segunda-feira, 17 de abril de 2017

Trabalho sobre Temas/Problemas do Mundo Contemporâneo



1. Temas dos trabalhos:


1. Refugiados. Um problema político? Um problema moral? Texto de Hannah Arendt, Páginas 1 a 11. VER O TEXTO AQUI Ler até à seguinte linha da página 11: "Seja como for, onde quer que os judeus europeus estejam a viver hoje, já não se comportam mais de acordo com as leis estatísticas".

2. Os direitos dos animais. Terão os animais direitos? Manual "Diálogos" pág. 109, 132

3. A responsabilidade ecológica. Ética Ambiental. Terá a natureza direitos? Manual "Diálogos" pág161 a 186

4. A Violência moderna: O terrorismo será um problema religioso? Texto de Zizec, "A violência", pág.71/86

5. A religião e o sentido da vida. Poderá a religião dar sentido à vida? será esta uma questão legítima? Manual adoptado pág 219/241

6. A Arte contemporânea. O que é a Arte? O que reflecte? Que importância tem? A quem serve? Manual adoptado, pág. 184/199

7.  A existência de Deus. Razão ou fé? Podemos provar a existência de Deus? Manual "Diálogos", páginas 75- 101

ENTREGA DO TRABALHO POR ESCRITO  - 5 Páginas A4. Letra 11. 

 29 OU 30 DE MAIO PARA TODOS OS TEMAS.

Os trabalhos orais obedecem ao seguinte calendário:

Tema 1 e 2 - 29 OU 30 de Maio.
Tema 3 e 4 - 31 de Maio OU 1 DE Junho
Tema 5 e 6 e - 5 ou 6 de Junho
Tema 7 - 7 ou 8 de Junho

APRESENTAÇÔES ORAIS COM DIAPOSITIVOS: O trabalho tem que estar num ficheiro em "PEN"
Cada apresentação tem 20 a 30 m

TODOS OS TEXTOS ESTÃO NA REPROGRAFIA PARA FOTOCOPIAR. (A partir de

Capítulos a ler e  organizar a reflexão a partir das ideias dos textos.

Avaliação é feita tendo em conta a apresentação por escrito e a oralidade.




Objectivos:


1. Analisar e resumir o texto nas suas linhas fundamentais.

2. Escolher uma frase e uma imagem  que ilustre a tese defendida. Elaborar uma pequena reflexão sobre a frase.

3. Fazer um levantamento de problemas.

4. Investigar sobre o tema em vários suportes, livros, internet.

5. Recolher informação esclarecedora sobre vários pontos de vista.

6. Elaborar um síntese final com as conclusões a que chegaram.


AVALIAÇÂO:

Escrito:

Apresentação e organização/10%; Investigação realizada 10%; Correcto resumo do texto 30%. Resposta à pergunta 25%; Imagem e frase 25%

Oral com Dispositivo visual. Interesse filosófico 20%; Dinâmica de grupo e capacidade de gerar diálogo 20%; Domínio dos conteúdos 40%; Qualidade e criatividade do dispositivo visual 20%



Introdução à política. Trabalho a realizar em casa.

A Origem do Estado; A concepção de Estado Soberano. Perspectiva que apresenta o poder soberano do Estado e da política como independente da Ética e da moral. 


Thomas Hobbes .( 1588/1679) 

LEIA O TEXTO COM MUITA ATENÇÃO, SUBLINHE OS CONCEITOS QUE AJUDAM A COMPREENDER AS IDEIAS EXPOSTAS E RESPONDA ÀS QUESTÕES POR ESCRITO. O TRABALHO SERÁ ENTREGUE 4ª FEIRA, DIA13 DE ABRIL.

"É certo que há algumas criaturas vivas, como as abelhas e as formigas, que vivem sociavelmente umas com as outras (e por isso são contadas por Aristóteles entre as criaturas políticas), sem outra direção senão seus juízos e apetites particulares, nem linguagem através da qual possam indicar umas às outras o que consideram adequado para o beneficio comum. Assim, talvez haja alguém interessado em saber por que a humanidade não pode fazer o mesmo. Ao que tenho a responder o seguinte. Primeiro, que os homens estão constantemente envolvidos numa competição pela honra e pela dignidade, o que não ocorre no caso dessas criaturas. E é devido a isso que surgem entre os homens a inveja e o ódio, e finalmente a guerra, ao passo que entre aquelas criaturas tal não acontece. Segundo, que entre essas criaturas não há diferença entre o bem comum e o bem individual e, dado que por natureza tendem para o bem individual, acabam por promover o bem comum. Mas o homem só encontra felicidade na comparação com os outros homens, e só pode tirar prazer do que é eminente. Terceiro, que, como essas criaturas não possuem (ao contrário do homem) o uso da razão, elas não vêem nem julgam ver qualquer erro na administração de sua existência comum. Ao passo que entre os homens são em grande número os que se julgam mais sábios, e mais capacitados que os outros para o exercício do poder público. E esses esforçam-se por empreender reformas e inovações, uns de uma maneira e outros doutra, acabando assim por levar o país à desordem e à guerra civil. Quarto, que essas criaturas, embora sejam capazes de um certo uso da voz, para dar a conhecer umas às outras seus desejos e outras afeções, apesar disso carecem daquela arte das palavras mediante a qual alguns homens são capazes de apresentar aos outros o que é bom sob a aparência do mal, e o que é mau sob a aparência do bem; ou então aumentando ou diminuindo a importância visível do bem ou do mal, semeando o descontentamento entre os homens e perturbando a seu bel-prazer a paz em que os outros vivem. Quinto, as criaturas irracionais são incapazes de distinguir entre injúria e dano, e consequentemente basta que estejam satisfeitas para nunca se ofenderem com os seus semelhantes. Ao passo que o homem é tanto mais implicativo quanto mais satisfeito se sente, pois é neste caso que tende mais para exibir a sua sabedoria e para controlar as ações dos que governam o Estado. Por último, o acordo vigente entre essas criaturas é natural, ao passo que o dos homens surge apenas através de um pacto, isto é, artificialmente. Portanto não é de admirar que seja necessária alguma coisa mais, além de um pacto, para tornar constante e duradouro o seu acordo: ou seja, um poder comum que os mantenha em respeito, e que dirija as suas ações no sentido do beneficio comum. A única maneira de instituir um tal poder comum, capaz de defendê-los das invasões dos estrangeiros e das injúrias uns dos outros, garantindo-lhes assim uma segurança suficiente para que, mediante seu próprio labor e graças aos frutos da terra, possam alimentar-se e viver satisfeitos, é conferir toda sua força e poder a um homem, ou a uma assembleia de homens, que possa reduzir as suas diversas vontades, por pluralidade de votos, a uma só vontade. O que equivale a dizer: designar um homem ou uma assembleia de homens como representante das suas pessoas, considerando-se e reconhecendo-se cada um como autor de todos os atos que aquele que representa a sua pessoa praticar ou levar a praticar, em tudo o que disser respeito à paz e segurança comuns; todos submetendo assim as suas vontades à vontade do representante, e as suas decisões à sua decisão. Isto é mais do que consentimento, ou concórdia, é uma verdadeira unidade de todos eles, numa só e mesma pessoa, realizada por um pacto de cada homem com todos os homens, de um modo que é como se cada homem dissesse a cada homem: Cedo e transfiro o meu direito de governar-me a mim mesmo a este homem, ou a esta assembleia de homens, com a condição de transferires a ele o teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as suas ações. Feito isto, à multidão assim unida numa só pessoa se chama Estado, em latim civitas.

É esta a geração daquele Grande Leviatã, ou antes (para falar em termos mais reverentes) daquele Deus Mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, a nossa paz e defesa. Pois graças a esta autoridade que lhe é dada por cada indivíduo no Estado, é-lhe conferido o uso de tamanho poder e força que o terror assim inspirado o torna capaz de conformar as vontades de todos eles, no sentido da paz no seu próprio país, e ajuda mútua contra os inimigos estrangeiros. É nele que consiste a essência do estado, a qual pode ser assim definida: Uma pessoa de cujos actos uma grande multidão, mediante pactos recíprocos uns com os outros, foi instituída por cada um como autora, de modo a poder usar a força e os recursos de todos, da maneira que considerar conveniente, para assegurar a paz e a defesa comum. Àquele que é portador dessa pessoa se chama soberano, e dele se diz que possui poder soberano. Todos os restantes são súbditos."

Thomas Hobbes, LEVIATÃ    _____________________________________________________________________________


1. Quais as razões, apresentadas por Hobbes, para a necessidade de haver um Estado Soberano? 2. Como se forma esse Estado Soberano?  
3. Como deve ser o Estado Soberano? 

4. O que é o "Grande Leviatã". O que representa?
5. Destaque e defina os conceitos principais do texto.

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sábado, 11 de março de 2017

quinta-feira, 9 de março de 2017

MATRIZ DO 2º TESTE DO 2º PERÍODO



COMPETÊNCIAS

-Distingue entre Juízos de facto e Juízos de valor

-Identifica as características dos Valores

-Explica o papel da socialização e da cultura na ação humana

-Caracteriza a dimensão ético e moral da ação humana

-Distingue entre Intenção e Norma

-Problematiza a consciência moral

- Analisa as Teorias Deontológica e Consequencialista, as suas teses e argumentos e objeções.

-Contextualiza o egoísmo psicológico e ético



  CONTEÚDOS



-Os Valores: análise e compreensão da experiência valorativa

-Valores e Cultura
O relativismo cultural e moral

-Dimensões da Acção Humana e dos Valores

-A necessidade de fundamentação da moral:
a. A ética racional de Kant
b. A ética utilitarista de Stuart Mill
c. O egoísmo psicológico e ético.




ESTRUTURA


Todas as questões dos grupos I, II e III são de resposta obrigatória. O grupo IV tem questões de opção.

           Grupo I
10 questões de
50 Pontos
escolha múltipla


          Grupo II
3 a 4 questões
100 Pontos
de resposta objetiva

           Grupo III

50 Pontos (Duas questões de análise e reflexão temática sobre um texto)


CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO

Domínio efetivo das matérias avaliadas
  Conhecimento objetivo dos temas avaliados
Coerência lógica no estabelecimento de relações

Estabelecimento de relações oportunas entre diferentes conteúdos
Utilização de exemplos oportunos ilustrativos do assunto em causa
Correção na utilização da língua portuguesa


                                                                                                     




quarta-feira, 8 de março de 2017

Correção do 3º teste do 10H


Grupo I
Questão 3

O facto de nos confrontarmos com a história de diferentes culturas com diferentes costumes e práticas, leva-nos à conclusão de que a diversidade de culturas tem diferentes conceções do que é certo e errado, por exemplo, como é referido no texto, os espartanos consideravam correto o infanticídio das crianças com alguma forma de deficiência, essa  prática, quando analisada segundo os nossos valores parece-nos imoral. Poderemos então pensar que os valores são dependentes das convenções culturais e que não há valores de melhor e pior, isto é não há valores morais objetivos, independentes das diferentes culturas. Esta é uma posição relativista. O relativismo moral defende que os valores morais são convenções sociais que mudam consoante a época histórica e as necessidades sociais de cada grupo. O relativista defende que os valores morais e a sua aplicação dependem das culturas, assim não há juízos morais neutros ou imparciais, nenhuma cultura é superior a outra de modo a poder julgar pois cada juízo revela a forma de pensar de uma cultura específica. Esta posição, embora promova a tolerância e o respeito pela diversidade, não inclui nem explica o progresso moral. Há certas práticas que foram consideradas cruéis e desumanas e, por isso, foram abandonadas. Nem tudo o que é aceite por uma cultura é bom, essa posição não implica o desrespeito pela diversidade mas apenas condena certas práticas - um argumento contra os relativistas morais é a possibilidade de as culturas evoluírem e de, haver mesmo no seio das sociedades, pessoas que não concordam e que lutam por melhores condições.
Por outro lado uma posição objetivista consideraria esta prática cruel e inadmissível porque se considerarmos que há valores morais objetivos, um deles é considerar má a prática de matar um inocente, seja qual for a justificação que se possa ter. É sempre uma prática cruel que não se pode admitir, seja qual for a cultura ou o grupo que a pratica. Para um objetivista as práticas morais são boas ou más de acordo com razões universais.

Grupo III
Questão 1
A ética e a moral tratam ambas de estabelecer os princípios de uma ação correta, bem como do modo como devemos agir socialmente, perante os outros, nós próprios e as instituições. Dividem-se em três áreas de investigação, reflexão e discussão: 1. Ética prática, que investiga os problemas éticos que a sociedade enfrenta num dado momento histórico, como por exemplo: Terá legitimidade ética e moral a legalização da Eutanásia?
2. A Ética Normativa, que investiga as condições e princípios que têm de ocorrer para considerar boa uma ação, ou qual a utilidade e finalidade da ética.
3. A Metaética que investiga a natureza dos valores éticos/morais e a própria natureza e origem da ética e da Moral.

Questão 2
Diz-se que algo tem valor intrínseco quando tem valor por si, não precisa de outra cosa fora de si para lhe dar valor. Diz-se das coisas, ações ou pessoas que valem como um fim e não podem ser um meio, ou seja, um instrumento para alcançar outras coisas além delas. Diz-se que algo tem valor extrínseco quando esse valor é exterior, não reside na própria coisa, ação ou pessoa mas em algo exterior ou uma circunstância exterior que essa ação, pessoa ou coisa nos permite alcançar. Assim uma enxada tem valor extrínseco, porque só tem valor na medida e que temos que lavrar um campo, e não tem valor se estivermos no nosso apartamento. A pessoa, pelo contrário tem valor em qualquer circunstância e não pode ser um meio para atingir qualquer coisa mais valioso, por isso tem valor intrínseco.

quinta-feira, 2 de março de 2017

SOBRE A MORAL DEONTOLÓGICA DE KANT


A ÉTICA NORMATIVA - SOBRE A MORAL DEONTOLÓGICA DE KANT

Jostein Gaarder “ O Mundo de Sofia” p.296/297

“- Kant tinha desde o princípio a forte impressão de que a diferença entre o justo e o injusto tinha de ser mais do que uma questão de sentimentos. Nesse aspecto ele estava de acordo com os racionalistas, que tinham explicado que era inerente à razão humana distinguir o justo do injusto. Todos os homens sabem o que é justo e o que não é, e nós sabemo-lo não apenas porque o aprendemos, mas também porque é inerente à nossa razão. Kant achava que todos os homens tinham uma “razão prática” que nos diz sempre o que é justo e o que é injusto no domínio da moral.
- Então é inata?
 - A capacidade de distinguir o justo do injusto é tão inata como todos os outros atributos da razão. Todos os homens vêem os fenómenos como determinados causalmente – e também têm acesso à mesma lei moral universal. Esta lei moral tem a mesma validade absoluta que as leis físicas da natureza. Isso é tão fundamental para a nossa vida moral como é fundamental para a nossa vida racional que tudo tenha uma causa, ou que sete mais cinco sejam doze.
- E o que é que diz essa lei moral?
- Uma vez que precede qualquer experiência, é "formal". Significa que não está relacionada com possibilidades morais de escolha determinadas. É válida para todos os homens em todas as sociedades e em todos os tempos. Logo, não diz que tens de fazer isto ou aquilo nesta ou naquela situação. Diz como te deves comportar em todas as situações.
- Mas que sentido tem uma lei moral, se não nos diz como nos devemos comportar numa situação determinada?
-Kant formula a lei moral como imperativo categórico. Por isto, ele entende que a lei moral é "categórica", quer dizer, é válida em todas as situações. Além disso, é um "imperativo" e consequentemente uma "ordem" e absolutamente inevitável.
- Hm...
- Aliás, Kant formula o seu imperativo categórico de diversas formas. Primeiro, diz: “devíamos agir sempre de tal forma que pudéssemos desejar simultaneamente que a regra segundo a qual agimos fosse uma lei universal”.
- Quando faço alguma coisa, tenho de ter a certeza de que desejo que todos façam o mesmo na mesma situação.
- Exato. Só nessa altura ages de acordo com a tua lei moral interior. Kant também formulou o imperativo categórico da seguinte forma: devemos tratar os outros homens sempre como um fim em si e não como um meio para alguma outra coisa.
-Não podemos, portanto, "explorar" os outros para obtermos benefícios.
 -Não, porque todos os homens são um fim em si. Mas isso não é válido apenas para os outros, mas também para nós mesmos. Também não nos devemos explorar como meio para alcançar algo.
- Isso faz-me lembrar a "regra dourada": não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. -Sim, e isso é uma norma formal que abrange basicamente todas as possibilidades éticas de escolha. (…)
- Para Kant, a lei moral era tão absoluta e universalmente válida como, por exemplo, a lei da causalidade. Também não pode ser provada pela razão, mas é incontornável. Nenhum homem a contestaria.
 - Começo a ter a sensação de que estamos realmente a falar da consciência, porque todos os homens têm uma consciência.
-Sim, quando Kant descreve a lei moral, descreve a consciência humana. Não podemos provar o que a consciência diz, mas sabemo-lo. - Por vezes, sou muito simpático para com os outros simplesmente porque é vantajoso para mim. Desse modo, posso ser popular. - Mas quando és simpática para com os outros apenas para seres popular, não estás a agir de acordo com a lei moral. Talvez não estejas a observar a lei moral. Talvez estejas a agir numa espécie de acordo superficial com a lei moral - e isso já é alguma coisa -, mas uma ação moral tem de ser o resultado de uma superação de ti mesma. Só quando fazes algo porque achas ser teu “dever” seguir a lei moral é que podes falar de uma ação moral. Por isso, a ética de Kant é frequentemente chamada “ética do dever”.
- Eu posso achar ser meu dever juntar dinheiro para a Cruz Vermelha ou a Caritas. - Sim, e o importante é tu fazeres uma coisa porque a achas correta. Mesmo quando o dinheiro que tu juntaste se extravia ou nunca alimente as pessoas que devia alimentar, tu cumpriste a lei moral. Agiste com a atitude correta e, segundo Kant, a atitude é decisiva para podermos dizer que uma coisa é moralmente correta. Não são as consequências de uma ação que são decisivas. Por isso, também dizemos que a “ética de Kant é uma ética da boa vontade”.
 - Porque é que era tão importante para ele saber quando é que agimos por respeito à lei moral? Não é mais importante que aquilo que fazemos ajude os outros? - Sim, Kant concordaria, mas só quando sabemos que agimos por respeito à lei moral é que agimos em “liberdade”.
- Só obedecendo a uma lei é que agimos em liberdade? Isso não é estranho?
- Segundo Kant, não. Talvez ainda te lembres que ele "postulou" o livre arbítrio do homem. Esse é um ponto importante, porque Kant achava que todas as coisas seguem a lei da causalidade. Como é que podemos ter livre arbítrio assim?
-Não me perguntes.
 - Aqui, Kant divide o homem em duas partes, e nisso faz lembrar Descartes, que afirmava que o homem era um ser duplo visto que tem corpo e razão. Enquanto seres sensíveis, estamos completamente sujeitos às leis imutáveis da causalidade, segundo Kant. Não decidimos o que sentimos; as sensações surgem necessariamente e influenciam-nos, quer queiramos quer não. Mas o homem não é apenas um ser sensível. Somos também seres racionais. - Explica-me isso! - Enquanto seres sensíveis, pertencemos à ordem da natureza. Por isso estamos sujeitos à lei da causalidade. Deste ponto de vista, não temos livre arbítrio. Mas enquanto seres racionais, participamos no mundo "em si" – ou seja, no mundo independente das nossas sensações. Só quando seguimos a nossa "razão prática" - que nos possibilita fazer uma escolha moral -, temos livre arbítrio. Se obedecermos à lei moral, somos nós que fazemos a lei pela qual nos orientamos.
-Sim, isso está certo. Eu digo - ou alguma coisa em mim diz - que eu não devo ser má para os outros. - Se decides não ser má - mesmo quando ages contra o teu próprio interesse - então estás a agir livremente. - Pelo menos, não somos livres e autónomos quando seguimos apenas os nossos instintos. - Podemos fazer-nos escravos de tudo. Sim, podemos inclusivamente ser escravos do nosso próprio egoísmo. Para nos elevarmos acima dos nossos instintos e vícios é necessário autonomia - e liberdade.
- E quanto aos animais? Eles seguem só os seus instintos e necessidades. Não têm essa liberdade de seguir uma lei moral?

- Não, é justamente esta liberdade que nos torna seres humanos. - Estou a ver. “