"O interesse de Aristóteles gira em primeiro lugar à volta de uma proposição com a forma «X é Y» chamada proposição predicativa, em que X é o sujeito, Y o predicado e «é» a cópula. O sujeito e o predicado constituem os termos da proposição e um termo ser singular é equivalente a ser um nome de um objecto e ser universal é equivalente a ser o nome de uma totalidade. Assim são exemplos de proposições predicativas «Sócrates é sábio» ou «Os atenienses são impiedosos». A qualidade de uma proposição predicativa é negativa se a cópula contém uma ocorrência de não e é positiva se não há ocorrência de não na cópula.
(...) As expressões da linguagem corrente «todo» e «algum» e «não» podem ser usadas para representar as diversas combinações possíveis da qualidade e da quantidade das proposições predicativas. É-se assim conduzido a quatro formas de base:
1. Todo o X é Y
2. Algum X é Y
3. Todo o X não é Y
4. Algum X não é Y.
A proposição de tipo 1 é conhecida por universal afirmativa e será de futuro abreviada pela letra latina maiúscula A; a de tipo 2 é conhecida por particular afirmativa e será abreviada por I; a de tipo 3, universal negativa e será abreviada pela por E e a de tipo 4, particular negativa e será abreviada pela letra O. Do ponto de vista proposicional o interesse principal de Aristóteles foi o estudo das relações entre os valores de verdade de pares destas proposições e de uma terminologia para essas relações. Assim os pares de proposições (A, O) e (E, I) são caracterizados pelo facto de se um elemento do par for verdadeiro, o outro será falso e estes pares têm o nome de proposições contraditórias, um conceito que corresponde ao conceito moderno de NEGAÇÃO. Em contraste o par (A, E) caracteriza-se pelo facto de ambas as proposições não poderem ser verdadeiras mas poderem ser ambas falsas."
João Branquinho e Desidério Murcho (2001), Enciclopédia de termos lógico-filosóficos, Lisboa: Gradiva, pp. 585-586.

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