"Devemos procurar o valor da filosofia, de facto, em grande medida na sua própria incerteza. O homem sem rudimentos de filosofia passa pela vida preso a preconceitos derivados do senso comum, a crenças costumeiras da sua época ou da sua nação, e a convicções que cresceram na sua mente sem a cooperação ou o consentimento da sua razão deliberativa. Para tal homem o mundo tende a tornar-se definitivo, finito, óbvio; os objectos comuns não levantam questões, e as possibilidades incomuns são rejeitadas com desdém. Pelo contrário, mal começamos a filosofar, descobrimos, como vimos nos nossos capítulos de abertura, que mesmo as coisas mais quotidianas levam a problemas aos quais só se podem dar respostas muito incompletas. A filosofia, apesar de não poder dizer-nos com certeza qual é a resposta verdadeira às dúvidas que levanta, é capaz de sugerir muitas possibilidades que alargam os nossos pensamentos e os libertam da tirania do costume. Assim, apesar de diminuir a nossa sensação de certeza quanto ao que as coisas são, aumenta em muito o nosso conhecimento quanto ao que podem ser; remove o dogmatismo algo arrogante de quem nunca viajou pela região da dúvida libertadora, e mantém vivo o nosso sentido de admiração ao mostrar coisas comuns a uma luz incomum.
À parte a sua utilidade ao mostrar possibilidades insuspeitas, a filosofia tem valor — talvez o seu principal valor — por via da grandeza dos objectos que contempla, e da libertação de objectivos limitados e pessoais que resulta desta contemplação. A vida do homem instintivo está fechada no círculo dos seus interesses privados: a família e os amigos podem ser incluídos, mas o mundo exterior não é tido em consideração excepto na medida em que possa ajudar ou prejudicar o que pertence ao círculo dos desejos instintivos. Em tal vida há algo de febril e limitado, em comparação com a qual a vida filosófica é calma e livre. O mundo privado dos interesses instintivos é pequeno, localizando-se no seio de um mundo grande e poderoso que, mais cedo ou mais tarde, terá de deixar o nosso mundo privado em ruínas. A menos que possamos alargar de tal modo os nossos interesses que incluam todo o mundo exterior, somos como uma guarnição numa fortaleza sitiada, sabendo que o inimigo impede a fuga e que a rendição última é inevitável. Em tal vida não há paz, mas antes um conflito constante entre a insistência do desejo e a impotência da vontade. Temos de escapar desta prisão e deste conflito, de um modo ou de outro, para a nossa vida ser grandiosa e livre.
Uma maneira de escapar é pela contemplação filosófica. A contemplação filosófica, na sua perspectiva mais ampla, não divide o universo em dois campos hostis — amigos e inimigos, vantajoso e hostil, bom e mau — vê o todo imparcialmente. A contemplação filosófica, quando não tem misturas, não tem como objectivo provar que o resto do universo é favorável ao homem. Toda a aquisição de conhecimento é um alargamento do Eu, mas este alargamento alcança-se melhor quando não é directamente procurado. Obtém-se quando só o desejo de conhecer é operativo, por um estudo que não deseja previamente que os seus objectos tenham este ou aquele carácter, antes adaptando o Eu aos caracteres que encontra nos seus objectos. Este alargamento do Eu não se obtém quando, aceitando o Eu tal como é, tentamos mostrar que o mundo é tão similar a este Eu que o seu conhecimento é possível sem admitir o que parece alienígena. O desejo de provar isto é uma forma de auto-afirmação e, como toda a auto-afirmação, é um obstáculo ao desejado crescimento do Eu, crescimento de que o Eu sabe ser capaz. A auto-afirmação, tanto na especulação filosófica como noutras áreas, vê o mundo como um meio para os seus próprios fins; assim, dá menos importância ao mundo do que ao Eu, e o Eu estabelece limites à grandeza dos seus bens. Na contemplação, pelo contrário, começamos pelo não-Eu e, através da sua grandeza, os limites do Eu alargam-se; através do infinito do universo, a mente que o contempla consegue partilhar o infinito.
Por esta razão, a grandeza de alma não é fomentada pelas filosofias que assimilam o universo ao Homem. O conhecimento é uma forma de união do Eu com o não-Eu; como toda a união, é prejudicada pela dominação, e consequentemente por qualquer tentativa para forçar o universo a conformar-se ao que encontramos em nós. Há uma tendência filosófica muito comum favorável à perspectiva que nos diz que o Homem é a medida de todas as coisas, que a verdade é feita pelo homem, que o espaço e o tempo e o mundo dos universais são propriedades da mente e que, se há algo que não seja criado pela mente, é incognoscível e sem importância para nós. Esta perspectiva, se as nossas discussões prévias foram correctas, não é verdadeira; mas além de não ser verdadeira, tem o efeito de roubar à contemplação filosófica tudo o que lhe dá valor, dado que agrilhoa a contemplação ao Eu. Aquilo a que chama conhecimento não é uma união com o não-Eu, mas um conjunto de preconceitos, hábitos e desejos que constituem um véu impenetrável entre nós e o mundo que está para além. O homem que tem prazer em tal teoria do conhecimento é como o homem que nunca deixa o círculo doméstico por ter medo que a sua palavra possa não ser lei.
A verdadeira contemplação filosófica, pelo contrário, encontra a sua satisfação em todo o alargamento do não-Eu, em tudo o que aumenta os objectos contemplados, e desse modo o sujeito que contempla. Na contemplação, tudo o que é pessoal ou privado, tudo o que depende do hábito, do interesse próprio, ou do desejo, distorce o objecto e assim compromete a união que o intelecto procura. Erguendo desse modo uma barreira entre sujeito e objecto, essas coisas pessoais e privadas tornam-se uma prisão para o intelecto. O intelecto livre irá ver como Deus poderia ver, sem um aqui e agora, sem esperanças e receios, sem as peias das crenças costumeiras e dos preconceitos tradicionais, calmamente, desapaixonadamente, no desejo único e exclusivo de conhecimento — conhecimento tão impessoal, tão puramente contemplativo, quanto é possível ao homem alcançar. Logo, também o intelecto livre irá valorizar mais o conhecimento abstracto e universal, no qual os acidentes da história privada não entram, do que o conhecimento dos sentidos, dependente, como tal conhecimento tem de estar, de um ponto de vista exclusivo e pessoal e de um corpo cujos órgãos dos sentidos distorcem tanto quanto revelam.
A mente que se acostumou à liberdade e imparcialidade da contemplação filosófica irá preservar qualquer coisa dessa liberdade e imparcialidade no mundo da acção e da emoção. Irá ver os seus propósitos e objectivos como partes do todo, com a ausência de obstinação que resulta de os ver como fragmentos infinitesimais num mundo no qual nada do resto é afectado por qualquer dos feitos de um homem. A imparcialidade que, em contemplação, é o desejo sem misturas pela verdade, é a mesmíssima qualidade mental que, em acção, é a justiça, e na emoção é aquele amor universal que pode ser dado a todos, e não apenas aos que se julga serem úteis ou admiráveis. Assim, a contemplação alarga não apenas os objectos dos nossos pensamentos, mas também os objectos das nossas acções e afecções: faz-nos cidadãos do universo, e não apenas de uma cidade murada em guerra com tudo o resto. A verdadeira liberdade do homem, e a sua libertação da servidão de esperanças e receios limitados, consiste nesta cidadania do universo.
Assim, para recapitular a nossa discussão do valor da filosofia: a filosofia é de estudar não por causa de quaisquer respostas definitivas às suas questões, dado que nenhumas respostas definitivas podem, em regra, ser conhecidas como verdadeiras, mas antes por causa das próprias questões; porque estas questões alargam a nossa concepção do que é possível, enriquecem a nossa imaginação intelectual e diminuem a confiança dogmática que fecham a mente contra a especulação; mas acima de tudo porque, através da grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também se torna grandiosa, e torna-se capaz dessa união com o universo que constitui o seu bem maior.
Bertrand Russell, Princípios da Filosofia
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Correção teste 10G -21 de Maio
1. Segundo o que está expresso no texto, as circunstâncias da posição original coloca os sujeitos capazes de um sentido de justiça numa situação de igualdade, isto porque nesta situação hipotética os indivíduos seriam colocados sob o efeito de um véu de ignorância onde partiriam do princípio que são sujeitos racionais sem qualquer traço distintivo e particular. Como os princípios da justiça devem resultar de um contrato social, isto é de um acordo entre todos, este contrato não pode ser feito com pessoas particulares em situação de defenderem a sua situação particular, porque aí não seria possível um acordo que garantisse direitos iguais pois os sujeitos não estariam numa situação de igualdade, pelo contrário teriam interesses antagónicos e poder e conhecimentos diferentes não garantido a justiça do contrato. A coberto do véu da ignorância como ninguém sabe, nem representa nenhum interesse particular, poderá escolher os princípios de justiça de forma imparcial e universal, pois os seus interesses serão os mesmos de um qualquer sujeito racional. A coberto do véu da ignorância os indivíduos que hipoteticamente não teriam qualquer estatuto social nem saberiam que estatuto poderiam ter, não têm interesses a defender e podem escolher com equidade e de forma imparcial que princípios devem regular a sociedade de modo a que ninguém seja prejudicado ou beneficiado, seja pelo nascimento ou pelo mérito. Os princípios da justiça os seguintes: liberdades básicas, igualdade na distribuição dos bens e das oportunidades e princípio da diferença.
2. O Contrato Social é um acordo a que
todos chegam e que legitima e explica a passagem do Estado Natural para a
Sociedade ou Estado Civil. O texto faz menção a uma característica do Contrato
Social que é o facto deste ser revogável, isto é sendo um pacto feito com o
acordo de todos, este contrato estabelece uma divisão entre súbdito e soberano
ou entre governo e governados, no seio da igualdade dos
indivíduos, ambas as partes têm vantagens e obrigações. Se uma das
partes: o soberano ou os súbditos não cumprirem com as obrigações que são
estipuladas no contrato, este pode ser anulado pois como diz o texto “quando
este soberano age contrariamente ao encargo que lhe confiaram, a ele perde o
direito”. Segundo a interpretação de Locke o contrato social é revogável, se o
soberano não cumprir e não obrigar a cumprir a Lei Natural que está obrigado,
nos termos do contrato a defender. Para além de revogável, o contrato social é
vinculativo, pois ambas as partes são obrigadas a obedecer aos termos do
contrato e recíproco, ambos têm direitos e deveres. O modelo de Estado fundado
neste tipo de contrato é o estado liberal, nele, nenhum dos dois lados assume
um poder infinito ou absoluto e ambos estão vinculados a obrigações
3. Locke argumenta que há
necessidade de constituir uma sociedade civil para garantir a segurança da
propriedade privada e dos bens que estavam ameaçados no Estado Natural. O
indivíduo no Estado Natural não tinha poder nem autoridade para julgar e punir
quem ameaçasse a propriedade dos seus vizinhos. Sem esta autoridade
a propriedade e os bens de cada um estariam ameaçados por falta de recursos
para todos. A sociedade civil por ter na sua génese um conjunto de deveres e
direitos de todos para com todos e constituindo-se por delegação do poder de
julgar e punir de todos para um só, ou alguns, o governo ou soberano, permite a
segurança e a justiça. Todavia
a sociedade civil não perde a sua liberdade em prol da segurança pois
considera-se a liberdade acima da segurança, logo, contrariamente ao poder do
Estado Soberano para Hobbes, que detém poder ilimitado, o Estado para Locke
pode ser colocado em causa se não cumprir a Lei Natural a que é obrigado. Em relação ao "estado de natureza" em que as
relações entre
os homens
não estão reguladas pelo direito epor um poder político que garanta o cumprimento daquele, a
sociedade civil
designa
a organização jurídico-política
das relações
individuais.
No "estado
civil"
os homens
são cidadãos, isto é, sujeitos
de direitos e de deveres prescritos
pela
lei. Em termos
gerais, não
há sociedade
civil
desligada do Estado
(estrutura reguladora
que controla as
relações sociais) ou Estado sem sociedade
civil (aquele nada regularia e não teria base).
Para Hobbes a sociedade civil constitui-se como uma necessidade de segurança e
delega no Soberano Estado todos os seus poderes não podendo discutir ou depor a
sua autoridade mesmo se esta for abusiva.
4. R: Segundo a teoria da
arte como expressão, tal como é dito no texto " a arte consiste em transmitir sentimentos que o autor experimentou e depois através de certos instrumentos como as palavras, os sons ou linhas, provoca no público esses mesmos sentimentos. é obra de arte o objeto que expressa e comunica um
sentimento vivido pelo artista e que é capaz de provocar no recetor
/espectador o mesmo sentimento; as principais objeções à teoria presente no
texto colocam-se em relação à incerteza sobre os sentimentos do artista e ainda
à dúvida criada sobre as afirmações de alguns artistas que afirmam não sentir
nada de especial na criação da obra executando sobretudo uma técnica específica
para produzir determinado efeito.
As vantagens de considerar a Arte como imitação é o facto
desta teoria nos fornecer um critério de demarcação claro entre o que é Arte e
o que não é, considerando Arte apenas a representação que imite e dê testemunho
de uma ação, pessoa ou paisagem que existe ou existiu . A arte é algo feito
pelo homem e que imita algo, se não obedecer a estas condições, não é Arte.
Esta definição tem também outra vantagem: fornece-nos um critério para
distinguir a boa da má arte, de acordo com a fidelidade em relação ao modelo,
boa arte seria aquela que representa o modelo tal qual é, e má a que não o
faz..
Quanto às desvantagens resultam do seu carácter redutor, de facto consideramos obras de arte pinturas abstratas ou quadros monocromáticos que não representam nem ações, nem pessoas, nem paisagens. Por outro lado como poderemos imitar algo cuja existência é ficcionada como as figuras mitológicas?
Quanto à teoria da Arte como expressão considera que só é Arte o que exprime os sentimentos do artista e os transmite ao público. Esta teoria terá a vantagem, em relação à teoria precedente, de abarcar a arte que não é representativa como a pintura abstrata, a música, e ser abrangente na medida em que centrando-se nos sentimentos pode referir o testemunho de muitos artistas que trabalharam sobre emoções fortes sendo elas a causa ou motivo da sua atividade artística. Outra das vantagens é fornecer um critério de demarcação entre o que é Arte e o que não é Arte de acordo com o sentimento que suscita no público (não sendo considerado Arte o que não provoca sentimento algum).Também possibilita um critério de distinção entre a boa e a má arte consoante for autêntico e intenso o sentimento nela expresso. Por outro lado tem a desvantagem de contrariar o testemunho de alguns artistas que se referem à primazia da técnica sobre o sentimento e que exprimem sentimentos que dizem não ter possuído, dá-nos também a possibilidade de especular sobre a vida dos artistas sem saber quais as suas intenções, pois estes já morreram e não há registos fidedignos que nos possam esclarecer sobre o a história emocional/sentimental da sua obra.
Quanto às desvantagens resultam do seu carácter redutor, de facto consideramos obras de arte pinturas abstratas ou quadros monocromáticos que não representam nem ações, nem pessoas, nem paisagens. Por outro lado como poderemos imitar algo cuja existência é ficcionada como as figuras mitológicas?
Quanto à teoria da Arte como expressão considera que só é Arte o que exprime os sentimentos do artista e os transmite ao público. Esta teoria terá a vantagem, em relação à teoria precedente, de abarcar a arte que não é representativa como a pintura abstrata, a música, e ser abrangente na medida em que centrando-se nos sentimentos pode referir o testemunho de muitos artistas que trabalharam sobre emoções fortes sendo elas a causa ou motivo da sua atividade artística. Outra das vantagens é fornecer um critério de demarcação entre o que é Arte e o que não é Arte de acordo com o sentimento que suscita no público (não sendo considerado Arte o que não provoca sentimento algum).Também possibilita um critério de distinção entre a boa e a má arte consoante for autêntico e intenso o sentimento nela expresso. Por outro lado tem a desvantagem de contrariar o testemunho de alguns artistas que se referem à primazia da técnica sobre o sentimento e que exprimem sentimentos que dizem não ter possuído, dá-nos também a possibilidade de especular sobre a vida dos artistas sem saber quais as suas intenções, pois estes já morreram e não há registos fidedignos que nos possam esclarecer sobre o a história emocional/sentimental da sua obra.
Escolha múltipla:
Versão A
1-D;2-B;3-A;4-A;5-B;6-B;7-B;8-A;9-C;10-A
Versão B
1-B;2-D;3-B;4-A;5-A;6-B;7-B;8-B;9-A;10-C
Versão A
1-D;2-B;3-A;4-A;5-B;6-B;7-B;8-A;9-C;10-A
Versão B
1-B;2-D;3-B;4-A;5-A;6-B;7-B;8-B;9-A;10-C
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Correção do teste de 20 de Maio de 2015
Grupo I
1. O problema colocado por J.Locke é o seguinte: se o homem no estado natural é livre e senhor da sua pessoa e dos seus bens porque se deve então sujeitar à autoridade de alguém, porque razão deve abdicar do seu poder? Esta pergunta tem um sentido forte uma vez que J.Locke admite que no estado natural todos estão submetidos à Lei natural, lei divina que cada homem transporta na sua consciência e que segundo essa lei cada um deve ter segundo o seu mérito e todos devem respeitar a propriedade e a liberdade, bem como o direito à vida que são direitos naturais de cada homem. A questão coloca-se porque devido à falta de recursos, muitos não teriam o suficiente e ao infringirem a lei, usurpando hipoteticamente a propriedade dos outros, não haveria uma autoridade imparcial que os pudesse julgar e punir pois todos teriam a mesma autoridade e poderiam ser parciais no julgamento. Deste modo será necessário que os homens se organizem socialmente de modo a, através de um acordo entre todos cedam a um soberano ou a um conjunto de homens o seu poder de julgar e punir os que violem a lei. Assim estaria garantida a preservação da propriedade privada pois quem a ameaçasse não ficaria impune, sofreria as consequências. Esta lei assim aplicada pelo soberano garantiria a imparcialidade e possibilitaria a justiça e a segurança dos bens de cada um.2. A teoria da justiça de J. Rawls pretende demonstrar quais os princípios que devem governar uma sociedade, na distribuição dos bens primários, consideram-se bens primários as liberdades, bens necessários como a saúde, a segurança, oportunidades e riqueza. estes princípios não podem ser escolhidos a partir de uma situação actual pois nessa situação não estão garantidas a igualdade e a autonomia necessárias para que possibilitar um acordo justo e uma aceitação destes princípios por parte de todos. Devem também estes princípios resultar de um contrato social pois só assim há garantia de vinculação ao seu cumprimento por parte de todos. Para garantir a igualdade e a autonomia de todos na escolha dos princípios é necessário colocar a situação hipotética do estado de natureza, nele todos seriam iguais, isto é sujeitos racionais a coberto de um “véu da ignorância”. A coberto do véu da ignorância os indivíduos que hipoteticamente não teriam qualquer estatuto social nem saberiam que estatuto poderiam ter, não têm interesses a defender e podem escolher com equidade e de forma imparcial que princípios devem regular a sociedade de modo a que ninguém seja prejudicado ou beneficiado, seja pelo nascimento ou pelo talento. Os princípios da justiça escolhidos nesta condição seriam os seguintes: liberdades básicas, igualdade na distribuição dos bens e das oportunidades e princípio da diferença. São escolhidos por cidadãos numa situação de estado natural a que se chamou "véu da ignorância" que visa garantir a imparcialidade desses princípios. Distribuição equitativa dos bens básicos: liberdades, riqueza e oportunidades. O princípio da diferença introduz uma visão alternativa à igualdade na distribuição das riquezas. A igualdade por si, não dá valor aos que se destacam pela sua formação e empenho e, sendo assim, estes não teriam qualquer incentivo social para continuar empenhando-se mais e aplicando melhor os seus talentos naturais; então, este princípio (o princípio da diferença) justifica as diferentes remunerações entre indivíduos desde que estas diferenças , seja através de impostos ou outros tipos de contribuições, permitam o benefício dos mais desfavorecidos e contribuam para a garantia do acesso dos mais desfavorecidos aos bens primários.
Rawls designa por véu de ignorância as condições iniciais de equidade. É como se os sujeitos participantes, numa situação hipotética, não fossem indivíduos com uma história e com interesses particulares, mas uma espécie de "sujeitos universais". Só assim se poderá ter a garantia de imparcialidade na distribuição de bens e regalias sociais. Supõe-se que os participantes são racionais e igualmente desinteressados, que gozam da mesma liberdade de expressão e que chegam a um acordo amplamente partilhado acerca dos princípios de justiça.
3. 3. Locke argumenta que há necessidade de constituir uma sociedade civil para garantir a segurança da propriedade privada e dos bens que estavam ameaçados no Estado Natural.O indivíduo no Estado Natural não tinha poder nem autoridade para julgar e punir quem ameaçasse a propriedade dos seus vizinhos. Sem esta autoridade a propriedade e os bens de cada um estariam ameaçados por falta de recursos para todos. A sociedade civil por ter na sua génese um conjunto de deveres e direitos de todos para com todos e constituindo-se por delegação do poder de julgar e punir de todos para um só, ou alguns, o governo ou soberano, permite a segurança e a justiça. Todavia a sociedade civil não perde a sua liberdade em prol da segurança pois considera-se a liberdade acima da segurança, logo, contrariamente ao poder do Estado Soberano para Hobbes, que detém poder ilimitado, o Estado para Locke pode ser colocado em causa se não cumprir a Lei Natural a que é obrigado. O contrato social é pois revogável, isto é, pode ser anulado se o soberano não cumprir as suas obrigações. Para Hobbes a sociedade civil constitui-se como uma necessidade de segurança e delega no Soberano Estado todos os seus poderes não podendo discutir ou depor a sua autoridade mesmo se esta for abusiva. O contrato não é assim revogável senão por um estado de guerra ou por manifesta incapacidade do governante. Por outro lado o contrato social tal como é preconizado por Locke, é recíproco, ambas as partes têm obrigações e os súbditos não são destituídos de todos os poderes e liberdades mas apenas da liberdade e poder de julgar e punir, nesse aspecto a sua obrigação é acatar as decisões do soberano enquanto este deve cumprir essas funções de acordo com a Lei natural. Para Hobbes o poder do Estado reside unicamente no soberano que não tem obrigações éticas, apenas a de assegurar a paz, deste modo o contrato social não é recíproco visto o soberano não ter a obrigação de ser justo mas apenas de evitar a guerra que no estado natural colocava todas as vidas em perigo. Ambos são contratualistas o que significa que fundamentam a autoridade do estado num acordo vinculativo entre o soberano e os súbditos.
Há ainda outras duas teorias sobre a Arte: a arte
como expressão e como imitação.
As
vantagens de considerar a Arte como imitação é o facto desta teoria nos
fornecer um critério de demarcação claro entre o que é Arte e o que não é,
considerando Arte apenas a representação que imite e dê testemunho de uma ação,
pessoa ou paisagem que existe ou existiu . A arte é algo feito pelo homem e que
imita algo, se não obedecer a estas condições, não é Arte. Esta definição tem
também outra vantagem: fornece-nos um critério para distinguir a boa da má
arte, de acordo com a fidelidade em relação ao modelo, boa arte seria aquela
que representa o modelo tal qual é, e má a que não o faz.
Quanto às desvantagens resultam do seu carácter redutor, de facto consideramos obras de arte pinturas abstratas ou quadros monocromáticos que não representam nem ações, nem pessoas, nem paisagens. Por outro lado como poderemos imitar algo cuja existência é ficcionada como as figuras mitológicas?
Quanto à teoria da Arte como expressão considera que só é Arte o que exprime os sentimentos do artista e os transmite ao público. Esta teoria terá a vantagem, em relação à teoria precedente, de abarcar a arte que não é representativa como a pintura abstracta, a música, e ser abrangente na medida em que centrando-se nos sentimentos pode referir o testemunho de muitos artistas que trabalharam sobre emoções fortes sendo elas a causa ou motivo da sua actividade artística. Outra das vantagens é fornecer um critério de demarcação entre o que é Arte e o que não é Arte de acordo com o sentimento que suscita no público (não sendo considerado Arte o que não provoca sentimento algum).Também possibilita um critério de distinção entre a boa e a má arte consoante for autêntico e intenso o sentimento nela expresso. Por outro lado tem a desvantagem de contrariar o testemunho de alguns artistas que se referem à primazia da técnica sobre o sentimento e que exprimem sentimentos que dizem não ter possuído, dá-nos também a possibilidade de especular sobre a vida dos artistas sem saber quais as suas intenções, pois estes já morreram e não há registos fidedignos que nos possa esclarecer sobre o a história emocional/sentimental da sua obra.
Quanto às desvantagens resultam do seu carácter redutor, de facto consideramos obras de arte pinturas abstratas ou quadros monocromáticos que não representam nem ações, nem pessoas, nem paisagens. Por outro lado como poderemos imitar algo cuja existência é ficcionada como as figuras mitológicas?
Quanto à teoria da Arte como expressão considera que só é Arte o que exprime os sentimentos do artista e os transmite ao público. Esta teoria terá a vantagem, em relação à teoria precedente, de abarcar a arte que não é representativa como a pintura abstracta, a música, e ser abrangente na medida em que centrando-se nos sentimentos pode referir o testemunho de muitos artistas que trabalharam sobre emoções fortes sendo elas a causa ou motivo da sua actividade artística. Outra das vantagens é fornecer um critério de demarcação entre o que é Arte e o que não é Arte de acordo com o sentimento que suscita no público (não sendo considerado Arte o que não provoca sentimento algum).Também possibilita um critério de distinção entre a boa e a má arte consoante for autêntico e intenso o sentimento nela expresso. Por outro lado tem a desvantagem de contrariar o testemunho de alguns artistas que se referem à primazia da técnica sobre o sentimento e que exprimem sentimentos que dizem não ter possuído, dá-nos também a possibilidade de especular sobre a vida dos artistas sem saber quais as suas intenções, pois estes já morreram e não há registos fidedignos que nos possa esclarecer sobre o a história emocional/sentimental da sua obra.
Para
concluir nenhuma teoria sobre a Arte é satisfatória pois a arte é algo
demasiado vasto e as suas obras muito diversificadas para poderem todas ser
englobadas num conceito, permanecendo em aberto a sua definição ou sendo
verdadeiramente indefinível.
Grupo III.
1.R: A moral é um código de deveres
interiores, individuais e íntimos. A transgressão é punida com censuras
interiores como o sentimento de culpa ou remorso. O Direito é um código de
deveres sociais e a transgressão é punida com multas e prisões. O Direito é
portanto coercivo. O código das leis que constituem o Direito é firmado por um
conjunto de pessoas que têm o poder de o fazer, está escrito e é aplicável a
todos quer se concorde ou não com ele, enquanto as normas morais estão
implícitas e colocam-se à consciência individual, podendo esta segui-las se as
considerar justas ou não, sendo a consciência moral a decidir sobre o seu
cumprimento.
O Direito pode estar fundado na moral ou não.
Pode haver leis consideradas imorais tais como a lapidação e normas morais não
contempladas na lei, tal como não mentir. A justificação do Direito não tem que
ser moral pode fundar-se na observação da experiência e nos casos em que ela
mostra que a lei civil se encontra inadequada e portanto necessita de ser
alterada.
sábado, 2 de maio de 2015
Trabalhos sobre Temas e problemas do Mundo Contemporâneo.
Objectivos:
- Análise lógica de três textos.
- Desenvolvimento do tema.
- Resposta a uma questão.
- Escolha de algumas obras de Arte para ilustrar/comentar. Podem ser de Música, Poesia, Pintura, Literatura, dança, Teatro, Escultura, Grafite, Street Art, Happening, Cinema, Fotografia., Performance.
Temas:
10G
10G
1. A Experiência estética e o Belo. O que é a Estética? Como se caracteriza a experiência estética? O que é o gosto? Páginas 171 a 184 do manual.
2. Três teorias sobre o que é a Arte.
O que é a Arte? Porque chamamos a determinado objecto artístico? Há má e boa
Arte? Páginas 184 a 199 do manual
3. A Arte da marginalidade ao mercado. Mercadoria e
consumo. O criador e o espectador: Qual a função da Arte? Para que serve? Páginas 200 a 213 do manual.
4. A Religião na Sociedade e na Política. De que modo a religião pode conduzir à violência política? Texto de Zizec sobre o Terrorismo na Reprografia.
5. A Dimensão ecológica da vida Humana. O Homem e a natureza. Como pode o homem viver sem danificar de forma irreversível a natureza? Manual "Diálogos" páginas 161 a 181
6. "Os direitos dos animais" . Deverão os animais ter direitos? Manual "Diálogos" páginas 109 a 132
7. Religião.As religiões e a existência de Deus. Há um só Deus ou vários?Páginas 236 a 254 do manual.
Avaliação:
- Forma de apresentação original e capaz de gerar o interesse dos colegas. (25%)
- Diapositivo criativo e e com informação clara e correcta. (25%)
- Exposição oral segura (25%)
- Tema bem desenvolvido. (25%)
Datas da entrega dos diapositivos por correio electrónico: 25 Maio 10B e G
Calendário das Exposições:
Tema 1 e 2 – 25 de Maio
Tema 3 - 27 ou 28 Maio
Tema 4 e 5 – 1 de Junho
Tema 4 e 5 – 1 de Junho
Tema 6 e 7 – 3 ou 4 de Junho
terça-feira, 28 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Conclusão da Correcção do teste de 9 Fevereiro 2015
Tem a seu favor o facto de não haver acordo de opiniões acerca do
que é correcto fazer-se em cada situação particular, ou na apreciação de
qualquer obra. Argumento da diversidade de opiniões. Enfrenta a objecção de,
quanto aos valores morais, poder justificar moralmente certas acções
indesejáveis e de que, de facto há valores que são transversais aos sujeitos
particulares e são comuns a todos.
Quanto às teorias OBJECTIVISTAS , ao contrário das
teorias subjectivistas, as teorias objectivistas postulam que quando atribuímos valor a uma obra, acção ou pessoa, esse valor faz parte da natureza da obra, acção ou pessoa,
o avaliador não lhe dá o valor, apenas reconhece o seu valor, isto é, reconhece
as suas qualidades. As qualidades são objectivas e dependem do objecto e não do
sujeito avaliador. Argumentos a favor: A concordância em relação a certos
princípios morais, como a carta
universal dos direitos humanos, ou a proibição do incesto. Outro argumento: a
qualidade ideal dos valores, tal como existe a ideia de triângulo ideal, comum
a todos também existe a ideia de justiça, as acções concretas são julgadas a
partir desse ideal com o qual se assemelham.as consequências indesejáveis que
pode ter defender o subjectivismo moral e o relativismo moral, porque nos pode
tornar cúmplices de crimes e discriminações que causam sofrimento a muitas
pessoas.
Grupo III
1. Critérios valorativos são padrões de referência que possibilitam a hierarquização dos valores estabelecendo assim optar, escolher a defesa de certas acções com o sacrifício de outras. Permite-nos fazer um juízo e justificar com razões esse juízo. Exemplo: Salvaguardar o ambiente garantindo a sobrevivência da natureza selvagem ou permitir uma melhoria das condições energéticas constrindo uma barragem?
1. O relativista moral defende que os valores morais e a sua aplicação dependem das culturas, assim não há juízos morais neutros ou imparciais, nenhuma cultura é superior a outra de modo a poder julgar pois cada juízo revela a forma de pensar de uma cultura específica. Face a este caso, uma vez que ele é tradição na cultura japonesa e não na cultura ocidental, fará sentido inserido no quadro dos valores japoneses, pois cada cultura encontra o seu código de valores de modo a sobreviver e a poder enfrentar as necessidades que se colocam em cada situação. Poder-se-ia, por exemplo, se fossemos relativistas morais, defender esta prática como forma dos Samurais demonstrarem a sua coragem e superioridade de modo a serem temidos para que o seu poder não fosse afrontado, essa seria uma forma de manter o poder do imperador e a ordem social. Todavia um relativista cultural poderia julgar incorrecta esta prática baseado no argumento de que julgar certas práticas como incorrectas não significa julgar as culturas, esse juízo é até necessário para não sermos cúmplices de certos actos violentos contra a dignidade humana.
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