quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ética deontológica e Ética teleológica -comparação




ÉTICA DEONTOLÓGICA VERSUS ÉTICA TELEOLÓGICADuas perspectivas diferentes para fundamentar a moral




Em que diferem estas perspectivas:




1. Na aplicação e utilização de conceitos
2. Na forma de considerar a moral
3. Nos fins a que deve estar submetida a acção


A moral deontológica baseia-se no princípio da autonomia da vontade face às inclinações naturais. Moral é a acção que obedece apenas ao dever. Porque só a obediência ao dever torna o ser humano livre.
A moral teleológica baseia-se na utilidade das acções para o bem estar e para aliviar o sofrimento das pessoas. Moral é a acção que produz maior bem estar ao maior número.




A moral deontológica privilegia a forma e a moral teleológica o resultado material da acção.

Explicação:


1. Na moral deontológica, a forma da acção moral é colocada a priori, é a forma que é boa ou má independentemente do resultado da acção.
Uma forma boa é aquela em que a motivação da acção pode ser universalizável.




2. Na moral teleológica, a forma - o motivo ou intenção do sujeito é substituída pela previsão que o sujeito deve fazer do resultado da sua acção. O sujeito deve prever, fazer um cálculo ou um juízo dos prós e contras e dos riscos que corre. Se intenção for boa e o resultado mau essa previsão racional não foi bem feita. Mas o que tem valor moral é o resultado material da acção do sujeito sobre o mundo.




Haverá conciliação entre prazer e dever ou são inconciliáveis?O que se entende por prazer?
Tanto Kant como Stuart Mill consideram o prazer intelectual superior ao sensual.
A questão é: Será que o prazer deve ser o fim da acção moral?
Para Kant esse fim já existe naturalmente e a moral não é o reino da natureza mas sim da liberdade.Logo o fim da acção moral não é o prazer.
Para Stuart Mill não temos motivação para a acção moral se ela não satisfizer também um fim natural, desejável, esse fim é o prazer.



Mas o Prazer só tem valor moral se não for um prazer egoísta.
Porque o que caracteriza a moralidade das acções é o Princípio da imparcialidade (contraria a nossa natureza primária) o prazer do outro ou o seu sofrimento é semelhante ao nosso e tem o mesmo valor.



Uma acção não é moral, não é correcta se o seu resultado for apenas o prazer do próprio.
Para a moral deontológica o prazer não é um fim, o único fim em si absoluto é a dignidade da pessoa. (não especifica apenas diz que essa dignidade é a sua capacidade de ser autónoma, obedecer às leis da razão, às leis que cada um faz)




Objecções à teoria deontológica:Por ser formal e não ter em conta a totalidade da experiência do indivíduo está afastada das condições de vida concreta e impõe-se como algo demasiado exigente. Pode também legitimar actos morais com resultados práticos prejudiciais para o sujeito ou para os outros.
Vantagens da perspectiva deontológica sobre a teleológica:



lValoriza a pessoa e perspectiva da intenção visto que a pessoa só pode ter domínio sobre si própria não pode ter o domínio das situações exteriores.
lAo exigir respeito pelos princípios morais impede a instrumentalização da pessoa por outra.




Objecções à teoria teleológica:Pode criar situações de justificação moral de acções contra os princípios morais.
Pode confirmar a máxima de que os fins justificam os meios.
Vantagens da teoria teleológica sobre a deontológica:Aproxima-se do Senso-Comum e da realidade vivencial. Preocupa-se com as condições de vida da humanidade. Privilegia o altruísmo.


Conclusão?
- Poderemos conciliar o prazer e o dever?
- Será a obediência a princípios preponderante sobre a avaliação das situações concretas?
- Não haverá leis morais absolutas?
- Será o homem a estabelecer, segundo o seu juízo e tendo em conta a circunstância, o melhor e o pior?
- Deverá ser a lei moral independente da experiência e ditada pela razão?

quarta-feira, 11 de março de 2009

A Moral Estóica e Epicurista.



A moral estóica:




No pensamento dos estóicos, o fim supremo, o único bem do homem, não é o prazer, a felicidade, mas a virtude; não é concebida como necessária condição para alcançar a felicidade, e sim como sendo ela própria um bem imediato. Com o desenvolvimento do estoicismo, todavia, a virtude acaba por se tornar meio para a felicidade da tranquilidade, da serenidade, que nasce da virtude negativa da apatia, da indiferença universal. A felicidade do homem virtuoso é a libertação de toda perturbação, a tranquilidade da alma, a independência interior, a autarquia.
Como o bem absoluto e único é a virtude, assim o mal único e absoluto é o vício. E não tanto pelo dano que pode acarretar ao vicioso, quanto pela sua irracionalidade e desordem intrínseca, ainda que se acabe por repudiá-lo como perturbador da indiferença, da serenidade, da autarquia do sábio. Tudo aquilo que não é virtude nem vício, não é nem bem nem mal, mas apenas indiferença; pode tornar-se bem se for unido com a virtude, mal se for ligado ao vício; há o vício quando à indiferença se junta a paixão, isto é, uma emoção, uma tendência irracional, como geralmente acontece.
A paixão, na filosofia estóica, é sempre e substancialmente má; pois é movimento irracional e vício da alma - quer se trate de ódio, quer se trate de piedade. De tal forma, a única atitude do sábio estóico deve ser o aniquilamento da paixão, até a apatia. O ideal ético estóico não é o domínio racional da paixão, mas a sua destruição total, para dar lugar unicamente à razão: maravilhoso ideal de homem sem paixão, que anda como um deus entre os homens. Daí a guerra justificada do estoicismo contra o sentimento, a emoção, a paixão, donde derivam o desejo, o vício, a dor, que devem ser aniquilados.
A virtude estóica é, no fundo, a indiferença e a renúncia a todos os bens do mundo que não dependem de nós, e cujo curso é fatalmente determinado. Por conseguinte, indiferença e renúncia a tudo, salvo e pensamento, a sabedoria, a virtude, que constituem os únicos bens verdadeiros: indiferença e renúncia à vida e à morte, à saúde e à doença, ao repouso e à fadiga, à riqueza e à pobreza, às honras e à obscuridade, numa palavra, ao prazer e ao sofrimento - pois o prazer é julgado insana vaidade da alma. Dada a indiferença estóica do suicídio como voluntário e moral afastamento do mundo; isto não se concilia, porém, com a virtude da fortaleza que o estoicismo reconhece e louva, e nem se pode explicar racionalmente o suicídio, se a ordem do universo é racional, como precisamente afirmam os estóicos.

Objecções à moral estóica:1. Uma moral sem qualquer espécie de emoção é contrária à própria natureza humana que os estóicos prezam, ora viver segundo a natureza é também deixar-se guiar por emoções, elas são muitas vezes a nossa mais humana forma de nos relacionarmos e apesar de causarem sofrimento também podem causar felicidade.
2. A virtude como sabedoria faz da moral estóica algo acessível às elites intelectuais não estando portanto ao alcance de um homem vulgar, de uma escolaridade vulgar, o alcance da virtude que só é acessível ao sábio, esta exigência torna a moral elitista e portanto algo que não está acessível a todos.


O hedonismo
A ambiguidade do conceito de prazer permitiu agrupar, sob a classificação geral de hedonismo, várias linhas filosóficas claramente distintas.
Hedonismo é definido como a doutrina que considera o prazer (hedoné em grego) o objectivo supremo da vida. Apareceu muito cedo na história da filosofia, em duas modalidades: a primeira toma o prazer como critério das acções humanas; a segunda considera o prazer como único valor supremo.

O EpicurismoA moral epicurista pode ser entendida como uma moral hedonista. O fim supremo da vida é o prazer sensível; o critério único de moralidade é o sentimento. O único bem é o prazer, como o único mal é a dor; nenhum prazer deve ser recusado, a não ser por causa de consequências dolorosas, e nenhum sofrimento deve ser aceite, a não ser em vista de um prazer maior. No epicurismo não se trata, portanto, do prazer imediato, como é desejado pelo homem vulgar; trata-se do prazer reflectido, avaliado pela razão, escolhido prudentemente, sabiamente, filosoficamente. É mister dominar os prazeres, e não se deixar por eles dominar; ter a faculdade de gozar e não a necessidade de gozar. A filosofia toda está nesta função prática. Este prazer imediato deveria ficar sempre essencialmente sensível, mesmo quando Epicuro fala de prazeres espirituais, para os quais não há lugar no seu sistema, e nada mais seriam que complicações de prazeres sensíveis. O prazer espiritual diferenciar-se-ia do prazer sensível, porquanto o primeiro se estenderia também ao passado e ao futuro e transcende o segundo, que é unicamente presente. Verdade é que Epicuro mira os prazeres estéticos e intelectuais, como os mais altos prazeres. Aqui, porém, se ele faz uma afirmação profunda, está certamente em contradição com a sua metafísica materialista.
O verdadeiro prazer não é positivo, mas negativo, consistindo na ausência do sofrimento, na quietude, na apatia, na insensibilidade, no sono, e na morte. Mas precisamente ainda, Epicuro divide os desejos em naturais e necessários - por exemplo, o instinto da reprodução; não naturais e não necessários - por exemplo, a ambição. O sábio satisfaz os primeiros, quando for preciso, os quais exigem muito pouco e cessam apenas satisfeito; renuncia os segundos, porquanto acarretam fatalmente inquietação agitação, perturbam a serenidade e a paz; mas ainda renuncia os terceiros, pelos mesmos motivos. Assim, a vida ideal do sábio, do filósofo, que aspira a liberdade e à paz como bens supremos, consistiria na renúncia a todos os desejos possíveis, aos prazeres positivos, físicos e espirituais; e, por conseguinte, em vigiar-se, no precaver-se contra as surpresas irracionais do sentimento, da emoção, da paixão. Não sofrer no corpo, satisfazendo suas necessidades essenciais, para estar tranquilo; não ser perturbado no espírito, renunciando a todos os desejos possíveis, visto ser o desejo inimigo do sossego: eis as condições fundamentais da felicidade, que é precisamente liberdade e paz.

Objecções ao Epicurismo e ao Hedonismo.

1. Se a busca do prazer é constante então há sempre uma insatisfação, uma procura de novos prazeres e um certo desencanto perante os velhos prazeres.2. O hedonismo conduz-nos a um estado de egoísmo em que podemos sacrificar o outro se esse sacrifício implicar um novo prazer para o próprio justifica-se moralmente. Ora este princípio parece-nos contrário ao que é moralmente ju

Tópicos sobre a origem das normas e princípios morais.

1. Origem da consciência Moral e das normas e princípios morais.
A consciência moral é a condição necessária para agir moralmente. Éssa conciência moral dá-nos os princípios da acção correcta assim como representa as normas morais.
A sociedade, a cultura e a Educação(Os princípios e as normas morais são adquiridos por educação, através de castigos e recompensas aprendemos o que é bom e mau. As culturas instituem determinadas normas morais que são necessárias para podermos viver em comunidade e sobreviver. Segundo esta concepção, há certas normas que uma sociedade segue e outra não, sendo o valor das normas morais, discutível)

DEUS – ( A moral e a Ética traduzem as ordens de Deus aos homens, não cumprir essas ordens é desobedecer a Deus e fazer o mal.As ordens divinas são absolutas não podem ser discutíveis porque são divinas e não humanas). A conciência moral reflecte essa origem divina da moral


A Razão - (inata, a faculdade da Razão, rege-se por princípios universais de melhor
e pior.)

2. O que caracteriza os nossos juízos morais.

IMPARCIALIDADEA avaliação dos nossos actos e dos outros deve ser imparcial. Não interessa quem realiza o acto, actos semelhantes em circunstâncias semelhantes devem ter a mesma avaliação. Não há que ter em conta interesses.

UNIVERSALIDADESe consideramos que agimos bem em determinadas circunstâncias então consideramos que nas mesmas circunstâncias qualquer um agiria bem. Devemos poder universalizar o princípio que nos leva a considerar bom ou mau determinado acto.

AUTONOMIAÉ a consciência/razão que deve guiar a acção e o juízo moral e não a obediência a uma ordem exterior. A ordem moral deve ser interior, do sujeito, e só a ela o sujeito deve obediência. Porque é o verdadeiro sinal de liberdade, fazer as suas próprias leis, desde que obedeçamos ao princípio geral da imparcialidade e da universalidade.


Tipos de actos considerados morais:ACTOS ERRADOS
Não são permitidos porque causam o mal ao outro ou a si próprio, utilizando-o como um meio para um determinado fim. Exemplo: Matar um inocente.
Nem todos os actos são errados na mesma medida.
Actos correctos:
Obrigatórios: Temos a obrigação moral de não realizar actos errados.Temos obrigação moral de honrar uma palavra dada, se as circunstâncias nos permitirem fazê-lo.
Opcionais: Fica ao critério do agente a sua realização. Exemplo: ajudar um estranho. Não é moralmente errado não o fazer porque pode ter riscos para o agente.


ACTOS INDIFERENTES: São aqueles que não têm valor ético/moral, vestir-se deste ou daquele modo, por exemplo,

Ficha sobre o relativismo cultural

FICHA FORMATIVA 3 Nome:_________________________________/__________________________________

O relativismo cultural desafia a nossa crença habitual na objectividade e universalidade da verda­de moral. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes. Logo, não há uma verdade objecti­va de moralidade. Certo e errado são apenas questões de opinião e as opiniões variam de cultura para cultura. Podemos chamar a isto o argumento das diferenças culturais. Para muitas pessoas é persua­sivo. Mas, de um ponto de vista lógico, será sólido? Não é sólido. O problema é que a conclusão não se segue da premissa - isto é, mesmo que a premissa seja verdadeira a conclusão pode continuar a ser falsa. A premissa diz respeito àquilo em que as pessoas acreditam - em algumas sociedades as pessoas acreditam numa coisa; noutras sociedades acreditam noutra. O erro fundamental do argumento das diferenças culturais é que tenta derivar uma conclusão substancial sobre um tema partindo do mero facto de pessoas discordarem a seu respeito.

James Rachels, Elementos de Filosofia Moral.

Assinale, para cada item, a opção que completa correctamente a frase, de acordo com o texto.

1.O autor do texto defende a tese segundo a qual ...
A. culturas diferentes têm códigos morais diferentes.
B. o nosso código moral não tem um estatuto especial.
C. o argumento das diferenças culturais não. é sólido.
D. se existe uma verdade moral, todos têm de conhecê-la.

2.O argumento das diferenças culturais ...
A. permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque é um argumento persuasivo.
B. não permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque nem todas as pessoas conside­ram o argumento persuasivo.
C. permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque a premissa «culturas diferentes têm códigos morais diferentes» é empiricamente verificável.
D. não permite sustentar a tese do relativismo cultural, porque a conclusão não se segue da pre­missa apresentada.

3.O desafio lançado pelo relativismo cultural à nossa crença habitual na objectividade e na univer­salidade da verdade
A. é forte porque somos incapazes de encontrar razões para rejeitar o argumento das diferenças culturais.
B. não é forte porque somos capazes de encontrar razões para rejeitar o argumento das diferen­ças culturais.
C. é forte porque se baseia em factos empiricamente observáveis .
. D. não é forte porque a partir de factos empiricamente observáveis não podem ser construídos argumentos sólidos.

4.Se a nossa crença habitual na objectividade e na universalidade da verdade é verdadeira, então ...
A. culturas diferentes não deveriam ter códigos morais diferentes.
B. o nosso código moral tem um estatuto especial.
C. a verdade moral tem de ser evidente.
D. algumas diferenças culturais mostram que existem opiniões morais erradas.

5. Análise lógica do texto.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Correção da Prova de Avaliação.Junho 2008



1. Análise lógica do texto:
Tema: A Filosofia ou a Utilidade da Filosofia
Problema: O que é a Filosofia? Qual a utilidade da Filosofia?
Tese: A Filosofia impede que nos afundemos na condescendência mental e no dogmatismo.
Argumentos: A Filosofia não aceita nenhuma crença de autoridade ou de senso-comum sem primeiro examiná-la racionalmente. As crenças que temos não podem ser aceites só porque nos facilitam a vida pois a sua aceitação é cómoda, ou porque é da tradição ou porque resultam de um acto de fé. A filosofia dedica-se à investigação persistente para encontrar justificações credíveis e sólidas para as nossas crenças recusando-as se não apresentarem tas justificações.
Conceitos: Crença, Filosofia,

2. A primeira frase ou proposição exprime um juízo de valor e a segunda um juízo de facto. A primeira é subjectiva, podemos ter várias opiniões sobre os morangos e todas são legítimas porque dependem do gosto pessoal. Quanto à segunda implica a descrição de um facto que é objectivo e que por estar provado pode ser verificado se é verdadeiro ou falso.

3. As três teses principais sobre os juízos de gosto consideram ou que o gosto é subjectivo e não é possível discutir se um gosto é melhor que outro, ou que o gosto é algo que deriva da qualidade da obra ou objecto, havendo objectos belos e outros feios, que nos agradam ou desagradam pelas suas qualidade que podíamos resumir genericamente a três: unidade, complexidade e intensidade. Segundo esta perspectiva podemos então justificar objectivamente o nosso gosto, e podemos discutir os gostos porque há gostos que não merecem o nosso crédito. A perspectiva moderada afirma que o gosto é subjectivo e todos temos direito a tê-lo embora dotados de uma estrutura psicológica semelhante poderemos apreciar do mesmo modo e chegar assim a um consenso sobre o gosto educando a nossa sensibilidade de acordo com um padrão de gosto que seria o de um crítico excelente.
Os argumentos principais da teoria subjectivista é a experiência, de acordo com os factos da experiência verificamos uma grande diversidade de gostos, havendo disparidade acerca da mesma obra.
Quanto à teoria objectivista argumenta que não podemos derivar a qualidade de uma obra dos nossos afectos porque isso é redutor quando há unanimidade em considerar a qualidade artística de certas obras, o facto de não a apreciarmos resulta de um nosso defeito e não da falta de qualidade da obra visto que há cânones através dos quais podemos justificar porque é que uma obra de arte tem valor.
A teoria moderada parte do pressuposto de que com a distância do tempo e das modas e livres de certos preconceitos poderemos avaliar com alguma objectividade, é o que podemos observar na prática com certas obras que resistem ao tempo e continuam a ser valorizadas.

4. As vantagens de considerar a Arte como imitação é o facto desta teoria nos fornecer um critério de demarcação claro entre o que é Arte e o que não é, considerando Arte apenas a representação que imite e dê testemunho de uma acção, pessoa ou paisagem que existe ou existiu . A arte é algo feito pelo homem e que imita algo, se não obedecer a estas condições, não é Arte. Esta definição tem também outra vantagem: fornece-nos um critério para distinguir a boa da má arte, de acordo com a fidelidade em relação ao modelo, boa arte seria aquela que representa o modelo tal qual é, e má a que não o faz..
Quanto às desvantagens resultam do seu carácter redutor, de facto consideramos obras de arte pinturas abstractas ou quadros monocromáticos que não representam nem acções, nem pessoas, nem paisagens. Por outro lado como poderemos imitar algo cuja existência é ficcionada como as figuras mitológicas?
Quanto à teoria da Arte como expressão considera que só é Arte o que exprime os sentimentos do artista e os transmite ao público. Esta teoria terá a vantagem, em relação à teoria precedente, de abarcar a arte que não é representativa como a pintura abstracta, a música, e ser abrangente na medida em que centrando-se nos sentimentos pode referir o testemunho de muitos artistas que trabalharam sobre emoções fortes sendo elas a causa ou motivo da sua actividade artística. Outra das vantagens é fornecer um critério de demarcação entre o que é Arte e o que não é Arte de acordo com o sentimento que suscita no público (não sendo considerado Arte o que não provoca sentimento algum).Também possibilita um critério de distinção entre a boa e a má arte consoante for autêntico e intenso o sentimento nela expresso. Por outro lado tem a desvantagem de contrariar o testemunho de alguns artistas que se referem à primazia da técnica sobre o sentimento e que exprimem sentimentos que dizem não ter possuído, dá-nos também a possibilidade de especular sobre a vida dos artistas sem saber quais as suas intenções, pois estes já morreram e não há registos fidedignos que nos possam esclarecer sobre o a história emocional/sentimental da sua obra.

(As restantes duas perguntas eram de escolha múltipla e de opinião. Quanto à primeira, os temas já foram corrigidos em provas passadas, e a pergunta de opinião não tem uma resposta correcta, dependendo dos argumentos usados para fundamentar a sua opinião.)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Prova de avaliação Junho 2008


Grupo I


A filosofia recusa-se a aceitar qualquer crença que as provas experimentais e o raciocínio não mostrem que é verdadeira. Uma crença que não possa ser estabelecida por este meio não é digna da nossa fidelidade intelectual e é habitualmente um guia incerto da acção. A Filosofia dedica-se, portanto, ao exame minucioso das crenças que aceitámos acriticamente de várias autoridades. Temos de nos libertar dos preconceitos e emoções que muitas vezes obscurecem as nossas crenças. A Filosofia não permitirá que crença alguma passe a inspecção só porque tem sido venerada pela tradição ou porque as pessoas acham que é emocionalmente compensador aceitar essa crença. A filosofia não aceitará uma crença só porque se pensa que é ‘simples senso-comum’ ou porque foi proclamada por homens sábios. A filosofia tenta nada tomar como garantido e nada aceitar por fé. Dedica-se à investigação persistente e de espírito aberto, para descobrir se as nossas crenças são justificadas, e até que ponto o são. Deste modo, a filosofia impede de nos afundarmos na complacência mental e no dogmatismo em que todos os seres humanos têm tendência para cair.”


Jerome Stolnitz, Estética e Filosofia da Crítica de Arte, 1960

Vocabulário: complacência= condescendência
Crença: inclui não apenas as crenças religiosas mas tudo o que pensamos que é verdade, seja ou não verdade)

GRUPO I
1. Analise logicamente o texto, o tema, o problema, a tese , o/s argumentos e conceitos essenciais. (35Ptos)

2. A acção humana será livre ou não? Exponha os argumentos a favor do livre arbítrio e contra (determinismo). (30Ptos)
“ Estes morangos são saborosos.” e “ Leonardo Da Vinci nasceu em 1452” são exemplos de duas frases que expressam juízos diferentes. Qual a diferença? Justifique a sua resposta.(30Ptos)

3. De que modo podemos classificar as nossas acções tendo em conta o plano Ético/Moral? Justifique.(30Ptos)

4. Confronte os argumentos e as teses principais sobre os juízos de gosto estéticos. (30Ptos)

GRUPO II
Desenvolva um dos seguintes temas tendo em conta a clareza da sua exposição e o rigor da informação: (Aproximadamente 25 linhas) (45Ptos)
Temas:

A natureza da Filosofia.
O relativismo cultural e a universalidade da Ética.
A Ética deontológica de Kant.
A Ética utilitarista de Stuart Mill.
As várias teorias sobre a natureza da Arte.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Três Teoria sobre Arte.

Como imitar uma personagem que não existe? Não será imitação mas representação.
Que sentimento expressam estes quadros de Vasarely? Parece que nenhum.

Yves Kleist, Blue ,Que sentimento expressa este quadro? Que poderíamos dizer da sua Forma significante?



ESTÉTICA: PARA UMA TEORIA DA ARTE
1ª TEORIA:




Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo homem e imita algo.A característica própria desta teoria não reside no facto de defender que uma obra de arte tem de ser produzida pelo homem, o que é comum a outras teorias, mas na ideia de que para ser arte essa obra tem de imitar algo.
Vários foram os filósofos que se referiram à arte como imitação. Alguns desprezavam-na por isso mesmo, como acontecia com o conhecido filósofo grego Platão que, ao considerar que as obras de arte imitavam os objectos naturais, via essas obras como imagens imperfeitas dos seus originais.
O que agora nos interessa, mais do que saber quem defendeu esta teoria, é avaliar o seu poder explicativo. Vejamos então os principais pontos que parecem favoráveis a ela:
Vantagens
Adequa-se ao facto incontestável de muitas pinturas, esculturas e outras obras de arte.
Oferece um critério de classificação das obras de arte bastante rigoroso, o que nos permite distinguir com alguma facilidade uma obra de arte.
Oferece um critério de valoração das obras de arte .Uma obra de arte seria tão boa quanto mais se conseguisse aproximar do objecto imitado.
Um aspecto geral desta teoria mostra-nos que é uma teoria centrada nos objectos imitados. Ela exprime-se frequentemente através de frases como
«este filme é excelente, pois é um retrato fiel da sociedade americana nos anos 60», ou como
«este quadro é tão bom que mal conseguimos distinguir aquilo que o artista pintou do modelo utilizado».
Mas será uma boa teoria? Para isso temos de testar cada um dos aspectos atrás apresentados que são favoráveis à teoria, começando pelo primeiro.

Objecção 1: Como o que é afirmado no primeiro ponto é do domínio empírico, não precisamos de procurar muito para percebermos que, apesar de muitas obras de arte imitarem algo, são inúmeras aquelas que não o fazem.
Conscientes disso, os defensores mais recentes da teoria da arte como imitação, acabaram por substituir o conceito de imitação pelo conceito mais sofisticado de representação. Assim já poderíamos dizer que as quatro primeiras notas da 5.ª Sinfonia de Beethoven não imitam directamente a morte a bater à porta, mas representam a morte a bater à porta. Podemos perguntar: o que representam a pintura Composição (1946) de Jackson Pollock ou as Suites para Violoncelo Solo de Bach? Dificilmente diríamos que representam algo.

Objecção 2: Há obras que imitam algo sem que nos encontremos alguma vez em condições de saber se a imitação é boa ou má. Basta pensar em obras que imitam algo que já não existe ou não é do conhecimento de quem as aprecia. Como podemos saber se A Escola de Atenas, de Rafael, reproduz com perfeição as figuras de Platão e Aristóteles ou o ambiente da Academia? Pior, como sabemos que o Jardim das Delícias, de Bosch, imita bem aquelas figuras estranhas e inverosímeis, admitindo que algo está a ser imitado? Como podemos saber se O Nascimento de Vénus, de Botticelli, é uma boa imitação, se é que, mais uma vez, algo é imitado? E não será abusivo afirmar que qualquer pintura figurativa tecnicamente apurada é melhor do que o tosco Auto-Retrato com Chapéu de Palha, de Van Gogh, ou do que todas as obras impressionistas? Segundo este critério Picasso seria, com certeza, um artista menor e teríamos de reconhecer que a fotografia é a mais perfeita de todas as artes. Só que não é isso que acontece. Vemos, assim, que também em relação ao critério valorativo esta teoria está longe de dar resposta satisfatória a todas as objecções que se lhe colocam.

2ª TEORIA : Teoria da arte como expressão



Insatisfeitos com a teoria da arte como imitação (ou representação), muitos filósofos e artistas românticos do século XIX propuseram uma definição de arte que procurava libertar-se das limitações da teoria anterior, ao mesmo tempo que deslocava para o artista, ou criador, a chave da compreensão da arte. Trata-se da teoria da arte como expressão. Teoria que, ainda hoje, uma enorme quantidade de pessoas aceita sem questionar. Segundo a teoria da expressão

Uma obra é arte se, e só se, exprime sentimentos e emoções do artista.
Os sentimentos têm que ser autênticos e intencionais.
Vantagens
São muitos e eloquentes os testemunhos de artistas que reconhecem a importância de certas emoções sem as quais as suas obras não teriam certamente existido. Mais do que isso, se é verdade, como parece ser, que a arte provoca em nós determinadas emoções ou sentimentos, então é porque tais sentimentos e emoções existiram no seu criador e deram origem a tais obras.
Também nos oferece, como a teoria anterior, um critério que permite, com algum rigor, classificar objectos como obras de arte. Com a vantagem acrescida de classificar como arte todas as obras que não imitam nada, o que acontece frequentemente na literatura e sempre na música e na arte abstracta.
Mais uma vez oferece um critério valorativo: uma obra é tanto melhor quanto melhor conseguir exprimir os sentimentos do artista que a criou.

Uma teoria como esta manifesta-se frequentemente em juízos como
«Este é um livro exemplar em que o autor nos transmite o seu desespero perante uma vida sem sentido» ou como
«O autor do filme filma magistralmente os seus próprios traumas e obsessões».
Mas também ela se irá revelar uma teoria insatisfatória. As razões são semelhantes às que apresentei contra a teoria da arte como imitação, pelo que tentarei aqui ser mais breve.




Objecção 1: Podemos dizer que os quadros de Yves Klein, Mondrian ou de Vasarely? Expressam as emoções do autor?O grande compositor do nosso século, Richard Strauss, autor de vários poemas sinfónicos, como o célebre Assim Falava Zaratustra, esclarecia que as suas obras eram fruto de um trabalho paciente e minucioso no sentido de as aperfeiçoar, eliminando desse modo os defeitos inerentes a qualquer produto emocional.

Objecção 2: Sobre o critério de valoração. Como podemos nós saber se uma determinada obra exprime correctamente as emoções do artista que a criou, quando o artista já morreu há séculos? Na tentativa de apurar até que ponto uma obra de arte é boa, muitos estudiosos defensores desta teoria lançaram-se na pesquisa biográfica do artista que a criou, pois só assim estariam em condições de compreender os sentimentos que lhe deram origem. Alguns deles, como o famoso pai da psicanálise, Sigmund Freud, até se aventuraram a sondar as profundezas da psicologia do artista, sem o que uma correcta avaliação da obra não seria possível. Freud foi ao ponto de o fazer com um artista morto há séculos .E como avaliar uma obra de arte colectiva ou a interpretação de uma obra musical? O que conta aqui são as emoções do artista criador ou as do artista intérprete (ou dos artistas intérpretes, como sucede com a interpretação da Segunda Sinfonia de Mahler, a qual chega a exigir perto de 250 intérpretes em palco)? Enfim, todas estas perguntas são demasiado embaraçosas para a teoria da expressão.


3ª TEORIA: Teoria da arte como forma significante




Esta teoria, defendida, entre outros, pelo filósofo Clive Bell, considera que não se deve começar por procurar aquilo que define uma obra de arte na própria obra, mas sim no sujeito que a aprecia. Isso não significa que não haja uma característica comum a todas as obras de arte, mas que podemos identificá-la apenas por intermédio de um tipo de emoção peculiar, a que chama emoção estética, que elas, e só elas, provocam em nós.
· Uma obra é arte se, e só se, provoca nas pessoas emoções estéticas.Se a teoria da imitação estava centrada nos objectos representados e a teoria da expressão no artista criador, a teoria formalista parte do sujeito sensível que aprecia obras de arte. Digo que parte do sujeito e não que está centrada nele, caso contrário não seria coerente considerar que esta teoria é formalista.
Mas se essa emoção peculiar chamada «emoção estética» é provocada pelas obras de arte, e só por elas, então tem de haver alguma propriedade também ela peculiar a todas as obras de arte, que seja capaz de provocar tal emoção nas pessoas. Mas essa característica existe mesmo? Clive Bell responde que sim e diz que é a forma significante.
Sensibilidade e inteligência é o que se exige ao crítico de Arte ou ao mero espectador, sem as quais a forma significante não é captada.
Frases como
«Este quadro é uma verdadeira obra-prima devido à excepcional harmonia das cores e ao equilíbrio da composição», ou como
«Aquele livro é excelente porque está muito bem escrito e apresenta uma história bem construída apoiada em personagens convincentes e bem caracterizadas»,exprimem habitualmente uma perspectiva formalista da arte.
Vantagem: pode incluir todo o tipo de obras de arte, inclusivamente obras que exemplifiquem formas de arte ainda por inventar. Desde que provoque emoções estéticas qualquer objecto é uma obra de arte, ficando assim ultrapassado o carácter restritivo das teorias anteriores.
Mas as suas dificuldades também são enormes.




Objecção 1: Em primeiro lugar, podemos mostrar que algumas pessoas não sentem qualquer tipo de emoção perante certas obras que são consideradas arte. Quer dizer que essas obras podem ser arte para uns e não o ser para outros? Também não é grande ideia responder que quem não sente emoções estéticas em relação a determinadas obras não é uma pessoa sensível, como sugere Bell, o que parece uma inaceitável fuga às dificuldades.
Objecção 2:. Clive Bell refere, pensando apenas no caso da pintura, que a forma significante reside numa certa combinação de linhas e cores. Mas que combinação é essa e que cores são essas exactamente? E em que consiste a forma significante na música, na literatura, no teatro, etc.? A ideia que fica é que a forma significante não serve para identificar nada.
Objecção 3: Se a forma significante é a propriedade que provoca em nós emoções estéticas, depois de dizer que as emoções estéticas são provocadas pela forma significante é não só inútil mas decepcionante, já que se trata de uma falácia: a falácia da circularidade.
E agora?
Será que a Arte pode ser Definida?

RESUMO:1. CENTRADA NA OBRA - ARTE COMO IMITAÇÃO
2. CENTRADA NO ARTISTA - ARTE COMO EXPRESSÃO






3. CENTRADA NO ESPECTADOR -ARTE /FORMA SIGNIFICANTE

Correção da Prova de 9 Maio 2008


Professora Helena Serrão

1. Análise lógica do texto de David Hume:Tema: Os padrões de gosto
Problema: Será possível um padrão de gosto?
Tese: Apesar da diversidade de gosto não poder ser anulada, é possível um padrão de gosto.
Argumento: Há certos princípios gerais de aprovação ou de censura, cuja influência um olhar cuidadoso pode verificar em todas as operações do espírito. Há determinadas formas que devido a uma certa estrutura original da constituição interna do espírito estão destinadas a agradar e outras a desagradar.
Condições para um padrão de gosto: só um espírito são pode apreciar algo esteticamente, se estiver doente o seu juízo não tem credibilidade.
Podemos também notar que além da enfermidade física que afecta o a nossa sensibilidade (do sujeito). A proximidade temporal da obra e do autor pode também tornar o juízo de gosto parcial, sujeito a modas e a sentimentos de inveja. Também há factores exteriores como o clima, governo, religião e linguagem que afectam o juízo de gosto daí que avaliar a obra de Homero à distância de 2000 anos e num qualquer lugar da Europa, permite-nos compreender que o juízo de gosto poderá aproximar-se de uma certa imparcialidade uma certa unanimidade. Conceitos: padrão de gosto, autoridade, estrutura do espírito, sentimentos agradáveis, desagradáveis.

2. Que teoria sobre os juízos de gosto defende o autor?
A posição do autor é subjectivista visto que considera que uma obra é bela quando suscita sentimentos de prazer e agrado no sujeito e não apenas por qualidades objectivas, todavia há uma estrutura geral no espírito humano, uma estrutura sensível que é comum a todos os homens sãos. Daí que há certas formas que causam agrado, na generalidade dos homens e outras não. Poderemos assim, encontrar um padrão de gosto que consistiria em captar aquelas qualidades que o sujeito que avalia as obras devia ter. Para que o seu juízo pudesse aproximar-se de um padrão de gosto ele tinha que ter certas qualidades, assim como manter-se afastado de factores exteriores (preconceitos culturais) e interiores como conhecimento do autor. Afastados os elementos que podem influenciar o juízo de gosto poderíamos estabelecer certos princípios gerais a propósito do sujeito, Hume fala da ideia de um crítico excelente. As qualidades do crítico excelente seriam: delicadeza de gosto, prática de fazer juízos, larga experiência de vida, distanciação em relação a modas e preconceitos, bom senso e disposição certa.

3. Caracterize a experiência estética.
A experiência estética caracteriza-se por uma sensação de agrado ou desagrado em relação a um determinado objecto, sensação essa subjectiva. Implica uma atitude desinteressada em relação ao objecto, isto é, não tem com ele uma relação de utilidade, necessidade ou desejo, mas distanciada porque o objecto é olhado ou sentido como uma forma, isto é como objecto estético. Não pode ser descrita em conceitos porque se trata de uma sensação e é por isso singular e intransmissível.

4. Imagine a seguinte situação (ver prova) a partir dos princípios da moral deontológica de Kant e da moral consequencialista de Stuart-Mill. Enuncie esses princípios.
Segundo os princípios da moral deontológica de Kant, a acção correcta é aquela que traduz uma boa vontade, isto é, uma vontade afastada do interesse pessoal, uma vontade desinteressada , essa boa vontade não podia moldar-se pelas consequências materiais da acção mas apenas pelo cumprimento da lei. A lei moral ordena-nos que a máxima da nossa acção possa ser universalizável, ora mentir mesmo que seja para um bom fim, não pode ser universalizável. O arquitecto não devia mentir.
Quanto à moral consequencialista a acção correcta deve proporcionar o maior bem ao maior número de pessoas, entendendo-se como maior bem, para avaliar a acção teríamos de equacionar a qualidade do bem proporcionado, se é duradouro e a quantidade de pessoas que seriam afectadas pela acção. Assim, segundo estes princípios o facto do arquitecto não mentir, seria bom para a sua consciência mas, possivelmente teria como consequência a prisão do presidente da Câmara e o congelamento das verbas. Justificar-se-ia então mentir desde que as consequências fossem minorar o sofrimento e proporcionar o maior Bem ou felicidade ao maior número de pessoas, facto que seria possível através da mentira.

5. Poder-se-á dizer que o Utilitarismo é uma forma de Hedonismo?
Embora o Utilitarismo defenda o princípio do prazer sobre a dor (esta só se justifica se for útil isto é se puder proporcionar uma maior felicidade futura ao sujeito e aos outros) diferencia-se contudo do Hedonismo em dois aspectos:
1: Diferencia os prazeres espirituais dos corporais dizendo que os primeiros são superiores porque são mais fecundos e duradouros enquanto que para o Hedonismo todos os prazeres são equivalentes.
2. Por outro lado, diferencia a felicidade como maior número de experiências de prazer, tal como sugere o Hedonismo, da felicidade enquanto satisfação de preferências, isto é não é o número de experiências que constituem o critério de uma vida feliz mas a satisfação de prazeres criteriosamente escolhidos pelo sujeito segundo os seus valores e preferências.

6. Porque é que o Egoísmo Ético não é satisfatório?
O Egoísmo ético não é satisfatório por duas razões: primeiro porque é arbitrário, ao colocar o “eu” acima dos outros e defender como princípio ético que cada um deva fazer o que lhe é mais vantajoso, está a reivindicar um princípio que não tem um fundamento racional, pois porque será que o “eu” de cada um se deve sobrepor ao “eu” dos outros quando não há nenhuma razão para julgar alguém superior a outro. Permite também o Egoísmo Ético, justificar acções injustas desde que sejam para benefício daquele que as pratica, um mundo assim seria estranho pois só se justificaria defendê-lo se houvesse pessoas que retirassem prazer do seu sofrimento e outras que tirassem prazer do sofrimento dos outros.