1. O que é a lógica?
A palavra "lógica" vem do grego logos e significa razão, discurso, palavra.
A lógica é a área da filosofia que estuda a distinção entre argumentos válidos e argumentos inválidos, identificando as condições necessárias para que de um dado ponto de partida (premissas) se possa retirar uma dada conclusão. A lógica estuda as regras às quais o nosso pensamento e discurso deve obedecer de modo a ser válido.
2. Proposições
A filosofia trabalha com problemas em aberto, problemas para os quais não há uma solução consensual. As respostas a estes problemas são as teses filosóficas. Estas teses são expressas em proposições.
Uma proposição é o conteúdo de uma frase declarativa que pode ser verdadeiro ou falso - ter um "valor de verdade".
3. Argumentos
As proposições são os componentes dos argumentos utilizados para defender as teses filosóficas. Tendo em conta o facto de os problemas a que elas respondem serem problemas em aberto, o melhor modo que temos para provar que uma tese filosófica é melhor que outra é através da argumentação.
Um argumento é um conjunto variável de proposições articuladas entre si com o intuito de uma delas ser apoiada pelas outras. A proposição que se quer apoiar chama-se conclusão. Aquelas que utilizamos para apoiar são chamadas premissas. Um argumento pode ter uma ou mais premissas, mas só uma conclusão.
Nem sempre as premissas de um argumento aparecem claramente enunciadas e com a conclusão no final.
Para identificar a conclusão e as premissas podemos estar a tendo a certas palavras/expressões. Os indicadores de conclusão, e os indicadores de premissa.
Indicadores de conclusão: logo, portanto, sendo assim, isto prova, desta forma, etc.
Indicadores de premissa: porque, pois, visto que, devido a, a razão é, se, etc.
4. Validade, Verdade e Solidez.
Depois de identificados os argumentos, podemos avaliá-los. Podemos ver se são válidos ou inválidos e, mais ainda, se são sólidos.
A verdade é uma propriedade das proposições, portanto, das premissas e da conclusão do argumento e não ao argumento como um todo. A verdade é a correspondência entre a proposição e a realidade. Se digo "O João está a dormir", esta proposição é verdadeira se o João estiver de facto a dormir.
Já a validade diz respeito ao argumento como um todo. De um argumento diz-se que é válido ou inválido, nunca verdadeiro ou falso. Um argumento é válido se as suas premissas apoiarem suficientemente a conclusão.
Um argumento é sólido se for válido e tiver as suas premissas verdadeiras.
5. Argumentos dedutivos e indutivos
Existem dois tipos de argumentos com dois tipos de validade diferente.
Temos a validade dedutiva - dos argumentos dedutivos - segundo a qual: um argumento é válido se e só se for impossível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Ou, dito de outro modo: num argumento dedutivo válido a conclusão não pode ser falsa se todas as premissas forem verdadeiras.
Os argumentos dedutivos válidos são, portanto, aqueles em que a conclusão se segue necessariamente das premissas, e por isso, caso as premissas forem verdadeiras a conclusão será necessariamente verdadeira também.
É deste tipo de argumentos que se ocupa a lógica formal, a área da lógica que estuda os aspectos da estrutura/forma dos argumentos que são relevantes para a sua validade.
Por sua vez, a validade indutiva - dos argumentos indutivos - diz-nos apenas que caso as premissas de um argumento sejam verdadeiras então a conclusão é provavelmente verdadeira. este tipo de argumentos é estudado pela lógica informal.
A diferença entre os dois tipos de argumentos/validade está justamente no facto de que, nos argumentos dedutivos, caso o argumentos seja válido e as suas premissas verdadeiras, a conclusão é necessariamente verdadeira, enquanto no caso dos argumentos indutivos, caso as premissas sejam verdadeiras e a forma válida, a conclusão é apenas provavelmente verdadeira.
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