segunda-feira, 16 de março de 2020

REALIZAR O ENSAIO FILOSÓFICO




VER ENSAIOS DE FILOSOFIA AQUI e AQUI;

ENSAIO é uma Tentativa, Esboço, Preparação.

Como dizia Popper, é importante apaixonar-se por um problema, está tudo dito no nome paixão e problema. Trata-se de nunca deixar fugir o problema antes de consumar com ele qualquer coisa verdadeiramente importante.

Cada ensaio, é, portanto, uma tentativa e é belo, se for ousado.


Limite 3 páginas, Letra Times New Roman -12- Espaço entre linhas 1,5.

 ENVIAR PARA
ensaiofilosofia@gmail.com
até dia 31 Março 
Temas:

1. Há um destino ou temos liberdade?

2. Fazer downloads ilegais será ético?

3. A inteligência artificial substitui a mente humana?

4. Tudo é arte? Quais os limites da Arte?


Um ensaio é a expressão do pensamento de alguém num dado momento.
devemos saber do que quer falar para podemos seguir o seu pensamento
o que pensa sobre um tema ou problema
a sua tese principal e as suas teses secundárias, as consequências que retirou e que se podem retirar
se já encontrou objeções às suas teses

analisa essas objeções para ver se têm sentido
modifica a tese, incorpora as objeções ou pura e simplesmente apresenta argumentos contra elas e desse modo consolida a sua tese.

fundamental;
encontrar um problema e apaixonar-se por ele (a frase é de Popper)
procurar razões para sustentar o pensamento que se quer defender
não ser dogmático mas flexível, incorporar novas possibilidades de pensar e aceitá-las ou não, esse é o corpo da reflexão filosófica.

Texto para resumo,Margarida 10A e Pedro Jerónimo 10B


 
Natureza morta, Emilio Longoni, 

 Estrutura: Biografia dos autores, definição dos conceitos e das teorias, resumo, conclusão e comentário

 Problemas da Ética: Análise de algumas teorias sobre uma vida boa
 Alguns hedonistas chegam à sua perspetiva da forma que passo a explicar. Consideram uma perspetiva rival, como a que afirma que aquilo que é bom para uma pessoa é ter conhecimento, envolver-se em atividades racionais ou aperceber-se da verdadeira beleza. Estes hedonistas perguntam:
“Estes estados mentais seriam bons se não trouxessem nenhuma satisfação, e se a pessoa que os tem não tivesse o menor desejo de que prossigam?”. Como respondem pela negativa, concluem que o valor desses estados mentais tem de residir no facto de serem apreciados e de suscitarem o desejo de que prossigam. Este raciocínio pressupõe que o valor de um todo é apenas a soma do valor das suas partes. Se removermos a parte à qual o hedonista atende,
aquilo que sobra parece não ter nenhum valor, pelo que o hedonismo é verdadeiro.
Suponha-se antes, mais plausivelmente, que o valor de um todo pode não ser a mera soma do valor das suas partes. Nesse caso, poderemos afirmar que aquilo que é melhor para as pessoas é um composto. Não é apenas estarem em estados conscientes nos quais querem estar. Nem é apenas terem conhecimento, envolverem-se em atividades racionais, aperceberem-se da
verdadeira beleza ou algo do género. Aquilo que é bom para uma pessoa não é apenas aquilo que os hedonistas dizem ser bom, nem apenas aquilo que os defensores das Teorias da Lista Objetiva dizem ser bom. Podemos acreditar que, se tivéssemos uma dessas coisas sem a outra, teríamos algo com pouco ou nenhum valor. Podemos afirmar, por exemplo, que aquilo que é bom ou mau para uma pessoa é ter conhecimento, envolver-se em atividades racionais, experienciar amor mútuo e aperceber-se da beleza — ao mesmo tempo que se quer com intensidade precisamente essas coisas. De acordo com esta perspetiva, cada parte do desacordo viu apenas metade da verdade.
Cada parte apresentou como suficiente algo que era apenas necessário. O prazer obtido com certos objetos de vários géneros não tem nenhum valor. E não há nenhum valor no conhecimento, na atividade racional, no amor ou na perceção da beleza, se estas coisas estiverem inteiramente desprovidas de prazer. Aquilo que tem valor, ou que é bom para uma pessoa, consiste em ter ambas as coisas: estar envolvido nessas atividades e querer intensamente esse envolvimento.


Derek Parfit, Aquilo que Faz a Vida de uma Pessoa Correr pelo Melhor

segunda-feira, 9 de março de 2020

Texto para resumo Manuel 10A e Matilde Esteves 10B

 Newsha Tavakolian, Irão, recinto depois de uma votação


 Durante muito tempo os EUA foram conhecidos como um Melting Pot, querendo com isso dizer-se que havia lugar para todos viessem donde viessem, que todos eram bem recebidos e que a pouco e pouco as diferenças culturais se iriam esbatendo a favor da «nova realidade cultural». Muitos americanos ainda acarinham essa ideia mas para muitos outros ela é uma ilusão e até um insulto. (…) Hodiernamente, mesmo entre aqueles que pertencem à cultura dominante existe a consciência de que esta situação causa danos ao conceito de cultura americana. A questão é o que fazer para a resolver. Alguns defensores do multiculturalismo (teoria que advoga a necessidade de assegurar representação no espaço público – universidades, meios de comunicação, política – aos diversos grupos culturais) propõem que devemos começar por nos ouvir uns aos outros. A esta versão do multiculturalismo chamarei multiculturalismo inclusivo.


Mais tolerância e compreensão entre os vários grupos culturais é o que  parece pretender-se, maior igualdade de oportunidades e um trabalho conjunto que combata a ideia de que uma tradição cultural domina o país e aqueles que não a partilham deve ser marginalizados. Este trabalho deve começar nas escolas onde as crianças devem aprender o máximo possível sobre as heranças culturais do maior número possível de grupos étnicos e sociais. (…)Muitos dos proponentes do multiculturalismo adotam o relativismo moral. Contudo, para surpresa de alguns, o relativismo não garante necessariamente o multiculturalismo.

O relativismo ético afirma que não há um código moral universal –que cada cultura escolhe o que é correto para si e nenhuma outra cultura tem o direito de interferir. Esta ideia,  ainda que com várias limitações, pode funcionar quando as culturas estão separadas e isoladas porque nesse caso o código moral é definido como o código da população dominante. Porém, numa sociedade pluralista como a americana, é difícil funcionar porque a cultura dominante (a sociedade branca) é cada vez mais acusada de insensibilidade à diversidade cultural. Pode o relativismo moral funcionar num país em que nos deparamos frequentemente com valores opostos (Roubar é errado e Roubar é moralmente correto para os desfavorecidos) no mesmo bairro? Dado que o relativismo exige que rejeitemos a ideia de um padrão cultural dominante, alguns poderão optar por uma atitude de niilismo moral: nenhum valor é melhor do que outro dado que nenhum valor é objetivamente correcto. Tal niilismo pode conduzir à desagregação do todo social e, possivelmente, a uma maior coesão no interior de cada grupo cultural, acentuando-se o conflito entre eles. Podemos descrever este conflito como balkanização: os grupos culturais têm pouco ou nada em comum exceto o ódio pelo que outros grupos representam. Parece que o relativismo moral não é a resposta aos novos problemas do multiculturalismo.


 E se procurarmos a resposta no universalismo moderado? Se formos universalistas moderados o que podemos esperar? O acordo com os outros grupos acerca de certas questões, mas não em todas as questões. No caso do multiculturalismo podemos concordar com a promoção da igualdade, da tolerância e da coesão da nação. Se não chegarmos a um cordo nisto, o multiculturalismo (inclusivo) é uma causa perdida, assim como a ideia de Estados Unidos. Segundo o universalismo moderado – proposto entre outros por Rachels não podemos permitir uma diferença acentuada nos valores e princípios que regem a convivência social. Não podemos admitir que matar membros de uma família por uma questão de honra seja inaceitável num bairro e aceitável noutro. O problema da possibilidade de um núcleo de valores comuns no interior de uma sociedade multicultural é particularmente urgente e escaldante. Sem valores comuns muito simplesmente não há sociedade.


Nina Rosenstand, The Moral of the Story – An introduction to questions of ethics and human nature,(1993),

domingo, 8 de março de 2020

Matriz do 1º teste do 2º semestre.


Competências gerais:
1. Interpretar um texto filosófico.
2. Dominar e compreender os conhecimentos exigidos.
3. Relacionar teorias e ideias.
4. Saber organizar um texto argumentativo.
5. Aplicar conceitos e teorias a situações concretas.
6. Expôr com clareza e correção.
Competências específicas:
1. Identificar e avaliar argumentos dedutivos e não dedutivos (por analogia, autoridade e indutivos)
2. Produzir um texto -ensaio - de aplicação destes argumentos ao problema do livre-arbítrio.
3. Identificar e explicar as principais falácias dedutivas e não dedutivas (petição de princípio, falso dilema, ad hominem, ad ignorantiam, generalização apressada, bola de neve, boneco de palha e autoridade não qualificada).
4. Analisar logicamente um texto.
5. Definir os conceitos de ação, acontecimento, motivo, intenção, agente, deliberação, decisão. 
6. Problematizar a distinção entre as ações voluntárias, involuntárias e mistas.
8. Compreender o problema do livre-arbítrio.
9. Explicar os conceitos de determinismo e livre-arbítrio.
10. Analisar as teorias sobre o livre arbítrio: Determinismo radical, moderado e libertarismo.
11. Entender o que são valores e critérios valorativos.
12. Identificar e criar juízos de facto e juízos de valor.
13. Caracterizar os valores.
14. Identificar as teses das teorias subjetivista, objetivista e relativista sobre a natureza dos juízos de valor morais.
15. Elaborar um comentário crítico (argumentar)  sobre uma destas teses.  
16. Avaliação e identificação dos argumentos no texto.
Conteúdos:
- A validade e solidez dos argumentos dedutivos.
1. O domínio do discurso argumentativo - a procura de adesão do auditório. 
a. Principais argumentos informais não dedutivos : Indutivos, por Analogia, de Autoridade qualificada.

b.  Principais falácias informais: Petição de princípio, ad verecundiam, ad hominem,ad ignorantiam, bola de neve (reação em cadeia), generalização apressada, boneco de palha, falso dilema, falsa causa, falsa analogia e amostra não representativa.
2. A rede conceptual da acção.
a. Acontecimento e ação.
b. O que caracteriza a ação humana.
b. Agente, intenção, motivo, decisão e deliberação.
c. Ação voluntária, involuntária e mista.
3. Determinismo e liberdade na acção humana
a. O problema do livre-arbítrio.
b. As Teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical (incompatibilismo), determinismo moderado (compatibilismo),  e libertismo.
c. As principais teses, argumentos e objeções a estas teorias.
4. Valores.
a. Definição e caraterização dos valores.
b. Tipos de valores.
c. Juízos de facto e de valor.
d. Teorias sobre a natureza dos juízos de valor morais; subjetivismo, objetivismo e relativismo moral.


ESTRUTURA e AVALIAÇÃO
Grupo I - (4x25 + 20 = 120 Pontos )- 5 Questões. Resposta estruturada e desenvolvimento do conteúdo e dos conceitos apresentados. Exige conhecimento do tema e a sua fundamentação. Análise lógica do texto.

Grupo II - (10x5 = 50 Pontos) 10 questões de V e falso ou escolha múltipla.
Grupo III - (30 Pontos)- Dissertação/Desenvolvimento/ Ensaio sobre um tema. Exige conhecimento e organização de ideias. Argumentação. Contraposição de possibilidades. Objeções.
Critérios de avaliação:

1. Dominar os conhecimentos exigidos.
2. Compreender as várias regras e aplica-las. de forma correta.
3. Expor de forma clara e objetiva o pensamento.
4. Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.
5. Avaliar e identificar os argumentos e teses(conclusão) dos textos.
6. Justificar com razões fortes as afirmações proferidas.
7. Escrever corretamente.

BOA SORTE E BOM ESTUDO!!


terça-feira, 3 de março de 2020

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Texto para resumo João Paulo-10A e Madalena Moura 10B


YASIN AKGULYASIN, Síria

A universalidade dos direitos humanos

Uma das primeiras questões que podemos colocar, para iniciar este debate, é se os direitos humanos representam realmente uma proposta universal. Se nos basearmos apenas no seu intuito primeiro, não seria difícil afirmar que sim, já que o código surgiu com esse objetivo. O problema desta premissa, porém, é se o conjunto dos direitos humanos tem, ou não, a possibilidade de serem aceites como universais.
A análise deste problema apresenta o quanto, realmente, estamos distantes de compreender a realidade. Em primeiro lugar, aceitamos as ideias dos direitos humanos como algo imanente, consensual e deontológico, uma formulação perfeita sobre os direitos de liberdade do ser humano. Assim sendo, o nosso primeiro engano consiste em admitir, naturalmente, que toda e qualquer civilização que aparentemente não compreenda ou viole os direitos humanos é, por conseguinte, composta por grupos de gente “atrasada” ou culturalmente ignorante, desprovida de um sentido de “humanidade”.
Sem perceber, manifestamos aí a velha questão do preconceito cultural eurocentrista, que nos induz a não admitir qualquer coisa fora do padrão ocidental como cultural — mesmo que isso seja resultado de nossa má leitura sobre a mentalidade do outro, tido quase sempre como “diferente e exótico” .
Por conseguinte, ficamos chocados com imagens de violência vindas da África ou Ásia, acreditando que estes continentes são compostos de gente estranha e pouco civilizada. O mesmo pode ser dito a respeito de hábitos quotidianos e religiosos, tidos como estranhos e desprovidos de uma razão teológica. Se isso não fosse somente uma mistura de estereótipos e preconceitos da pior espécie, o mínimo que um leitor ocidental mais atento poderia fazer, antes de realizar qualquer julgamento, é perguntar –se se sua sociedade também não tem problemas, hábitos ou costumes que ele próprio não compreende; segundo, se essa estranheza que o Ocidente sente pelo Oriente não seria recíproca, e sem um diálogo amplo e aberto o outro sempre parecerá um desconhecido; por fim, o referencial de correto que este leitor tem é apenas o da sua cultura — o que, a princípio, não o torna em nada um observador capacitado para analisar outros sistemas culturais.
Em que circunstâncias, portanto, podemos trabalhar esta questão em relação às civilizações orientais, tão “afastadas” culturalmente de nós? Aliás, quando começamos a preocupar-nos com a realidade moral e material de outras sociedades diferentes?
Historicamente, a ideia dos direitos humanos surgiu como uma proposta para administrar o mundo segundo um critério liberal e individualista, proporcionando-lhe equilíbrio social e um respeito maior pela condição humana. Ela é resultante de dois momentos marcantes no
Ocidente: a Revolução Francesa e a proclamação da ONU em 1948.

André Bueno

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Correção da análise lógica dos textos das páginas 88 e 89 do manual de filosofia


Texto 1 - SER E VALOR - JUÍZOS DE FACTO E JUÍZOS DE VALOR
Conceitos
Análise lógica
Resposta às perguntas

Conceitos:
Juízo de facto – Juízo (emissão do pensamento através de uma proposição)objetivo e descritivo, com valor de verdade
Juízo de valor – Juízo subjetivo e normativo, sem valor de verdade. (atenção que aqueles que defendem que os juízos de valor são objetivos dirão que têm valor de verdade)
Idade moderna ou modernidade – época da introdução do mensurável, da razão matemática no entendimento da natureza e do mundo. Exclui o juízo de valor dos juízos de facto. Os primeiros desviariam o entendimento dos factos, estes seriam tudo o que é mensurável (que tem uma medida matemática)

Análise lógica:
Tema 1
Tema: A relação entre ser e valor (entre juízos de valor e juízos de facto)
Problema: qual a relação entre valor e ser, entre juízos de valor e juízos de facto?
Tese: Juízos de valor e juízos de facto são interdependentes.
Argumento: O ser está penetrado de valor, de factos derivam costumes e leis e de costumes e leis factos. Por exemplo, a poligamia era um facto, depois de se dar mais valor à monogamia e de se fazer uma lei que proíbe a poligamia (do facto gerou-se valor), os homens começaram a evitar a poligamia e tentaram realizar a lei, alterando os seus costumes, produzindo novos factos, como a prisão de um homem por causa da poligamia.

Tema 2
A separação entre facto e valor
Problema: Como é entendida historicamente a relação entre factos e valores?
Tese: Facto e valor estavam ligados na antiguidade e separaram-se na modernidade.
Argumento: Se na antiguidade estavam ligados , na época moderna e com o aparecimento da ciência e do saber positivista, dá-se apenas importância ao saber dos factos, afastando o elemento subjetivo do valor,  e a filosofia moral passou a ser um campo de discussão de valores sem um saber que a legitime.

Texto 2 - OBJETIVISMO E SUBJETIVISMO AXIOLÓGICOS
Conceitos:
Objetivismo – Posição sobre a natureza dos valores que defende que estes são entidades objetivas independentes do sujeito que julga, existem objetivamente nas ações, pessoas ou coisas.
Subjetivismo – Posição sobre a natureza dos valores que defende que estes dependem do sujeito, dos seus desejos e necessidades, correspondem ao agrado ou desagrado que o sujeito sente face aos objetos, ações e pessoas.
Valor – o que resulta da valoração do homem sobre os objetos, um conjunto de propriedades que resulta desta relação.

Análise lógica:
Tema: A dinâmica da experiência valorativa.
Problema? Como se efetua a dinâmica da experiência valorativa?
Tese: O valor não é propriedade dos objetos em si, mas propriedade adquirida graças á sua relação com o homem como ser social.
Argumento: Porque os valores são um conjunto de propriedades que estão apenas em potência nos objetos, essas propriedades só passam a ser reais e efetivas quando o objeto entra em relação com os desejos e necessidades do ser humano enquanto ser social (enquanto ser inserido numa dinâmica cultural com regras e costumes). Mas embora essas propriedades se tornem reais com a intervenção do homem também é verdade que o objeto tem que ter algumas propriedades que lhe podem conferir um cero valor.

Tema 2
O objetivismo e o subjetivismo como posições unilaterais sobre os valores.
Problema: Quais as dificuldades colocadas pelo subjetivismo e objetivismo axiológicos?
Tese: O subjetivismo reduz o valor a um estado psíquico do sujeito e o objetivismoesquece o sujeito e centra-se no objeto.
Argumento: Ambas as posições colocam o valor nos dois extremos da relação, excluindo a relação e o contributo de cada um dos intervenientes na experiência valorativa, são, por isso posições redutoras e inconciliáveis que não revelam a natureza da experiência valorativa.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Texto para resumo Filipe 10B e Cloé ou Daniela 10A


“Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; e se é verdade que nem toda coisa desejamos com vista a atingir outra (porque, então, o processo se repetiria ao infinito, e inútil e vão seria o nosso desejar), evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. (…)Ora, nós chamamos áquilo que merece ser buscado por si mesmo mais absoluto do que aquilo que merece ser buscado com vista noutra coisa, e aquilo que não é desejável no interesse de outra coisa mais absoluto do que as coisas desejáveis no interesse de uma terceira; por isso chamamos de absoluto e incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa.
Ora, esse é o conceito que  fazemos da felicidade. É ela procurada sempre por si mesma e nunca com vista a outra coisa, ao passo que à honra, ao prazer, à razão e a todas as virtudes nós de fato escolhemos por si mesmas (pois, ainda que nada resultasse daí, continuaríamos a escolher cada uma delas); mas também as escolhemos no interesse da felicidade, pensando que a posse delas nos tornará felizes. A felicidade, todavia, ninguém a escolhe tendo em vista algum destas virtudes nem, em geral, qualquer coisa que não seja ela própria.”
(…)
Porque pode existir o estado de ânimo sem produzir nenhum bom resultado, como no homem que dorme ou que permanece inativo; mas a atividade virtuosa, não: essa deve necessariamente agir, e agir bem. E, assim como nos Jogos Olímpicos não são os mais belos e os mais fortes que conquistam a coroa, mas os que competem (pois é dentre estes que hão de surgir os vencedores), também as coisas nobres e boas da vida só são alcançadas pelos que agem retamente. Sua própria vida é aprazível por si mesma. Com efeito, o prazer é um estado da alma, e para cada homem é agradável aquilo que ele ama: não só um cavalo ao amigo de cavalos e um espetáculo ao amador de espetáculos, mas também os atos justos ao amante da justiça e, em geral, os atos virtuosos aos amantes da virtude. Ora, na maioria dos homens os prazeres estão em conflito uns com os outros porque não são aprazíveis por natureza, mas os amantes do que é nobre se comprazem em coisas que têm aquela qualidade; tal é o caso dos atos virtuosos, que não apenas são aprazíveis a esses homens, mas em si mesmos e por sua própria natureza. Em consequência, a vida deles não necessita do prazer como uma espécie de encanto adventício, mas possui o prazer em si mesma. Pois que, além do que já dissemos, o homem que não se regozija com as ações nobres não é sequer bom; e ninguém chamaria de justo o que não se compraz em agir com justiça, nem liberal o que não experimenta prazer nas ações liberais; e do mesmo modo em todos os outros casos. Sendo assim, as ações virtuosas devem ser aprazíveis em si mesmas.  (…)A felicidade é, pois, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não se acham separados como na inscrição de Delos:
 Das coisas a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; Mas a mais doce é alcançar o que amamos.
Com efeito, todos elas pertencem às mais excelentes atividades; e estas, ou então, uma delas — a melhor —, nós a identificamos com a felicidade. E no entanto, como dissemos, ela necessita igualmente dos bens exteriores; pois é impossível, ou pelo menos não é fácil, realizar atos nobres sem os devidos meios.

Aristóteles, Ética a Nicómaco,

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Trabalhos: Filosofia na discussão do mundo actual

Temas para os trabalhos de grupo

1. Problema: Será legítimo do ponto de vista ético explorar o fundo do mar? Que consequências terá para o equilíbrio da fauna e da flora e das populações locais?

2. Será legítimo eticamente utilizar mão de obra infantil? Caso da exploração do cobalto no Congo.
 Análise da relação entre a violação dos direitos humanos e as assimetrias sociais/extrema pobreza.

3.  Interculturalidade: A diferenciação cultural como um bem precioso.Análise de duas culturas diferentes a partir dos seus mitos criadores.http://www.bigmyth.com/2_eng_myths.htm

4. O choque cultural e a colonização. Análise da perspectiva etnocêntrica e relativista acerca dos valores. Há culturas superiores e nferiores? Será legítimo fazermos juìzos morais sobre práticas e valores de outras culturas?

5. A cultura capitalista como cultura do lucro e da globalização. Deverá o estado impor limites á livre concorrência de empresas?

6. O terrorismo e o estado islâmico serão uma consequência do choque cultural e religioso ou do expansionismo bélico ocidental e busca de recursos?

7. Emigração e refugiados. Abrir ou fechar fronteiras? Qual o impacto sobre a vida das pessoas? Análise de um caso.