terça-feira, 4 de outubro de 2022

Proposta de correção da ficha sobre análise lógica do texto filosófico 4

 

FICHA 1 ANÁLISE LÓGICA DO TEXTO FILOSÓFICO

Grupo ____ Alunos________________________________________________________

Para compreender uma idade ou uma nação temos de compreender-lhe a filosofia, e para isso temos de ser em qualquer grau filósofos. Há aqui uma causalidade recíproca. As circunstâncias da vida do homem concorrem muito para determinar a sua filosofia e, reciprocamente, a sua filosofia determina em muito as suas circunstâncias. Esta interação multisecular é o tópico das páginas seguintes (da história da filosofia).

 Há, no entanto, uma resposta mais pessoal. ARGUMENTO (PREMISSAS)A ciência diz-nos o que sabemos, e é pouco; e se esquecemos quanto ignoramos ficaremos insensíveis a muitos factos da maior importância. Por outro lado, a teologia induz a crer dogmaticamente que temos conhecimento onde realmente só temos ignorância, e assim produz uma espécie de impertinente arrogância em relação ao Universo. A incerteza perante esperanças vivas e receios é dolorosa, mas tem de suportar-se se quisermos viver sem o conforto dos contos de fadas. Nem é bom esquecer as questões postas pela filosofia, nem persuadirmo-nos de que lhes achámos resposta indubitável. Ensinar a viver sem certeza sem ser paralisado pela hesitação é talvez o mais importante dom que a filosofia do nosso tempo dá, a quem a estuda. CONCLUSÃO TESE (conclusão do argumento)

 

Bertrand Russell, História da Filosofia Ocidental,(1946) Relogio D’água, 2017, p. 13,14

TEMA

 

 A importância da Filosofia

 

PROBLEMA (s)

(questão central do texto)

Qual a importância da Filosofia?

Tese principal

(resposta ao problema/conclusão do argumento/ideia principal)

Tese secundária

 

 

 

Ensinar a viver sem certeza sem ser paralisado pela hesitação é talvez o mais importante dom que a filosofia do nosso tempo dá, a quem a estuda.

 

 

 

 

 

Movimento argumentativo principal

(razões que sustentam a conclusão)

Argumento para a tese secundária

 

 

 

 

A ciência diz-nos o que sabemos, e é pouco; e se esquecemos quanto ignoramos ficaremos insensíveis a muitos factos da maior importância. Por outro lado, a teologia induz a crer dogmaticamente que temos conhecimento onde realmente só temos ignorância, e assim produz uma espécie de impertinente arrogância em relação ao Universo. A incerteza perante esperanças vivas e receios é dolorosa, mas tem de suportar-se se quisermos viver sem o conforto dos contos de fadas.

Conceitos

 

Filosofia, incerteza, ciência, teologia

 

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Texto para resumo Clara Oliveira


Imagem: Quadro do pintor Caravaggio, Os jogadores de cartas

" As teorias éticas baseadas no dever sublinham que cada um de nós tem certos deveres – ações que devemos executar ou não – e que agir moralmente é equivalente a cumprir o nosso dever, sejam quais forem as consequências que daqui surgirem. É esta ideia – a de que algumas ações são absolutamente boas ou más independentemente dos resultados a que derem origem – que distingue as teorias éticas baseadas nos deveres ( também conhecidas por deontológicas ) das teorias éticas consequencialistas. [...] duas teorias baseadas no dever são a ética cristã e a ética kantiana ( do filósofo Immanuel Kant ).[...]

O termo "consequencialismo" é usado para descrever teorias éticas que ajuízam da retidão ou não de uma ação, não através das intenções do autor da ação como as deontológicas, mas antes através das consequências das suas ações. Enquanto Kant afirmaria que dizer uma mentira é sempre errado, sejam quais forem as possíveis benefícios que daí possam resultar, um consequencialista julgaria o ato de mentir através dos seus resultados efetivos ou previstos. O utilitarismo é o tipo mais bem conhecido de teoria ética consequencialista. O seu mais famoso representante foi John Stuart Mill [...] ."

Nigel Warburton, Elementos básicos de Filosofia

domingo, 10 de abril de 2022

Texto para resumo Ian 10E



Pelo contrário, conservar a própria vida é um dever, e é, além disso, uma coisa para a qual todos sentimos inclinação imediata. Justamente por isso a solicitude muitas vezes angustiante que a maior parte dos homens demonstra pela vida é destituída de todo valor intrínseco, e a máxima, que, (398) exprime tal solicitude, não tem nenhum valor moral. De fato, eles conservam a vida conformemente ao dever, mas não por dever. Ao invés, se contrariedades ou uma dor sem esperança tiraram a um homem todo o prazer da vida, se o infeliz, de ânimo forte, se sente mais enojado de sua sorte que descoroçoado ou abatido, se deseja a morte, e, no entanto, conserva a vida sem a amar, não por inclinação ou temor, mas por dever, então sua máxima comporta valor moral. Ser benfazejo, quando se pode, é um dever; contudo há certas almas tão propensas à simpatia que, sem motivo de vaidade ou de interesse, experimentam viva satisfação em' difundir em volta de si a alegria e se comprazem em ver os outros felizes, na medida em que isso é obra delas. Mas afirmo que, em tal caso, semelhante ação, por conforme ao dever e por amável que seja, não possui valor moral verdadeiro; é simplesmente concomitante com outras inclinações, por exemplo, com o amor da glória, o qual, quando tem em vista um objeto em harmonia com o interesse público e com o dever, com o que, por conseguinte, é honroso, merece louvor e estímulo, mas não merece respeito; pois à máxima da ação falta o valor moral, que só está presente quando as ações são praticadas, não por inclinação, por dever. Imaginemos pois a alma deste filantropo anuviada por um daqueles desgostos pessoais que sufocam toda simpatia para com a sorte alheia; que ele tenha ainda a possibilidade de minorar os males de outros desgraçados, sem que todavia se sinta comovido com os sofrimentos deles, por se encontrar demasiado absorvido pelos seus próprios; e que, nestas condições, sem ser induzido por nenhuma inclinação, se arranca a essa extrema insensibilidade e age, não por inclinação, mas só por dever:
Immanuel Kant, Fundamentação da metafísica dos costumes

quarta-feira, 23 de março de 2022

Texto para resumo Marta 10E


 Foto de Annie Leibovitz


“- Kant tinha desde o princípio a forte impressão de que a diferença entre o justo e o injusto tinha de ser mais do que uma questão de sentimentos. Nesse aspeto ele estava de acordo com os racionalistas, que tinham explicado que era inerente à razão humana distinguir o justo do injusto. Todos os homens sabem o que é justo e o que não é, e nós sabemo-lo não apenas porque o aprendemos, mas também porque é inerente à nossa razão. Kant achava que todos os homens tinham uma “razão prática” que nos diz sempre o que é justo e o que é injusto no domínio da moral.

- Então é inata?

 - A capacidade de distinguir o justo do injusto é tão inata como todos os outros atributos da razão. Todos os homens veem os fenómenos como determinados causalmente – e também têm acesso à mesma lei moral universal. Esta lei moral tem a mesma validade absoluta que as leis físicas da natureza. Isso é tão fundamental para a nossa vida moral como é fundamental para a nossa vida racional que tudo tenha uma causa, ou que sete mais cinco sejam doze.

- E o que é que diz essa lei moral?

- Uma vez que precede qualquer experiência, é "formal". Significa que não está relacionada com possibilidades morais de escolha determinadas. É válida para todos os homens em todas as sociedades e em todos os tempos. Logo, não diz que tens de fazer isto ou aquilo nesta ou naquela situação. Diz como te deves comportar em todas as situações.

- Mas que sentido tem uma lei moral, se não nos diz como nos devemos comportar numa situação determinada?

-Kant formula a lei moral como imperativo categórico. Por isto, ele entende que a lei moral é "categórica", quer dizer, é válida em todas as situações. Além disso, é um "imperativo" e consequentemente uma "ordem" e absolutamente inevitável.

- Hm...

- Aliás, Kant formula o seu imperativo categórico de diversas formas. Primeiro, diz: “devíamos agir sempre de tal forma que pudéssemos desejar simultaneamente que a regra segundo a qual agimos fosse uma lei universal”.

- Quando faço alguma coisa, tenho de ter a certeza de que desejo que todos façam o mesmo na mesma situação.

- Exato. Só nessa altura ages de acordo com a tua lei moral interior. Kant também formulou o imperativo categórico da seguinte forma: devemos tratar os outros homens sempre como um fim em si e não como um meio para alguma outra coisa.

-Não podemos, portanto, "explorar" os outros para obtermos benefícios.

 -Não, porque todos os homens são um fim em si. Mas isso não é válido apenas para os outros, mas também para nós mesmos. Também não nos devemos explorar como meio para alcançar algo.

- Isso faz-me lembrar a "regra dourada": não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. -Sim, e isso é uma norma formal que abrange basicamente todas as possibilidades éticas de escolha. (…)

- Para Kant, a lei moral era tão absoluta e universalmente válida como, por exemplo, a lei da causalidade. Também não pode ser provada pela razão, mas é incontornável. Nenhum homem a contestaria.

 - Começo a ter a sensação de que estamos realmente a falar da consciência, porque todos os homens têm uma consciência.

-Sim, quando Kant descreve a lei moral, descreve a consciência humana. Não podemos provar o que a consciência diz, mas sabemo-lo. - Por vezes, sou muito simpático para com os outros simplesmente porque é vantajoso para mim. Desse modo, posso ser popular. - Mas quando és simpática para com os outros apenas para seres popular, não estás a agir de acordo com a lei moral. Talvez não estejas a observar a lei moral. Talvez estejas a agir numa espécie de acordo superficial com a lei moral - e isso já é alguma coisa -, mas uma ação moral tem de ser o resultado de uma superação de ti mesma. Só quando fazes algo porque achas ser teu “dever” seguir a lei moral é que podes falar de uma ação moral. Por isso, a ética de Kant é frequentemente chamada “ética do dever”.

- Eu posso achar ser meu dever juntar dinheiro para a Cruz Vermelha ou a Caritas. - Sim, e o importante é tu fazeres uma coisa porque a achas correta. Mesmo quando o dinheiro que tu juntaste se extravia ou nunca alimente as pessoas que devia alimentar, tu cumpriste a lei moral. Agiste com a atitude correta e, segundo Kant, a atitude é decisiva para podermos dizer que uma coisa é moralmente correta. Não são as consequências de uma ação que são decisivas. Por isso, também dizemos que a “ética de Kant é uma ética da boa vontade”.

Jostein Gaarder, “ O Mundo de Sofia” p.296/297

sexta-feira, 11 de março de 2022

Matriz para o teste de dia 25 de Março de 2022

 





Estrutura:

10 Perguntas de escolha múltipla – Avalia a competência de Concetualização – 10x20= 200 Pontos -20 Valores

3 Perguntas de desenvolvimento – Avalia a competência de Argumentação – 2x70 +60 = 200 Pontos -20 valores

3 perguntas de desenvolvimento e análise lógica de texto – Avalia a competência de problematização – 2x70+60= 200 Pontos – 20 valores

 

Páginas do manual para estudar: da página 148 à 190

Os valores:

1.      Analisar logicamente textos.

         Saber caracterizar os valores.

2.       Taxinomia dos valores: saber identificar os valores úteis, vitais, estéticos, éticos, cognitivos e religiosos.

3.       Compreender os conceitos de Multiculturalismo, Etnocentrismo, Relativismo cultural

4.       Definir facto e valor.

5.       Distinguir Juízos de facto e juízos de valor.

6.       Formular juízos de facto e juízos de valor.

7.       Identificar os juízos de valor morais.

8.       Caracterizar as três áreas da Ética: Metaética/Ética Normativa e Ética Prática

9.       Compreender as três teorias sobre a natureza/origem dos juízos de valor morais.

10.   Identificar as tesses do subjetivismo, do objetivismo e do relativismo moral.

11.   Explicar os argumentos de cada uma das teorias.

12.   Expor as objeções a cada uma das teorias.

13.   Analisar um texto identificando as suas teses e argumentos.

14.   Ser capaz de tomar uma posição justificada acerca desta discussão.

d

A ética normativa: A ética deontológica de Immanuel Kant

15.   Formular os problemas da ética normativa.

C     Compreender o que trata a ética e a moral.

16.   Compreender o conceito de deontologia.

17.   Relacionar a ética de Kant com os conceitos de respeito pelo dever e dignidade.

18.   Referir que o critério de moralidade da ação é a boa vontade.

19.   Esclarecer o conceito de boa vontade.

20.   Relacionar boa vontade e vontade autónoma.

21.   Distinguir ações por dever, contra o dever e em conformidade com o dever.

22.   Dizer qual o significado de uma ação por dever.

23.   Caracterizar o imperativo categórico e hipotético.

24.   Formular as leis do imperativo categórico.

 

 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Texto para resumo Giovanna ou Inês 10E

 


Diferença entre relativismo cultural e relativismo moral

Nas discussões calorosas sobre a universalidade de valores morais tornou-se comum apelar para a cultura. Nesses argumentos, a cultura seria responsável para justificar as atitudes. Porém, o conceito de cultura empregue nessas discussões, é muito vago e é  importante diferenciar o relativismo moral do relativismo cultural.

Relativismo cultural é uma atitude e pressuposto de método de pesquisa que serve para descrever, analisar e avaliar a cultura de um grupo humano baseado em termos e valores daquele grupo. Quando se refere aos aspetos morais, trata-se de um relativismo moral descritivo.

Por outro lado, relativismo moral é acreditar que não há valores absolutos ou universais, mas que a moral é determinada pelas circunstâncias.

O relativismo cultural opõe-se ao etnocentrismo enquanto relativismo moral opõe-se ao universalismo moral.

O problema de como julgar os “outros”  ou o “estranho” é universal e antigo. Os gregos chamavam de barbaroi a todos os que eles não entendiam. Os primeiros portugueses a encarar a diversidade cultural dos nativos brasileiros submeteram línguas como o tupi antigo à gramática latina e reclamavam que para os tupi não havia “fé, nem lei, nem rei” – tanto pela ausência dos fonemas /f/, /l/ e /r/  quanto pela falta de religião, normas legais e organização social nos moldes europeus. Assim, a língua indígena por não ser nada similar aos que os europeus conheciam, era tida como defeituosa como os próprios indígenas. Essa atitude de julgar a cultura alheia, frequentemente julgando-a inferior, exemplifica o etnocentrismo.

Baseando-se nesse etnocentrismo, autoridades coloniais e antropólogos do século XIX categorizavam o mundo num esquema evolutivo em civilizados (eles mesmos),  bárbaros (outras nações) e selvagens (gente que supostamente viviam como animais). Tais diferenças de escala teriam razões deterministas: ou era a raça ou o clima que afetavam o grau de civilidade.

O relativismo cultural defende que não é possível julgar culturas diferentes e opõe-se ao etnocentrismo.

Uma maneira de diferenciar os conceitos de relativismo moral e relativismo cultural é aplicá-los num caso. Tomamos, por exemplo, a linguagem. Sob a perspetiva do relativismo cultural, todas as línguas são válidas — não há línguas melhores que outras, pois todas são completas para expressar pensamentos e emoções. Também cada registro linguístico é válido no seu contexto. (…) Agora, aplicando o conceito de relativismo moral: seria certo um ministro chamar os seus pares com um palavrão? Ou ofender verbalmente um membro de outro partido? Ambas as ofensas são moralmente inaceitáveis, embora possíveis com os recursos linguísticos daquelas comunidades. O fato de esses termos existirem nessas comunidades culturais não tornaria seus usos indiscriminados moralmente legítimos.

ALVES, Leonardo Marcondes. Diferença entre relativismo cultural e relativismo moral. Ensaios e Notas,

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Trabalhos práticos para cidadania

 


Fotografia Bloncourt

ATENÇÃO NOVAS DATAS PARA AS APRESENTAÇÕES ORAIS:
Grupos de 4 alunos

Apresentação oral com diapositivos. Todos os alunos têm de entregar o diapositivo até dia 24 de Fevereiro para logosferas@gmail.com

Data de entrega: 24 Fevereiro (todos os trabalhos em diapositivo). 

Apresentações orais: 24 FEV (GRUPOS 1, 2 e 4)

25 FEV (GRUPOS 3, 5 e 6)



Temas Gerais: Interculturalidade e Igualdade

1. O Terrorismo e o choque de culturas. Será o terrorismo provocado pela marginalização de certas comunidades? Será um problema religioso ou político? (GRUPO 2)

2. IGUALDADE DE GÉNERO -Violência doméstica. Qual a origem da violência doméstica? (GRUPO 1)

3. Multiculturalismo e Interculturalidade. Que políticas seguir em sociedades com grande diversidade cultural? Deve haver leis universais para todos ou cada comunidade deve seguir as suas leis e costumes mesmo dentro de outro Estado? (GRUPO 6)

4. IGUALDADE DE GÉNERO - As lutas de emancipação das mulheres. Qual a origem da discriminação contra as mulheres? (GRUPO 5)

5. Dimensão ética dos valores. O relativismo moral. Devemos tolerar todas as práticas apenas porque são de culturas diferentes? Porquê? (GRUPO 4)

6.Estudo de casos de descriminação devido ao género, à etnia ou à religião. O que está na origem da discriminação?(GRUPO 3)


DIAPOSITIVO:

INTRODUÇÃO - Introduz o tema, explica o problema. define os conceitos que vão ser usados.
DESENVOLVIMENTO POR CAPÍTULOS:  Organização da informação que possa conduzir a um esclarecimento do problema colocado.
CONCLUSÃO.: Resposta bem fundamentada à questão colocada.
BIBLIOGRAFIA: Sites, textos

AVALIAÇÃO:


Avaliação auto e heteroavaliação
Diapositivo:

1. Apresentação criativa.

2. Investigação cuidada ao nível da informação.

3. Bem organizado e estruturado.

4. Resposta bem fundamentada à questão colocada. (CONCLUSÃO)


Apresentação oral:

1. Discurso bem articulado.
 
2. Atitude dinâmica e de interação com os colegas.

3. Boa assimilação dos conteúdos expostos.

4. Argumenta e problematiza de forma correta.