terça-feira, 28 de janeiro de 2020
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
TEXTO PARA RESUMO GONÇALO PRADO 10A
‘Livre arbítrio’ é o nome convencional de um tópico que é
mais adequadamente discutido sem referência ao arbítrio (vontade). As suas
questões centrais são ‘O que é agir (ou escolher) livremente?’, e ‘O que é ser
responsável pelas nossas acções (ou escolhas)?’ Estas duas questões estão
ligadas intimamente, pois a liberdade de acção é necessária, embora não
suficiente, para a responsabilidade moral.
Os filósofos dão respostas muito diferentes a estas questões e, portanto, também a duas questões mais específicas acerca de nós: (1) Somos agentes livres? e (2) Podemos ser responsáveis por aquilo que fazemos? As respostas a (1) e (2) vão de ‘sim, sim’ a ‘não, não’ – passando por ‘sim, não’ e vários graus de ‘talvez’, ‘possivelmente’ e ‘num certo sentido’. (O quarto par das respostas directas, ‘não, sim’, é raro, mas parece ser aceite por alguns protestantes). Entre os que respondem ‘sim, sim’ são proeminentes os compatibilistas, que sustentam que o livre arbítrio é compatível com o determinismo. Sucintamente, o determinismo é a teoria que diz que tudo o que ocorre é exigido pelo que já aconteceu anteriormente de um modo tal que nada pode acontecer de um modo diferente daquele que acontece. Segundo os compatibilistas, a liberdade é compatível com o determinismo, porque a liberdade é fundamentalmente apenas uma questão de não ser constrangido ou impedido em certos sentidos quando agimos ou escolhemos. Assim seres humanos adultos normais em circunstâncias normais são capazes de agir e escolher livremente. Ninguém lhes aponta uma arma à cabeça. Não estão drogados, agrilhoados ou sujeitos a compulsão psicológica. São, portanto, completamente livres para escolher e agir mesmo que toda a sua estrutura física e psicológica seja inteiramente determinada por coisas pelas quais não são de maneira nenhuma responsáveis – começando pela herança genética e pela educação inicial.
Os incompatibilistas sustentam que a liberdade não é compatível com o determinismo. Salientam que se o determinismo é verdade, então cada uma das nossas acções foi determinada para acontecer tal como aconteceu antes de nós termos nascido. Sustentam que não podemos ser, neste caso, considerados verdadeiramente livres e, consequentemente, moralmente responsáveis pelas nossas acções. Pensam que o compatibilismo é um ‘miserável subterfúgio…, um insignificante malabarismo de palavras.’, como diz Kant na sua Crítica da Razão Prática (1788). O compatibilismo não consegue de modo nenhum satisfazer as nossas convicções espontâneas acerca da natureza da responsabilidade moral.
O argumento dos incompatibilistas é um bom argumento. Os incompatibilistas podem ser dividos em dois grupos. Os libertários respondem ‘sim, sim’ às perguntas (1) e (2). Sustentam que somos de facto livres e agentes moralmente responsáveis e que, portanto, o determinismo tem de ser falso. A sua grande dificuldade é explicar de que vale afirmar que o determinismo é falso quando se trata de estabelecer o nosso livre agir e a nossa responsabilidade moral. Suponhamos que nem todo o acontecimento é determinado, e que alguns acontecimentos ocorrem aleatória ou fortuitamente. Como é que a nossa pretensão à responsabilidade moral pode ser reforçada pela suposição de que o que nós somos e o que são as nossas acções é da ordem do fortuito ou do aleatório?
O segundo grupo de incompatibilistas é menos optimista. Responde ‘não, não’ às questões (1) e (2). Concorda com os libertários que a verdade do determinismo inviabiliza a genuína responsbilidade moral, mas argumentam que a falsidade do determinisno de nada adianta. Assim, concluem que não somos genuinamente agentes livres ou moralmente responsáveis seja o determinismo falso ou verdadeiro. Um dos seus argumentos pode ser sumariado da seguinte maneira: quando agimos, agimos como agimos devido ao que somos. Portanto, para sermos responsáveis moralmente pelas próprias acções teríamos de ser verdadeiramente responsáveis pelo que somos: teríamos de ser causa sui, ou causa de nós mesmos, pelo menos no que respeita a certos aspectos mentais cruciais. Mas nada pode ser causa sui – nada pode ser a nenhum respeito a última causa de si mesmo. Logo, nada pode ser na verdade moralmente responsável.
Desenvolvido apropriadamente, este argumento contra a responsabilidade moral parece ser muito forte. Porém, em muitos seres humanos a experiência da escolha dá lugar a uma convicção de responsabilidade absoluta que não é abalada pela reflexão filosófica. Esta convicção é a mais profunda e inesgotável fonte do problema do livre arbítrio: aparecem continuamente poderosos argumentos que parecem mostrar que não podemos ser moralmente responsáveis naquele sentido fundamental que habitualmente adoptamos; mas contra estes persistem razões de ordem psicológica igualmente poderosas que nos fazem crer que em última análise somos moralmente responsáveis.
Edward Craig (ed.) The Shorter Routledge Encyclopedia of Philosophy (London and New York, 2005). Tradução de Carlos Marques.
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Texto para resumo - Madalena Silva-10A e Margarida Silveira -10B
Ações voluntárias e involuntárias
Sendo a excelência constituída a
respeito das afecções e das acções, havendo louvores e repreensões
apenas relativamente a acções voluntárias – porque relativamente a
acções involuntárias, às vezes há perdão, outras vezes compaixão -, é
necessário, talvez, para quem pretende examinar os fenómenos que
concernem a excelência, definir-se a acção voluntária e a acção
involuntária, definição de resto também útil aos legisladores não só
para a atribuição de honras como também para a aplicação de castigos.
Involuntárias são, assim, aquelas acções que se geram sob coacção ou
por ignorância. Um acto perpetrado sob coacção é aquele cujo princípio
(motivador) lhe é extrínseco. Um princípio desta natureza é tal que o
agente, na verdade, passivo, não contribui em nada para ele. Como se
ventos ou homens poderosos o levassem para qualquer sítio. Mas
determinar se as acções praticadas por medo de males maiores ou em vista
de algo glorioso – por exemplo, se alguém se vê obrigado a praticar um
acto vergonhoso por um tirano que ameaça de morte os seus pais e filhos,
mantidos reféns, e ao mesmo tempo promete salvá-los, se a ordem for
executada – são acções involuntárias ou voluntárias envolve
controvérsia. Uma situação deste género acontece, por exemplo, quando no
meio de tempestades se tem de deitar a carga borda fora. Porque ninguém
a deitaria ao mar assim sem mais, voluntariamente, mas apenas com o
objectivo de se salvar a si e aos restantes. Acções deste género são
mistas, embora, de facto, pareçam mais ser voluntárias. Na verdade, são
escolhidas no momento em que são praticadas e o fim da acção é
determinado de acordo com a ocasião e a oportunidade do momento. As
características do ser «voluntário» e «involuntário» só podem ser
determinadas em função do tempo em que a acção é executada. Ora só quem
se encontra em determinadas circunstâncias é que age, de facto,
voluntariamente. Isto é, quando tem em si próprio o princípio
(motivador) da acção, accionando assim os elementos instrumentais da
acção. Quando o princípio motivador se encontra no próprio agente, é dele
que depende o serem levadas à prática ou não. Acções deste género são,
pois, voluntárias, mesmo que resultem da força das circunstâncias.
Ainda assim, podem, por outro lado, ser consideradas involuntárias,
porque, noutras circunstâncias, ninguém teria decidido levá-las à
prática. (…)
Quais são, então, os tipos de acções que dizemos ser realizadas sob coacção? São absolutamente por coacção todas aquelas acções que tem o seu princípio em circunstâncias extrínsecas ao agente, sem que este contribua em nada no que quer que seja para as levar à prática. Por outro lado, há acções que são em si mesmas involuntárias, mas que numa dada circunstância são preferidas em detrimento de outras, isto é, o princípio da sua acção encontra-se no agente. Tais acções são em si mesmas absolutamente involuntárias. Contudo, como naquelas circunstâncias particulares, são preferidas em detrimento de outras, são levadas à prática voluntariamente.
Quais são, então, os tipos de acções que dizemos ser realizadas sob coacção? São absolutamente por coacção todas aquelas acções que tem o seu princípio em circunstâncias extrínsecas ao agente, sem que este contribua em nada no que quer que seja para as levar à prática. Por outro lado, há acções que são em si mesmas involuntárias, mas que numa dada circunstância são preferidas em detrimento de outras, isto é, o princípio da sua acção encontra-se no agente. Tais acções são em si mesmas absolutamente involuntárias. Contudo, como naquelas circunstâncias particulares, são preferidas em detrimento de outras, são levadas à prática voluntariamente.
Aristóteles, Ética a Nicómaco, tr. António Caeiro, Quetzal Editores, 2004, 59-60 (1109b30 – 1110a20)
Blogue em http://paginasdefilosofia.blogspot.com
Texto para resumo Julia Oliveira -10A e Manuel Casimiro 10B
Uma ação intencional é aquela que uma pessoa pratica e pretende praticar -como quando desço para o andar de baixo ou digo algo que pretendo dizer. Uma ação básica é aquela que a pessoa faz directa e intencionalmente, sem levar a cabo nenhuma outra acão intencional. Ir de Oxford para Londres é uma ação não básica, porque a levo a cabo fazendo outras coisas -indo até à estação, entrando no comboio, etc. Mas apertar a minha mão ou mexer a minha perna ou mesmo dizer "isto" são ações básicas. Faço-as directamente, sem levar a cabo outro acto intencional. (Com certeza que certos acontecimentos têm de ocorrer no meu corpo - os meus sentidos têm de transmitir impulsos - para que eu consiga realizar uma ação básica. Mas estes não são acontecimentos que eu leve a cabo intencionalmente. Limitam-se a acontecer -posso nem sequer saber da sua existência. (...) Só posso produzir efeitos no mundo, fora do meu corpo, fazendo algo intencional com o meu corpo. Posso abrir a porta agarrando a maçaneta com a minha mão e puxando-a na minha direção ou posso fazer com que alguém saiba uma certa coisa usando a minha boca para o dizer. Quando produzo um certo efeito, intencionalmente (por exemplo abrir a porta) levando a cabo uma outra ação qualquer (puxar a porta na minha direção), levar a cabo a primeira é realizar uma ação não básica, ir a londres, escrever um livro, ou mesmo colocar um parafuso na parede são ações não básicas que desempenho, levando a cabo outras ações básicas. Quando realizo uma ação intencional qualquer, procuro com ela atingir um certo propósito - normalmente um propósito para além da mera realização da própria ação (como quando canto só por cantar).
Richard Swinbourne, Será que Deus existe? Gradiva, Lisboa, 1998, pp.12,13
Texto para resumo José Caldeira -10A e Madalena Moura -10B
Se existem ou não ações não é algo que possamos responder
através da observação direta. Aqueles que duvidam da existência de ações não
estão a questionar aquilo que todos percebem. Estão a questionar o facto de
saber se os conceitos que habitualmente usamos para descrever e interpretar
essas observações são apropriados ou até consistentes. Se não são, leva-nos a
uma resposta negativa à nossa questão: se ação é um conceito inconsistente, não
pode haver ações, do mesmo modo que não pode haver círculos quadrados. Logo, a
própria análise do conceito de ação é um tópico central da filosofia da ação.
Suspeitas acerca da própria consistência do conceito de ação,
bem como acerca da distinção entre ações e acontecimentos, podem aparecer mesmo
ao nível das perspetivas científicas. Se levamos a ciência a sério, então somos
obrigados a refletir sobre a possibilidade de reconciliar a visão científica
com a conceção comum da realidade, já que elas parecem ser, se não
contraditórias, pelo menos altamente díspares. As perspetivas científicas
congratulam-se com acontecimentos explicados por outros acontecimentos
anteriores ou por outros acontecimentos simultâneos com a ajuda de leis. Mas se
pensarmos em nós como agentes, concebemo-nos como seres capazes de iniciar
alterações no mundo independentemente da sua história prévia. Agentes e ações,
então, enfrentarão dificuldades se procurarem um lugar no plano científico.
A atitude de suspeição ou de ceticismo relativamente à ação
apresenta-se de formas diversas, desde propostas eliminativistas até propostas
mais ou menos reducionistas. Para que o leitor fique com uma ideia do que possa
ser uma atitude reducionista, comecemos com um episódio que ninguém hesitaria
classificar como ação: beber um copo de água. Que direito temos de chamar isto
de ação e não apenas de acontecimento? Onde reside o carácter adicional deste
episódio? O que fiz eu? A água entra na minha boca como efeito da gravidade.
Este movimento, por sua vez, foi provocado pelo movimento do copo. Onde está a
ação aqui? Bem, alguém pode sempre dizer que se causei o acontecimento, então
agi. Mas pense que este movimento pode ser exatamente causado pelo movimento da
minha mão e do meu braço, que por sua vez foram causados por alguns movimentos
de contração dos músculos, que por sua vez foram provocados por alguns disparos
neuronais, e assim sucessivamente. Uma ação assim parece dissolver-se e
reduzir-se a uma sequência de acontecimentos. A nossa distinção vulgar entre ações
e acontecimentos começa a desvanecer-se; parece que chamamos "ação"
ao que na realidade não é mais do que uma série de eventos causalmente
relacionados. Apelar para desejos não resolve a questão, já que o nosso desejo
por água é provavelmente um estado causado por privação orgânica. A cadeia de
eventos estende-se cada vez mais no passado e parece nada haver que nós, como
agentes, tenhamos iniciado, nenhuma ação, só sempre mais e mais acontecimentos.
Então as ações parecem não ser outra coisa senão sequências específicas de
acontecimentos.
Carlos J. Moya, The Philosophy of Action (Polity Press, Oxford, 1990), pp. 1–2.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
Correção do teste de dezembro 2019 - 10B
1. Análise lógica:
Tema do texto: Sócrates defende-se da acusação de Meleto e
Anito de que corrompe os jovens.
Problema. Como é que Sócrates se defende da acusação de
Meleto e Anito?
Tese: Sócrates defende-se provando que Anito e Meleto não o
podem acusar de corromper os jovens porque não se preocupam com os jovens.
Corpo argumentativo: Sócrates faz uma analogia entre a
educação dos jovens e a dos cavalos, se com os cavalos são poucos os homens que
os sabem educar e a maioria estraga-os, com os jovens é o mesmo, poucos os
sabem educar e a maioria corrompe-os. Ora essa analogia demonstra que a
acusação de só Sócrates corrompe os jovens e que todos os outros homens os
tornam melhores é falsa e revela desmazelo por parte dos acusadores.
Conceitos: Corrupção dos jovens, acusação
2. O problema que está em discussão no texto é saber se
todos os homens são capazes de educar bem os jovens ou se é o contrário, que a
maioria dos homens não sabe educar, que saber educar é uma tarefa que só alguns
sabem fazer, pois é mais comum com a educação de qualquer ser vivo, que poucos
entendam do que torna os seres melhores. Defende-se Sócrates da acusação de
Anito e Meleto que acusa Sócrates como o único homem que corrompe os jovens
enquanto todos os outros sabem como os tornar melhores.
3.A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros
igualmente relevantes. Indicação do tipo de argumento que o Carlos usou para
concluir que a Diana gosta de alguns lagos suíços:‒ (argumento) dedutivo. Justificação:‒
num argumento dedutivo/dedutivamente válido, a conclusão é uma consequência
lógica das premissas / é impossível a conclusão ser falsa caso as premissas
sejam todas verdadeiras;‒ se for verdade que na Suíça há lagos rodeados de
montanhas e que a Diana gosta de lagos rodeados de montanhas, então tem de ser
verdade que a Diana gosta de alguns lagos suíços
4. A distinção entre a demonstração e a argumentação está
ligada á distinção entre dois tipos de utilização dos argumentos no discurso.
Assim, argumentar liga-se mais à arte da persuasão, pois o asunto sobre o qual
se argumenta é discutível e não consensual, enquanto a demonstração é uma prova
lógica que, a ser válida, é universal e não pode sofrer refutação, se
aceitarmos as premissas e se o argumento for válido temos de aceitar a
conclusão, porque a conclusão segue-se necessariamente das premissas. A demonstração
é, portanto, independente do auditório, este é abstrato e universal. É
válida para qualquer auditório e não depende do contexto. A verdade da
conclusão é necessária e indiscutível se aceitarmos a verdade das premissas,
pois utiliza argumentos formais ou dedutivos. A linguagem utilizada não é
adequada a um contexto definido ou singular, é uma linguagem impessoal e isenta
de ambiguidade. Pelo contrário a arte de argumentar, é o domínio da persuasão
visto que o assunto é suscetível de discussão. Argumentação serve para
fundamentar uma perspetiva mas sem que esta se apresente como única, embora as
premissas sejam verdadeiras a conclusão é provável, pois utilizamos argumentos informais. Diz
respeito a valores, aos valores do orador e do auditório, às suas crenças e
convicções e utiliza uma linguagem natural, cuja eficácia depende do contexto e
do auditório.
Grupo III
Versão A
1.a) “Todos os filósofos são estudiosos de lógica” –
Proposição universal afirmativa
b) “Algumas aves não são sobreviventes da poluição dos mares”
Proposição particular negativa
c) “Toda a emoção musical é produzida por cantores” –
Proposição universal afirmativa
2.
Para negar uma proposição categórica temos de negar a
quantidade e a qualidade da proposição; assim se é universal a sua negação tem
de ser uma proposição particular, se é negativa a sua negação tem de ser
afirmativa e vice versa. Uma proposição que difere na quantidade e na qualidade
de outra é a sua contraditória. Esta regra é válida para todas as proposições
categóricas. Assim a negação desta proposição particular negativa é uma
proposição universal afirmativa “Todas as aves são sobreviventes da poluição
dos mares”
c) “ Alguma emoção musical não é produzida por cantores” Por
aplicação da regra enunciada atrás. A negação de uma proposição Universal
afirmativa terá de ser uma proposição particular negativa.
Versão B
1.a) Todos os filósofos são estudiosos da história das
ideias” – Proposição universal afirmativa.
b) Nenhuma ave é sobrevivente da poluição dos mares” –
Proposição universal negativa
c) “Algumas experiências científicas são ilegais” –
Proposição particular afirmativa.
2. Para negar uma proposição categórica temos de negar a
quantidade e a qualidade da proposição; assim se é universal a sua negação tem
de ser uma proposição particular, se é negativa a sua negação tem de ser
afirmativa e vice versa. Uma proposição que difere na quantidade e na qualidade
de outra é a sua contraditória. Esta regra é válida para todas as proposições
categóricas.
A negação desta proposição terá de negar a sua quantidade e
a sua qualidade, será assim uma proposição particular afirmativa “ Algumas aves
são sobreviventes da poluição dos mares”
Quanto à alínea c, a sua negação é uma proposição
universal negativa; “ Nenhuma
experiência científica é ilegal”.
sábado, 4 de janeiro de 2020
Correção do teste do 10A em Dezembro de 2019
GRUPO I
1. Tema do texto: A importância de todos os cidadãos se
envolverem na discussão das questões públicas. Enaltecimento dos cidadãos
atenienses.
Problema1: O que distingue os atenienses governados por
Péricles de outros cidadãos de outas cidades?
Problema 2: Qual a importância de todos os cidadãos pensarem
e discutirem as questões públicas?
Tese 1: Os atenienses distinguem-se dos outros cidadãos de outras
cidades por pensarem e discutirem as questões públicas antes de agir.
Tese2: A importância de discutir entre todos as questões
públicas é melhorar a forma de agir.
Corpo argumentativo 1: os atenienses seja qual for o seu
ofício ou ocupação têm um conhecimento
suficiente dos assuntos públicos, e consideram inúteis todos os que são
indiferentes às discussões e conhecimento da vida política.
Corpo argumentativo 2: Devemos ensinar pela discussão antes
de chegar o tempo de atuar, porque aqueles que não o fazem têm coragem por ignorarem
a empresa que têm de enfrentar e por não terem a prática da reflexão e da
discussão ficam perdidos e hesitantes quando têm de calcular e pensar no que
fazem. A sabedoria das questões e da reflexão permite uma maior ousadia da
ação.
Conceitos: “Questões públicas, ação,
2. O problema exposto no texto é a necessidade de
conhecimento por parte de todos os cidadãos dos assuntos da "Polis", das leis e
da política. Péricles elogia a prática da discussão e da reflexão por parte dos
atenienses concluindo que isso permite distinguir o atenienses dos outros
povos. Discute-se a importância do conhecimento para melhorar a ação e torná-la
mais esclarecida e ousada.
3. A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros
igualmente relevantes. Identificação do argumento:‒ argumento por analogia. Justificação:‒
Adam Nordwell compara a chegada de Cristóvão Colombo à América com a sua
chegada à Itália, considerando que, se Colombo descobriu a América por ter sido
o primeiro europeu a chegar lá, de modo semelhante ele próprio teria descoberto
a Itália por ter sido o primeiro do seu povo a chegar lá;‒ Adam Nordwell
pretende, a partir de uma semelhança evidente (tanto o orador como Cristóvão
Colombo chegaram a uma região habitada), inferir uma semelhança menos evidente
(nem o orador nem Cristóvão Colombo fizeram uma descoberta), mostrando que, se
a sua declaração de que descobriu a Itália é ilegítima (porque a Itália já era
habitada pelos italianos), também a declaração de Colombo de que descobriu a América
o é (porque, de modo semelhante, também a América já era habitada pelo seu
povo).
4. A distinção entre a demonstração e a argumentação está ligada á distinção entre dois tipos de utilização dos argumentos no discurso. Assim, argumentar liga-se mais à arte da persuasão, pois o asunto sobre o qual se argumenta é discutível e não consensual, enquanto a demonstração é uma prova lógica que, a ser válida, é universal e não pode sofrer refutação, se aceitarmos as premissas
e se o argumento for válido temos de aceitar a conclusão, porque a conclusão
segue-se necessariamente das premissas. A demonstração é, portanto, independente do auditório, este é abstrato e universal. É válida para qualquer auditório e não depende do contexto. A verdade da conclusão é necessária e indiscutível se
aceitarmos a verdade das premissas, pois utiliza argumentos formais ou dedutivos. A linguagem utilizada não é adequada a um
contexto definido ou singular, é uma linguagem impessoal e isenta de
ambiguidade. Pelo contrário a arte de argumentar, é o domínio da persuasão
visto que o assunto é suscetível de discussão. Argumentação serve para
fundamentar uma perspetiva mas sem que esta se apresente como única, embora as
premissas sejam verdadeiras a conclusão é provável, pois utilizamos argumentos informais. Diz
respeito a valores, aos valores do orador e do auditório, às suas crenças e
convicções e utiliza uma linguagem natural, cuja eficácia depende do contexto e
do auditório.
Grupo III
VERSÃO A
1. a) “Alguns filósofos são estudiosos de lógica”
Particular afirmativa
b)” Alguns políticos não são corruptos”
Particular negativa
c) “Toda a Filosofia é uma determinada visão do mundo”
Universal afirmativa
2. “Todos os políticos são corruptos”
Negar uma proposição particular negativa é negar a qualidade
e a quantidade da proposição. A negação desta proposição é a sua contraditória,
é, portanto, uma proposição universal afirmativa. Esta regra é válida para
negar qualquer proposição.
“Alguma Filosofia não é uma determinada visão do mundo” . A
justificação precedente é válida para esta negação.
VERSÃO B
1.a) “Alguns filósofos não são estudiosos de lógica” Proposição particular negativa
b) “Nenhum ambientalista é um ganhador da causa do ambiente”
Proposição universal negativa
c) “Toda a investigação é estudo” Proposição universal
afirmativa.
2. “Alguns ambientalistas são ganhadores da causa do
ambiente”
Negar uma proposição universal negativa é negar a qualidade e a quantidade da
proposição. A negação desta proposição é a sua contraditória, é, portanto, uma
proposição Particular afirmativa. Esta regra é válida para negar qualquer
proposição.
“Alguma investigação não é estudo”. Pela regra enunciada
previamente, a proposição que nega uma proposição universal afirmativa, nega a
sua qualidade e quantidade tem, portanto, de ser uma proposição particular
negativa.
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