quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Texto para resumo: Rebeca 10B

 


Sim, quando Kant descreve a lei moral, descreve a consciência humana. Não podemos provar o que a consciência diz, mas sabemo-lo. - Por vezes, sou muito simpático para com os outros simplesmente porque é vantajoso para mim. Desse modo, posso ser popular. - Mas quando és simpática para com os outros apenas para seres popular, não estás a agir de acordo com a lei moral. Talvez não estejas a observar a lei moral. Talvez estejas a agir numa espécie de acordo superficial com a lei moral - e isso já é alguma coisa -, mas uma ação moral tem de ser o resultado de uma superação de ti mesma. Só quando fazes algo porque achas ser teu “dever” seguir a lei moral é que podes falar de uma ação moral. Por isso, a ética de Kant é frequentemente chamada “ética do dever”.

- Eu posso achar ser meu dever juntar dinheiro para a Cruz Vermelha ou a Caritas. - Sim, e o importante é tu fazeres uma coisa porque a achas correta. Mesmo quando o dinheiro que tu juntaste se extravia ou nunca alimente as pessoas que devia alimentar, tu cumpriste a lei moral. Agiste com a atitude correta e, segundo Kant, a atitude é decisiva para podermos dizer que uma coisa é moralmente correta. Não são as consequências de uma ação que são decisivas. Por isso, também dizemos que a “ética de Kant é uma ética da boa vontade”.
 - Porque é que era tão importante para ele saber quando é que agimos por respeito à lei moral? Não é mais importante que aquilo que fazemos ajude os outros? - Sim, Kant concordaria, mas só quando sabemos que agimos por respeito à lei moral é que agimos em “liberdade”.
- Só obedecendo a uma lei é que agimos em liberdade? Isso não é estranho?
- Segundo Kant, não. Talvez ainda te lembres que ele "postulou" o livre arbítrio do homem. Esse é um ponto importante, porque Kant achava que todas as coisas seguem a lei da causalidade. Como é que podemos ter livre arbítrio assim?
-Não me perguntes.
 - Aqui, Kant divide o homem em duas partes, e nisso faz lembrar Descartes, que afirmava que o homem era um ser duplo visto que tem corpo e razão. Enquanto seres sensíveis, estamos completamente sujeitos às leis imutáveis da causalidade, segundo Kant. Não decidimos o que sentimos; as sensações surgem necessariamente e influenciam-nos, quer queiramos quer não. Mas o homem não é apenas um ser sensível. Somos também seres racionais. - Explica-me isso! - Enquanto seres sensíveis, pertencemos à ordem da natureza. Por isso estamos sujeitos à lei da causalidade. Deste ponto de vista, não temos livre arbítrio. Mas enquanto seres racionais, participamos no mundo "em si" – ou seja, no mundo independente das nossas sensações. Só quando seguimos a nossa "razão prática" - que nos possibilita fazer uma escolha moral -, temos livre arbítrio. Se obedecermos à lei moral, somos nós que fazemos a lei pela qual nos orientamos.
-Sim, isso está certo. Eu digo - ou alguma coisa em mim diz - que eu não devo ser má para os outros. - Se decides não ser má - mesmo quando ages contra o teu próprio interesse - então estás a agir livremente. - Pelo menos, não somos livres e autónomos quando seguimos apenas os nossos instintos. - Podemos fazer-nos escravos de tudo. Sim, podemos inclusivamente ser escravos do nosso próprio egoísmo. Para nos elevarmos acima dos nossos instintos e vícios é necessário autonomia - e liberdade.
- E quanto aos animais? Eles seguem só os seus instintos e necessidades. Não têm essa liberdade de seguir uma lei moral?

- Não, é justamente esta liberdade que nos torna seres humanos. - Estou a ver. “

Jostein Gaarder, “ O Mundo de Sofia” p.296/297

3º Teste - Matriz 10ºB 2ºSemestre


Este elemento de avaliação é composto por dois testes, cada um é avaliado de 0 a 20 valores. Cada teste avalia competências diferentes: 

  • O primeiro teste avalia a competência do domínio dos conceitos. A Conceptualização que vale 40% na avaliação final.  

  • O segundo teste destina-se a avaliar as competências de Problematização e Argumentação que valem 30% na avaliação final.

Estrutura: 

Primeiro Teste – Conceptualização

  • 10 questões de escolha múltipla (10x14 pontos=140 pontos)

  • 2 questões de definição de conceitos (2 x 30 pontos=60 pontos)

Total – 200 Pontos

Segundo Teste – Problematização e Argumentação

Grupo I

  • 1 questão - Análise de texto (40 pontos)

  • 1 questão - Tomada de posição e articulação argumentativa. (40 pontos)

Grupo II

  • 1 questão de seleção textual  (30 Pontos)

  • 1 questão de formulação de uma crítica a uma teoria. (30 Pontos)

Grupo III

  • 2 questões (1x 40 pontos, 1x 20 pontos = 60 pontos)
    Total -200 Pontos


Conteúdos / Competências

1. Determinismo e Liberdade na Ação Humana 

  1. Formular o problema do livre-arbítrio. 

  2. Distinguir as teorias compatibilistas (há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio) das teorias incompatibilistas (não há compatibilidade entre determinismo e livre-arbítrio). 

  3. Dominar os diferentes argumentos de cada uma das teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical, determinismo moderado e libertismo 

  4. Expor as diferentes críticas a cada uma das teorias sobre o livre-arbítrio: Determinismo radical, determinismo moderado e libertismo 

  5. Fundamentar uma posição pessoal sobre o problema do livre-arbítrio. 


2. O problema da natureza dos valores morais:

a. Distinguir juízo de facto/juízo de valor.

b.Exemplificar de juízos de facto e juízos de valor.

c. Formular o problema da natureza dos juízos morais.

d. Dominar os diferentes argumentos de cada uma das teorias sobre os juízos morais; Subjetivismo, relativismo e objetivismo.

e.Expor as diferentes críticas a cada uma das teorias sobre os juízos morais; Subjetivismo, relativismo e objetivismo.


3. O problema do fundamento da ação moral:

  1. Distinguir a perspetiva deontológica da perspetiva utilitarista.

  2. Explicar o que é uma ação correta na perspetiva deontológica de Kant.

  3. Caracterizar ações por puro dever, ações conforme o dever e ações contra o dever.

  4. Esclarecer o conceito de boa vontade.

  5. Distinguir o imperativo categórico do imperativo hipotético.


ARGUMENTAÇÃO

Resposta estruturada e desenvolvimento do conteúdo. Exige conhecimento do tema e justificação das respostas dadas. Exposição de razões. 

Interpretação/Análise dos argumentos e das teses de um texto.


PROBLEMATIZAÇÃO 

Saber formular questões/problemas. Colocar objeções a uma teoria. Avaliar criticamente uma teoria.


Competências gerais:

1. Dominar com rigor os conhecimentos exigidos para responder às questões.

2. Utilizar os conceitos filosóficos.

3. Expor de forma clara e objetiva o pensamento.

4. Saber analisar logicamente um texto.

5. Selecionar no texto o que é necessário para responder.

6. Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.

7. Avaliar as várias teorias contrapondo argumentos.

8. Justificar com razões fortes as suas posições.

9. Escrever com correção.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Texto para resumo Mariana 10B

 


Kant acreditava que o que faz de nós seres humanos, ao contrário dos outros animais, é o fato de pensarmos reflexivamente sobre nossas escolhas. Seríamos como máquinas se não pudéssemos agir com uma intenção. Quase sempre faz sentido perguntar para um ser humano “Por que você fez isso?”. Nós não agimos somente por instinto, mas também baseados na razão. A forma de Kant dizer isso é em termos de “máximas” a partir das quais agimos. A máxima é apenas o princípio subjacente, a resposta à pergunta “Por que você fez isso?”

Kant acreditava que a máxima subjacente à nossa ação era o que realmente importava. Ele dizia que deveríamos agir somente sob as máximas universalizáveis. Para que algo seja universal, é preciso ser aplicado a todas as outras pessoas. Isso quer dizer que deveríamos fazer somente aquilo que fizesse sentido para todos os outros na mesma situação. Sempre pergunte a si mesmo: “E se todos fizessem isso?”. Não faça uma defesa própria. Kant acreditava que, na prática, isso significava que não deveríamos usar os outros, mas sim tratá-los com respeito, reconhecendo a autonomia das pessoas e sua capacidade como indivíduos de tomar, por conta própria, decisões pensadas. Essa reverência pela dignidade e pelo valor dos seres humanos individuais é o cerne da teoria moderna dos direitos humanos. É a grande contribuição de Kant para a filosofia moral.

É mais fácil entendermos a questão com um exemplo. Imagine que você tenha um comércio que venda frutas. Quando as pessoas compram suas frutas, você sempre as trata educadamente e devolve o troco correto. Talvez você faça isso por julgar que é bom para os negócios e que as pessoas voltarão para gastar mais dinheiro no seu comércio. Se essa é a única razão que o leva a devolver o troco correto, você está tratando as pessoas como um meio para obter o que quer. Kant acreditava que como não podemos sugerir que todas as pessoas tratem os outros dessa maneira, pois essa não era uma forma moral de comportamento. Entretanto, se você devolve o troco correto porque reconhece que é seu dever não enganar os outros, trata-se de uma ação moral, pois é baseada na máxima “Não engane os outros”, uma máxima que ele acreditava aplicar-se a todos os casos. Enganar as pessoas é uma forma de usá-las para obtermos o que queremos. Não pode ser um princípio moral. Se todo mundo enganasse a todos, não existiria confiança: ninguém acreditaria no que cada um diz.

Nigel Warburton, Breve história da Filosofia

(VER REGRAS DO RESUMO NA BARRA DE FERRAMENTAS DO LADO DIREITO)