vorazes por satisfazer. As nossas necessidades e desejos canibalizam-nos. O
sentimento da sua satisfação é — ironia das ironias — evanescente e ilusório.
Sob esta perspetiva, agir em proveito próprio nunca nos traz a saciedade, nunca
preenche um único milímetro cúbico que seja do vazio de carência devoradora com
que viemos ao mundo.
Como
antídoto a este ciclo vicioso de auto-canibalização e de pseudo-saciedade,
Schopenhauer propõe a contemplação serena e desinteressada da obra de arte.
Entregarmo-nos a ela, perdermo-nos na beleza do objeto contemplado obriga-nos a
desviar a atenção de nós mesmos. De repente, não somos nós os importantes: é a
pintura que temos diante dos olhos; ou a obra musical que, por meio dos
ouvidos, nos penetra na consciência.
Frederico Lourenço
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Resumo de texto Tomás Antunes,10A e Vasco Fernandes,10B
Nature, Mr Allnut, is what we were put in the world to rise above.
Frase de Katherine Hepburn para Humprey Bogart na Rainha Africana (1951)
Na obra Principia Ethica (1903), o filósofo G. E. Moore defendeu o que ele chamou de “argumento da pergunta aberta" (…).Moore alega que qualquer tentativa para definir “bom” em termos naturalistas – tal como prazer, utilidade, ou, como um mandamento divino – tem de falhar, porque permanece sempre a questão em aberto se o prazer, ou a utilidade ou aquele particular mandamento divino, são realmente bons. Se essa definição naturalista fosse boa, como a definição de triângulo enquanto uma figura plana com três ângulos, então a questão “É o triângulo realmente uma figura com três lados?”, não faria sentido, o que apenas assinala o falhanço da definição de “bom”. A formulação de Moore deu origem a um enorme debate. É razoável objetar que ficou por formular a seguinte questão: se uma dessas definições estiver correta então já esta questão não está em aberto. Mas teremos que admitir que nenhuma definição de “bom” em termos de propriedades naturais é muito plausível. O fosso original “é- deves” de Hume permanece.
(…) alguns filósofos, nomeadamente, Immanuel Kant, no século XVIII, pensava que podemos extrair os princípios morais puramente da razão. Isto parece reduzir a imoralidade a um mero erro lógico matemático. E, face a isto, parece absurdo, apesar dos sucessivos esforços dos seguidores de Kant, para considerar que o absurdo só o é porque não somos espertos o suficiente para o compreender. Há muito tempo que este tem sido o estratagema de filósofos e teólogos: se discordares do seu dogma então deves ser estúpido ou fraco. Prefiro continuar a pensar que não percebo.
Uma proposta de resposta é aquela que aponta para considerarmos as nossas vontades e desejos face ao valor. Querer qualquer coisa tem implícito que vejamos isso que queremos como valioso. O nosso desejo é um facto sobre nós, mas parece apontar para um valor. Cuidamos do que desejamos, e, por definição, aquilo que cuidamos é o que valorizamos. Stuart Mill adota esta estratégia quando declara no Utilitarismo (1863) “a única evidência sobre o facto de algo ser desejável é porque alguém realmente o deseja.” Por tal, Mill foi acusado de cometer uma falácia naturalista por se ter equivocado em relação ao significado de “desejável”. Significa “o que merece ser desejado” ou “o que é capaz de ser desejado”? O facto de uma coisa ser desejada prova que ela pode sê-lo; mas não prova que deva ser desejada. Pois nem sempre o que desejamos merece ser desejado.
(...) Mas como poderemos saber qual dos nossos desejos devemos aprovar?
Uma abordagem outrora apreciada apela para ideia de que os nossos desejos são dignos desde que provenham da nossa autêntica natureza humana. Daoistas, Epicuristas e Aristotélicos, entre outros dignatários da antiga sabedoria sempre nos incentivaram a seguir a natureza. Mas o que quer isso dizer?
(...) O que a biologia nos ensina acerca da natureza humana é que, em sentido realista, não há tal coisa como a natureza humana. A única atitude coerente que podemos ter perante esse facto é a existencialista; se há algum ensinamento que podemos encontrar na natureza é a de que nada aí existe que possamos seguir. Logo, só podemos aspirar a criá-lo.”
Ronnie de Sousa "Nascemos existencialistas"Ver artigo AQUI
sábado, 25 de abril de 2020
Texto para resumo Gonçalo Prado 10A Leonor Silva 10B
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Trabalho de resumo Íris Salomé 10B
terça-feira, 21 de abril de 2020
Textos para resumo: Gabriel 10B e Diogo 10A, Chloé e Daniela 10A
"- Sim, quando Kant descreve a lei moral, descreve a consciência humana. Não podemos provar o que a consciência diz, mas sabemo-lo. - Por vezes, sou muito simpático para com os outros simplesmente porque é vantajoso para mim. Desse modo, posso ser popular. - Mas quando és simpática para com os outros apenas para seres popular, não estás a agir de acordo com a lei moral. Talvez não estejas a observar a lei moral. Talvez estejas a agir numa espécie de acordo superficial com a lei moral - e isso já é alguma coisa -, mas uma ação moral tem de ser o resultado de uma superação de ti mesma. Só quando fazes algo porque achas ser teu “dever” seguir a lei moral é que podes falar de uma ação moral. Por isso, a ética de Kant é frequentemente chamada “ética do dever”.
TEXTO 2 - CHLOÉ
"Pode-se dizer que, pelo menos desde Kant, o discurso da filosofia moderna em matéria de ética gira em torno da questão da “fundamentação” da moral, ou, mais precisamente, do princípio universal da moralidade, da chamada “lei moral”. Enquanto que, para os antigos, a tarefa da ética consistia fundamentalmente na explicação do “bem”, e em particular, nomeadamente em Aristóteles, do “bem humano”, os modernos veem na fundamentação da “lei moral” a tarefa central, essencial e, para alguns autores, praticamente exclusiva da ética enquanto disciplina filosófica.
" As teorias éticas baseadas no dever sublinham que cada um de nós tem certos deveres – ações que devemos executar ou não – e que agir moralmente é equivalente a cumprir o nosso dever, sejam quais forem as consequências que daqui surgirem. É esta ideia – a de que algumas ações são absolutamente boas ou más independentemente dos resultados a que derem origem – que distingue as teorias éticas baseadas nos deveres ( também conhecidas por deontológicas ) das teorias éticas consequencialistas. [...] duas teorias baseadas no dever são a ética cristã e a ética kantiana ( do filósofo Immanuel Kant ).





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