quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Texto para resumo Joana 10B

Argumento indutivo


Um argumento indutivo é aquele no qual se parte de experiências sobre fatos particulares e se infere daí conclusões gerais. Quando dizemos que todos os homens que nascerem irão morrer porque até hoje ninguém deixou de morrer estamos usando um argumento indutivo. Tais argumentos se baseiam na experiência passada para sustentar uma conclusão.
O primeiro passo para compreender o que é um raciocínio indutivo é não associá-lo à “indução”, “induzir”.  Um dos significados de induzir é “ser causa ou motivo de; inspirar, provocar”. Nesse sentido, podemos dizer “a pessoa x foi induzida a cometer um ato de violência”. Porém, quando falamos de argumento indutivo, o significado de “indutivo” não tem nada a ver com “influenciar, inspirar, provocar”. Portanto, para compreender o que é um raciocínio indutivo é importante deixar de lado esse significado mais comum da palavra “indução”.
Chalmers, define assim um argumento indutivo:
“Se um grande número de As foi observado sob ampla variedade de condições, e se todos esses As observados possuíam sem exceção a propriedade B, então todos os As têm a propriedade B.”
Tomemos como exemplo o ponto de ebulição da água. Sempre que observamos a água ferver (A), isso aconteceu a 100 graus centígrados (propriedade B). Portanto podemos concluir que a água (A), e qualquer água encontrada na terra ou outro planeta, ferve a 100 graus centígrados (propriedade B).

Indução é generalização

Esse tipo de raciocínio também é chamado de generalização indutiva. O uso da palavra “generalização” faz referência ao fato de em um argumento indutivo “generalizarmos”, o que significa passar de premissas particulares para conclusões gerais.
Consideremos mais um exemplo. Imagine que um grupo de pesquisadores está desenvolvendo um remédio para cura da AIDS. Depois de ser testado em animais e se mostrar promissor, os pesquisadores convidam uma série de pacientes com AIDS para serem voluntários nos testes do medicamento em humanos. Inicialmente, cinco pacientes aceitam ser voluntários. Realizando os testes, os cientistas observam o seguinte:
Premissa 1: O remédio R curou a AIDS do paciente A.
Premissa 2: O remédio curou a AIDS do paciente B.
Premissa 3: O remédio R curou a AIDS do paciente C.
Premissa 4: O remédio R curou a AIDS do paciente D.
Premissa 5: O remédio R curou a AIDS do paciente E.
E a partir dessas observações, concluíram:
Conclusão: O remédio R cura a AIDS.
Note que as premissas são particulares: elas se referem a apenas um paciente que foi curado. A conclusão, por outro lado, é geral: ao dizer que “o remédio R cura a AIDS”, se aplica a qualquer eventual paciente. Significa o mesmo que “todo paciente que tomar o remédio R será curado da AIDS”. Todo argumento indutivo tem essa característica: se parte de premissas particulares e se chega a conclusões gerais.

Argumento indutivo forte e fraco

O exemplo apresentado acima é uma generalização fraca. É um pouco precipitado concluir que “o remédio R cura a AIDS” com base em apenas  cinco casos. O ideal seria fazer uma investigação mais aprofundada, testar em mais pacientes, numa diversidade maior de situações.
Um argumento indutivo pode ser mais ou menos forte. A força de um argumento indutivo depende do grau de apoio que as premissas oferecem para a conclusão. Suponha que o remédio R do exemplo anterior tenha sido testado em dez mil pacientes ao redor do mundo e em praticamente todos os casos levou à cura da AIDS. Dado o número de vezes em que o remédio foi avaliado, a conclusão de que “o remédio R cura a AIDS” é muito forte. Ou seja, sendo as premissas verdadeiras, é improvável que a conclusão seja falsa.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Um teste e um jogo para aprender lógica.

Texto para resumo 10B -Sofia

COMO USAM OS FILÓSOFOS AS CELULAZINHAS CINZENTAS

Raciocinar em filosofia é semelhante a raciocinar em outras áreas. Frequentemente raciocinamos acerca de questões como 'Quem cometeu o crime?', 'Que carro comprar?',  'Há um número primo maior do que todos?' ou 'Como curar o cancro?' Ao abordar estes temas, clarificamos as questões e colhemos informação de fundo. Consideramos o que outros disseram sobre o assunto. Consideramos perspectivas alternativas e as objecções a estas. Fazemos distinções e pesamos os prós e contras. O clímax do processo atinge-se quando tomamos posição e tentamos justificá-la. Explicamos que a resposta tem de ser tal e tal e apontamos para outros factos que justificam a nossa resposta. Isto é raciocínio lógico, no qual vamos de premissas para uma conclusão.
Raciocinar logicamente é concluir algo a partir de algo diferente. Por exemplo, concluir que foi o mordomo que cometeu o homicídio a partir das crenças (1) ou foi o mordomo ou a criada e (2) a criada não pode ter sido. Se colocamos o racicínio em palavras temos um argumento - uma série de proposições consistindo em premissas e uma conclusão:

Ou foi o mordomo ou a criada.
A criada não foi.
Logo, foi o mordomo.

[…] Este argumento é válido, o que significa que a conclusão se segue logicamente das premissas. Se as premissas são verdadeiras, então a conclusão tem de ser verdadeira. Portanto, se podemos ter confiança nas premissas, podemos estar confiantes de que foi mordomo que cometeu o crime.
Dizer que um raciocínio é válido é dizer que a conclusão se segue das premissas e não que as premissas são verdadeiras. Para provar algo precisamos, além da validade do argumento, de premissas verdadeiras. Provamos a nossa conclusão se ela se segue logicamente de premissas claramente verdadeiras.  
A filosofia envolve muito raciocínio lógico. A forma mais comum de raciocínio lógico em filosofia consiste em atacar-se uma tese P argumentando que ela conduz ao absurdo Q:

Se P é verdadeiro, então Q também o será.
Q é falso.
Logo, P é falso.

Ao examinarmos uma tese, consideramos as suas implicações e vamos à procura das falhas. Se encontramos implicações claramente falsas, então mostrámos que a tese é falsa; se encontramos implicações altamente duvidosas, então a tese é duvidosa.
Na formação das nossas perspectivas filosóficas são igualmente importantes o raciocínio e o empenho pessoal. O raciocínio só por si não resolve todas as disputas. Uma vez considerados os argumentos de um lado e de outro, temos de tomar uma decisão. Se nos decidimos por uma perspectiva que levanta fortes objecções, temos de estar à altura de lhes responder.

Harry Gensler, Ethics - A Contemporary Introduction. (London & New York, 1998, p. 3). Tradução de Carlos Marques.

Texto para resumo - 10B - Duarte

A máquina de salsichas da razão

Aquilo que é maravilhoso num argumento sólido é o seu poder de preservar a verdade. Tomemos, por exemplo, o argumento seguinte:
   1. Francisco é um homem.    2. Todos os homens vivem na terra.    Conclusão: Francisco vive na terra.

Este argumento forma-se de duas afirmações, ou premissas, e de uma conclusão. Num argumento dedutivo, como este, as premissas implicam supostamente a conclusão. O argumento, se válido, fornece-nos uma garantia lógica: se as premissas são verdadeiras, a conclusão também o é. Neste caso, o argumento é válido. As premissas implicam realmente a conclusão.
É claro que se introduzirmos num argumento dedutivamente válido uma ou mais falsidades, não há qualquer garantia quanto ao que obteremos. A conclusão pode, ainda assim, ser verdadeira. Mas pode ser falsa. (Suponhamos, por exemplo, que a primeira premissa do nosso argumento é falsa: o Francisco não é um homem – é um extra-terrestre que vive no planeta Plutão; então a nossa conclusão é falsa.)
Portanto, um argumento dedutivo válido preserva a verdade. Se introduzirmos premissas verdadeiras, temos a garantia lógica de que sai uma conclusão verdadeira. Se estivermos interessados em ter convicções que sejam realmente verdadeiras, trata-se de um belo resultado.
Para aqueles que gostam de analogias, podemos dizer que as formas válidas de argumentos dedutivos funcionam um pouco como as máquinas de salsichas. A única diferença é que em vez de introduzirmos carne de salsicha e de saírem do outro lado salsichas, é-nos dada a garantia de que se introduzirmos premissas verdadeiras, sairão conclusões verdadeiras.


A máquina de salsichas indutiva

A argumentação dedutiva não é a única forma de argumentação sólida. Há também os raciocínios indutivos. Eis um exemplo de um argumento indutivo:


  1. A maçã um tem sementes.
2.          2. A maçã dois tem sementes.       3. A maçã três tem sementes.
    [...]   1000. A maçã mil tem sementes.   Conclusão: Todas as maçãs têm sementes.

Este argumento tem mil premissas (embora eu não me tenha dado ao trabalho de listar mais do que quatro). Num argumento indutivo, as premissas apoiam supostamente a conclusão. Aqui, a palavra-chave é apoiam. É claro que estes argumentos não são (e não pretendem ser) dedutivamente válidos. As premissas não implicam dedutivamente a conclusão. Não há garantia lógica de que a maçã seguinte não terá sementes, apesar das muitas maçãs que examinámos até agora. Apesar disso, supomos que o facto de todas as maçãs que examinámos até agora terem sementes torna extremamente razoável que concluamos que todas têm. As premissas, supomos, tornam a verdade da conclusão bastante provável. Se isto é correcto, os argumentos indutivos sólidos também têm a qualidade de preservar a verdade à maneira da máquina das salsichas. Introduzam-se premissas verdadeiras num argumento indutivo sólido e sai provavelmente uma conclusão verdadeira do outro lado.
Uma vez mais, se é a verdade que buscamos, trata-se de um belo resultado.

Stephen Law, The War for Children’s Minds (Londres & Nova Iorque, 2006). Trad. Carlos Marques.
1. Qual o problema tratado no texto? 2. Que comparação é feita?  3. O que se pretende mostrar com essa comparação?

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Trabalho para realizar 10ºAno



FICHA 3 - EXERCÍCIOS DE LÓGICA PROPOSICIONAL

 

1.     Sejam as proposições:

p : está frio

q : está a chover

 

Traduzir para a linguagem natural as seguintes proposições:

a)     ~p

b)    p ^ q

c)     p v q

d)    q p

e)     p ~q

f)     p v ~q

g)    ~p ^ ~q

h)     p ~q

i)      ^ ~q p

 

2.     Sejam as proposições:

p : Jorge é sábio

q : Carlos é feliz

 

     Traduzir para a linguagem natural as seguintes proposições:

a)     q p
b)    ~~p
c)     ~(~p ^ ~q)

3.     Construir a tabela-verdade para a proposição: p v ~q

4.     Sejam as proposições:
p : Joana é rica
q : Joana é feliz
r  : Joana é culta
    
     Traduzir para linguagem simbólica (lógica) as seguintes frases:
a)     Joana é pobre, mas é feliz
b)    Joana é rica ou infeliz        
c)     Joana é pobre e infeliz
d)    Joana é pobre ou rica, mas é feliz
e)     Se a Joana é culta então não é rica mas é feliz

    

sábado, 24 de novembro de 2018


Relatório/Resumo - Miguel 10B


De que trata a lógica?


Ao usarmos as palavras lógico e lógica estamos a participar numa tradição de pensamento que se origina na Filosofia grega, quando a palavra logos – significando linguagem-discurso e pensamento-conhecimento – conduziu os filósofos a indagar se o logos obedecia ou não a regras, possuía ou não normas, princípios e critérios para seu uso e funcionamento. A disciplina filosófica que se ocupa com essas questões chama-se lógica.
A lógica é um dos campos da filosofia, e pode ser considerada uma disciplina introdutória para qualquer estudo filosófico. Isso acontece porque a lógica lida com raciocínios e argumentos, e raciocínios e argumentos fazem parte de qualquer reflexão filosófica, seja ela no campo da teoria do conhecimento, da ética, da filosofia política ou da estética.
Hoje em dia temos a lógica tradicional e a lógica matemática ou simbólica. A lógica tradicional é mais simples e mais acessível que a lógica matemática, mas nem por isso tem menos importância. Pelo contrário, a lógica matemática desenvolveu-se graças aos avanços da lógica tradicional. A base da lógica tradicional foi formulada pelo filósofo grego Aristóteles e foi reelaborada durante a Idade Média. Na segunda metade do século XIX a lógica teve um enorme desenvolvimento até chegar a seu estágio atual, a lógica matemática ou simbólica.
Os estudiosos definem a lógica de diversas maneiras:
"O estudo da lógica é o estudo dos métodos e princípios usados para distinguir o raciocínio correto do incorreto." Irving Coppi

"A lógica trata de argumentos e inferências. Um de seus propósitos básicos é apresentar métodos capazes de identificar os argumentos logicamente válidos, distinguindo-os dos que não são logicamente válidos." Wesley Salmon

"A tarefa da lógica sempre foi a de classificar e organizar as inferências válidas, separando-as daquelas que não o são. A importância desta organização não deve ser subestimada, pois usam-se as inferências (de preferência válidas) tanto na vida comum como nas ciências formais, sendo um exemplo a matemática." Jesus Eugênio de Paula Assis

Estas definições têm alguma coisa em comum. Todas elas se referem a inferências válidas, a raciocínios corretos, a leis do pensamento. O homem sempre foi fascinado pelo pensar e pelas regras deste pensar.

Voltemos ao nosso raciocínio inicial:
Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

 Este raciocínio é correto. Sócrates é mortal! Temos três proposições. As duas primeiras proposições servem de evidência para a última. Vamos dizer isto em outras palavras: Temos duas premissas que servem de evidência para a conclusão.
Estamos a estudar as relações entre as proposições. Estamos a estudar o argumento, examinando se ele é válido ou inválido. Essa é a tarefa da lógica. Não estamos a discutir as ideias de Sócrates e da sua condição de homem.
Tradicionalmente a lógica foi considerada um portal de acesso ao estudo da filosofia e das ciências. Faz sentido. Discutir e argumentar faz parte do debate sobre qualquer questão. No caso das ciências, conhecer um pouco de lógica pode ser muito valioso. As ciências foram construídas usando procedimentos lógicos e o método científico pode ser visto como lógica aplicada. 

Heidi Strecker, filósofa e educadora in O que é a lógica?