sábado, 16 de novembro de 2019

Texto para resumo Tomás 10A


A Lógica Informal é uma tentativa de desenvolver uma lógica que possa ser usada para avaliar, analisar e aprimorar os raciocínios informais que ocorrem em relacionamentos interpessoais, propagandas, debates políticos, argumentos legais e nos comentários sociais encontrados em jornais, televisão, Internet e outras formas de comunicação de massa.
Em muitos casos o desenvolvimento da lógica informal motiva-se pelo desejo de desenvolver um modo de análise e avaliação do raciocínio comum que seja capaz de se tornar parte do ensino geral, e de compor e aprimorar o raciocínio público, a discussão e o debate. Neste sentido, os interesses da lógica informal têm grande proximidade com os interesses do Movimento Pelo Pensamento Crítico, cujo objetivo consiste em desenvolver um modelo de ensino que dê maior ênfase à investigação de caráter crítico.
Ainda que a Lógica Informal seja às vezes retratada como uma alternativa teórica para a lógica formal, a relação entre as duas é mais complexa que o sugerido. Enquanto a tentativa de ensinar o raciocínio correto e o pensamento crítico está ancorada, inevitavelmente, na linguagem natural, a pesquisa em lógica informal pode empregar métodos formais. Poderia argumentar-se que a análise informal dos argumentos nos quais esta lógica se especializa pode em princípio ser formalizada. Os trabalhos recentes em modelos computacionais, que tentam utilizar os padrões de raciocínio em linguagem natural da lógica informal, sugerem que a lógica derrotável (não-monotônica), a teoria da probabilidade e outros modelos formais não-clássicos se ajustam bastante bem a esta tarefa.
 Retórica
De certo modo, as tentativas dos lógicos informais de identificar critérios gerais de bom raciocínio e de encontrar um esquema argumentativo positivo que revele formas particulares de bom raciocínio implicam em uma abordagem do argumento comparável à implícita na forma lógica clássica. Esta última enfatiza os critérios gerais da boa argumentação (validade, adequação) e os esquemas de argumentos dedutivos que estão geralmente encerrados em regras formais de inferência como modus ponens, dupla negação, modus tollens, etc.
Esta comparação evidencia as diferenças entre as abordagens da lógica informal que são falaciosas e as que não são, mas há diferenças relevantes entre as últimas e as abordagens da lógica formal clássica. De modo mais significativo, a lógica informal caracteriza-se, como disciplina, por uma compreensão abrangente do argumento que vai além do interesse lógico tradicional. Ela tem sido levada nesta direção pela dinâmica do argumento comum, que forçou os lógicos informais a se concentrar nos aspectos da argumentação que não foram incluídos no domínio da lógica pela tradição.
A lógica clássica sugere que o bom argumento é sólido, ou seja, válido e com premissas verdadeiras. Embora esta concepção de bom argumento seja útil para modelar muitos tipos de argumentos, o apelo a premissas verdadeiras ajusta-se mal a muitos contextos informais, freqüentemente caracterizados por crenças hipotéticas e incertas, por discordâncias profundas sobre o que é verdadeiro e o que é falso, por afirmações éticas e estéticas que não são facilmente categorizadas como verdadeiras ou falsas e por contextos variados nos quais hipóteses completamente diferentes podem ser aceitas ou rejeitadas.
Nestes contextos, um argumentador que deseja persuadir uma audiência de um ponto de vista particular (geralmente a razão para argumentar, em primeiro lugar), deve prestar atenção às atitudes da audiência a que o argumento é dirigido. Mesmo que sejam verdadeiras, as premissas que não são aceitas por uma audiência não a convencerão da conclusão de um argumento. Assim, Tindale [1999] desenvolveu uma abordagem que considera e avalia argumentos do ponto de vista da audiência a que são dirigidos. Ele preserva a tradição que caracteriza a retórica Aristotélica e que sustenta que um bom argumentador apela para o pathos da audiência.
Mesmo se alguém estiver convencido de que devemos crer na Bíblia, e que ela condena a pena capital, a abordagem retórica recomenda que o argumentador competente não use afirmações deste tipo como premissas que tenham como objetivo convencer uma audiência de livres-pensadores de que devem se opor à pena capital. 

 Leo Groarke, Lógica elementar

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Resumo Vasco Fernandes 10B

Edward Monet
Os argumentos indutivos são muito utilizados na ciência: partimos de certas observações de fenómenos que se repetem em certas condições e concluímos que todos os fenómenos do mesmo tipo ocorrem do mesmo modo.

Num laboratório tenho um recipiente em que vou introduzindo hidrogénio aumentando progressivamente pressão. Observo que à medida que a pressão aumenta, aumenta a temperatura do gás.

Faço o mesmo teste, utilizando azoto, e obtenho o mesmo resultado

Numa caldeira em que tenho uma mistura de gases observo que à medida que pressão aumenta, a temperatura no interior da caldeira vai subindo.

Todas estas observações me dão uma indicação (conclusão): qualquer gás submetido a um aumento de pressão, aumenta de temperatura.

Os argumentos indutivos podem ser de 2 tipos:

1. Generalizações indutivas

2. Previsões indutivas

Generalizações indutivas: são argumentos em que partimos de certas premissas que afirmam certos casos ou observações e concluímos que todos os casos do mesmo tipo são idênticos.

Um exemplo:

Um especialista em aves, faz uma observação de aves no estuário do Tejo e observa que todas as aves que se deslocam dentro de água à procura de alimento têm os dedos dos pés unidos por uma membrana. Faz depois uma observação de aves na Ria Formosa, no Algarve, e constata que, também aqui, as aves que vivem num ambiente aquático têm as mesmas características.

Generaliza estas observações e conclui que todas as aves que vivem em ambientes aquáticos têm esta característica.

Previsões indutivas: são argumentos que partindo de premissas que afirmam que certos fenómenos ocorrem de certo modo ou têm certas características, concluem que eventuais fenómenos do mesmo tipo que venham a ocorrer no futuro têm as mesmas características dos fenómenos observados.

Se voltássemos ao exemplo anterior, o nosso especialista de aves quando for fazer uma observação de aves na foz do rio Minho, ele já sabe (prevê) que as aves que vier a observar dentro de água terão os dedos unidos por uma membrana.

Existem 2 condições que devem necessariamente ser respeitadas para que um argumento por indução seja válido:

1. O número de casos em que se apoia a conclusão deve ser representativo.

2. Não pode haver contra-exemplos (um caso em que não se confirma a conclusão).

José Joaquim Fernandes

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Filme sobre a arte de argumentar e a necessidade da ética


12 Homens em Fúria, Sidney Lumet, 1959, EUA

Será curioso verificar que a duração real deste filme - 1h e 30m (aprox) é a mesma duração da ficção, como se o tempo das personagens fosse o nosso tempo e nós também jurados. Há uma  evidente aproximação entre as personagens e nós, espectadores. Este efeito produz uma tensão realista e uma interrogação pessoal; e se fosse eu? Como reagiria eu nesta situação? Em cada uma das personagens há uma característica humana diversa mas familiar, a sala é deste modo um pequeno palco da humanidade. Poderemos observar a dificuldade do discurso racional em impor-se às emoções, hábitos e preconceitos. A argumentação racional é, no entanto, a única que pode aproximar-nos da verdade, num caminho de análise e decisão pelo melhor juízo. Mas esse caminho de difícil e moroso acaba muitas vezes atropelado.
Depois de ver o filme, tente analisar os seguintes aspectos:


1. O que está em causa no filme?
2. Que poder demonstra ter a personagem principal?
3. Saliente alguns dos argumentos decisivos para mudar a opinião dos jurados.
4. O que pretende demonstrar a argumentação da personagem principal?
5. Faça um retrato de duas das personagens. O que as leva a decidir imediatamente pela culpabilidade do réu?
6. Elabore um juízo pessoal e fundamentado sobre o filme.
7. Dê outro título ao filme. 
8. Leia o texto abaixo e relacione-o com o filme.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Arte de argumentar - A retórica.

Retórica como arte da persuasão

Ainda se pode objetar que a retórica só é útil para aqueles que querem enganar o público e ocultar os seus objetivos reais, já que alguém que apenas quer comunicar a verdade pode ser direto e não precisará de ferramentas retóricas. Isso, no entanto, não é o ponto de vista de Aristóteles: mesmo aqueles que apenas tentam estabelecer o que é justo e verdadeiro precisam da ajuda da retórica quando enfrentam uma audiência pública. Aristóteles diz-nos que é impossível ensinar essa audiência, mesmo que o falante tenha o conhecimento exato do assunto. Obviamente, Aristóteles considera que a audiência de um discurso público consiste em pessoas comuns que não conseguem seguir uma prova exata baseada nos princípios de uma ciência. Além disso, essa audiência pode ser facilmente distraída por fatores que não pertencem ao assunto; às vezes são recetivos a lisonjas ou apenas tentam estar em vantagem. Esta situação torna-se ainda pior se a constituição, as leis e os hábitos retóricos de uma cidade forem maus. Finalmente, a maioria dos tópicos que geralmente são discutidos em discursos públicos não permitem conhecimento exato, mas deixam espaço para dúvidas; especialmente em tais casos, é importante que o orador pareça ser uma pessoa credível e que o público esteja num clima de simpatia. Por todas essas razões, afetar as decisões de jurados e assembleias é uma questão de persuasão e não de conhecimento. É verdade que algumas pessoas conseguem ser persuasivas, seja ao acaso ou por hábito, mas é a retórica que nos dá um método para descobrir todos os meios de persuasão em qualquer assunto.

 Aristotle's Rhetoric Article First published Thu May 2, 2002; substantive revision Mon Feb 1, 2010
Stanford Encyclopedia of Philosophy

A retórica é útil porque as coisas que são verdadeiras e as coisas que são justas têm uma tendência natural para prevalecer sobre os seus opostos. Assim, se as decisões dos juízes não forem aquelas que deveriam ser, a derrota tem de ser atribuída aos próprios oradores e por isso eles têm de ser censurados.
Além disso, nem mesmo a posse do conhecimento mais exato torna fácil convencer certos auditórios daquilo que dizemos, pois a argumentação baseada no conhecimento implica a instrução e existem pessoas que não conseguiremos instruir. Nestes casos, temos de usar, então, noções que todos possuem enquanto modo de persuasão e argumentação. (...)
Além do mais, temos de ser capazes de utilizar a persuasão (tal como o raciocínio rigoroso pode ser utilizado) em lados opostos de uma questão - não para que na prática possamos utilizá-la de ambas as maneiras, pois não devemos levar as pessoas a acreditar naquilo que é errado, mas podermos ver claramente os factos e para que, se outro homem argumentar desonestamente, possamos refutá-lo. Em nenhuma das outras artes se retiram conclusões opostas: isto só acontece na dialética e na retórica. Estas duas artes retiram conclusões opostas imparcialmente. Ainda assim, os factos subjacentes não se prestam igualmente bem às perspetivas contrárias. Não, na prática, as coisas que são verdadeiras e as coisas que são melhores são, pela sua natureza, mais fáceis de acreditar e de provar.
Por fim, é absurdo sustentar que um homem deve ter vergonha de ser incapaz de se defender com os seus membros, mas não ser incapaz de se defender com o discurso e a razão.

Aristóteles, Retórica

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Os instrumentos lógicos do pensamento e do discurso (Ler o texto e responder às perguntas colocadas no final)

A. Ponto teórico prévio:



Compreender os instrumentos do pensamento e do discurso permite-nos compreender a sua estrutura.


São esses instrumentos que permitem o conhecimento.


É a análise desses instrumentos, isto é, da estrutura do pensamento, na validade dos argumentos que utiliza que é o trabalho da Lógica. A verdade não é objecto de estudo da Lógica mas sim das outras ciências.


Esse trabalho pretende determinar e explicar a validade dos nossos raciocínios, que se traduzem em argumentos quando são expressos numa linguagem.


A lógica estuda, portanto, a estrutura do pensamento, a forma e as condições da validade dos raciocínios ou argumentos.


B. Os instrumentos que estruturam o pensamento:



1. Os Conceitos ou Termos


O primeiro elemento que compõe a estrutura do pensamento é o conceito.


O conceito é uma abstracção, ou ideia. É produto do pensamento e pretende pensar e referir classes de objectos com as mesmas características.


Cada conceito tem assim, uma compreensão e uma extensão.


A compreensão do conceito implica o seu significado, a ideia que lhe subjaz.


Por exemplo “estrela”: “astro com luz própria” esta é a ideia ou significado do conceito.


A sua extensão corresponde a todos os elementos que têm estas características.


A extensão de um conceito é inversamente proporcional à sua compreensão.


Porque para compreender estrela tenho de compreender o que é um astro e tenho de compreender o que significa ter luz própria, mas para compreender astro eu não preciso de compreender estrela, logo o conceito de astro tem mais extensão mas menos compreensão.


Aos conceitos, quando expressos numa linguagem , chamamos Termos Gerais. Distinguem-se dos termos singulares que expressam nomes, classes com apenas um elemento.Na lógica formal ou dedutiva podemos formalizar os conceitos substituindo-os por letras porque o seu conteúdo é irrelevante.(chamam-se variáveis).
TERMOS DIFERENTES - O MESMO CONCEITO
Dog, Perro, Cão


2. Os Juízos ou Proposições


A relação entre conceitos/termos permite manifestar  o  nosso conhecimento do mundo. Exemplo:


“O Sol é uma estrela. “ ou “ O Sol não é um planeta” Ao relacionar conceitos fazemos juízos, isto é declarações sobre os conceitos. Nestas declarações pode-se afirmar ou negar um conceito de outro.


Os juízos, quando são traduzidos numa qualquer linguagem, chamam-se proposições.
AS PROPOSIÇÕES SÂO FRASES DECLARATIVAS COM VALOR DE VERDADE, isto é, podem ser verdadeiras ou falsas. Serão verdadeiras quando o conteúdo do que é pensado e dito corresponde à realidade e falsas se isso não ocorrer.


Há frases que não são juízos/proposições porque não são verdadeiras nem falsas. Por exemplo:


“Aconselho-te a pagar impostos” ou “ Importas-te de fechar a porta!”
A proposição é o conteudo da frase (O juízo que a frase enuncia)
FRASES DIFERENTES PODEM CORRESPONDER À MESMA PROPOSIÇÂO.
Exemplo: Le garçon est simpatique
O rapaz é simpático


Na linguagem da lógica formal porque podemos substituir a linguagem natural por uma linguagem simbólica, uma vez que em lógica formal o conteúdo do que se diz é irrelevante e apenas interessa a forma lógica ou estrutura do raciocínio.


São muitos os juízos/proposições que fazemos sobre a realidade. Vamos estudar apenas três tipos de proposições, as mais elementares:


Categóricas: Forma lógica: A é B Exemplo: “Estrela é um astro com luz própria.” Estudadas por Aristóteles.


Condicionais ou hipotéticas: Forma lógica: Se A então B Exemplo: “Se as estrelas são astros então são corpos do universo”


Disjuntivas: Ou A ou B “ Ou as estrelas são acessíveis ao homem ou só podemos fazer conjecturas sobre elas.”

Conjuntivas " O autor da Metafísica é grego e é filósofo"


3. Os Raciocínios ou Argumentos.


Com os juízos/proposições podemos construir raciocínios. Os raciocínios quando expressos numa linguagem chamam-se argumentos. Os raciocínios/argumentos são inferências em que de uma ou mais proposições retiramos uma outra que é a conclusão. Os elementos que constituem o argumento são as premissas (as proposições que sustentam racionalmente a conclusão) e a conclusão ( proposição sustentada e justificada pelas premissas). Os argumentos são o objecto de estudo da lógica. A propriedade de um argumento é a validade. Serão válidos os argumentos em que as premissas sustentam a conclusão e inválidos se isso não acontecer, isto é, se as premissas não sustentarem a conclusão. Sendo essa definição apropriada para a lógica formal e informal, isto é para todo o tipo de argumentos. Quando inválidos cometem falácias, erros de raciocínio.


4. Argumentos dedutivos e indutivos


A. Os argumentos dedutivos são estudados na lógica formal porque podem ser reduzidos a uma forma lógica.


Os argumentos dedutivos utilizam nas premissas e conclusão proposições do tipo que vimos acima. Sendo chamados de Silogismos (se utilizam proposições categóricas) Hipotéticos (se utilizam proposições hipotéticas) e Disjuntivos (Se utilizam proposições disjuntivas).


A validade na lógica formal é independente do conteúdo daquilo que se diz e depende apenas da forma lógica. Há formas lógicas válidas e formas inválidas ou falaciosas. Como este tipo de argumentos preserva na conclusão a verdade das premissas, podemos enunciar a validade dedutiva do seguinte modo: se admitirmos a verdade das premissas a conclusão tem de ser verdadeira (não pode ser falsa). Pois num argumento dedutivo a verdade das premissas sustenta a verdade da conclusão. Mas se as premissas forem falsas o argumento pode ser válido (porque tem uma forma válida) mas aí já não está assegurada a verdade da conclusão, que tanto pode ser verdadeira como falsa. Estes argumentos embora válidos não são sólidos. Um argumento dedutivo válido não pode, portanto, ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.


B. Para além dos raciocínios/argumentos dedutivos há outros tipos de raciocínios/argumentos não dedutivos ou indutivos que são estudados pela lógica informal. Estes não podem ser reduzidos a uma forma lógica, a sua validade depende do conteúdo das premissas e da conclusão. Nos argumentos não dedutivos válidos se as premissas forem verdadeiras a conclusão é provavelmente verdadeira mas pode ser falsa. Ao contrário dos argumentos dedutivos, a conclusão não é necessariamente verdadeira se as premissas forem verdadeiras, mas apenas, provavelmente verdadeira.


Nestes argumentos a conclusão acrescenta conhecimento às premissas, enquanto na dedução isso não acontece. Por outro lado estes argumentos são menos rigorosos uma vez que a conclusão pode não manter a verdade das premissas.


Serão válidos se as premissas sustentarem racionalmente a conclusão, se isso não acontecer, é porque o argumento comete uma falácia, assim sendo as premissas não sustentam a conclusão e o argumento não é válido.

Responda, numa folha, às seguintes questões:


1. O que estuda a Lógica?


2. Quais os instrumentos da lógica?


3. O que é um Conceito/Termo?


4. Qual o conceito com maior extensão “Frase” ou “Juízo”?


5. O que é um juízo/proposição?


6. O que é um argumento?


7. Distinga verdade e validade lógicas.


8. O que determina a validade de um argumento dedutivo?


9. Distinga argumentos dedutivos de argumentos indutivos (não dedutivos).

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Texto para resumo Tiago Oliveira 10B e Matilde 10A

Por

O quadrado de oposições representa as relações existentes entre os quatro tipos de proposições categóricas. No canto superior esquerdo temos a proposição universal afirmativa (A), no canto superior direito a universal negativa (E), no canto inferior esquerdo a particular afirmativa (I) e no canto inferior direito a universal negativa (O).
Conhecer o quadrado de oposições e as relações existentes entre cada uma das proposições que o compõem serve para podermos fazer inferências e raciocinar adequadamente sobre classes de objetos.

A imagem acima representa as quatro relações (contraditórias, contrárias, subalternas e subcontrárias) existentes entre os quatro tipos de proposições categóricas. Dizemos que A e E são contrárias, I e O são subcontrárias, A e I são subalternas, assim como E e O e A e O, por um lado, e E e I, por outro, são proposições contraditórias.
Agora vamos analisar cada uma dessas relações e o que podemos aprender com elas.

Proposições contraditórias

Considere as duas afirmações abaixo:
Todos os advogados são bem pagos (A).
Alguns advogados não são bem pagos (O).
Se uma é verdadeira a outra é falsa. Se é verdade todos os advogados são bem pagos, então é falso que alguns não são bem pagos. Se é verdade que alguns advogados não são bem pagos, então é falso que todos os advogados são bem pagos. Pelo fato de essas afirmações não poderem ser verdadeiras ao mesmo tempo, são chamadas de contraditórias.
Proposições universais afirmativas e particulares negativas são contraditórias, assim como universais negativas e particulares afirmativas.
Vamos ver mais um exemplo desse caso:
Nenhum morcego representa risco à saúde (E).
Algum morcego representa um risco à saúde (I).
Por serem duas proposições contraditórias, sabemos que, se uma é verdadeira, a outra é falsa. Se é verdade que nenhum morcego representa um risco à saúde, então é falso que algum morcego representa um risco à saúde. Ao contrário, se a segunda proposição for verdadeira, a primeira é falsa.

Proposições contrárias

Analise o exemplo abaixo:
Todos os políticos são corruptos (A).
Nenhum político é corrupto (E).
A primeira proposição é universal afirmativa (A) e a segunda é universal negativa (E). Essas proposições são contrárias, porque pelo menos uma tem que ser falsa. Se a primeira é verdadeira, então a segunda é falsa. Se a segunda é verdadeira, a primeira tem que ser falsa. No entanto, como ocorre nesse exemplo, proposições contrárias podem ser ambas falsas ao mesmo tempo, já que tanto a primeira quanto a segunda afirmação são falsas.

Proposições subalternas

A relação de subalternidade existe entre uma proposição universal afirmativa (A) e particular afirmativa (I), por um lado, e universal negativa (E) e particular negativa (O) por outro.
Todos os gatos são peludos (A).
Alguns gatos são peludos (I).
Nesse caso, se a proposição A é verdadeira, a proposição I também tem que ser verdadeira. Porém, se A é falso, I pode ser verdadeiro ou falsa. Se é verdade todos os gatos são peludos, então também é verdade que alguns gatos são peludos. Porém, se é falsa que todos os gatos são peludos, pode ser que existam alguns que sejam. Então, nesse caso, o valor I fica indeterminado.
Se, por outro lado, I é falso, A também deve ser falso. Se é falso que alguns gatos são peludos, então é necessariamente falso que todos os gatos são peludos. Se, ao contrário, é verdade que alguns gatos são peludos, não é possível saber se é verdade que todos os gatos são peludos. O valor de verdade de A é indeterminado.
Considere agora um exemplo com proposições negativas:
Nenhum pescador fala a verdade (E).
Algum pescador não fala a verdade (O).
As relações lógicas existentes entre essas duas proposições são as mesmas identificadas entre as proposições afirmativas A e I acima. Se E é verdadeira, então O é verdadeira. Se E é falsa, então o valor de verdade de O é indeterminado. Se O é falsa, por outro lado, E também é falsa. Se O é verdadeira, o valor de verdade de E é indeterminado.
Relações entre proposições subcontrárias
Se A é verdadeira I é verdadeira
Se E é verdadeira O é verdadeira
Se A é falsa I é indeterminada
Se E é falsa O é indeterminada
Se I é verdadeira A é indeterminada
Se O é verdadeira E é indeterminada
Se I é falsa A é falsa
Se O é falsa E é falsa

Proposições subcontrárias

Por fim temos as relações lógicas entre proposições subcontrárias particular afirmativa (I) e particular negativa (O).
Considere um exemplo:
Algum animal é um gato (I).
Algum animal não é um gato (O).
Proposições subcontrárias podem ser ambas verdadeiras ao mesmo tempo, mas não podem ser ambas falsas. Assim, se I é verdadeira, O pode ser verdadeira ou falsa. Mas se I for falsa, então O é verdadeira.

Fazendo inferências com o quadrado de oposições

A tabela abaixo é uma síntese das inferências imediatas que é possível fazer a partir das relações lógicas existentes entre os tipos de proposições.
Proposição Inferência imediata
Se A é verdadeira E é falso, I é verdadeiro e O é falso
Se E é verdadeira A é falso, I é falso, e O é verdadeiro
Se I é verdadeira E é falso e A e O são indeterminados
Se O é verdadeira A é falso e I e E são indeterminados
Se A é falsa O é verdadeira, E e I são indeterminados
Se E é falsa I é verdadeira, A e O são indeterminados
Se I é falsa A é falsa, E é verdadeira e O é verdadeira
Se O é falsa A é verdadeira, E é falsa e I é verdadeira.
Existem ainda outros três tipos de inferências imediatas que podem ser feitas com as proposições categóricas, essas são chamadas de conversão, obversão e contraposição e são o tema do próximo artigo.

Exercícios de revisões 10A Análise lógica do texto filosófico


Ficha 1  Análise Lógica do texto filosófico (Tema, Problema, Tese, Argumentos e conceitos)

A filosofia não é algo que nos seja completamente estranho. Está omnipresente nas nossas vidas, de maneiras triviais e importantes. Porém, o que é a filosofia?  Problema 1 O que procuram os filósofos alcançar?
Tradicionalmente, os filósofos quiseram compreender a natureza de tudo, de um modo muito geral: tese 1a existência e a inexistência, a possibilidade e a necessidade, o mundo do senso comum, o mundo da ciência natural, o mundo da matemática, as partes e os todos, espaço e tempo, causa e efeito, mente e matéria. Querem compreender a nossa compreensão ela mesma; o conhecimento e a ignorância, a crença e a dúvida, a aparência e a realidade, a verdade e a falsidade, o pensamento e a linguagem, a razão e a emoção. Querem compreender e ajuizar o que fazemos com essa compreensão: ação e intenção, meios e fins, bem e mal, correto e incorreto, facto e valor, prazer e dor, beleza e fealdade, vida e morte, e mais. A filosofia é superambiciosa.Argumento
Esta breve descrição coloca uma pergunta óbvia: uma vez que os cientistas estudam muitos destes tópicos, como se relaciona a filosofia com a ciência?problema 2 Estas nem sempre estiveram separadas. Desde os antigos gregos, a filosofia incluía a filosofia natural, o estudo do mundo natural (…) a filosofia natural, ou ciência natural, desenvolveu uma metodologia particular, conferindo um papel crucial à experimentação, à observação exata através de instrumentos especiais como os telescópios e microscópios, à medição e ao cálculo. (enquanto a metodologia filosófica não recorre a estes métodos, o seu método é argumentar e problematizar (TESE 2 Cada vez mais esta filha da filosofia se foi assemelhando a uma rival e a uma ameaça mortal à sua progenitora. (…)  Se é um duelo, a filosofia parece em desvantagem, pois dispõe apenas do pensamento, ao passo que a ciência natural tem também aqueles outros métodos.Argumento 2

 Conceitos principais Filosofia e Ciência e método
Tema: A relação Filosofia e Ciência
Timothy Williamson, Filosofar. Da curiosidade comum ao raciocínio lógico. Lisboa, Gradiva,2019,  p.13,14 e 15,


 Faça a análise lógica deste texto
Ficha 2  Análise Lógica do texto filosófico (Tema, Problema, Tese, Argumentos e conceitos)

A filosofia opõe-se ao senso comum porque recusa a superficialidade, as visões simplistas e instantâneas, as opiniões infundadas e não argumentadas, as verdades tradicionais cristalizadas. A filosofia rejeita do senso comum a fixidez, a precipitação, a pressa de se agarrar a uma qualquer verdade fácil e cómoda, a intolerância própria de quem transforma as opiniões em crenças inquestionáveis. A filosofia faz a crítica sistemática do senso comum realçando o facto de que muitas das questões tratadas com leveza pelo pensamento vulgar podem ser aprofundadas e refletidas de modo rigoroso e radical pelos filósofos.
A filosofia porém não é ciência porque não delimita o seu campo de análise, não utiliza experimentações e não é objetiva. A filosofia não é definitivamente ciência embora, tal como ela, procure construir um saber sólido e racional, um saber que ultrapasse o nível do estritamente vivenciado para, assente no rigor e na reflexão crítica, permitir uma compreensão esclarecida do mundo e de nós mesmos. Ninguém espera que a filosofia forneça respostas exatas e únicas para os problemas fundamentais do Homem. A própria diversidade das respostas, sendo fator de diálogo e discussão, é enriquecedora e estimula a procura pessoal, a construção da nossa mundividência.
A filosofia tem, entre outras tarefas, a de examinar os nossos preconceitos e não podemos esquecer que há também preconceitos científicos, antigas verdades que perderam o seu valor científico ou foram substituídas por outras mas a que nos apegamos obstinadamente. Para o homem do senso comum a ciência, que lhe permanece estranha, transformou-se numa nova religião e na fábrica de novos dogmas.
Por outro lado, as próprias explicações científicas deixam por responder muitas questões que não podem ser ignoradas e acrescentam também novos problemas. A aliança entre a ciência e a técnica, sem dúvida proveitosa em muitas aspetos, empobreceu a racionalidade convertendo-a numa racionalidade técnica, instrumental, que parece só entender a realidade quando a pode manipular e submeter.                                                 Jorge Torres


TEMA: A distinção entre a Filosofia e outras formas de saber como o senso comum e a filosofia.
PROBLEMA: O que distingue a Filosofia de outras formas de saber?
TESE: A Filosofia não é senso coum pois faz uma crítica das opiniões instantâneas que o senso comum aceita como verdades inquestionáveis. A Filosofia não é uma ciência pois não delimita o seu campo de análise nem utiliza o método experimental.
ARGUMENTO: O senso comum não é um saber crítico pois sendo superficial acomoda-se em certas opiniões sem as questionar como se existisssem verdades justificadas somente pela tradição e pelo uso continuado. Por outro lado, a Filosofia não é uma ciência pois tem uma metodologia dialogante e não experimental que problematiza os preconceitos científicos e reflecte sobre as novas descobertas científicas.
Cnceitos: Filosofia, Senso Comum, Ciência, Preconceitos

Texto para resumo Manuel 10A Rodrigo 10B

O que é a validade?

  Dizemos frequentemente que uma ideia, uma pessoa ou uma iniciativa são válidas. Com isso queremos dizer que tal pessoa, tal ideia ou tal iniciativa são boas ou úteis, ou que têm um certo valor. Isso é o que acontece na linguagem comum. Em lógica e filosofia, porém, o termo «validade» tem um significado diferente e muito preciso, que já veremos qual é. Antes disso, há uma ideia que tem de ficar bem clara. Essa ideia é a da distinção entre verdade e validade; distinção fundamental em lógica e filosofia.
  De uma proposição dizemos que é verdadeira ou falsa. Mas de um argumento, que é formado por várias proposições, já não podemos dizer que é verdadeiro ou falso. Isso seria um erro enorme. Algumas pessoas pensam que se um argumento é um conjunto de proposições e como as proposições são verdadeiras ou falsas, assim também os argumentos podem ser verdadeiros ou falsos. Isso seria o mesmo que dizer que um conjunto de pessoas é alto porque é formado por pessoas altas. As pessoas podem ser altas ou baixas, mas os conjuntos (sejam eles de pessoas ou de outra coisa qualquer) não são altos nem baixos. Se, como se verá, o mesmo argumento pode conter proposições verdadeiras e falsas, por que razão afirmaríamos que esse argumento é verdadeiro em vez de falso, ou vice-versa? Aquilo que, primeiramente, nos interessa num argumento é saber se a conclusão se segue das premissas. No caso de isso acontecer estamos perante um argumento válido. Caso contrário, estamos perante um argumento inválido. O seguinte argumento é claramente válido:
Todos os espanhóis são toureiros.
Bill Clinton é espanhol.
Logo, Bill Clinton é toureiro.
  Ao analisar este argumento, a diferença entre verdade e validade torna-se clara. É fácil verificar que tanto as premissas como a conclusão são falsas. Contudo, a conclusão segue-se das premissas. Por isso o argumento é válido. Falamos de verdade e falsidade quando referimos as premissas e a conclusão e falamos de validade ou invalidade quando referimos o próprio argumento. Veja-se agora o seguinte argumento claramente inválido:
Todos os portugueses são europeus.
Luís Figo é europeu.
Logo, Luís Figo é português.
  É muito fácil verificar que se trata de um argumento inválido, bastando substituir o nome de Luís Figo por outro nome como, digamos, Tony Blair, mas mantendo tudo o resto. E, apesar de ser um argumento inválido, todas as proposições que o constituem são verdadeiras. Só que a conclusão não é sustentada pelas premissas.
  Mais uma vez se diz que um argumento é válido ou inválido consoante a sua conclusão se segue ou não das premissas, sejam elas verdadeiras ou falsas. Mas esta é ainda uma forma imprecisa de dizer o que é a validade. Existe, contudo, uma definição explícita de «argumento válido». Assim, diz-se que «um argumento é válido se, e só se, é logicamente impossível ter premissas verdadeiras e conclusão falsa». Sabemos agora exactamente o que procurar num argumento para saber se é válido ou não. Tudo pode acontecer com um argumento válido, menos uma coisa: ter premissas verdadeiras e conclusão falsa. Mas isto não significa que o argumento é válido desde que não tenha premissas verdadeiras e conclusão falsa. Não basta que não tenha as premissas verdadeiras e a conclusão falsa; é necessário que isso seja impossível de acontecer. Repare-se no meu último exemplo: não acontece ele ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa, até porque premissas e conclusão são todas verdadeiras. Mas se no mesmo argumento substituirmos, como atrás sugeri, o nome de Luís Figo pelo de Tony Blair, o que acontece? Acontece que as premissas continuam verdadeiras mas a conclusão é falsa. E essa é a única coisa que não pode acontecer num argumento válido. Portanto, é inválido.
  Para tornar mais clara a noção de validade, podemos mesmo prescindir de qualquer nome, seja ele Luís Figo ou Tony Blair, e construir um argumento com a seguinte forma:
Todo o A é B.
c é A.
Logo, c é B.
  Seja o que for que A, B e c signifiquem, este argumento é claramente válido. Admitindo que as premissas são verdadeiras, a sua conclusão não pode ser falsa. Mas como sabemos que este argumento é válido se não sabemos ainda o que significam A, B e c? Sabemos isso porque a validade de um argumento não depende daquilo que nele se afirma, isto é, do seu conteúdo, mas da sua forma lógica. Para sabermos se um argumento é válido nada mais temos de fazer senão atender à forma como está estruturado.É por isso que um argumento pode ser válido mesmo que nele se afirmem as coisas mais inverosímeis do mundo. Um bom exemplo disso é o seguinte:
Se as bananas têm asas, o ouro é um fruto seco.
Acontece que as bananas têm asas.
Logo, o ouro é um fruto seco.
  Também aqui a conclusão terá de ser verdadeira, caso as premissas o sejam. Contudo, dificilmente alguém estaria disposto a aceitar um argumento destes. O que acontece é que não é suficiente um argumento ser válido para termos de o aceitar, mostrando assim que nem todos os argumentos válidos são bons. Não estamos interessados em aceitar a conclusão de um argumento válido quando essa conclusão é inferida de falsidades. Queremos também que um argumento seja sólido. Ou seja, que, além de ser válido, tenha premissas verdadeiras.

Aires de Almeida