quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Experiência e a atitude estética

O que define a experiência estética?

O que faz da experiência estética uma experiência diferente?


A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA É UMA EXPERIÊNCIA DESINTERESSADA
Isto é, não temos qualquer interesse prático, ela não é um meio para satisfazer uma necessidade mas vale por si.Ver um desafio de futebol também é uma experiência desinteressada e não é uma experiência estética:A experiência estética produz-se com objectos estéticos.Objectos estéticos são os objectos encarados na sua forma, harmonia,cor que afectam a nossa sensibilidade estética.Exemplo: Um concerto, Uma dança, uma peça, um filme, um pôr do sol.Objectos sobre os quais podemos emitir juízos estéticos como:“É Belo!”, “Emocionou-me!”, “ A 9ª sinfonia é uma obra-prima!”A experiência estética pode decorrer da contemplação ou da produção/criação de um objecto.1. O artista cria a obra e transfigura a realidade, tem portanto a experiência dessa transfiguração.2. O receptor, aquele que é surpreendido no seu quotidiano pela forma de determinado objecto que lhe provoca admiração e emoção.3. O crítico de arte que vai ao encontro do objecto artístico para o avaliar, segundo o seu gosto mas também segundo determinado conhecimento.
Duas teorias sobre o juìzo estético:
O objectivismo estético e o subjectivismo estético
Estas teorias pretendem responder à questão:Quando emitimos um juízo estético “É Belo” falamos de uma qualidade que está no objecto? ou Falamos de uma emoção ou sentimento que surge em nós pela presença do objecto?O Objectivismo atribui ao objecto uma determinada qualidade estética.O Subjectivismo atribui ao sujeito a capacidade de se deixar tocar de um determinado modo.
A teoria objectivista na estética:
TESE: Um objecto é belo em virtude das suas qualidades e não em virtude do que sentimos quando o observamos.Argumento: As propriedades da beleza existem mesmo no objecto e são independentes dos sujeitos que os observam. Quer o sujeito veja a beleza do objecto ou não esta não depende do seu juízo. A beleza está nas coisas e não nos olhos de quem vê.Se nem todos gostam do “David” de Miguel Ângelo, não é por não ser belo mas porque não conseguem descobrir na sua forma a beleza. O problema está então no sujeito que não reconhece a beleza que existe no objecto.Se há desacordo estético, isso não quer dizer que o gosto estético seja subjectivo mas apenas que os diferentes sujeitos não se apercebem, por dificuldades culturais, intelectuais ou sensíveis, das qualidades reais do objecto e por isso ajuízam erradamente.O juízo estético será semelhante a um juízo científico. Há juízos verdadeiros e falsos. Caso descrevam ou não as qualidades intrínsecas do objecto.
Para um objectivista:O Belo distingue-se por uma série de qualidades estéticas tais como:
a. A proporção das partes que compõem o todo
b. O Equilíbrio da forma
c. A unidade do todo e das partes
d. A Harmonia da figura
e. Perfeição
f. Diversidade (Exotismo?)
g. Há características específicas (dependendo das formas de arte) e características gerais: Unidade Complexidade e Intensidade.
Intuicionista: (outra forma de objectivismo)As propriedades do Belo não são empíricas por isso não podem ser apercebidas pelos sentidos (Platão)O Belo é não se pode definir, tão pouco se pode descrever.Sabemos que é Belo por uma intuição.O dom natural para ter a percepção do Belo, só alguns a têm.

Subjectivismo estético:
Tese: Dizemos que um objecto é belo em virtude do que sentimos quando o observamos.A beleza não existe, é o nome que se dá às coisas que nos produzem agrado.Assim, o belo depende do nosso gosto, depende do modo como a nossa sensibilidade se deixa afectar pelos objectos. Assim o mesmo objecto afecta duas pessoas de diferentes modos porque elas têm diferentes sensibilidades.É Belo, porque gosto, porque me causa prazer ouvir ou contemplar um determinado objecto, daí que esse objecto, porque me agrada, seja considerado um objecto estético.Apesar de diferentes gostos é possível haver um padrão de gosto, esses padrões resumem-se a certos valores culturais assumidos por todos.Isso permite ultrapassar o cepticismo de que gostos não se discutem.O gosto também pode ser treinado e educado, pela experiência e pela discussão.Comparar e conhecer várias obras diferentes permite educar a sensibilidade.Preconceitos e modas também influenciam os juízos de gosto.Podemos justificar racionalmente os nossos juízos estéticos.

Correção da Prova de Avaliação de 20 de Maio


Grupo I

1.O tema do texto é a comparação entre o racismo e o egoísmo.
O problema do texto é o seguinte: o que têm em comum estas duas posições?
Tese: O que têm em comum é que são ambas arbitrárias.
argumento: Os racistas fundamentam as suas atitudes discriminatórias na ideia de que os negros são uma raça inferior porque são indolentes e estúpidos mas esta ideia está errada, nada há na experiência ou na razão que possa justificá-la, uma ideia que não tem justificação é arbitrária, é um capricho, uma idiotice. Também o egoísmo moral que parte do princípio de que o eu é superior aos outros não tem qualquer fundamento moral porque qualquer eu é igual ao outro, não é superior só porque é o eu de alguém. Logo, amabas as posições não t~em funadmento racional são portanto posições preconceituosas e irracionais.
Conceitos: Racismo, Arbitrário, Egoísmo

2. Estas duas posições revelam parcialidade no juízo ético, ora o juízo ético caracteriza-se pela sua imparcialidade, isto é por se colocar numa posição neutra, independente dos interesses e das inclinações individuais. o critério com que julgamos os outros deve ser o mesmo com que nos julgamos a nós e às nossas acções.

Grupo II
1.Segundo os princípios da moral deontológica de Kant, a acção correcta é aquela que traduz uma boa vontade, isto é, uma vontade afastada do interesse pessoal, uma vontade desinteressada, essa boa vontade não podia moldar-se pelas consequências materiais da acção mas apenas pelo cumprimento da lei. A lei moral ordena-nos que a máxima da nossa acção possa ser universalizável, ora mentir mesmo que seja para um bom fim, não pode ser universalizável. O arquitecto não devia mentir.
Quanto à moral utilitarista a acção correcta deve proporcionar o maior bem ao maior número de pessoas, entendendo-se como maior bem, para avaliar a acção teríamos de equacionar a qualidade do bem proporcionado, se é duradouro e a quantidade de pessoas que seriam afectadas pela acção. Assim, segundo estes princípios o facto do arquitecto não mentir, seria bom para a sua consciência mas, possivelmente teria como consequência a prisão do presidente da Câmara e o congelamento das verbas. Justificar-se-ia então mentir desde que as consequências fossem minorar o sofrimento e proporcionar o maior Bem ou felicidade ao maior número de pessoas, facto que seria possível através da mentira.

2. O fundamento da autoridade do Estado é o Pacto social que os cidadãos livres fazem entre si e com o governante. Este contrato é vinculativo, isto é, obriga os cidadãos ao seu cumprimento, é um compromisso de todos perante todos, neste aspecto ninguém tem o direito de o transgredir ou de o negar, pois deve sujeitar-se à vontade da maioria que o fez tendo em conta a paz e a segurança. O fundamento da autoridade do Estado também pode ser a necessidade natural dos indivíduos de se organizarem em comunidades para a satisfação plena dos interesses comuns.

Existem teorias contratualistas como a que defende john Locke e teorias naturalistas como a de Aristóteles, ambas defendem a necessidade de um Estado com Autoridade sobre todos os cidadãos mas têm, contudo, justificações diferentes. Enquanto para Locke existe um estado natural em que os homens gozam, cada um, de todos os poderes e de todas as liberdades mas com o direito da propriedade privada, sentem-se incapazes de a defenderem e por isso têm a necessidade de um Estado que a defenda e estalecem então um contrato social; para Aristóteles o estado natural do homem é um estado civil, na polis, sujeito a leis que possibilitem o bem comum, essas leis e essa organização são intrínsecas à natureza humana, sem elas o homem não o seria mas sim um animal.
O Estado é uma instituição organizada que tem um governo, um povo e um território. É constituída por uma hierarquia de poderes que se vigiam mutuamente e obedece a um conjunto de leis que é comum a governantes e cidadãos em geral. Tem o poder executivo de aplicar as leis, poder legislativo de as fazer e judicial de punir quem desobedeça. Tem como função cobrar impostos, assegurar o direito à segurança, ao trabalho, saúde e educação de todos os cidadãos, a defesa do território e das fronteiras.


Grupo III


1. A norma moral não está escrita nem é oficializada num código de leis tal como a Lei jurídica. A norma moral é um conjunto de princípios e regras de conduta que se impõem à consciência mas que não têm um carácter obrigatório, isto é, o sujeito tem a liberdade de não as seguir, embora isso possa ter como consequência, o remorso, a culpa ou a marginalização social, o seu incomprimento não implica penas como a prisão ou a multa. No caso da lei jurídica, há um carácter impositivo e obrigatório e o seu incomprimento é punido com a prisão ou a multa.

Prova de 18 de Maio de 2009


PROVA DE AVALIAÇÃO DE FILOSOFIA


Duração da Prova: 90minutos Ano Lectivo: 2008/2009

Professora Helena Serrão Paço de Arcos, 18 de Maio de 2009

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Leia o teste com atenção e responda com clareza e objectividade às seguintes questões:
Grupo I

(2x 30 Pontos)


“Devemos, pois, perguntar o seguinte: Pode um racista apontar uma diferença entre, digamos, brancos e negros que possa justificar tratá-los de maneira diferente? Os racistas tentaram por vezes fazer isso descrevendo os negros como estúpidos, falhos de ambição, e outras coisas que tais. Se isso fosse verdade, poderia justificar-se tratá-los de forma diferente, pelo menos em algumas circunstâncias. (Este é o propósito de fundo dos estereótipos racistas, oferecer as "diferenças relevantes" necessárias para justificar as diferenças de tratamento.) Mas naturalmente isso não é verdade, e de facto não há tais diferenças genéricas entre as raças. portanto, o racismo é uma doutrina arbitrária, pois advoga o tratamento diferenciado das pessoas, apesar de não haver entre elas diferenças que o justifiquem.
O egoísmo é uma teoria moral do mesmo género. Advoga que cada pessoa divida o mundo em duas categorias de pessoas nós e todos os outros - e que encare os interesses dos do primeiro grupo como mais importantes que os interesses dos do segundo grupo. Mas, pode cada um de nós perguntar, qual é afinal a diferença entre mim e todos os outros que justifica colocar-me a mim mesmo nesta categoria especial? Serei mais inteligente? Gozarei mais a minha vida? Serão as minhas realizações mais notáveis? Terei necessidades e capacidades assim tão diferentes das necessidades e capacidades dos outros? Em resumo, o que me torna tão especial? Ao não fornecer uma resposta, o egoísmo ético revela-se uma doutrina arbitrária, no mesmo sentido em que o racismo é arbitrário. Além de explicar a razão pela qual o egoísmo ético é inaceitável, isto lança também alguma luz sobre a questão de saber por que devemos importar-nos com os outros.”
James Rachels, Problemas da Filosofia Moral

Arbitrário= fruto do capricho, ao acaso, sem razões


1. Esclareça o tema, problema, tese/s , argumentos e conceitos principais expostos no texto.

2. Segundo o texto, há duas posições que não têm fundamento moral. Quais. Porquê?

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Grupo II

(2x40 Pontos)



Imagine a seguinte situação: Um arquitecto de Mondim receberá uma grande quantia em dinheiro se testemunhar, em tribunal, a favor do Presidente da Câmara. O arquitecto sabe que o presidente da Câmara desviou fundos camarários para a sua conta pessoal. Pedem-lhe que oculte as provas que tem e que minta, em troca receberá além do dinheiro a aprovação do presidente para financiar um projecto de construção de casas, um centro cultural e uma vasta zona verde para os habitantes de uma zona degradada da cidade que vivem em barracas.

1. A partir dos princípios da moral deontológica de Kant e da moral utilitarista de Stuart Mill, qual a decisão moralmente correcta? Porquê?

2. O que se entende por Estado e como se legitima a sua autoridade? (Compare duas teorias sobre a legitimação da autoridade do Estado)


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Grupo III


(2x30 Pontos)

Se a moral reinasse não teríamos necessidade de polícia, de leis, de tribunais, de forças armadas: não teríamos necessidade de Estado nem, portanto, de política!

A. Comte- Sponville




Distinga norma moral e lei jurídica?


Exponha, em aproximadamente 20 linhas, um tema/problema do mundo contemporâneo. Tenha em conta o capítulo que leu do livro de Peter Singer “Escritos sobre uma vida Ética”.

Critérios de avaliação:
Domínio dos conteúdos,
correcta colocação dos problemas,
linguagem clara.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Temas/problemas para a Prova de avaliação de dia 18 de Maio


ALUNOS DO 10ºE: espero que estudem bem!!

1.A Ética deontológica de Kant.

a. Acções "por dever" , "conformes ao dever" e "contra o dever".
b. O imperativo categórico.
c. A boa vontade
d. o fundamento da moral





2. A Ética utilitarista/consequencialista de Stuart Mill
a. O princípio da Utilidade
b. A distinção entre prazeres superiores e inferiores
c. O Bem comum
d.O fundamento da moral.








3. Ética e Direito
a.Normas morais e normas juridicas. A relação entre a moral e o Direito.
b. O Direito e a Política.
c. Definição, funções e poderes do Estado.
d. Problemas da política.

4.A legitimação da Autoridade do Estado.
a. O Estado como realização dos fins humanos. Aristóteles
b. O Estado como garante dos direitos humanos. Locke
c. A distinção entre o Estado natural e o Estado social - Locke
d. A distinção entre a teoria naturalista de Aristóteles e a teoria contratualista de Locke.

5. Tema de desenvolvimento:
Um dos capítulos seleccionados do livro de Peter Singer:
"Escritos sobre uma vida ética."

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ética deontológica e Ética teleológica -comparação




ÉTICA DEONTOLÓGICA VERSUS ÉTICA TELEOLÓGICADuas perspectivas diferentes para fundamentar a moral




Em que diferem estas perspectivas:




1. Na aplicação e utilização de conceitos
2. Na forma de considerar a moral
3. Nos fins a que deve estar submetida a acção


A moral deontológica baseia-se no princípio da autonomia da vontade face às inclinações naturais. Moral é a acção que obedece apenas ao dever. Porque só a obediência ao dever torna o ser humano livre.
A moral teleológica baseia-se na utilidade das acções para o bem estar e para aliviar o sofrimento das pessoas. Moral é a acção que produz maior bem estar ao maior número.




A moral deontológica privilegia a forma e a moral teleológica o resultado material da acção.

Explicação:


1. Na moral deontológica, a forma da acção moral é colocada a priori, é a forma que é boa ou má independentemente do resultado da acção.
Uma forma boa é aquela em que a motivação da acção pode ser universalizável.




2. Na moral teleológica, a forma - o motivo ou intenção do sujeito é substituída pela previsão que o sujeito deve fazer do resultado da sua acção. O sujeito deve prever, fazer um cálculo ou um juízo dos prós e contras e dos riscos que corre. Se intenção for boa e o resultado mau essa previsão racional não foi bem feita. Mas o que tem valor moral é o resultado material da acção do sujeito sobre o mundo.




Haverá conciliação entre prazer e dever ou são inconciliáveis?O que se entende por prazer?
Tanto Kant como Stuart Mill consideram o prazer intelectual superior ao sensual.
A questão é: Será que o prazer deve ser o fim da acção moral?
Para Kant esse fim já existe naturalmente e a moral não é o reino da natureza mas sim da liberdade.Logo o fim da acção moral não é o prazer.
Para Stuart Mill não temos motivação para a acção moral se ela não satisfizer também um fim natural, desejável, esse fim é o prazer.



Mas o Prazer só tem valor moral se não for um prazer egoísta.
Porque o que caracteriza a moralidade das acções é o Princípio da imparcialidade (contraria a nossa natureza primária) o prazer do outro ou o seu sofrimento é semelhante ao nosso e tem o mesmo valor.



Uma acção não é moral, não é correcta se o seu resultado for apenas o prazer do próprio.
Para a moral deontológica o prazer não é um fim, o único fim em si absoluto é a dignidade da pessoa. (não especifica apenas diz que essa dignidade é a sua capacidade de ser autónoma, obedecer às leis da razão, às leis que cada um faz)




Objecções à teoria deontológica:Por ser formal e não ter em conta a totalidade da experiência do indivíduo está afastada das condições de vida concreta e impõe-se como algo demasiado exigente. Pode também legitimar actos morais com resultados práticos prejudiciais para o sujeito ou para os outros.
Vantagens da perspectiva deontológica sobre a teleológica:



lValoriza a pessoa e perspectiva da intenção visto que a pessoa só pode ter domínio sobre si própria não pode ter o domínio das situações exteriores.
lAo exigir respeito pelos princípios morais impede a instrumentalização da pessoa por outra.




Objecções à teoria teleológica:Pode criar situações de justificação moral de acções contra os princípios morais.
Pode confirmar a máxima de que os fins justificam os meios.
Vantagens da teoria teleológica sobre a deontológica:Aproxima-se do Senso-Comum e da realidade vivencial. Preocupa-se com as condições de vida da humanidade. Privilegia o altruísmo.


Conclusão?
- Poderemos conciliar o prazer e o dever?
- Será a obediência a princípios preponderante sobre a avaliação das situações concretas?
- Não haverá leis morais absolutas?
- Será o homem a estabelecer, segundo o seu juízo e tendo em conta a circunstância, o melhor e o pior?
- Deverá ser a lei moral independente da experiência e ditada pela razão?

quarta-feira, 11 de março de 2009

A Moral Estóica e Epicurista.



A moral estóica:




No pensamento dos estóicos, o fim supremo, o único bem do homem, não é o prazer, a felicidade, mas a virtude; não é concebida como necessária condição para alcançar a felicidade, e sim como sendo ela própria um bem imediato. Com o desenvolvimento do estoicismo, todavia, a virtude acaba por se tornar meio para a felicidade da tranquilidade, da serenidade, que nasce da virtude negativa da apatia, da indiferença universal. A felicidade do homem virtuoso é a libertação de toda perturbação, a tranquilidade da alma, a independência interior, a autarquia.
Como o bem absoluto e único é a virtude, assim o mal único e absoluto é o vício. E não tanto pelo dano que pode acarretar ao vicioso, quanto pela sua irracionalidade e desordem intrínseca, ainda que se acabe por repudiá-lo como perturbador da indiferença, da serenidade, da autarquia do sábio. Tudo aquilo que não é virtude nem vício, não é nem bem nem mal, mas apenas indiferença; pode tornar-se bem se for unido com a virtude, mal se for ligado ao vício; há o vício quando à indiferença se junta a paixão, isto é, uma emoção, uma tendência irracional, como geralmente acontece.
A paixão, na filosofia estóica, é sempre e substancialmente má; pois é movimento irracional e vício da alma - quer se trate de ódio, quer se trate de piedade. De tal forma, a única atitude do sábio estóico deve ser o aniquilamento da paixão, até a apatia. O ideal ético estóico não é o domínio racional da paixão, mas a sua destruição total, para dar lugar unicamente à razão: maravilhoso ideal de homem sem paixão, que anda como um deus entre os homens. Daí a guerra justificada do estoicismo contra o sentimento, a emoção, a paixão, donde derivam o desejo, o vício, a dor, que devem ser aniquilados.
A virtude estóica é, no fundo, a indiferença e a renúncia a todos os bens do mundo que não dependem de nós, e cujo curso é fatalmente determinado. Por conseguinte, indiferença e renúncia a tudo, salvo e pensamento, a sabedoria, a virtude, que constituem os únicos bens verdadeiros: indiferença e renúncia à vida e à morte, à saúde e à doença, ao repouso e à fadiga, à riqueza e à pobreza, às honras e à obscuridade, numa palavra, ao prazer e ao sofrimento - pois o prazer é julgado insana vaidade da alma. Dada a indiferença estóica do suicídio como voluntário e moral afastamento do mundo; isto não se concilia, porém, com a virtude da fortaleza que o estoicismo reconhece e louva, e nem se pode explicar racionalmente o suicídio, se a ordem do universo é racional, como precisamente afirmam os estóicos.

Objecções à moral estóica:1. Uma moral sem qualquer espécie de emoção é contrária à própria natureza humana que os estóicos prezam, ora viver segundo a natureza é também deixar-se guiar por emoções, elas são muitas vezes a nossa mais humana forma de nos relacionarmos e apesar de causarem sofrimento também podem causar felicidade.
2. A virtude como sabedoria faz da moral estóica algo acessível às elites intelectuais não estando portanto ao alcance de um homem vulgar, de uma escolaridade vulgar, o alcance da virtude que só é acessível ao sábio, esta exigência torna a moral elitista e portanto algo que não está acessível a todos.


O hedonismo
A ambiguidade do conceito de prazer permitiu agrupar, sob a classificação geral de hedonismo, várias linhas filosóficas claramente distintas.
Hedonismo é definido como a doutrina que considera o prazer (hedoné em grego) o objectivo supremo da vida. Apareceu muito cedo na história da filosofia, em duas modalidades: a primeira toma o prazer como critério das acções humanas; a segunda considera o prazer como único valor supremo.

O EpicurismoA moral epicurista pode ser entendida como uma moral hedonista. O fim supremo da vida é o prazer sensível; o critério único de moralidade é o sentimento. O único bem é o prazer, como o único mal é a dor; nenhum prazer deve ser recusado, a não ser por causa de consequências dolorosas, e nenhum sofrimento deve ser aceite, a não ser em vista de um prazer maior. No epicurismo não se trata, portanto, do prazer imediato, como é desejado pelo homem vulgar; trata-se do prazer reflectido, avaliado pela razão, escolhido prudentemente, sabiamente, filosoficamente. É mister dominar os prazeres, e não se deixar por eles dominar; ter a faculdade de gozar e não a necessidade de gozar. A filosofia toda está nesta função prática. Este prazer imediato deveria ficar sempre essencialmente sensível, mesmo quando Epicuro fala de prazeres espirituais, para os quais não há lugar no seu sistema, e nada mais seriam que complicações de prazeres sensíveis. O prazer espiritual diferenciar-se-ia do prazer sensível, porquanto o primeiro se estenderia também ao passado e ao futuro e transcende o segundo, que é unicamente presente. Verdade é que Epicuro mira os prazeres estéticos e intelectuais, como os mais altos prazeres. Aqui, porém, se ele faz uma afirmação profunda, está certamente em contradição com a sua metafísica materialista.
O verdadeiro prazer não é positivo, mas negativo, consistindo na ausência do sofrimento, na quietude, na apatia, na insensibilidade, no sono, e na morte. Mas precisamente ainda, Epicuro divide os desejos em naturais e necessários - por exemplo, o instinto da reprodução; não naturais e não necessários - por exemplo, a ambição. O sábio satisfaz os primeiros, quando for preciso, os quais exigem muito pouco e cessam apenas satisfeito; renuncia os segundos, porquanto acarretam fatalmente inquietação agitação, perturbam a serenidade e a paz; mas ainda renuncia os terceiros, pelos mesmos motivos. Assim, a vida ideal do sábio, do filósofo, que aspira a liberdade e à paz como bens supremos, consistiria na renúncia a todos os desejos possíveis, aos prazeres positivos, físicos e espirituais; e, por conseguinte, em vigiar-se, no precaver-se contra as surpresas irracionais do sentimento, da emoção, da paixão. Não sofrer no corpo, satisfazendo suas necessidades essenciais, para estar tranquilo; não ser perturbado no espírito, renunciando a todos os desejos possíveis, visto ser o desejo inimigo do sossego: eis as condições fundamentais da felicidade, que é precisamente liberdade e paz.

Objecções ao Epicurismo e ao Hedonismo.

1. Se a busca do prazer é constante então há sempre uma insatisfação, uma procura de novos prazeres e um certo desencanto perante os velhos prazeres.2. O hedonismo conduz-nos a um estado de egoísmo em que podemos sacrificar o outro se esse sacrifício implicar um novo prazer para o próprio justifica-se moralmente. Ora este princípio parece-nos contrário ao que é moralmente ju

Tópicos sobre a origem das normas e princípios morais.

1. Origem da consciência Moral e das normas e princípios morais.
A consciência moral é a condição necessária para agir moralmente. Éssa conciência moral dá-nos os princípios da acção correcta assim como representa as normas morais.
A sociedade, a cultura e a Educação(Os princípios e as normas morais são adquiridos por educação, através de castigos e recompensas aprendemos o que é bom e mau. As culturas instituem determinadas normas morais que são necessárias para podermos viver em comunidade e sobreviver. Segundo esta concepção, há certas normas que uma sociedade segue e outra não, sendo o valor das normas morais, discutível)

DEUS – ( A moral e a Ética traduzem as ordens de Deus aos homens, não cumprir essas ordens é desobedecer a Deus e fazer o mal.As ordens divinas são absolutas não podem ser discutíveis porque são divinas e não humanas). A conciência moral reflecte essa origem divina da moral


A Razão - (inata, a faculdade da Razão, rege-se por princípios universais de melhor
e pior.)

2. O que caracteriza os nossos juízos morais.

IMPARCIALIDADEA avaliação dos nossos actos e dos outros deve ser imparcial. Não interessa quem realiza o acto, actos semelhantes em circunstâncias semelhantes devem ter a mesma avaliação. Não há que ter em conta interesses.

UNIVERSALIDADESe consideramos que agimos bem em determinadas circunstâncias então consideramos que nas mesmas circunstâncias qualquer um agiria bem. Devemos poder universalizar o princípio que nos leva a considerar bom ou mau determinado acto.

AUTONOMIAÉ a consciência/razão que deve guiar a acção e o juízo moral e não a obediência a uma ordem exterior. A ordem moral deve ser interior, do sujeito, e só a ela o sujeito deve obediência. Porque é o verdadeiro sinal de liberdade, fazer as suas próprias leis, desde que obedeçamos ao princípio geral da imparcialidade e da universalidade.


Tipos de actos considerados morais:ACTOS ERRADOS
Não são permitidos porque causam o mal ao outro ou a si próprio, utilizando-o como um meio para um determinado fim. Exemplo: Matar um inocente.
Nem todos os actos são errados na mesma medida.
Actos correctos:
Obrigatórios: Temos a obrigação moral de não realizar actos errados.Temos obrigação moral de honrar uma palavra dada, se as circunstâncias nos permitirem fazê-lo.
Opcionais: Fica ao critério do agente a sua realização. Exemplo: ajudar um estranho. Não é moralmente errado não o fazer porque pode ter riscos para o agente.


ACTOS INDIFERENTES: São aqueles que não têm valor ético/moral, vestir-se deste ou daquele modo, por exemplo,

Ficha sobre o relativismo cultural

FICHA FORMATIVA 3 Nome:_________________________________/__________________________________

O relativismo cultural desafia a nossa crença habitual na objectividade e universalidade da verda­de moral. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes. Logo, não há uma verdade objecti­va de moralidade. Certo e errado são apenas questões de opinião e as opiniões variam de cultura para cultura. Podemos chamar a isto o argumento das diferenças culturais. Para muitas pessoas é persua­sivo. Mas, de um ponto de vista lógico, será sólido? Não é sólido. O problema é que a conclusão não se segue da premissa - isto é, mesmo que a premissa seja verdadeira a conclusão pode continuar a ser falsa. A premissa diz respeito àquilo em que as pessoas acreditam - em algumas sociedades as pessoas acreditam numa coisa; noutras sociedades acreditam noutra. O erro fundamental do argumento das diferenças culturais é que tenta derivar uma conclusão substancial sobre um tema partindo do mero facto de pessoas discordarem a seu respeito.

James Rachels, Elementos de Filosofia Moral.

Assinale, para cada item, a opção que completa correctamente a frase, de acordo com o texto.

1.O autor do texto defende a tese segundo a qual ...
A. culturas diferentes têm códigos morais diferentes.
B. o nosso código moral não tem um estatuto especial.
C. o argumento das diferenças culturais não. é sólido.
D. se existe uma verdade moral, todos têm de conhecê-la.

2.O argumento das diferenças culturais ...
A. permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque é um argumento persuasivo.
B. não permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque nem todas as pessoas conside­ram o argumento persuasivo.
C. permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque a premissa «culturas diferentes têm códigos morais diferentes» é empiricamente verificável.
D. não permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque a conclusão não se segue da pre­missa apresentada.

3.O desafio lançado pelo relativismo cultural à nossa crença habitual na objectividade e na univer­salidade da verdade
A. é forte porque somos incapazes de encontrar razões para rejeitar o argumento das diferenças culturais.
B. não é forte porque somos capazes de encontrar razões para rejeitar o argumento das diferen­ças culturais.
C. é forte porque se baseia em factos empiricamente observáveis .
. D. não é forte porque a partir de factos empiricamente observáveis não podem ser construídos argumentos sólidos.

4.Se a nossa crença habitual na objectividade e na universalidade da verdade é verdadeira, então ...
A. culturas diferentes não deveriam ter códigos morais diferentes.
B. o nosso código moral tem um estatuto especial.
C. a verdade moral tem de ser evidente.
D. algumas diferenças culturais mostram que existem opiniões morais erradas.

5. Análise lógica do texto.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Correção da Prova de Avaliação.Junho 2008



1. Análise lógica do texto:
Tema: A Filosofia ou a Utilidade da Filosofia
Problema: O que é a Filosofia? Qual a utilidade da Filosofia?
Tese: A Filosofia impede que nos afundemos na condescendência mental e no dogmatismo.
Argumentos: A Filosofia não aceita nenhuma crença de autoridade ou de senso-comum sem primeiro examiná-la racionalmente. As crenças que temos não podem ser aceites só porque nos facilitam a vida pois a sua aceitação é cómoda, ou porque é da tradição ou porque resultam de um acto de fé. A filosofia dedica-se à investigação persistente para encontrar justificações credíveis e sólidas para as nossas crenças recusando-as se não apresentarem tas justificações.
Conceitos: Crença, Filosofia,

2. A primeira frase ou proposição exprime um juízo de valor e a segunda um juízo de facto. A primeira é subjectiva, podemos ter várias opiniões sobre os morangos e todas são legítimas porque dependem do gosto pessoal. Quanto à segunda implica a descrição de um facto que é objectivo e que por estar provado pode ser verificado se é verdadeiro ou falso.

3. As três teses principais sobre os juízos de gosto consideram ou que o gosto é subjectivo e não é possível discutir se um gosto é melhor que outro, ou que o gosto é algo que deriva da qualidade da obra ou objecto, havendo objectos belos e outros feios, que nos agradam ou desagradam pelas suas qualidade que podíamos resumir genericamente a três: unidade, complexidade e intensidade. Segundo esta perspectiva podemos então justificar objectivamente o nosso gosto, e podemos discutir os gostos porque há gostos que não merecem o nosso crédito. A perspectiva moderada afirma que o gosto é subjectivo e todos temos direito a tê-lo embora dotados de uma estrutura psicológica semelhante poderemos apreciar do mesmo modo e chegar assim a um consenso sobre o gosto educando a nossa sensibilidade de acordo com um padrão de gosto que seria o de um crítico excelente.
Os argumentos principais da teoria subjectivista é a experiência, de acordo com os factos da experiência verificamos uma grande diversidade de gostos, havendo disparidade acerca da mesma obra.
Quanto à teoria objectivista argumenta que não podemos derivar a qualidade de uma obra dos nossos afectos porque isso é redutor quando há unanimidade em considerar a qualidade artística de certas obras, o facto de não a apreciarmos resulta de um nosso defeito e não da falta de qualidade da obra visto que há cânones através dos quais podemos justificar porque é que uma obra de arte tem valor.
A teoria moderada parte do pressuposto de que com a distância do tempo e das modas e livres de certos preconceitos poderemos avaliar com alguma objectividade, é o que podemos observar na prática com certas obras que resistem ao tempo e continuam a ser valorizadas.

4. As vantagens de considerar a Arte como imitação é o facto desta teoria nos fornecer um critério de demarcação claro entre o que é Arte e o que não é, considerando Arte apenas a representação que imite e dê testemunho de uma acção, pessoa ou paisagem que existe ou existiu . A arte é algo feito pelo homem e que imita algo, se não obedecer a estas condições, não é Arte. Esta definição tem também outra vantagem: fornece-nos um critério para distinguir a boa da má arte, de acordo com a fidelidade em relação ao modelo, boa arte seria aquela que representa o modelo tal qual é, e má a que não o faz..
Quanto às desvantagens resultam do seu carácter redutor, de facto consideramos obras de arte pinturas abstractas ou quadros monocromáticos que não representam nem acções, nem pessoas, nem paisagens. Por outro lado como poderemos imitar algo cuja existência é ficcionada como as figuras mitológicas?
Quanto à teoria da Arte como expressão considera que só é Arte o que exprime os sentimentos do artista e os transmite ao público. Esta teoria terá a vantagem, em relação à teoria precedente, de abarcar a arte que não é representativa como a pintura abstracta, a música, e ser abrangente na medida em que centrando-se nos sentimentos pode referir o testemunho de muitos artistas que trabalharam sobre emoções fortes sendo elas a causa ou motivo da sua actividade artística. Outra das vantagens é fornecer um critério de demarcação entre o que é Arte e o que não é Arte de acordo com o sentimento que suscita no público (não sendo considerado Arte o que não provoca sentimento algum).Também possibilita um critério de distinção entre a boa e a má arte consoante for autêntico e intenso o sentimento nela expresso. Por outro lado tem a desvantagem de contrariar o testemunho de alguns artistas que se referem à primazia da técnica sobre o sentimento e que exprimem sentimentos que dizem não ter possuído, dá-nos também a possibilidade de especular sobre a vida dos artistas sem saber quais as suas intenções, pois estes já morreram e não há registos fidedignos que nos possam esclarecer sobre o a história emocional/sentimental da sua obra.

(As restantes duas perguntas eram de escolha múltipla e de opinião. Quanto à primeira, os temas já foram corrigidos em provas passadas, e a pergunta de opinião não tem uma resposta correcta, dependendo dos argumentos usados para fundamentar a sua opinião.)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Prova de avaliação Junho 2008


Grupo I


A filosofia recusa-se a aceitar qualquer crença que as provas experimentais e o raciocínio não mostrem que é verdadeira. Uma crença que não possa ser estabelecida por este meio não é digna da nossa fidelidade intelectual e é habitualmente um guia incerto da acção. A Filosofia dedica-se, portanto, ao exame minucioso das crenças que aceitámos acriticamente de várias autoridades. Temos de nos libertar dos preconceitos e emoções que muitas vezes obscurecem as nossas crenças. A Filosofia não permitirá que crença alguma passe a inspecção só porque tem sido venerada pela tradição ou porque as pessoas acham que é emocionalmente compensador aceitar essa crença. A filosofia não aceitará uma crença só porque se pensa que é ‘simples senso-comum’ ou porque foi proclamada por homens sábios. A filosofia tenta nada tomar como garantido e nada aceitar por fé. Dedica-se à investigação persistente e de espírito aberto, para descobrir se as nossas crenças são justificadas, e até que ponto o são. Deste modo, a filosofia impede de nos afundarmos na complacência mental e no dogmatismo em que todos os seres humanos têm tendência para cair.”


Jerome Stolnitz, Estética e Filosofia da Crítica de Arte, 1960

Vocabulário: complacência= condescendência
Crença: inclui não apenas as crenças religiosas mas tudo o que pensamos que é verdade, seja ou não verdade)

GRUPO I
1. Analise logicamente o texto, o tema, o problema, a tese , o/s argumentos e conceitos essenciais. (35Ptos)

2. A acção humana será livre ou não? Exponha os argumentos a favor do livre arbítrio e contra (determinismo). (30Ptos)
“ Estes morangos são saborosos.” e “ Leonardo Da Vinci nasceu em 1452” são exemplos de duas frases que expressam juízos diferentes. Qual a diferença? Justifique a sua resposta.(30Ptos)

3. De que modo podemos classificar as nossas acções tendo em conta o plano Ético/Moral? Justifique.(30Ptos)

4. Confronte os argumentos e as teses principais sobre os juízos de gosto estéticos. (30Ptos)

GRUPO II
Desenvolva um dos seguintes temas tendo em conta a clareza da sua exposição e o rigor da informação: (Aproximadamente 25 linhas) (45Ptos)
Temas:

A natureza da Filosofia.
O relativismo cultural e a universalidade da Ética.
A Ética deontológica de Kant.
A Ética utilitarista de Stuart Mill.
As várias teorias sobre a natureza da Arte.