domingo, 8 de abril de 2018

Ganhar valor

- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros, Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo…
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor… Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. – Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada.
Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei.
Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual. À quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.

Foi assim que o principezinho prendeu a si a raposa. E quando chegou a hora da despedida: - Ai! - exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar…
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim…
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou – disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! – disse a raposa. – Por causa da cor do trigo…
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.

- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual às outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sozinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi a ela que eu abriguei com o biombo.

"O principezinho" de Saint- Exupéry


quinta-feira, 5 de abril de 2018

TAXINOMIA/TÁBUA DE VALORES

Uma taxinomia é uma classificação. No caso dos valores isto implica uma hierarquia, isto é, uma classificação onde se seleccionam e comparam os valores. esta hierarquização organiza os valores de acordo com um critério valorativo que considera os valores espirituais superiores aos valores vitais ou de utilidade porque são duradouros e são transversais a culturas e à subjectividade humana.

Tábua de valores de Max Scheller, adaptada por Ortega y Gasset

1. Valores úteis
caro-barato
abundante-escasso
necessário-supérfluo
Capaz - incapaz

2. Valores vitaissão-doente
selecto-vulgar
enérgico-inerte
forte-débil

VALORES ESPIRITUAIS:
1. Intelectuais:conhecimento-erro
exacto-aproximado
evidente-provável
Verdadeiro -Falso

2. Éticos/Moraisbom-mau
bondoso-ardiloso
justo-injusto
leal -desleal
honesto - desonesto

3. Estéticosescrupuloso - desleixado
belo-feio
gracioso-tosco
elegante-deselegante
harmonioso-desarmonioso
4. Religiosossagrado-profano
divino-demoníaco
supremo-derivado
milagroso-mecânico

segunda-feira, 12 de março de 2018

Atenção

Em virtude do teste de Filosofia dos alunos do 10E não se poder realizar na data prevista dia 12 e termos visita de estudo dia 15 de Março, o teste desta turma será na 2ª feira dia 19 de Março. Terão mais tempo para estudar as matérias e assimilar melhor os conteúdos.

No dia 15, a visita de estudo ao Museu de Arte Antiga realiza-se com partida às 9 horas e cinco minutos do portão da Escola. Os alunos das turmas 10D e 10E deverão ir aos primeiros 45m da aula do 1ºtempo.Para a visita de estudo só precisam de um caderno e de uma caneta, dinheiro para o almoço e cartão de estudante (podem deixar as mochilas nos cacifos da Escola).

A visita de estudo terá início no Museu às 10.30 com uma sessão guiada. Depois os alunos terão 30m para escolher uma obra no museu sobre a qual farão o guião que lhes vai ser dado no início. Às 12.30h iremos todos juntos almoçar ao Mc Donalds de Santos.
Às 14h todos os alunos devem dirigir-se para o autocarro.
A visita terminará no portão da Escola às 14.30 devendo os alunos ir às aulas da tarde.

A professora Helena Serrão

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

ÉTICA. QUE FUNDAMENTO? TRABALHOS DE LEITURA E INVESTIGAÇÃO

Textos de Fernando Savater, Ética para um jovem

GRUPO 1 BRUNA P, SOFIA FORT, MAFALDA, CATARINA LAGE
Capítulo 1. De que trata a ética e Capítulo 2. Ordens, costumes e caprichos

GRUPO 2 - BRUNA C, JOANA, MARISA E SEBASTIAN
Capítulo 3. Faz o que quiseres e Capítulo 4. Tem uma vida boa

GRUPO 3 - VÃNIA, MICAELA, MARIANA M E GUILHERME B
Capítulo 5. Acorda, Baby!  e Capítulo 6. O grilo de pinóquio entra em cena

GRUPO 4 - DIOGO, JOÃO S, MARCO e NUNO
Capítulo 7. Põe-te no seu lugar e Capítulo 8. Gostar e gostar

GRUPO 5 - GUILHERME N, CATARINA P, SOFIA FERREIRA e CÁTIA
Viver eticamente - páginas 116 à 125 do Manual de Filosofia

GRUPO 6 - BEATRIZ, JÚLIO, KAREN e DOMINICK
A ética deontológica de Kant -páginas 126 a 131 do Manual de Filosofia

GRUPO 7 ÉTICA UTILITARISTA DE STUART MILL - páginas 134 a 137 do Manual de Filosofia  JENIFER, MARIA, MARIANA E JESSICA

GRUPO 8 - CARLOS, KEVIN, RAFAEL  e SALVADOR
RELAÇÃO ENTRE A ÉTICA DEONTOLÓGICA E A ÉTICA UTILITARISTA -Páginas 138 A 144 DO Manual de Filosofia

Objectivos:
1. Analisar e resumir o texto nas suas linhas fundamentais.
2. Fazer o levantamento dos problemas colocados e tentar dar-lhes uma resposta.
3. Elaborar uma pequena apresentação de todos os filósofos/nomes referidos. (biografia sumária, ideias principais.)
4. Comentar as citações do final.(No caso da ética para o jovem as citações estão no final de cada capítulo, no caso dos manuais encontrar citações dos autores e comentá-las)

Avaliação é feita tendo em conta a qualidade do diapositivo e a apresentação oral 




DATA DE ENTREGA de TODOS OS DIAPOSITIVOS COM OS TRABALHOS: 26 FEVEREIRO  – Segunda- feira PARA - logosferas(arroba)gmail.com

Apresentações orais: 

GRUPO -  1,2,3 -  26 de Fevereiro
GRUPOS- 4,5 e 6 - 1 de Março
GRUPOS - 7 e 8 - 5 de Março


AVALIAÇÃO
DIAPOSITIVO: Compreensão do texto
Investigação
Problematização
Correção da apresentação
Originalidade e qualidade da informação
ORAL:Interesse filosófico
Dinâmica de grupo
Domínio dos conteúdos
Originalidade da apresentação

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Correção do teste de 5 de Fevereiro 2018


Foto de Henri Cartier Bresson

Grupo III

ANÁLISE LÓGICA DO TEXTO:
1. 
Tema: Procedimentos a ter numa discussão

Problema: Que procedimentos devemos ter para que a nossa tese seja aceite numa discussão?

Tese: Numa discussão devemos dissimular a conclusão e apresentar as premissas com clareza.

Corpo argumentativo: Em geral, numa discussão, frente a uma pessoa que defende o oposto, temos a tendência em virtude da nossa impaciência de gritar a conclusão antes de qualquer argumento, antes de qualquer premissa. Esse procedimento torna o nosso oponente rebelde a qualquer ideia que possamos acrescentar e incapaz de aceitar o que dizemos pois nem sequer nos vai ouvir. Por isso, devemos começar por ocultar a conclusão e expor com clareza os nossos argumentos (premissas) assim o nosso oponente chegará por ele à conclusão que queremos que chegue ficando com a ideia de que foi ele que retirou essa conclusão e não nós que o guiámos.

Conceitos: Conclusão, premissas, discussão.

2. Falácia é um argumento logicamente inválido pois não satisfaz as regras de validade lógica mas que recorre a estratégias psicológicas e emocionais para parecer válido.

3. A lógica formal investiga as condições de validade dos argumentos dedutivos, aqueles cuja validade depende da sua forma e não do conteúdo expresso. A validade dos argumentos estudados é formal, isto é independente do auditório, do conteúdo ou do contexto em que argumentamos. As regras da validade formal são universais, isto é, são iguais para todos e em qualquer situação. Nos argumentos dedutivos dadas as premissas verdadeiras e se o argumento seguir as regras de validade, a conclusão não pode ser falsa.

Quanto à lógica informal estuda argumentos indutivos, de analogia e autoridade. Neste tipo de argumentos não têm uma validade formal, a sua validade depende do conteúdo da informação que utilizamos, das provas que temos  do contexto e do auditório que os vai ouvir e apreciar. A conclusão de um argumento informal é apenas provável e não decorre necessariamente das premissas isto é, as premissas podem ser verdadeiras e a conclusão, mesmo assim pode ser falsa.