1. Tema: A liberdade humana.
Problema: Qual a origem da nossa convicção de que somos livres?
Tese: A origem da nossa convicção de que somos livres é a experiência de nos empenharmos em acções voluntárias e intencionais.
Argumento: Quando nos empenhamos nas acções humanas normais da vida veremos a possibilidade de alternativas que poderíamos ter escolhido. Temos portanto a consciência de que podíamos ter feito outra coisa, e que decidimos fazer o que fazemos. Temos portanto a experiência de que as nossas acções são uma possibilidade entre outras que nos dá a convicção forte de que a nossa vontade é livre.
Ponderar razões e decidir é também um caso, mas não o único que nos fornece a convicção da liberdade.
Conceitos: convicção da liberdade, experiência, decisão, alternativas.
2. a. Acção mista, inevitável. Clarice não queria chegar atrasada mas as circunstâncias forçaram a que chegasse. Não é uma acção completamente involuntária visto que Clarice voluntariamente veio de automóvel para o emprego o que poderia supor ou prever que poderia ficar parada por causa de um engarrafamento.
b. Acção voluntária visto que resulta de uma decisão consciente do agente que opta, entre várias alternativas, por protestar.
c. Acção mista, equivocada. É fruto da negligência do agente, não sendo voluntário pegar fogo à floresta é voluntário atirar o cigarro para o chão. O agente devia prever as consequências do seu acto e não o fez.
3. 1. Toda a acção é um acontecimento. Porque agir significa provocar uma alteração no mundo e no próprio agente.
3.2. Explica-se a acção através do motivo, isto é a resposta à pergunta “Porque fizeste isso? E da intenção: O que fizeste? Para quê o fizeste?
3.3. Algumas coisas que fazemos são acções. A diferença entre agir e fazer é que agir implica fazer algo,mas o contrário não é verdadeiro porque podemos fazer coisas como abrir e fechar as pálpebras sem agir, isto é sem o fazer consciente e intencionalmente. Fazer é condição necessária para agir mas não é suficiente.
3.4. Os enunciados que descrevem uma acção são:
“Apanhado pelo professor a copiar o Francisco mentiu”
“Joana não se inscreveu no curso de pintura.”
Ambas são acções voluntárias e conscientes, têm uma intenção e um motivo.
4. Dizer que somos condicionados, que temos condicionantes, significa dizer que não existe uma liberdade ilimitada, que as nossas opções estão limitadas, por vezes muito limitadas dependendo da história, das condições sociais e económicas,da cultura, das condições hereditárias ,biológicas, psicológicas. Os homens são seres limitados às suas condições biológicas e físicas, por exemplo não temos força para levantar determinadas coisas, não temos inteligência para compreender tudo, não podemos viajar à velocidade da luz. Para além destas condicionantes biológicas e físicas temos constrangimentos sociais e culturais, deveres para com as leis que cumprimos para evitar um mal maior, hábitos adquiridos e socialmente aceites etc. Apesar da liberdade ser em abstracto um conceito magnífico é algo que procuramos ultrapassando estas condicionantes,lutando por melhores condições de vida, revoltando-nos contra certas leis injustas, isto é lutando por uma maior autonomia face às condicionantes que nos limitam.
5. Os valores são qualidades potenciais das coisas que resultam da sua relação com um sujeito que as aprecia ou não de acordo com os seus interesses e as suas circunstâncias. Os valores não são qualidades primárias porque estas são universais e objectivas, são essenciais ao objecto enquanto as qualidades valorativas são dependentes do sujeito e da sua reacção a determinado objecto.
Os valores são bi-polares porque têm um pólo positivo e um negativo, hierarquizáveis porque podemos organizá-los numa ordem de acordo com um critério de valores superiores e inferiores; relativos se considerarmos que dependem do gosto, cultura e circunstãncias, mas também absolutos como certos valores éticos que são independentes da cultura, do gosto e das circunstâncias.
6.a. O João agiu honestamente é um juízo de valor porque a honestidade e um valor ético, e porque é normativo, isto é não descreve a acção do João mas sim expressa o acordo com uma norma moral ou ética pela a qual a acção do João é julgada. Seguindo outra norma a acção poderia ter outro valor.
6.b. Traduz um juízo de valor, de gosto e portanto sbjectivo, é também normativo porque o sujeito expressa o seu acordo a uma norma que expressa o seu critério do que é uma comida saborosa.
6.c. É um juízo de facto porque tem valor de verdade e traduz as propriedades primárias e inquestionáveis do objecto.
7. Argumentos a favor do determinismo: tudo o que existe tem uma causa, a causa explica e permite à acção ter uma lógica e não ser fruto do acaso. De facto como elemento natural, também o homem é determinado por circunstâncias psicológicas, hereditárias e sociais que explicam racionalmente a sua acção. Deste modo toda a acção é determinada. Consequência: Não pode haver responsabilidade individual.
A tese do livre arbítrio defende que enquanto o sujeito tiver a consciência que poderia ter feito isto ou aquilo, tem a consciência que é livre, logo para si é livre e portanto responsável e imputável. Argumentos: De facto, conscientemente, temos a noção da nossa liberdade e portanto mesmo que seja uma ilusão ela é indissociável da nossa experiência enquanto agentes.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Ficha sobre os valores
Ficha de aplicação de conhecimentos adquiridos:
As frases seguintes referem-se a diferentes tipos de valores. Procura identificá-los:
1. A tortura é uma violação inaceitável dos direitos humanos. ( Trata-se de um juízo sobre os direitos humanos que são valores ético/políticos)
2. Tem músculos de aço. (Trata-se de um juízo sobre a força que é um valor vital)
3. É mais belo um Ferrari do que a Vénus de Milo. (Trata-se de um juízo sobre a beleza que é um valor estético)
4. A desvalorização do Euro não convém à Europa. (Trata-se de um juízo sobre a moeda/dinheiro que é um valor útil.
5. Traiu a confiança dos seus amigos. (Trata-se de um juízo sobre a confiança e sobre a amizade, ambos valores éticos.)
6. A única super-potência é Deus. (Trata-se de um juízo sobre Deus que é um valor religioso)
7. A democracia é o pior dos regimes exceptuando todos os outros. (Trata-se de um juízo sobre a democracia que é um valor político.)
________________________________________________________________
1. O que é a questão dos critérios valorativos?
2. O que caracteriza os juízos de facto?
3. O que caracteriza os juízos de valor?
4. Considere os seguintes juízos:
a. O Holocausto foi moralmente horrível. (juízo de valor)
b. O Holocausto é considerado moralmente horrível.
c. A liberdade é mais importante que a justiça.
d. A justiça é mais importante que a liberdade.
e. Se a justiça é mais importante do que a liberdade, a liberdade é menos importante que a justiça.
f. Muitas pessoas valorizam a liberdade.
g. É bom que as pessoas valorizem a liberdade.
h. Há quem julgue que não é bom valorizar a liberdade.
Quais destes juízos são juízos de facto? Quais são juízos de valor?
As frases seguintes referem-se a diferentes tipos de valores. Procura identificá-los:
1. A tortura é uma violação inaceitável dos direitos humanos. ( Trata-se de um juízo sobre os direitos humanos que são valores ético/políticos)
2. Tem músculos de aço. (Trata-se de um juízo sobre a força que é um valor vital)
3. É mais belo um Ferrari do que a Vénus de Milo. (Trata-se de um juízo sobre a beleza que é um valor estético)
4. A desvalorização do Euro não convém à Europa. (Trata-se de um juízo sobre a moeda/dinheiro que é um valor útil.
5. Traiu a confiança dos seus amigos. (Trata-se de um juízo sobre a confiança e sobre a amizade, ambos valores éticos.)
6. A única super-potência é Deus. (Trata-se de um juízo sobre Deus que é um valor religioso)
7. A democracia é o pior dos regimes exceptuando todos os outros. (Trata-se de um juízo sobre a democracia que é um valor político.)
________________________________________________________________
1. O que é a questão dos critérios valorativos?
2. O que caracteriza os juízos de facto?
3. O que caracteriza os juízos de valor?
4. Considere os seguintes juízos:
a. O Holocausto foi moralmente horrível. (juízo de valor)
b. O Holocausto é considerado moralmente horrível.
c. A liberdade é mais importante que a justiça.
d. A justiça é mais importante que a liberdade.
e. Se a justiça é mais importante do que a liberdade, a liberdade é menos importante que a justiça.
f. Muitas pessoas valorizam a liberdade.
g. É bom que as pessoas valorizem a liberdade.
h. Há quem julgue que não é bom valorizar a liberdade.
Quais destes juízos são juízos de facto? Quais são juízos de valor?
sábado, 28 de novembro de 2009
Os Valores
Da acção aos valores.A teoria para poder analisar a prática.A nossa acção é motivada por valores. Consciente ou inconscientemente, movemo-nos porque desejamos e queremos algo que nos parece desejável.
Os valores orientam a nossa acção e as nossas escolhas, os nossos juízos sobre nós, os outros e o mundo.
O que são os valores:Os valores não são ideias, porque as ideias definem-se intelectualmente, enquanto os valores implicam a nossa afectividade, emoção e preferências.
Por exemplo a Honra é uma ideia, se apenas a definirmos, é um valor se desejarmos que as nossas acções tenham essa qualidade.
Os valores são qualidades que atribuímos às coisas, acções, pessoas.
Por isso não valem apenas por si, têm que ter um suporte onde são aplicados.
Juízos de facto e juízos de valor:Juízos de facto são descritivos das propriedades objectivas de uma coisa, acção ou pessoa.
Têm valor de verdade independentemente do sujeito.
Os juízos de facto enunciam qualidades primárias e objectivas sobre as quais não há discussão porque são aceites universalmente.

Exemplo. Isto é uma pintura a óleo de Gauguin,pintada em 1888 e intitulada “Les Alychamps
Os juízos de valor são normativos, dizem-nos como devemos avaliar as coisas.
Se têm valor de verdade? Talvez sim, talvez não. Não são independentes das nossas crenças, gostos e da nossa cultura. (Há quem defenda contudo que são independentes dos nossos gostos, que os objectos têm um valor em si)
Exemplo: Este quadro é muito expressivo, gosto do jogo de claro/escuro.

Tipos de valores e critérios valorativos:
Há vários tipos de Valores: estéticos, éticos, vitais, materiais, religiosos etc:
Quando damos valor a algo exprimimos mesmo sem saber um critério valorativo:
Exemplo: Prefiro a pintura figurativa à abstracta.
Porquê?Para emitir um juízo de valor temos critérios valorativos. Estes servem para fazermos uma hierarquização dos valores e determinar as nossas preferências. São padrões de avaliação, regras de procedimento. Mas também nos servem para justificar as nossas preferências, para as explicar.
Uma forma de hierarquizar os valores:
Há valores Absolutos e valores Relativos. Os valores absolutos são independentes das épocas e das pessoas. Os valores relativos dependem da cultura, da época e da pessoa.
Há valores meio: Que não têm valor em si, mas têm valor como meio para atingir outros valores. Por exemplo: o dinheiro.
Há valores que valem por si, a amizade ou a liberdade. Que são um fim em si e não o meio para atingir através deles outros valores.
Os valores que valem por si são considerados superiores aos valores meio. Por isso muitos filósofos elaboraram uma tábua de valores, usando determinados critérios para hierarquizar os valores, isto é para considerar determinados valores superiores a outros.
Na próxima lição falaremos de uma tábua de valores a de Max Sheller.
Os valores orientam a nossa acção e as nossas escolhas, os nossos juízos sobre nós, os outros e o mundo.
O que são os valores:Os valores não são ideias, porque as ideias definem-se intelectualmente, enquanto os valores implicam a nossa afectividade, emoção e preferências.
Por exemplo a Honra é uma ideia, se apenas a definirmos, é um valor se desejarmos que as nossas acções tenham essa qualidade.
Os valores são qualidades que atribuímos às coisas, acções, pessoas.
Por isso não valem apenas por si, têm que ter um suporte onde são aplicados.
Juízos de facto e juízos de valor:Juízos de facto são descritivos das propriedades objectivas de uma coisa, acção ou pessoa.
Têm valor de verdade independentemente do sujeito.
Os juízos de facto enunciam qualidades primárias e objectivas sobre as quais não há discussão porque são aceites universalmente.

Exemplo. Isto é uma pintura a óleo de Gauguin,pintada em 1888 e intitulada “Les Alychamps
Os juízos de valor são normativos, dizem-nos como devemos avaliar as coisas.
Se têm valor de verdade? Talvez sim, talvez não. Não são independentes das nossas crenças, gostos e da nossa cultura. (Há quem defenda contudo que são independentes dos nossos gostos, que os objectos têm um valor em si)
Exemplo: Este quadro é muito expressivo, gosto do jogo de claro/escuro.

Tipos de valores e critérios valorativos:
Há vários tipos de Valores: estéticos, éticos, vitais, materiais, religiosos etc:
Quando damos valor a algo exprimimos mesmo sem saber um critério valorativo:
Exemplo: Prefiro a pintura figurativa à abstracta.
Porquê?Para emitir um juízo de valor temos critérios valorativos. Estes servem para fazermos uma hierarquização dos valores e determinar as nossas preferências. São padrões de avaliação, regras de procedimento. Mas também nos servem para justificar as nossas preferências, para as explicar.
Uma forma de hierarquizar os valores: Há valores Absolutos e valores Relativos. Os valores absolutos são independentes das épocas e das pessoas. Os valores relativos dependem da cultura, da época e da pessoa.
Há valores meio: Que não têm valor em si, mas têm valor como meio para atingir outros valores. Por exemplo: o dinheiro.
Há valores que valem por si, a amizade ou a liberdade. Que são um fim em si e não o meio para atingir através deles outros valores.
Os valores que valem por si são considerados superiores aos valores meio. Por isso muitos filósofos elaboraram uma tábua de valores, usando determinados critérios para hierarquizar os valores, isto é para considerar determinados valores superiores a outros.
Na próxima lição falaremos de uma tábua de valores a de Max Sheller.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Trabalho sobre a leitura de uma obra: "Apologia de Sócrates"

Consulta e leitura da obra aqui
(Se lerem a partir da Net lêem 8 capítulos)Trabalho de grupo:
Objectivos: leitura e análise de uma obra filosófica.
Objectivos: leitura e análise de uma obra filosófica.
Grupo de 3 Alunos.
Guião para análise da obra:
1. Descrição da situação histórica da obra: identificação das personagens, da situação e da época.
2. Identificar os problemas filosóficos colocados.
3. Referir os principais argumentos utilizados por Sócrates em sua defesa.
4. Problematizar o desfecho do julgamento. Colocar questões.
5. Elaborar um comentário final à obra.
Divisão do texto.
1ª Parte: de 17 a 24b
2ª Parte: de 27b até 30c
3ª Parte: de 30c a 35 e
4ª Parte: de 35e a 42
BOM TRABALHO!
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Ficha Formativa 2
Determine o valor de verdade de cada uma das proposições.
1. Acontecer e agir são conceitos diferentes.____
2. Toda a acção é um acontecimento mas nem todo o acontecimento é acção._____
3. O acontecimento não tem intencionalidade, a acção sim.__________
4. Agente é aquele que é dotado de consciência e intencionalidade.______
5. Em qualquer circunstância uma pessoa é um agente________
6. Quando há uma pessoa há acção._______
7. Logo, agir é fazer algo, basta fazer para agir._______
8. Tudo o que fazemos é um acontecimento, mas nem todo o acontecimento resulta de um fazer algo._____
9. A diferença entre fazer e acontecer é a presença de algo ou alguém que produz.______
10. É condição suficiente para haver acção haver um agente consciente._______
11. É condição necessária para haver acção haver um agente consciente._________
12. Por intencionalidade entende-se o significado da acção.________
13. A intenção implica um agente com crenças e desejos._________
14. As acções involuntárias e não intencionais são acções._________
15. A condição suficiente para haver acção é a intencionalidade._____
16. A intencionalidade já pressupõe a presença do agente , consciente e de um propósito.________
17. Uma acção forçada é uma acção onde a vontade do agente não é livre.______
18. Nem o motivo, nem a intenção podem explicar uma acção.________
1. Acontecer e agir são conceitos diferentes.____
2. Toda a acção é um acontecimento mas nem todo o acontecimento é acção._____
3. O acontecimento não tem intencionalidade, a acção sim.__________
4. Agente é aquele que é dotado de consciência e intencionalidade.______
5. Em qualquer circunstância uma pessoa é um agente________
6. Quando há uma pessoa há acção._______
7. Logo, agir é fazer algo, basta fazer para agir._______
8. Tudo o que fazemos é um acontecimento, mas nem todo o acontecimento resulta de um fazer algo._____
9. A diferença entre fazer e acontecer é a presença de algo ou alguém que produz.______
10. É condição suficiente para haver acção haver um agente consciente._______
11. É condição necessária para haver acção haver um agente consciente._________
12. Por intencionalidade entende-se o significado da acção.________
13. A intenção implica um agente com crenças e desejos._________
14. As acções involuntárias e não intencionais são acções._________
15. A condição suficiente para haver acção é a intencionalidade._____
16. A intencionalidade já pressupõe a presença do agente , consciente e de um propósito.________
17. Uma acção forçada é uma acção onde a vontade do agente não é livre.______
18. Nem o motivo, nem a intenção podem explicar uma acção.________
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Temas, problemas e conceitos para o teste de filosofia:
1. Problema: O que é a Filosofia?
1.1. A origem etimológica.
1.2. A relação entre Filosofia, Ciência e Teologia.
1.3. A abordagem histórica: Como começou a Filosofia - Os Filósofos da Natureza e Sócrates e Platão. Os problemas que colocam e as respostas que dão.
1.4. As disciplinas da Filosofia.
1.5. Caracterização da Filosofia: Pensar autónomo, radical, histórico e universal.
2. O discurso filosófico.
2.1. Conceitos/termos; Juízos ou proposições; Raciocínios ou argumentos.
2.2. Análise lógica dos textos: Tema, problema, Tese, Argumento e conceitos principais.
2.3. Os princípios lógicos.
2.4. O trabalho filosófico: problematizar, interpretar e argumentar.
3. Exemplo: A Alegoria da caverna -interpretação e problematização.
A Apologia de Sócrates: Temas e Argumentação.
4. Conceitos: Saber definir todos os conceitos mencionados.
1. Problema: O que é a Filosofia?
1.1. A origem etimológica.
1.2. A relação entre Filosofia, Ciência e Teologia.
1.3. A abordagem histórica: Como começou a Filosofia - Os Filósofos da Natureza e Sócrates e Platão. Os problemas que colocam e as respostas que dão.
1.4. As disciplinas da Filosofia.
1.5. Caracterização da Filosofia: Pensar autónomo, radical, histórico e universal.
2. O discurso filosófico.
2.1. Conceitos/termos; Juízos ou proposições; Raciocínios ou argumentos.
2.2. Análise lógica dos textos: Tema, problema, Tese, Argumento e conceitos principais.
2.3. Os princípios lógicos.
2.4. O trabalho filosófico: problematizar, interpretar e argumentar.
3. Exemplo: A Alegoria da caverna -interpretação e problematização.
A Apologia de Sócrates: Temas e Argumentação.
4. Conceitos: Saber definir todos os conceitos mencionados.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
O pensamento filosófico é consequente
Assim no caso já conhecido de Platão:
O problema: o que é real? Esta caneta é real?
Argumento: Não, não pode ser, porque esta caneta é agora, mas deixa de ser, a ideia de caneta permanece. ( PRÍNCIPIO) é real o que não muda, o que não deixa de ser, logo (TESE FIM)a ideia é real e o objecto sensível não.
Para compreender a dimensão discursiva do trabalho filosófico:
O discurso filosófico apresenta problemas, teoria e argumentos. As teorias tentam analisar os problemas e propõem hipóteses para a sua resolução.
As teses que propõem são hipóteses para consideração e discussão porque são sustentadas por argumentos que podem ser refutados.
Formas de argumentação:
1. Colocar claramente a tese – proposição defendida.
2. Demonstrar a sua pertinência com razões, factos, exemplos.
3. O argumento válido não pode ter premissas verdadeiras e a conclusão falsa.
Formas de refutação:
1. Tentando demonstrar uma contradição entre a tese e o argumento.
2. Utilizando contra-exemplos onde não se verifica o que se propõe.
3. Retirando consequências absurdas de determinada tese.
ARGUMENTAÇÃO DE SÓCRATES CONTRA MELETO QUE O ACUSAVA DE CORROMPER OS JOVENS E NÃO ACREDITAR NOS DEUSES:
“Sócrates- Considerai, pois, comigo, ó cidadãos, de que modo me parece que ele diz isso. Responde-nos tu, Meleto, e vós, como pedi a princípio, não façais rumor contra mim, se conduzo o raciocínio desse modo. Existem entre os homens, Meleto, os que acreditam que há coisas humanas, e que não há homens? Que responda ele, ó juízes, sem resmungar ora uma coisa ora outra. Há os que acreditam que não há cavalos, e há coisas que tenham relação com os cavalos? Ou acreditam que não há flautistas, mas há coisas relativas à flauta ? Não há? Óptimo homem, se não queres responder, digo-o eu, aqui, a ti e aos outros presentes. Mas, ao menos, responde a isto: Há quem acredite que há coisas demoníacas, e demónios não?
Meleto- Não há.
-Oh! como estou contente que tenhas respondido de má vontade,
constrangido por outros! Tu dizes. pois, que eu creio e ensino coisas demoníacas, sejam novas, sejam velhas; portanto, segundo o teu raciocínio, eu creio que há coisas demoníacas e o juraste na tua acusação. Ora, se creio que há coisas demoníacas, é absolutamente necessário que eu creia também na existência dos demónios. Não é assim? Assim é: estou certo de que o admites, porque não respondes. E não tenho em apreço os demónios como deuses ou filho de deuses? Sim, ou não?
- Sim, é certo.
- Se, pois, creio na existência dos demónios, como dizes, se os demónios são uma espécie de deuses, isso seria propor que não acredito nos deuses, e depois, que, ao contrário, creio nos deuses, porque ao menos creio na existência dos demónios. Se, por outra parte, os demónios são filhos bastardos dos deuses com as ninfas, ou outras mulheres, das quais somente se dizem nascidos, quem jamais poderia ter a certeza de que são filhos dos deuses se não existem deuses? Seria de facto do mesmo modo absurdo que alguém acreditasse nas mulas, filhas de cavalos e das jumentas, e acreditasse não existirem cavalos e jumentas. Mas, Meleto, tua acusação foi feita para me pôr à prova, ou também por não saber a verdadeira culpa que me pudesses atribuir: por que, pois, te arriscas a persuadir um homem, mesmo de mente restrita, de que pode a mesma pessoa acreditar na existência das coisas demoníacas e divinas, e, de outro lado, essa pessoa não admitir demónios, nem deuses, nem heróis? Isso não é possível. 27 cd
Compõe-se de CONCEITOS/TERMOS, JUÍZOS/PROPOSIÇÕES E RACIOCÍOCINIOS/ARGUMENTOS
CONCEITOS OU TERMOS: São ideias, referem os elementos de uma classe e significam o que há de comum a todos os elementos dessa classe. O termo é o signo linguístico que expressa o conceito.
Exemplo:Cadeira, guarda-chuva, Jogador do belenenses.
JUÍZO OU PROPOSIÇÃO: exprime um pensamento, uma opinião, uma crença. É uma frase declarativa com valor de verdade, isto é. pode ser verdadeira ou falsa.
Exemplo: O regime político português é uma democracia.
RACIOCÌNIO OU ARGUMENTO: É uma forma de pensar que retira de conhecimentos dados, outros conhecimentos novos e assim faz progredir o conhecimento. Conjunto de proposições organizadas (premissas)de modo a apoiar e justificar uma determinada conclusão.
Assim no caso já conhecido de Platão:
O problema: o que é real? Esta caneta é real?
Argumento: Não, não pode ser, porque esta caneta é agora, mas deixa de ser, a ideia de caneta permanece. ( PRÍNCIPIO) é real o que não muda, o que não deixa de ser, logo (TESE FIM)a ideia é real e o objecto sensível não.
Para compreender a dimensão discursiva do trabalho filosófico:
O discurso filosófico apresenta problemas, teoria e argumentos. As teorias tentam analisar os problemas e propõem hipóteses para a sua resolução.
As teses que propõem são hipóteses para consideração e discussão porque são sustentadas por argumentos que podem ser refutados.
Formas de argumentação:
1. Colocar claramente a tese – proposição defendida.
2. Demonstrar a sua pertinência com razões, factos, exemplos.
3. O argumento válido não pode ter premissas verdadeiras e a conclusão falsa.
Formas de refutação:
1. Tentando demonstrar uma contradição entre a tese e o argumento.
2. Utilizando contra-exemplos onde não se verifica o que se propõe.
3. Retirando consequências absurdas de determinada tese.
ARGUMENTAÇÃO DE SÓCRATES CONTRA MELETO QUE O ACUSAVA DE CORROMPER OS JOVENS E NÃO ACREDITAR NOS DEUSES:
“Sócrates- Considerai, pois, comigo, ó cidadãos, de que modo me parece que ele diz isso. Responde-nos tu, Meleto, e vós, como pedi a princípio, não façais rumor contra mim, se conduzo o raciocínio desse modo. Existem entre os homens, Meleto, os que acreditam que há coisas humanas, e que não há homens? Que responda ele, ó juízes, sem resmungar ora uma coisa ora outra. Há os que acreditam que não há cavalos, e há coisas que tenham relação com os cavalos? Ou acreditam que não há flautistas, mas há coisas relativas à flauta ? Não há? Óptimo homem, se não queres responder, digo-o eu, aqui, a ti e aos outros presentes. Mas, ao menos, responde a isto: Há quem acredite que há coisas demoníacas, e demónios não?
Meleto- Não há.
-Oh! como estou contente que tenhas respondido de má vontade,
constrangido por outros! Tu dizes. pois, que eu creio e ensino coisas demoníacas, sejam novas, sejam velhas; portanto, segundo o teu raciocínio, eu creio que há coisas demoníacas e o juraste na tua acusação. Ora, se creio que há coisas demoníacas, é absolutamente necessário que eu creia também na existência dos demónios. Não é assim? Assim é: estou certo de que o admites, porque não respondes. E não tenho em apreço os demónios como deuses ou filho de deuses? Sim, ou não?
- Sim, é certo.
- Se, pois, creio na existência dos demónios, como dizes, se os demónios são uma espécie de deuses, isso seria propor que não acredito nos deuses, e depois, que, ao contrário, creio nos deuses, porque ao menos creio na existência dos demónios. Se, por outra parte, os demónios são filhos bastardos dos deuses com as ninfas, ou outras mulheres, das quais somente se dizem nascidos, quem jamais poderia ter a certeza de que são filhos dos deuses se não existem deuses? Seria de facto do mesmo modo absurdo que alguém acreditasse nas mulas, filhas de cavalos e das jumentas, e acreditasse não existirem cavalos e jumentas. Mas, Meleto, tua acusação foi feita para me pôr à prova, ou também por não saber a verdadeira culpa que me pudesses atribuir: por que, pois, te arriscas a persuadir um homem, mesmo de mente restrita, de que pode a mesma pessoa acreditar na existência das coisas demoníacas e divinas, e, de outro lado, essa pessoa não admitir demónios, nem deuses, nem heróis? Isso não é possível. 27 cd
Compõe-se de CONCEITOS/TERMOS, JUÍZOS/PROPOSIÇÕES E RACIOCÍOCINIOS/ARGUMENTOS
CONCEITOS OU TERMOS: São ideias, referem os elementos de uma classe e significam o que há de comum a todos os elementos dessa classe. O termo é o signo linguístico que expressa o conceito.
Exemplo:Cadeira, guarda-chuva, Jogador do belenenses.
JUÍZO OU PROPOSIÇÃO: exprime um pensamento, uma opinião, uma crença. É uma frase declarativa com valor de verdade, isto é. pode ser verdadeira ou falsa.
Exemplo: O regime político português é uma democracia.
RACIOCÌNIO OU ARGUMENTO: É uma forma de pensar que retira de conhecimentos dados, outros conhecimentos novos e assim faz progredir o conhecimento. Conjunto de proposições organizadas (premissas)de modo a apoiar e justificar uma determinada conclusão.

Disciplinas centrais da Filosofia:
Metafísica: (Meta –prefixo que designa para além de e Physis significa natureza)
Que tipos de coisa existem?
Será tudo criação da nossa mente? Existirá realmente a coragem e a brancura?
Existem os Universais? Existe uma realidade diferente da realidade que percepcionamos? Existirá alguma coisa fora das nossas mentes? Terá o mundo um criador? Haverá um princípio? Uma razão para as leis do Universo? Haverá uma determinação prévia para tudo quanto existe ou há acaso? Haverá liberdade e livre- arbítrio?
Exemplo de um texto:
Isto explica também, creio eu, porque é que não podemos abandonar a nossa convicção de liberdade. Achamos fácil abandonar a convicção de que a Terra é plana logo que compreendemos a prova para a teoria heliocêntrica do sistema solar. Mas não podemos de modo semelhante abandonar a convicção de liberdade, porque esta convicção está inserida em toda a acção intencional normal e consciente. E usamos esta convicção para identificarmos e explicarmos as acções. Efectivamente não podemos agir de outra maneira senão com base na suposição da liberdade.
John Searle, Mente, Cérebro e Ciência (Lisboa, Ed.70, 1984).
ÉTICA – (Ética e Moral têm o mesmo significado. ETHOS , termo grego que significa Costumes, Carácter . Moral tem a sua origem etimológica no termo latino Mores, que também significa Costumes.)
METAÉTICA: Qual é a natureza dos juízos morais e qual a metodologia que lhes está subjacente? O que significa “BEM”? Porque razão devemos ser morais?
ÉTICA: Quais os princípios segundo os quais devemos viver?
O que faz uma acção ser boa ou má? As acções são boas por si ou em função das coisas que pretendem atingir? É defensável ser egoísta?
.
“A falta de respeito na nossa sociedade tem uma causa simples: o respeito já não é ensinado. As crianças são encorajadas a pensar que estão em pé de igualdade com os seus pais, professores ou outras autoridades. Não são ensinadas a dirigir-se aos adultos correctamente ou a ter deferência pela sua opinião. A insolência raramente é punida e não é claramente conferido à insolência o estigma que ela merece. O parque infantil sem respeito conduz à comunidade adulta sem respeito. Isso vê-se especialmente na [televisão], onde os noticiários, os debates ou entrevistas são conduzidas sem deferência pelo conhecimento, cultura ou estatuto social das pessoas que neles intervêm. O objectivo de entrevistar uma figura pública não é o de obter instrução, mas o de a apanhar em falso; o propósito de discutir qualquer questão difícil não é o de resolvê-la, mas o de gerar uma interlocução acesa. Notas pessoais ou argumentos ad hominem são perfeitamente permissíveis e os títulos que conduzem normalmente ao respeito, como o conhecimento, competência e cargos importantes, são deliberadamente rebaixados a fim de os tornar risíveis.”
Roger Scruton,
Para alguns ser bom significará ser resignado e paciente, mas outros chamarão boa à pessoa empreendedora, original, que não se encolhe quando chega a hora de dizer o que pensa ainda que isso possa ferir alguém. Em países como a África do Sul, por exemplo, alguns considerarão bom o negro que não causa problemas e se conforma com o apartheid, ao passo que outros só chamarão bons aos apaniguados de Nelson Mandela. E sabes porque é que não é simples dizer quando é que um ser humano é "bom" e quando é que não o é? Porque não sabemos para que servem os seres humanos.
Fernando Savater, Ética para um jovem
Epistemologia – Teoria do Conhecimento (Episteme, termo grego que significa ciência, conhecimento + Logos, termo grego que significa verdade, discurso, razão)
Questões: Será que conhecemos alguma coisa? Como poderemos ter a certeza que o nosso conhecimento é verdadeiro? Será possível o conhecimento? O que é conhecer algo?
Poderá o conhecimento de que Deus existe fornecer a ponte necessária entre a experiência e a realidade -entre os nossos estados mentais subjectivos e o mundo exterior? Talvez. Mas só se soubermos que Deus existe. Muitas pessoas pensam que sabem que Deus existe. Mas podem estar enganadas -mesmo que Deus exista de facto. (...) a sua crença verdadeira pode não estar baseada em provas adequadas, mas antes em considerações irrelevantes. Para que uma crença seja conhecimento, tem não apenas de ser verdadeira mas também de satisfazer uma condição complementar. Um candidato plausível a tal condição é o facto de a crença ter de estar baseada em provas adequadas.
Daniel Kolak e Raymond Martin, Sabedoria sem respostas
(…) a indagação autêntica pressupõe que a verdade conta; que é verdade que há uma verdade naquilo que estamos a investigar, mesmo se acontece não conseguirmos encontrá-la. Talvez a próxima geração o consiga, ou duas, três ou dez mais adiante; ou apenas alguém mais apto do que nós. Porém, se a nossa indagação é uma indagação genuína e não apenas a um jogo arbitrário inconsequente é porque pensamos que há algo para encontrar. Gostamos de jogos, mas gostamos também da indagação genuína. É por isso que a verdade conta.
Ophelia Benson, Jeremy Stangroom, Why Truth Matters
“Os males do mundo devem-se tanto a deficiências morais quanto à falta de inteligência. Mas a humanidade não descobriu até agora qualquer método para erradicar as deficiências morais (…). A Inteligência, pelo contrário, é facilmente aperfeiçoada através de métodos que todos os educadores competentes conhecem. Logo, até que se descubra um método para ensinar a virtude, o progresso terá de ser alcançado através do aperfeiçoamento da Inteligência, e não da moral.”
Bertrand Russell
Metafísica: (Meta –prefixo que designa para além de e Physis significa natureza)
Que tipos de coisa existem?
Será tudo criação da nossa mente? Existirá realmente a coragem e a brancura?
Existem os Universais? Existe uma realidade diferente da realidade que percepcionamos? Existirá alguma coisa fora das nossas mentes? Terá o mundo um criador? Haverá um princípio? Uma razão para as leis do Universo? Haverá uma determinação prévia para tudo quanto existe ou há acaso? Haverá liberdade e livre- arbítrio?
Exemplo de um texto:
Isto explica também, creio eu, porque é que não podemos abandonar a nossa convicção de liberdade. Achamos fácil abandonar a convicção de que a Terra é plana logo que compreendemos a prova para a teoria heliocêntrica do sistema solar. Mas não podemos de modo semelhante abandonar a convicção de liberdade, porque esta convicção está inserida em toda a acção intencional normal e consciente. E usamos esta convicção para identificarmos e explicarmos as acções. Efectivamente não podemos agir de outra maneira senão com base na suposição da liberdade.
John Searle, Mente, Cérebro e Ciência (Lisboa, Ed.70, 1984).
ÉTICA – (Ética e Moral têm o mesmo significado. ETHOS , termo grego que significa Costumes, Carácter . Moral tem a sua origem etimológica no termo latino Mores, que também significa Costumes.)
METAÉTICA: Qual é a natureza dos juízos morais e qual a metodologia que lhes está subjacente? O que significa “BEM”? Porque razão devemos ser morais?
ÉTICA: Quais os princípios segundo os quais devemos viver?
O que faz uma acção ser boa ou má? As acções são boas por si ou em função das coisas que pretendem atingir? É defensável ser egoísta?
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“A falta de respeito na nossa sociedade tem uma causa simples: o respeito já não é ensinado. As crianças são encorajadas a pensar que estão em pé de igualdade com os seus pais, professores ou outras autoridades. Não são ensinadas a dirigir-se aos adultos correctamente ou a ter deferência pela sua opinião. A insolência raramente é punida e não é claramente conferido à insolência o estigma que ela merece. O parque infantil sem respeito conduz à comunidade adulta sem respeito. Isso vê-se especialmente na [televisão], onde os noticiários, os debates ou entrevistas são conduzidas sem deferência pelo conhecimento, cultura ou estatuto social das pessoas que neles intervêm. O objectivo de entrevistar uma figura pública não é o de obter instrução, mas o de a apanhar em falso; o propósito de discutir qualquer questão difícil não é o de resolvê-la, mas o de gerar uma interlocução acesa. Notas pessoais ou argumentos ad hominem são perfeitamente permissíveis e os títulos que conduzem normalmente ao respeito, como o conhecimento, competência e cargos importantes, são deliberadamente rebaixados a fim de os tornar risíveis.”
Roger Scruton,
Para alguns ser bom significará ser resignado e paciente, mas outros chamarão boa à pessoa empreendedora, original, que não se encolhe quando chega a hora de dizer o que pensa ainda que isso possa ferir alguém. Em países como a África do Sul, por exemplo, alguns considerarão bom o negro que não causa problemas e se conforma com o apartheid, ao passo que outros só chamarão bons aos apaniguados de Nelson Mandela. E sabes porque é que não é simples dizer quando é que um ser humano é "bom" e quando é que não o é? Porque não sabemos para que servem os seres humanos.
Fernando Savater, Ética para um jovem
Epistemologia – Teoria do Conhecimento (Episteme, termo grego que significa ciência, conhecimento + Logos, termo grego que significa verdade, discurso, razão)
Questões: Será que conhecemos alguma coisa? Como poderemos ter a certeza que o nosso conhecimento é verdadeiro? Será possível o conhecimento? O que é conhecer algo?
Poderá o conhecimento de que Deus existe fornecer a ponte necessária entre a experiência e a realidade -entre os nossos estados mentais subjectivos e o mundo exterior? Talvez. Mas só se soubermos que Deus existe. Muitas pessoas pensam que sabem que Deus existe. Mas podem estar enganadas -mesmo que Deus exista de facto. (...) a sua crença verdadeira pode não estar baseada em provas adequadas, mas antes em considerações irrelevantes. Para que uma crença seja conhecimento, tem não apenas de ser verdadeira mas também de satisfazer uma condição complementar. Um candidato plausível a tal condição é o facto de a crença ter de estar baseada em provas adequadas.
Daniel Kolak e Raymond Martin, Sabedoria sem respostas
(…) a indagação autêntica pressupõe que a verdade conta; que é verdade que há uma verdade naquilo que estamos a investigar, mesmo se acontece não conseguirmos encontrá-la. Talvez a próxima geração o consiga, ou duas, três ou dez mais adiante; ou apenas alguém mais apto do que nós. Porém, se a nossa indagação é uma indagação genuína e não apenas a um jogo arbitrário inconsequente é porque pensamos que há algo para encontrar. Gostamos de jogos, mas gostamos também da indagação genuína. É por isso que a verdade conta.
Ophelia Benson, Jeremy Stangroom, Why Truth Matters
“Os males do mundo devem-se tanto a deficiências morais quanto à falta de inteligência. Mas a humanidade não descobriu até agora qualquer método para erradicar as deficiências morais (…). A Inteligência, pelo contrário, é facilmente aperfeiçoada através de métodos que todos os educadores competentes conhecem. Logo, até que se descubra um método para ensinar a virtude, o progresso terá de ser alcançado através do aperfeiçoamento da Inteligência, e não da moral.”
Bertrand Russell
LÓGICA – A Lógica estuda a argumentação. Clarifica os termos e as expressões que utilizamos com sentidos ambíguos.
Texto de Lewis Carroll:
- Por quem passaste na estrada? – Continuou o Rei, estendendo a mão para o Mensageiro para lhe dar mais algum feno.
- Por ninguém – disse o Mensageiro.
- Exactamente – disse o Rei. – Esta rapariga também o viu. Portanto é certo que Ninguém anda mais devagar do que tu.
- Faço o meu melhor – disse o Mensageiro num tom mal-humorado. - Tenho a certeza de que ninguém anda muito mais depressa do que eu!
- Ele não o pode fazer – disse o Rei -, senão teria chegado cá primeiro.
Princípios lógicos:
IDENTIDADE: Cada coisa é o que é.
NÃO CONTRADIÇÃO: Cada coisa é o que é. Não pode ser o que é e não ser simultaneamente.
TERCEIRO EXCLUÌDO: Uma coisa ou é ou não é, não há terceira hipótese.
ESTÉTICA: TEM origem no termo grego Eisthesis, sensação.
O que é a Beleza? Qual o valor de um juízo de gosto? Os Juízos de Gosto são Subjectivos ou Objectivos? Qual o valor da Arte? Como avaliar o que é Arte e o que não é Arte? Poderá a Arte ser imoral?
“Quer suscite contemplação, quer induza o desejo, a beleza humana é vista em termos pessoais. Ela reside especialmente naqueles traços – a face, os olhos, os lábios, as mãos – que atraem o nosso olhar no curso das relações pessoais, através das quais nos relacionamos entre nós, eu a eu. Apesar das modas no que toca à beleza humana, e apesar de o corpo ser embelezado de diferentes maneiras em diferentes culturas, os olhos, a boca e as mãos têm um poder de atracção universal, pois é por estes traços que a alma do outro brilha para nós e se deixa conhecer.
Roger Scruton, Beauty
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Pensamento Consequente, isto é, logicaamente estruturado.
O pensamento filosófico é consequente
Problemas, teorias e argumentos.
As teorias tentam analisar e propõem hipóteses para a resolução dos problemas.
As teses que propõem são hipóteses para consideração e discussão e dão argumentos para fortalecer estas hipóteses.
Assim no caso já conhecido de Platão:
O problema: o que é real? Esta caneta é real?
Argumento: Não, não pode ser, porque esta caneta é agora, mas deixa de ser, a ideia de caneta permanece. Logo (TESE PRÍNCIPIO) é real o que não muda, o que não deixa de ser, logo (TESE FIM)a ideia e real e o objecto sensível não.
Para compreender as partes discursivas do texto é necessário saber que:
Compõe-se de CONCEITOS, JUÍZOS E RACIOCÍOCINIOS
CONCEITOS OU TERMOS: São ideias, referem os elementos de uma classe e significam o que há de comum a todos os elementos dessa classe. O termo é o signo linguístico que expressa o conceito.
Exemplo:Cadeira, guarda-chuva, Jogador do belenenses.
JUÍZO OU PROPOSIÇÃO: exprime um pensamento, uma opinião, uma crença. É uma frase declarativa com valor de verdade, isto é pode ser verdadeira ou falsa.
Exemplo: O regime político português é uma democracia.
RACIOCÌNIO OU ARGUMENTO: É uma forma de pensar que retira de conhecimentos dados, outros conhecimentos novos e assim faz progredir o conhecimento. Conjunto de proposições organizadas (premissas)de modo a apoiar e justificar uma determinada conclusão.
Problemas, teorias e argumentos.
As teorias tentam analisar e propõem hipóteses para a resolução dos problemas.
As teses que propõem são hipóteses para consideração e discussão e dão argumentos para fortalecer estas hipóteses.
Assim no caso já conhecido de Platão:
O problema: o que é real? Esta caneta é real?
Argumento: Não, não pode ser, porque esta caneta é agora, mas deixa de ser, a ideia de caneta permanece. Logo (TESE PRÍNCIPIO) é real o que não muda, o que não deixa de ser, logo (TESE FIM)a ideia e real e o objecto sensível não.
Para compreender as partes discursivas do texto é necessário saber que:
Compõe-se de CONCEITOS, JUÍZOS E RACIOCÍOCINIOS
CONCEITOS OU TERMOS: São ideias, referem os elementos de uma classe e significam o que há de comum a todos os elementos dessa classe. O termo é o signo linguístico que expressa o conceito.
Exemplo:Cadeira, guarda-chuva, Jogador do belenenses.
JUÍZO OU PROPOSIÇÃO: exprime um pensamento, uma opinião, uma crença. É uma frase declarativa com valor de verdade, isto é pode ser verdadeira ou falsa.
Exemplo: O regime político português é uma democracia.
RACIOCÌNIO OU ARGUMENTO: É uma forma de pensar que retira de conhecimentos dados, outros conhecimentos novos e assim faz progredir o conhecimento. Conjunto de proposições organizadas (premissas)de modo a apoiar e justificar uma determinada conclusão.
- As três partes da Alegoria da Caverna:
1º Discrição do mundo da caverna – o mundo sensível
Os prisioneiros representam a condição humana presa a ilusões e preconceitos. Agrilhoados ao corpo e às suas paixões.
2º Um dos prisioneiros consegue fugir e habitua-se progressivamente à luz e vê os objectos concretos. Começa por ver reflexos mas depois por etapas pode ver tudo, incluindo a origem da luz que é o próprio SOL (BEM). O Bem é a Verdade , Beleza e Proporção de todas as coisas.
3ª Parte: O Homem depois de se ter libertado, volta à caverna para libertar os outros, mas os outros não acreditam, presos ao hábito e incapazes de pensarem para além dele, matarão o libertador.
2. Problemas colocados pela Alegoria da Caverna:
O que é a realidade? Qual a verdadeira realidade? Como podemos compreendê-la? Em que consiste o verdadeiro conhecimento? Como ultrapassar as diversas opiniões?
Rexto complementar. Hipótese de resposta:
“ Mas porque faço estas distinções? Para ver se com um princípio único e idêntico, que está em nós, apreendemos por meio dos olhos o branco e o preto, e por meio dos outros órgãos dos sentidos, outras qualidades, e, se , interrogado puderes atribuir estas percepções ao corpo…Se pensares algo sobre ambos ( o ouvido e a vista não o pensarás certamente por meio de algum dos dois órgãos, e nem mesmo sentirás por meio de um deles o que pertence a ambos…
Ora, todas estas coisas em torno destes dois objectos, por meio de que as pensas? … Queres dizer o ser e o não-ser, a semelhança e a diferença, o idêntico e o diverso…parece-me que não há para estas coisas nenhum órgão especial como para aquelas, mas a própria alma, por si mesma, parece-me que contempla o que é comum a todas as coisas.”
Platão, Teeteto
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