"Tabelas de verdade
As suposições clássicas são, em primeiro lugar, que todas as proposições (p, q, etc.) têm apenas um de dois valores de verdade. Têm de ser ou verdadeiras ou falsas, mas não ambas as coisas. (...) A segunda suposição é a de que os termos com que a lógica lida - essencialmente «e», «não», «ou» e «se---então» - podem caracterizar-se em função daquilo que fazem aos valores de verdade. (...)
Considere «não p». Não p, que se costuma escrever como ㄱp, é a rejeição ou negação de p: é aquilo que o leitor diz quando não concorda com p. Seja sobre o que for de que se esteja a falar, p, de acordo com a nossa primeira suposição, é ou verdadeira (V) ou falsa (F). E não ambas. O que faz o «não»? Converte simplesmente os valores de verdade. Se p é verdadeira, então ᆨp é falsa. Se p é falsa, então ᆨp é verdadeira. E isto é o que faz o «não». Podemos resumir este resultado na seguinte tabela de verdade:
p ᆨp
V F
F V
A tabela dá o resultado, em termos de verdade ou falsidade, para cada atribuição de valores de verdade aos seus componentes (e a esta atribuição chama-se uma interpretação). Podemos fazer uma tabela semelhante para «e», só que nesse caso há mais combinações a considerar. Supomos que «e» é a conjunção de duas proposições, podendo cada uma delas ser verdadeira ou falsa. Assim, temos duas situações ou interpretações a considerar:
p q p ∧ q
V V V
V F F
F V F
F F F
Esta tabela dá-nos os valores de verdade de todas as combinações, da conjunção, como uma função das combinações dos valores de verdade dos seus componentes: as diferentes interpretações da fórmula.
Resumimos o facto de podermos fazer estas tabelas dizendo que a conjunção e a negação são verofuncionais (...)."
Simon Blackburn (2001), Pense. Uma Introdução à Filosofia, Lisboa: Gradiva, pp.203-204.

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