sexta-feira, 30 de abril de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

correcção do teste de 16 de março

II
1.Quanto à segunda proposição exprime um juízo de facto. Juízo de facto, na medida em que a qualidade atribuída ao médico é objectiva e válida para todos os sujeitos em qualquer parte. Esta proposição descreve o médico segundo um critério universal, convencional, a medição do tempo de vida.  Tem valor de verdade, isto é, pode ser verdadeira ou falsa, não altera esse valor de acordo com os gostos do sujeito. Seja qual for a opinião ou gosto, a proposição é verdadeira ou falsa tendo em conta o acordo entre o seu conteúdo e a realidade.
A primeira proposição exprime um juízo de valor, estamos a atribuir um valor resultante de uma apreciação subjectiva acerca da pessoa. Assim esta qualidade de ser eficiente pode ser verdadeira para mim e falsa para outro sujeito que tenha outra sensibilidade. Daí que o juízo de valor se caracterize pela sua subjectividade não podendo a proposição que o exprime ter um valor de verdade.(embora haja quem defenda que certos, não todos, os juízos de valor, nomeadamente os juízos morais, têm valor de verdade). Estes juízos caracterizam-se por ser normativos, exprimem um padrão de gosto do sujeito que pretende que este seja aceite ou compreendido.

2. Uma boa vontade é aquela que se determina a agir apenas por dever não cedendo às inclinações e necessidades próprias de cada ser. Os homens não têm naturalmente uma boa vontade pois esta está dividida entre as disposições próprias da animalidade e da humanidade, só a vontade que é autónoma pode ser boa, pois é determinada por uma lei universal A vontade que aponta o bem como único fim da acção.


3. O imperativo categórico apresenta-se como uma ordem na consciência, ordem essa cuja formula é: Tu deves agir como se a máxima da tua acção pudesse ser tomada como uma máxima universal e, na segunda formulação, tu deves agir tendo a humanidade em ti próprio e nos outros, como um fim e nunca como um meio. Representa o imperativo a forma da lei moral, ordem absoluta visto que não depende das circunstâncias nem dos sujeitos pois está acima da experiência particular,, é anterior à experiência é “a priori”. O dever moral apresenta-se como um imperativo categórico, isto é aquele que não admite excepções e que se impõe em todas as ocasiões e a todos os sujeitos é pelo imperativo categórico e a forma da lei que como ser moral, todo o homem é legislador do reino dos fins.
O imperativo hipotético é uma obrigação ligada ao trajecto e aos interesses do sujeito. Essa obrigação cessa quando o desejo ou interesse é satisfeito. Liga-se portanto às circunstâncias particulares da vida e aos deveres de cada um face à sua experiência particular.

III
2. Tema: o determinismo nas nossas escolhas

Problema: seremos livres de escolher ou está a nossa vontade determinada a agir de acordo com a nossa constituição e passado?

Tese: O ser humano não pode agir de forma diferente daquele que a sua hereditariedade e educação determinaram.

Argumento: é ilusório pensar que podemos transcender ou elevar-nos acima do nosso património genético e da nossa educação, a jovem escolheu o dever porque assim foi educada para fazer, as nossas escolhas dependem de acontecimentos passados, da nossa constituição genética. A nossa vontade é motivada por esses factores e são eles que determinam as escolhas que dado certos factores, não podiam ser outras.

Conceitos, hereditariedade, educação,determinismo










domingo, 21 de março de 2010

Correção do teste de 15 de Março

II
1.Ana é uma determinista radical por isso para ela Pedro tem um determinado património genético e uma determinada educação, de acordo com essa informação que possui ele não age livremente, isto é, ele não escolheu jogar futebol com o amigo perto dos vidros das janelas, mas os factores que formam o seu carácter assim determinaram, logo Pedro não é responsável por ter partido o vidro visto que não o escolheu, a sua acção é causada por factores objectivos que determinam a sua vontade. Logo, não pode receber castigo.


Para Vicente, pelo contrário, Pedro é responsável pelo que fez, apesar de não ser intencional.Visto que a acção humana é fruto de uma deliberação consciente, se não deliberou conscientemente de modo a afastar-se dos vidros é porque foi negligente e é portanto responsável por essa negligência.

2. O relativista defende que os valores morais e a sua aplicação dependem das culturas, assim não há juízos morais neutros ou imparciais, nenhuma cultura é superior a outra de modo a poder julgar pois cada juízo revela a forma de pensar de uma cultura específica. Face a este caso, uma vez que ele é tradição na cultura japonesa e não na cultura ocidental, fará sentido inserido no quadro dos valores japoneses, pois cada cultura encontra o seu código de valores de modo a sobreviver e a poder enfrentar as necessidades que se colocam em cada situação. Poder-se-ia, por exemplo, se fossemos relativistas, defender esta prática como forma dos Samurais demonstrarem a sua coragem e superioridade de modo a serem temidos  para que o seu poder não fosse afrontado, essa seria uma forma de manter o poder do imperador e a ordem social.

3.Acções por dever são aquelas que obedecem ao imperativo categórico, a sua finalidade única é cumprir a lei que a razão a si mesma impõe, isto é o dever, logo são isentas de interesse ou da necessidade do agente. Essas são acções com valor moral.

Acções conforme ao dever seguem a norma social, são acções legais mas não são morais porque a vontade do agente é movida por um qualquer interesse ou sentimento como retirar um proveito ou medo das consequências.

Acções contra o dever, não seguem a lei moral nem a norma social, não seguem qualquer norma e são comandadas por um interesse ou sentimento momentâneo do agente.



III

1.O que tem dignidade é a moral, o homem que age cumprindo os valores morais como um fim em si mesmos e não como um meio para atingir outros fins porque considera que os valores morais têm valor por si e não têm preço, nem podem ser substituídos por outros valores.

sábado, 13 de março de 2010

Moral Utilitarista VersãO Final

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Matriz do teste de 15/16 de Março

COMPETÊNCIAS
Analisa logicamente um texto filosófico.
Clarifica o conceito de acção.
Explicita conceitos da rede conceptual da acção humana.
Problematiza a questão da liberdade e determinismo como dimensões da acção humana.
Identifica vários tipos de juízos.
Compreende os argumentos a favor ou contra uma determinada teoria.
Aplica os conceitos filosóficos a situações concretas.1. A especificidade do agir humano.


CONTEÚDOS
1. A especificidade do agir humano
1.1 'acontecer 'fazer ‘e agir’
1.2. A rede conceptual da acção: agente, intenção, consciência, motivo, livre-arbítrio.
2. Análise da complexidade do agir:
2.1 Acção voluntária e involuntária
2.2 As condicionantes da acção humana: Físico-biológicas , psicológicas e histórico-culturais.
3. Determinismo e liberdade
3.1 O homem como agente criador: a liberdade da acção.
As teorias libertarista e determinista. Argumentos.
4. Da Acção aos valores
4.1 Juízos de facto e juízos de valor.
4.2. Os valores e a cultura. O relativismo cultural.
5.A dimensão ética.
6. A Teoria deontológica de Kant.
6.1. Intenção e boa-vontade.

ESTUTURA DA PROVA
Todas as questões são de resposta obrigatória

Grupo I
10 questões
(V/F)
Grupo II
(Três questões de resposta objectiva)
Grupo III
(Questões de análise e reflexão sobre um texto.)

CRITÉRIOS DE CORRECÇÃO
Domínio dos conceitos

Domínio dos conteúdos
Expressão clara e correcta
Aplicação dos conhecimentos adquiridos
Relações oportunas entre os conteúdos.
Objectividade e rigor.
Técnica de análise de texto.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Egoísmo Ético será satisfatório?

O EGOÍSMO ÉTICO OU NORMATIVO:



O Egoísmo ético defende a máxima Universal de que devemos todos agir de acordo com o que nos é mais vantajoso.


Sendo uma máxima universal, esta pretende ter valor moral.


O seu argumento fundamental é o egoísmo psicológico, cada um de nós faz o que lhe é mais vantajoso, e se cumpre as normas morais é só para obter simpatia e favores dos outros, não por verdadeiro altruísmo.


Platão conta no anel de Giges como são as pessoas que só agem bem com medo das consequências e não por verdadeiro amor ao bem, ou ao dever, no fundo agem por interesse, se fossem invisíveis actuariam como são verdadeiramente, isto é por interesse e sem qualquer princípio ético e moral.






Esta posição não viola o princípio da universalização, porque diz que eu e todos devemos fazer o que nos for mais vantajoso, logo é uma posição que pretende ser Ética, mas será esta posição eticamente satisfatória?





Vemos claramente que não.

Argumento 1. Porque é uma posição arbitrária.

Ao colocar o interesse pessoal acima dos outros estamos a ser parciais e arbitrários, o que tem o eu que o torna superior aos outros? Nenhuma diferença relevante.Logo não havendo razões para pensarmos que podemos fazer aos outros o que for mais vantajoso para nós, esta posição é arbitrária, não tem fundamento racional.



Argumento 2: Porque o mundo seria muito estranho se adoptássemos esta norma.

Por outro lado, não poderíamos viver num mundo onde fosse eticamente correcto matar, desde que obtivéssemos vantagens com isso. Esta posição justificaria actos que são evidentemente proibidos, violentos.

Não podemos aceitar que alguém tenha o direito de nos maltratar só porque lhe é vantajoso ou porque lhe dá prazer.

Se o aceitássemos é porque teríamos de pensar que o mundo é Sado masoquista, isto é tem comportamentos estranhos e incompreensíveis. Como não vivemos, nem queremos viver num mundo de desejos Sado masoquistas e arbitrários logo, não podemos aceitar o egoísmo.



Uma ética satisfatória tem que se preocupar com os desejos dos outros e admitir que se pode agir tendo em conta o outro e não apenas o prazer e interesse pessoal.

Logo a Ética entra sempre em conflito com o interesse pessoal:

1º Porque queremos julgar imparcialmente e emitir juízos universais, ou seja independentemente das pessoas serem nossas amigas a acção deve ser avaliada imparcialmente.

Devo julgar acções semelhantes de modo semelhante.

Devo querer que o meu juízo tenha validade universal. Seja universalizável. Isto é válido para todos os sujeitos nas mesmas circunstâncias, só assim o juízo é eticamente satisfatório e a acção se obedecer a princípios universais também contém validade ético/moral.


Mas porque devemos ser morais? Porquê preocuparmo-nos com os outros.



Justificação: Porque assim tem de ser segundo os mandamentos divinos.(Posição que busca em Deus a justiça final – posição religiosa)

Porque assim podemos obter mais prazer, porque nos satisfaz tornar o mundo melhor, contribuir para a felicidade geral (posição hedonista e consequencialista, Stuart-Mill)

Porque é nosso dever, enquanto seres humanos a razão dá-nos essa ordem sem qualquer finalidade. A finalidade é o cumprimento do dever. (Kant)



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Relativismo Cultural

O Relativismo cultural , o que é?

É uma posição sobre a diversidade cultural e moral. Admite que não há valores absolutos e que todos os valores são relativos a uma determinada sociedade. Cada sociedade tem os seus padrões valorativos.

Consequentemente: Não poderemos julgar nenhuma prática cultural porque elas têm um sentido inseridas numa cultura.
Nenhuma cultura é superior a outra, são apenas diferentes.

Exemplo: Para os guineenses tem valor a excisão das mulheres, é sinal de pureza. Seria uma aberração as mulheres terem prazer.
Para um ocidental é uma aberração a excisão é valorizado o prazer da mulher.

Argumentos a favor:


1. Respeito pela diversidade cultural que é um factor de desenvolvimento das culturas. A aculturação só é possível porque há diversidade cultural. A aprendizagem e mudança de costumes deve-se à relação e proximidade de culturas diferentes.

2. Tolerância: Não devemos interferir no universo de outras culturas e devemos respeitá-las porque uma prática é correcta dentro de um cultura, julgá-la ou tentar mudá-la é impor o padrão da nossa cultura e dos nossos valores sobre os outros.

3. Igualdade biológica e psicológica das raças. Está provado cientificamente que as raças não diferem substancialmente umas das outras nem biológica nem psicologicamente, só divergem culturalmente, logo não há razões para crer que uma cultura é superior a outra.

Objeccções: (argumentos contra)

Se aceitarmos esta posição como correcta devemos aceitar como válidos todo o tipo de práticas. Parece-nos que há certas práticas que não devem ser aceites.

1 As culturas evoluem: È certo que algumas sociedades evoluem: por exemplo a escravatura tinha um valor positivo e era uma prática na América do Norte e hoje é uma aberração. Se as sociedades evoluem é porque compreendem que certas práticas são más e que é melhor substitui-las por outras mais conformes à natureza humana. Mais equilibradas para todos. A ciência ajudou a perceber que todos somos iguais. O relativismo conduz-nos ao conformismo e à indiferença.



2. Há revoltas dentro das sociedades. No seio de uma certa cultura muitas pessoas mais informadas não concordam com certas práticas, nem sempre há unanimidade, e há desvios à norma. Portanto muitos costumes não são livremente aceites mas são impostos pela inércia da tradição.


3. Pelo facto de não sabermos o melhor não significa que não exista. Os relativistas confundem a diversidade de opiniões com a inexistência da verdade. Se formos relativistas então não há valores morais absolutos. Assim todos as regras morais são possíveis e nenhuma é melhor que outra. Isso não significa que não há moral, significa apenas que ela não é única, que há diferentes regras e princípios consoante as sociedades.
Pelo facto de não sabermos que há vida em Andrómeda, não quer dizer que não haja uma verdade sobre isso.

Cultura

Cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural. Dentro do contexto da filosofia, a cultura é um conjunto de respostas para melhor satisfazer as necessidades e os desejos humanos. Cultura é informação, isto é, um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos vindouros. A cultura é o resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo os seus problemas ao longo da história. Cultura é criação. O homem não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam. A cultura é um factor de humanização. O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A cultura é um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à vida dos seres humanos.

1. A cultura como criação: recebe-se por tradição mas vai-se renovando com a integração de novos elementos (aculturação).
2. A cultura como informação: conjunto de conhecimentos teóricos (ciência) e práticos (boa educação)
3. A cultura como factor de humanização: o homem só cumpre a sua natureza essencial no seio da cultura.
4. A cultura é a adopção e partilha de um conjunto de símbolos e rituais que possibilitam uma interpretação da realidade e a sensação de pertença a um grupo. Exemplo: os rituais do casamento, de funeral, a língua, forma de vestir.

Excerto de uma entrevista a Claude Lévi- Strauss a Beatriz Móises – Revista de Antropologia da Universidade de S. Paulo.

Lévi-Strauss: "Sim, creio que a cultura francesa está muito ameaçada... continua muito ameaçada…"
Beatriz: A ponto de correr o risco de desaparecer?
Lévi-Strauss: "As culturas não desaparecem nunca, misturam-se com outras, e dão origem a uma outra cultura. Mas... bem... aquela que me formou e que me foi ensinada, na escola e em casa, é uma cultura à qual sou muito apegado, e não posso deixar de me entristecer ao vê-la perder-se e transformar-se em outra coisa... o que certamente acontecerá... mas digo a mim mesmo que, felizmente, já não estarei aqui..."
Beatriz: Já em Raça e História (1961) o senhor alertava para a necessidade de preservar a diversidade das culturas humanas e para a importância do intercâmbio cultural. Posteriormente, demonstrou diversas vezes o temor de que um "excesso de comunicação" pudesse levar a uma homogeneização paralisante. Apesar de tudo, não lhe parece que as culturas humanas têm demonstrado uma grande vitalidade no sentido de criar diferenças?
Lévi-Strauss: "Eu diria que é a única esperança que nos resta, a de que elas saibam refazer diferenças, o que permitirá aos antropólogos existir. Creio que isso acontecerá ou, pelo menos, espero que sim. Este é um período crítico e, sinceramente, espero que não dure. Fissuras haverão de ser reproduzidas... naturalmente não onde estavam antes, e certamente não onde poderíamos supor que surgissem. De qualquer modo, creio que a humanidade permanecerá diversa, essa é sua única oportunidade de sobrevivência ".

VER: LÉVI-STRAUSS, Cultura, Antropologia

domingo, 10 de janeiro de 2010

O velho, o rapaz e o burro - original de Esopo



Um velho, um rapaz e um burro na estrada.

Em fila indiana os três caminhavam.



Passou uma velha e pôs-se a troçar:

-O burro vai leve e sem se cansar!



O velho então pra não ser mais troçado,

Resolve no burro ir ele montado.



Chegou uma moça e pôs-se a dizer:

-Ai, coisa feia! Que triste que é ver!



O velho no burro, enquanto o rapaz,

Pequeno e cansado, a pé vai atrás!



O velho desceu e o filho montou.

Mas logo na estrada alguém gritou:



-Bem se vê que o mundo está transtornado!

O pai vai a pé e o filho montado!



O velho parou, pensou e depois

Em cima do burro montaram os dois.



Assim pela estrada seguiram os três:

Mas ouvem ralhar pela quarta vez:



Um rapaz já grande e um velho casmurro.

São cargas de mais no lombo de um burro!



Então o velhote seu filho fitou

E com tais palavras, sério, falou:



Aprende, rapaz, a não te importar,

Se a boca do mundo de ti murmurar.


Sophia de Mello breyner Andersen