segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

TEXTO PARA RESUMO GONÇALO PRADO 10A


‘Livre arbítrio’ é o nome convencional de um tópico que é mais adequadamente discutido sem referência ao arbítrio (vontade). As suas questões centrais são ‘O que é agir (ou escolher) livremente?’, e ‘O que é ser responsável pelas nossas acções (ou escolhas)?’ Estas duas questões estão ligadas intimamente, pois a liberdade de acção é necessária, embora não suficiente, para a responsabilidade moral.

Os filósofos dão respostas muito diferentes a estas questões e, portanto, também a duas questões mais específicas acerca de nós: (1) Somos agentes livres? e (2) Podemos ser responsáveis por aquilo que fazemos? As respostas a (1) e (2) vão de ‘sim, sim’ a ‘não, não’ – passando por ‘sim, não’ e vários graus de ‘talvez’, ‘possivelmente’ e ‘num certo sentido’. (O quarto par das respostas directas, ‘não, sim’, é raro, mas parece ser aceite por alguns protestantes). Entre os que respondem ‘sim, sim’ são proeminentes os compatibilistas, que sustentam que o livre arbítrio é compatível com o determinismo. Sucintamente, o determinismo é a teoria que diz que tudo o que ocorre é exigido pelo que já aconteceu anteriormente de um modo tal que nada pode acontecer de um modo diferente daquele que acontece. Segundo os compatibilistas, a liberdade é compatível com o determinismo, porque a liberdade é fundamentalmente apenas uma questão de não ser constrangido ou impedido em certos sentidos quando agimos ou escolhemos. Assim seres humanos adultos normais em circunstâncias normais são capazes de agir e escolher livremente. Ninguém lhes aponta uma arma à cabeça. Não estão drogados, agrilhoados ou sujeitos a compulsão psicológica. São, portanto, completamente livres para escolher e agir mesmo que toda a sua estrutura física e psicológica seja inteiramente determinada por coisas pelas quais não são de maneira nenhuma responsáveis – começando pela herança genética e pela educação inicial.

Os incompatibilistas sustentam que a liberdade não é compatível com o determinismo. Salientam que se o determinismo é verdade, então cada uma das nossas acções foi determinada para acontecer tal como aconteceu antes de nós termos nascido. Sustentam que não podemos ser, neste caso, considerados verdadeiramente livres e, consequentemente, moralmente responsáveis pelas nossas acções. Pensam que o compatibilismo é um ‘miserável subterfúgio…, um insignificante malabarismo de palavras.’, como diz Kant na sua Crítica da Razão Prática (1788). O compatibilismo não consegue de modo nenhum satisfazer as nossas convicções espontâneas acerca da natureza da responsabilidade moral.

O argumento dos incompatibilistas é um bom argumento. Os incompatibilistas podem ser dividos em dois grupos. Os libertários respondem ‘sim, sim’ às perguntas (1) e (2). Sustentam que somos de facto livres e agentes moralmente responsáveis e que, portanto, o determinismo tem de ser falso. A sua grande dificuldade é explicar de que vale afirmar que o determinismo é falso quando se trata de estabelecer o nosso livre agir e a nossa responsabilidade moral. Suponhamos que nem todo o acontecimento é determinado, e que alguns acontecimentos ocorrem aleatória ou fortuitamente. Como é que a nossa pretensão à responsabilidade moral pode ser reforçada pela suposição de que o que nós somos e o que são as nossas acções é da ordem do fortuito ou do aleatório?

O segundo grupo de incompatibilistas é menos optimista. Responde ‘não, não’ às questões (1) e (2). Concorda com os libertários que a verdade do determinismo inviabiliza a genuína responsbilidade moral, mas argumentam que a falsidade do determinisno de nada adianta. Assim, concluem que não somos genuinamente agentes livres ou moralmente responsáveis seja o determinismo falso ou verdadeiro. Um dos seus argumentos pode ser sumariado da seguinte maneira: quando agimos, agimos como agimos devido ao que somos. Portanto, para sermos responsáveis moralmente pelas próprias acções teríamos de ser verdadeiramente responsáveis pelo que somos: teríamos de ser causa sui, ou causa de nós mesmos, pelo menos no que respeita a certos aspectos mentais cruciais. Mas nada pode ser causa sui – nada pode ser a nenhum respeito a última causa de si mesmo. Logo, nada pode ser na verdade moralmente responsável.

Desenvolvido apropriadamente, este argumento contra a responsabilidade moral parece ser muito forte. Porém, em muitos seres humanos a experiência da escolha dá lugar a uma convicção de responsabilidade absoluta que não é abalada pela reflexão filosófica. Esta convicção é a mais profunda e inesgotável fonte do problema do livre arbítrio: aparecem continuamente poderosos argumentos que parecem mostrar que não podemos ser moralmente responsáveis naquele sentido fundamental que habitualmente adoptamos; mas contra estes persistem razões de ordem psicológica igualmente poderosas que nos fazem crer que em última análise somos moralmente responsáveis.


Edward Craig (ed.) The Shorter Routledge Encyclopedia of Philosophy (London and New York, 2005).
Tradução de Carlos Marques.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Texto para resumo - Madalena Silva-10A e Margarida Silveira -10B

Ações voluntárias e involuntárias
Sendo a excelência constituída a respeito das afecções e das acções, havendo louvores e repreensões apenas relativamente a acções vo­luntárias – porque relativamente a acções involuntárias, às vezes há perdão, outras vezes compaixão -, é necessário, talvez, para quem pretende examinar os fenómenos que concernem a excelência, defi­nir-se a acção voluntária e a acção involuntária, definição de resto também útil aos legisladores não só para a atribuição de honras como também para a aplicação de castigos. Involuntárias são, assim, aquelas acções que se geram sob coac­ção ou por ignorância. Um acto perpetrado sob coacção é aquele cujo princípio (motivador) lhe é extrínseco. Um princípio desta na­tureza é tal que o agente, na verdade, passivo, não contribui em nada para ele. Como se ventos ou homens poderosos o levassem para qual­quer sítio. Mas determinar se as acções praticadas por medo de males maiores ou em vista de algo glorioso – por exemplo, se alguém se vê obrigado a praticar um acto vergonhoso por um tirano que ameaça de morte os seus pais e filhos, mantidos reféns, e ao mesmo tempo promete salvá-los, se a ordem for executada – são acções involun­tárias ou voluntárias envolve controvérsia. Uma situação deste género acontece, por exemplo, quando no meio de tempestades se tem de deitar a carga borda fora. Porque ninguém a deitaria ao mar assim sem mais, voluntariamente, mas apenas com o objectivo de se salvar a si e aos restantes. Acções deste género são mistas, embora, de facto, pareçam mais ser voluntárias. Na verdade, são escolhidas no mo­mento em que são praticadas e o fim da acção é determinado de acordo com a ocasião e a oportunidade do momento. As caracterís­ticas do ser «voluntário» e «involuntário» só podem ser determinadas em função do tempo em que a acção é executada. Ora só quem se encontra em determinadas circunstâncias é que age, de facto, voluntariamente. Isto é, quando tem em si próprio o princípio (motivador) da acção, accionando assim os elementos instrumentais da acção. Quando o princípio motivador se encontra no próprio agente, é dele que depende o serem levadas à prática ou não. Acções deste género são, pois, voluntárias, mesmo que resultem da força das circunstân­cias. Ainda assim, podem, por outro lado, ser consideradas involuntá­rias, porque, noutras circunstâncias, ninguém teria decidido levá-las à prática. (…)
Quais são, então, os tipos de acções que dizemos ser realizadas sob coacção? São absolutamente por coacção todas aquelas acções que tem o seu princípio em circunstâncias extrínsecas ao agente, sem que este contribua em nada no que quer que seja para as levar à prá­tica. Por outro lado, há acções que são em si mesmas involuntárias, mas que numa dada circunstância são preferidas em detrimento de outras, isto é, o princípio da sua acção encontra-se no agente. Tais acções são em si mesmas absolutamente involuntárias. Contudo, como naquelas circunstâncias particulares, são preferidas em detri­mento de outras, são levadas à prática voluntariamente.
Aristóteles, Ética a Nicómaco, tr. António Caeiro, Quetzal Editores, 2004, 59-60 (1109b30 – 1110a20)
Blogue em http://paginasdefilosofia.blogspot.com

Texto para resumo Julia Oliveira -10A e Manuel Casimiro 10B





Uma ação intencional é aquela que uma pessoa pratica e pretende praticar -como quando desço para o andar de baixo ou digo algo que pretendo dizer. Uma ação básica é aquela que a pessoa faz directa e intencionalmente, sem levar a cabo nenhuma outra acão intencional. Ir de Oxford para Londres é uma ação não básica, porque a levo a cabo fazendo outras coisas -indo até à estação, entrando no comboio, etc. Mas apertar a minha mão ou mexer a minha perna ou mesmo dizer "isto" são ações básicas. Faço-as directamente, sem levar a cabo outro acto intencional. (Com certeza que certos acontecimentos têm de ocorrer no meu corpo - os meus sentidos têm de transmitir impulsos - para que eu consiga realizar uma ação básica. Mas estes não são acontecimentos que eu leve a cabo intencionalmente. Limitam-se a acontecer -posso nem sequer saber da sua existência. (...) Só posso produzir efeitos no mundo, fora do meu corpo, fazendo algo intencional com o meu corpo. Posso abrir a porta agarrando a maçaneta com a minha mão e puxando-a na minha direção ou posso fazer com que alguém saiba uma certa coisa usando a minha boca para o dizer. Quando produzo um certo efeito, intencionalmente (por exemplo abrir a porta) levando a cabo uma outra ação qualquer (puxar a porta na minha direção), levar a cabo a primeira é realizar uma ação não básica, ir a londres, escrever um livro, ou mesmo colocar um parafuso na parede são ações não básicas que desempenho, levando a cabo outras ações básicas. Quando realizo uma ação intencional qualquer, procuro com ela atingir um certo propósito - normalmente um propósito para além da mera realização da própria ação (como quando canto só por cantar).


Richard Swinbourne, Será que Deus existe? Gradiva, Lisboa, 1998, pp.12,13


Texto para resumo José Caldeira -10A e Madalena Moura -10B


Se existem ou não ações não é algo que possamos responder através da observação direta. Aqueles que duvidam da existência de ações não estão a questionar aquilo que todos percebem. Estão a questionar o facto de saber se os conceitos que habitualmente usamos para descrever e interpretar essas observações são apropriados ou até consistentes. Se não são, leva-nos a uma resposta negativa à nossa questão: se ação é um conceito inconsistente, não pode haver ações, do mesmo modo que não pode haver círculos quadrados. Logo, a própria análise do conceito de ação é um tópico central da filosofia da ação.
Suspeitas acerca da própria consistência do conceito de ação, bem como acerca da distinção entre ações e acontecimentos, podem aparecer mesmo ao nível das perspetivas científicas. Se levamos a ciência a sério, então somos obrigados a refletir sobre a possibilidade de reconciliar a visão científica com a conceção comum da realidade, já que elas parecem ser, se não contraditórias, pelo menos altamente díspares. As perspetivas científicas congratulam-se com acontecimentos explicados por outros acontecimentos anteriores ou por outros acontecimentos simultâneos com a ajuda de leis. Mas se pensarmos em nós como agentes, concebemo-nos como seres capazes de iniciar alterações no mundo independentemente da sua história prévia. Agentes e ações, então, enfrentarão dificuldades se procurarem um lugar no plano científico.
A atitude de suspeição ou de ceticismo relativamente à ação apresenta-se de formas diversas, desde propostas eliminativistas até propostas mais ou menos reducionistas. Para que o leitor fique com uma ideia do que possa ser uma atitude reducionista, comecemos com um episódio que ninguém hesitaria classificar como ação: beber um copo de água. Que direito temos de chamar isto de ação e não apenas de acontecimento? Onde reside o carácter adicional deste episódio? O que fiz eu? A água entra na minha boca como efeito da gravidade. Este movimento, por sua vez, foi provocado pelo movimento do copo. Onde está a ação aqui? Bem, alguém pode sempre dizer que se causei o acontecimento, então agi. Mas pense que este movimento pode ser exatamente causado pelo movimento da minha mão e do meu braço, que por sua vez foram causados por alguns movimentos de contração dos músculos, que por sua vez foram provocados por alguns disparos neuronais, e assim sucessivamente. Uma ação assim parece dissolver-se e reduzir-se a uma sequência de acontecimentos. A nossa distinção vulgar entre ações e acontecimentos começa a desvanecer-se; parece que chamamos "ação" ao que na realidade não é mais do que uma série de eventos causalmente relacionados. Apelar para desejos não resolve a questão, já que o nosso desejo por água é provavelmente um estado causado por privação orgânica. A cadeia de eventos estende-se cada vez mais no passado e parece nada haver que nós, como agentes, tenhamos iniciado, nenhuma ação, só sempre mais e mais acontecimentos. Então as ações parecem não ser outra coisa senão sequências específicas de acontecimentos.

Carlos J. Moya, The Philosophy of Action (Polity Press, Oxford, 1990), pp. 1–2.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Correção do teste de dezembro 2019 - 10B



1. Análise lógica:
Tema do texto: Sócrates defende-se da acusação de Meleto e Anito de que corrompe os jovens.
Problema. Como é que Sócrates se defende da acusação de Meleto e Anito?
Tese: Sócrates defende-se provando que Anito e Meleto não o podem acusar de corromper os jovens porque não se preocupam com os jovens.
Corpo argumentativo: Sócrates faz uma analogia entre a educação dos jovens e a dos cavalos, se com os cavalos são poucos os homens que os sabem educar e a maioria estraga-os, com os jovens é o mesmo, poucos os sabem educar e a maioria corrompe-os. Ora essa analogia demonstra que a acusação de só Sócrates corrompe os jovens e que todos os outros homens os tornam melhores é falsa e revela desmazelo por parte dos acusadores.
Conceitos: Corrupção dos jovens, acusação

2. O problema que está em discussão no texto é saber se todos os homens são capazes de educar bem os jovens ou se é o contrário, que a maioria dos homens não sabe educar, que saber educar é uma tarefa que só alguns sabem fazer, pois é mais comum com a educação de qualquer ser vivo, que poucos entendam do que torna os seres melhores. Defende-se Sócrates da acusação de Anito e Meleto que acusa Sócrates como o único homem que corrompe os jovens enquanto todos os outros sabem como os tornar melhores.

3.A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Indicação do tipo de argumento que o Carlos usou para concluir que a Diana gosta de alguns lagos suíços:‒ (argumento) dedutivo. Justificação:‒ num argumento dedutivo/dedutivamente válido, a conclusão é uma consequência lógica das premissas / é impossível a conclusão ser falsa caso as premissas sejam todas verdadeiras;‒ se for verdade que na Suíça há lagos rodeados de montanhas e que a Diana gosta de lagos rodeados de montanhas, então tem de ser verdade que a Diana gosta de alguns lagos suíços



4. A distinção entre a demonstração e a argumentação está ligada á distinção entre dois tipos de utilização dos argumentos no discurso. Assim, argumentar liga-se mais à arte da persuasão, pois o asunto sobre o qual se argumenta é discutível e não consensual, enquanto a demonstração é uma prova lógica que, a ser válida,  é universal e não pode sofrer refutação, se aceitarmos as premissas e se o argumento for válido temos de aceitar a conclusão, porque a conclusão segue-se necessariamente das premissas. A demonstração é, portanto, independente do auditório, este é abstrato e universal. É  válida para qualquer auditório e não depende do contexto. A verdade da conclusão é necessária e indiscutível se aceitarmos a verdade das premissas, pois utiliza argumentos formais ou dedutivos. A linguagem utilizada não é adequada a um contexto definido ou singular, é uma linguagem impessoal e isenta de ambiguidade. Pelo contrário a arte de argumentar, é o domínio da persuasão visto que o assunto é suscetível de discussão. Argumentação serve para fundamentar uma perspetiva mas sem que esta se apresente como única, embora as premissas sejam verdadeiras a conclusão é provável,  pois utilizamos argumentos informais. Diz respeito a valores, aos valores do orador e do auditório, às suas crenças e convicções e utiliza uma linguagem natural, cuja eficácia depende do contexto e do auditório.

Grupo III
Versão A
1.a) “Todos os filósofos são estudiosos de lógica” – Proposição universal afirmativa
b) “Algumas aves não são sobreviventes da poluição dos mares”  Proposição particular negativa
c) “Toda a emoção musical é produzida por cantores” – Proposição universal afirmativa

2.
Para negar uma proposição categórica temos de negar a quantidade e a qualidade da proposição; assim se é universal a sua negação tem de ser uma proposição particular, se é negativa a sua negação tem de ser afirmativa e vice versa. Uma proposição que difere na quantidade e na qualidade de outra é a sua contraditória. Esta regra é válida para todas as proposições categóricas. Assim a negação desta proposição particular negativa é uma proposição universal afirmativa “Todas as aves são sobreviventes da poluição dos mares”
c) “ Alguma emoção musical não é produzida por cantores” Por aplicação da regra enunciada atrás. A negação de uma proposição Universal afirmativa terá de ser uma proposição particular negativa.

Versão B
1.a) Todos os filósofos são estudiosos da história das ideias” – Proposição universal afirmativa.
b) Nenhuma ave é sobrevivente da poluição dos mares” – Proposição universal negativa
c) “Algumas experiências científicas são ilegais” – Proposição particular afirmativa.

2. Para negar uma proposição categórica temos de negar a quantidade e a qualidade da proposição; assim se é universal a sua negação tem de ser uma proposição particular, se é negativa a sua negação tem de ser afirmativa e vice versa. Uma proposição que difere na quantidade e na qualidade de outra é a sua contraditória. Esta regra é válida para todas as proposições categóricas.
A negação desta proposição terá de negar a sua quantidade e a sua qualidade, será assim uma proposição particular afirmativa “ Algumas aves são sobreviventes da poluição dos mares”
Quanto à alínea c, a sua negação é uma proposição universal  negativa; “ Nenhuma experiência científica é ilegal”.



sábado, 4 de janeiro de 2020

Correção do teste do 10A em Dezembro de 2019




GRUPO I
1. Tema do texto: A importância de todos os cidadãos se envolverem na discussão das questões públicas. Enaltecimento dos cidadãos atenienses.
Problema1: O que distingue os atenienses governados por Péricles de outros cidadãos de outas cidades?
Problema 2: Qual a importância de todos os cidadãos pensarem e discutirem as questões públicas?
Tese 1: Os atenienses distinguem-se dos outros cidadãos de outras cidades por pensarem e discutirem as questões públicas antes de agir.
Tese2: A importância de discutir entre todos as questões públicas é melhorar a forma de agir.
Corpo argumentativo 1: os atenienses seja qual for o seu ofício ou ocupação  têm um conhecimento suficiente dos assuntos públicos, e consideram inúteis todos os que são indiferentes às discussões e conhecimento da vida política.
Corpo argumentativo 2: Devemos ensinar pela discussão antes de chegar o tempo de atuar, porque aqueles que não o fazem têm coragem por ignorarem a empresa que têm de enfrentar e por não terem a prática da reflexão e da discussão ficam perdidos e hesitantes quando têm de calcular e pensar no que fazem. A sabedoria das questões e da reflexão permite uma maior ousadia da ação.
Conceitos: “Questões públicas, ação,

2. O problema exposto no texto é a necessidade de conhecimento por parte de todos os cidadãos dos assuntos da "Polis", das leis e da política. Péricles elogia a prática da discussão e da reflexão por parte dos atenienses concluindo que isso permite distinguir o atenienses dos outros povos. Discute-se a importância do conhecimento para melhorar a ação e torná-la mais esclarecida e ousada.

3. A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Identificação do argumento:‒ argumento por analogia. Justificação:‒ Adam Nordwell compara a chegada de Cristóvão Colombo à América com a sua chegada à Itália, considerando que, se Colombo descobriu a América por ter sido o primeiro europeu a chegar lá, de modo semelhante ele próprio teria descoberto a Itália por ter sido o primeiro do seu povo a chegar lá;‒ Adam Nordwell pretende, a partir de uma semelhança evidente (tanto o orador como Cristóvão Colombo chegaram a uma região habitada), inferir uma semelhança menos evidente (nem o orador nem Cristóvão Colombo fizeram uma descoberta), mostrando que, se a sua declaração de que descobriu a Itália é ilegítima (porque a Itália já era habitada pelos italianos), também a declaração de Colombo de que descobriu a América o é (porque, de modo semelhante, também a América já era habitada pelo seu povo).

4. A distinção entre a demonstração e a argumentação está ligada á distinção entre dois tipos de utilização dos argumentos no discurso. Assim, argumentar liga-se mais à arte da persuasão, pois o asunto sobre o qual se argumenta é discutível e não consensual, enquanto a demonstração é uma prova lógica que, a ser válida,  é universal e não pode sofrer refutação, se aceitarmos as premissas e se o argumento for válido temos de aceitar a conclusão, porque a conclusão segue-se necessariamente das premissas. A demonstração é, portanto, independente do auditório, este é abstrato e universal. É  válida para qualquer auditório e não depende do contexto. A verdade da conclusão é necessária e indiscutível se aceitarmos a verdade das premissas, pois utiliza argumentos formais ou dedutivos. A linguagem utilizada não é adequada a um contexto definido ou singular, é uma linguagem impessoal e isenta de ambiguidade. Pelo contrário a arte de argumentar, é o domínio da persuasão visto que o assunto é suscetível de discussão. Argumentação serve para fundamentar uma perspetiva mas sem que esta se apresente como única, embora as premissas sejam verdadeiras a conclusão é provável,  pois utilizamos argumentos informais. Diz respeito a valores, aos valores do orador e do auditório, às suas crenças e convicções e utiliza uma linguagem natural, cuja eficácia depende do contexto e do auditório.

Grupo III
VERSÃO A
1. a) “Alguns filósofos são estudiosos de lógica”
Particular afirmativa
b)” Alguns políticos não são corruptos”
Particular negativa
c) “Toda a Filosofia é uma determinada visão do mundo”
Universal afirmativa

2. “Todos os políticos são corruptos”
Negar uma proposição particular negativa é negar a qualidade e a quantidade da proposição. A negação desta proposição é a sua contraditória, é, portanto, uma proposição universal afirmativa. Esta regra é válida para negar qualquer proposição.
“Alguma Filosofia não é uma determinada visão do mundo” . A justificação precedente é válida para esta negação.

VERSÃO B
1.a) “Alguns filósofos não são estudiosos de lógica”  Proposição particular negativa
b) “Nenhum ambientalista é um ganhador da causa do ambiente” Proposição universal negativa
c) “Toda a investigação é estudo” Proposição universal afirmativa.

2. “Alguns ambientalistas são ganhadores da causa do ambiente”
Negar uma proposição universal  negativa é negar a qualidade e a quantidade da proposição. A negação desta proposição é a sua contraditória, é, portanto, uma proposição Particular afirmativa. Esta regra é válida para negar qualquer proposição.
“Alguma investigação não é estudo”. Pela regra enunciada previamente, a proposição que nega uma proposição universal afirmativa, nega a sua qualidade e quantidade tem, portanto, de ser uma proposição particular negativa.