terça-feira, 25 de novembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Como explicar a acção humana?



Quais os problemas tratados na Filosofia da acção?
A Filosofia da acção trata de problemas como: A classificação das acções. Como explicar uma acção. Não será acção uma sucessão de acontecimentos? Como separar as acções umas das outras? Até onde poderemos considerar os efeitos de uma acção? Os efeitos e as causas de um acontecimento são o mesmo que intenções e motivos?
Como explicar as acções?
1. Partimos do princípio que as acções humanas são realizadas por um ser racional e não apenas por instinto.
2. Um ser racional pode explicar o que faz e porque faz. Intenção (O quê) e motivo.(porquê)
3. Daí que explicar uma acção não pode deixar de ter a intervenção do agente, porque só ele pode dar uma explicação. Só ele sabe a intenção e o motivo.
4. Exemplo: atravessar uma rua. O acontecimento físico visível é o corpo a atravessar. Mas isso não explica a acção, explica um acontecimento. Como explicar? Esse movimento físico pode corresponder a acções diferentes:
- Porque é que alguém atravessa uma rua? Teremos de explicar segundo as intenções do agente.

O que são intenções e motivos?
1. As intenções são próprias de seres racionais como o homem, seres capazes de explicar e racionalizar as suas acções. Assim as intenções pressupõem Crenças e desejos do agente, pois como explicar algo senão fundamentando-o naquilo em que acredito e no que quero?

INTENÇÃO – O que explica a acção. A consciência de. Responde à pergunta “ O que fazes?” e pressupõe um agente dotado de uma CRENÇA – certos conhecimentos e princípios que segue e nos quais acredita. E um DESEJO – vontade de fazer algo de concretizar pela acção essa crença.

MOTIVO – Também faz parte da racionalidade da acção e contribui para a sua explicação: o MOTIVO responde à questão Porquê? Implica crenças e desejos tal como a intenção e está de tal modo associado à intenção que se confundem. O motivo é a razão pela qual faço algo. A razão pela qual ajo.

AGENTE – Aquele age, alguém que tem consciência, capacidade de se aperceber de si mesmo. Capacidade para reconhecer que é o autor da acção. Que pode ser responsabilizado visto que agiu por opção. Tinha alternativas ou livre-arbítrio.

Este pressuposto não exige que os seres humanos sejam inteiramente racionais em
todos os momentos, mas apenas que lhes seja possível dar conta das razões por que
agem como agem e que isto seja um traço dominante do seu comportamento.

Mas como explicar os casos em que os agentes dizem ter um desejo e uma crença e, no entanto, agem contra tal desejo ou tal crença, parecendo ser irracionais?


«ACRASIA» fenómeno que se costuma designar (no senso-comum)por falta de força de vontade de um agente. Um agente tem falta de força de vontade se tiver o desejo de produzir um certo efeito e tiver a crença de que uma dada acção é a melhor forma de produzir esse efeito e, no entanto, não realizar a acção com a qual obteria o efeito desejado.

Suponhamos que desejas entrar na universidade e que acreditas que estudar
arduamente é o melhor caminho para conseguir o que desejas. Se admitirmos que os seres humanos são racionais e visto que és um ser humano, qual é a única coisa que é racional fazeres? Estudar arduamente, claro. Que dizer se não o fizeres? Que tens falta de força de vontade. Que sofres de “acrasia”. Não sendo uma doença, é um fenómeno que intrigou os filósofos desde a antiguidade, porque viola uma das formas mais primárias de racionalidade. Como poderemos explicar o fenómeno da “ acrasia”?


ANTÓNIO ACREDITA QUE O TABACO FAZ MAL
ANTÓNIO DESEJA SER SAUDÁVEL
ANTÓNIO FUMA

Se as acções humanas são racionais e racionalizáveis como explicar a ACRASIA? Somos então todos irracionais?
Primeiro: António está enganado acerca do seu desejo. Tem certamente outros desejos mais fortes. talvez o António não tenha realmente o desejo de ser saudável e estejja enganado sobre os desejos que pensa ter. Ou talvez o António tenha o desejo que diz ter, mas não tenha reparado que tem outros desejos ainda mais fortes do que o de ser saudável.
Segundo: talvez a crença do António esteja errada. Talvez haja outra maneira, outra
acção, que seja melhor para alcançar uma vida saudável. Fazer desporto e comer com
moderação, por exemplo. Ou talvez o António não acredite muito naquilo que diz.
Terceiro: e será que o António ponderou realmente a sua acção? Por que teremos de aceitar a ideia de que cada acção humana deverá ser precedida de um raciocínio?

Explicação de Aristóteles:
1. Acrasia – fenómeno que se explica considerando que momentaneamente o agente está fora de si.
2. Sabe das regras, não ignora a finalidade da acção mas por não ter controle na sua vontade, não realiza o que pensou.
3. Não é mau (ignora os fins)
4. Não é libertino (equivocado acerca do verdadeiro prazer)
5. É responsável por ter criado as circunstâncias em que sucumbe às paixões. Tem uma sabedoria latente mas não realizável.
6. A sua acção é intencional, porque sabe que está a realizá-la, mas não se abandona a ela e em geral arrepende-se dela.

Explicação de Donald Davidson
1. Acrasia não pode ser interpretada eticamente porque não é falta de domínio sobre si ou um cair em tentação que são juízos éticos.
2. Explica-se à luz de vários sistemas coerentes entre si, racionais que podem concorrer no agente e entrar em conversação.
3. Se dividirmos a mente em partes, potencialmente incompatíveis entre si, mas coerentes sistemas de razões cada um por si, poderemos explicar que sendo o pensamento X e a acção Y. Sendo a acção y causada por outro desejo e outra crença e não aquela que é o raciocínio mais imediato do agente.(posição que deriva da existência provável de vários eus – Freud)




Sobre a acção humana:O que é uma acção humana?
Não é apenas um acontecimento porque há acontecimentos que não são acções (embora todas as acções sejam acontecimentos, porque é algo que ocorre no espaço e no tempo e provoca uma mudança no mundo).
Também não é apenas um movimento físico porque um mesmo movimento (por exemplo correr) pode ser diferentes acções: por exemplo: fazer exercício físico, tentar apanhar alguém, estar atrasado…) Diferentes movimentos físicos podem ser a mesma acção; exemplo estudar: pode-se estudar a escrever e a ler, só a ler, a repetir em voz alta ou em silêncio.
As acções são acontecimentos que envolvem Agentes conscientes (só eles poderão explicar a sua acção)
Estes agentes têm estados mentais conscientes, como desejos e crenças, mas não basta ter agente que faz algo : Por exemplo o João caiu. Mas a queda não é uma acção feita pelo João, aconteceu-lhe, ele não teve a intenção.
Logo as acções são acontecimentos que o agente faz intencionalmente.Mas por exemplo, a jogar à bola o João parte o vidro, é uma acção mas não é intencional. Então é ou não é acção? A acção do João foi atirar a bola (era essa a sua intenção) mas não partir o vidro.
Como se explicam as acções? Explica-se uma acção indicando as crenças e desejos do agente que motivaram ou causaram essa acção. Porque atiraste a bola? Porque queria que ela chegasse ao outro jogador. Porque jogas à bola? Porque gosto ou porque me alivia da tensão. (Crenças e desejos) Sobre a acção humana:

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A especificidade da Filosofia




RADICALIDADE


“Pois que, ó cidadãos, o temer a morte não é outra coisa que parecer ter sabedoria, não tendo. É de fato parecer saber o que não se sabe. Ninguém sabe, na verdade, se por acaso a morte não é o maior de todos os bens para o homem, e entretanto todos a temem, como se soubessem, com certeza, que é o maior dos males. E o que é senão ignorância, de todas a mais reprovável, acreditar saber aquilo que não se sabe? Eu, por mim, ó cidadãos, talvez nisso seja diferente da maior parte dos homens, eu diria isto: não sabendo bastante das coisas do Hades, delas não fugirei. Mas fazer injustiça, desobedecer a quem é melhor e sabe mais do que nós, seja deus, seja homem. isso é que é mal e vergonha. Não temerei nem fugirei das coisas que não sei se, por acaso, são boas ou más.” 29b

Radicalidade: Questionar o princípio das nossas crenças de modo a compreender o seu fundamento. Se esse princípio não tiver fundamento então a crença também não o tem. Ainda por pensar que se sabe o que não se sabe. Demonstrar que o saber não é para deter mas para procurar. A radicalidade de Sócrates reside nessa insatisfação.
Essa é também uma característica da Filosofia.

Radical opõe-se a superficial. A filosofia não se contenta com o que parece, com as aparências mas quer ir à raiz dos problemas.
O termo radical é utilizado desde os filósofos gregos como sinónimo de princípio, causa, razão, fundamento.
A filosofia procura ser um saber radical, isto é, busca os fundamentos. Para a filosofia nada está definitivamente aceite ou é inquestionável. Há sempre lugar para as interrogações radicais.


AUTONOMIA:

E não vos encolerizeis comigo, porque digo a verdade; não há nenhum homem que se salve, se quer opor-se, com franqueza, a vós ou a qualquer outro povo, e impedir que muitos actos contrários à justiça e às leis se pratique na cidade. E não há outro caminho: quem combate verdadeiramente pelo que é justo, se quer ser salvo por algum tempo, deve viver a vida privada, nunca meter-se nos negócios públicos.” 19e

Autonomia: Sócrates demonstra a sua autonomia ao ousar desafiar os poderosos e sábios, os que se dizem sábios. Frente aos acusadores, em tribunal proclama a autonomia do pensamento, a sua liberdade para discordar do saber instituído, científico e religioso. Tal é uma característica da Filosofia.

Autonomia significa que a Filosofia é independente em relação a...
à ciência, ao senso comum, à religião, política, às ideologias, à autoridade ou tradição e em relação a tudo o que possa pôr em causa a liberdade de pensar por si mesmo.


HISTORICIDADE


“Quando veio a oligarquia, os Trinta, novamente tendo-me chamado, em quinto lugar, ao Tolo (sala redonda onde ficavam os prítanes), orderam-me que fosse à Salamina buscar o Leão de Salamina, para que fosse morto. Muitos factos desse género tinham sido ordenados a muitos outros, com o fim de cobrir de infâmia quantos pudessem. Também naquele momento, não com palavras mas com factos, demonstrei de novo que a morte não me importava, ou me importava menos que um figo, eu diria se não fosse indelicado dizê-lo. Mas não fazer nada de injusto e de ímpio isso sim, importava-me acima de tudo. Pois aquele governo, embora tão violento, não me intimidou, para que fizesse alguma injustiça; mas quando saímos do Tolo, os outros quatro foram a Salamina e trouxeram Leão, e eu, ao contrário, afastei-me deles e fui para casa. Naquela ocasião, eu teria sido morto, se o governo não fosse derrubado pouco depois. E disso tendes testemunhas em grande número.” 20d

Historicidade: A vida social, a religião, a política, a ciência, a economia, as artes, etc., influenciam sempre o pensamento filosófico. Os filósofos e as filosofias são, de facto, efeito e causa. Efeito das múltiplas circunstâncias, das crenças, das instituições das políticas, etc., do seu tempo. São produto de todas as conquistas da humanidade ao longo da história. Por isso, quer o filósofo quer a filosofia são resultado do meio.
Por outro lado, as ideias dos filósofos fecundaram frequentemente a ciência, a arte, a política e até as lutas sociais. Sendo, neste caso, causa de diferentes transformações culturais e sociais.
A filosofia como actividade intelectual está assim inserida na história e tem a sua história, mas não se reduz a ela. Não se pode confundir a filosofia com a sua história, mas a filosofia é inseparável da sua história. A história da filosofia oferece-nos um manancial de experiências intelectuais e de aventuras do pensamento que continuam a interpelar-nos e a fazer-nos pensar. É esta capacidade interpelante da história da filosofia que a coloca numa situação diferente da história da ciência. O tempo desactualiza a ciência, nesta o mais recente é em regra mais válido. Será assim em filosofia?

O outro sentido da historicidade é mais técnico e mais filosófico: “Como conceito filosófico, historicidade é ‘o modo de ser histórico do espírito humano’. Traduz a temporalidade radical da existência humana, um traço fundamental de todo o humano, em oposição ao ser natural. (...) A historicidade penetra tudo o que o homem é e faz.

Afirmar a historicidade da filosofia, neste sentido, é afirmar que a experiência do homem e o seu pensar são finitos, que se realizam historicamente e que o tempo lhes imprime um carácter epocal específico.
A Filosofia é um saber histórico porque reflecte a época histórica em que ela é produzida.

UNIVERSALIDADE
"E, se algum de vós protestar e prometer cuidar , não o deixarei já, nem irei embora, mas o interrogarei e o examinarei e o convencerei, e, em qualquer momento que pareça que não possui virtude, convencido de que a possui, o reprovarei, porque faz pouquíssimo caso das coisas de grandíssima importância e grande caso das parvoíces. E isso o farei com quem quer que seja que me apareça, seja jovem ou velho, forasteiro ou cidadão.” 29e


A universalidade da filosofia pode ser entendida em diferentes sentidos.
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Fala-se da universalidade da filosofia porque alguns dos seus problemas são universais, isto é, referem-se à existência do homem. Tais problemas, apesar de serem formulados por um filósofo exprimem inquietações e esperanças que são próprias da humanidade. O filósofo ao transmutar o vivido para o plano do pensado universaliza uma dada situação e enuncia-a como problema.

Num outro sentido quer dizer, que todos os homens são filósofos. Este sentido radica no facto de todo o homem ter razão. Tal universalidade conduziu à distinção entre um filosofar espontâneo e sistemático. Presente em todo o homem, e um filosofar sistemático, específico dos filósofos.

A Filosofia é um saber universal porque o seu objecto de estudo é a totalidade da experiência humana, podemos filosofar sobre tudo o que quisermos. Mas também é universal pois as suas questões colocam-se à humanidade em geral. A Filosofia também se distingue da ciência graças à sua universalidade, pois enquanto que o objecto de estudo da ciência é sempre parcelar o da Filosofia é total

terça-feira, 3 de junho de 2014

Correção do teste de Maio 2014



Baskiat

 Grupo I
1. O Contrato Social é um acordo a que todos chegam e que legitima e explica a passagem do Estado Natural para a Sociedade ou Estado Civil. O texto faz menção a uma característica do Contrato Social que é o facto deste ser revogável, isto é sendo um pacto feito com o acordo de todos, este contrato estabelece uma divisão entre súbdito e soberano ou entre governo e governados, no seio da igualdade dos indivíduos,  ambas as partes têm vantagens e obrigações. Se uma das partes: o soberano ou os súbditos não cumprirem com as obrigações que são estipuladas no contrato, este pode ser anulado pois como diz o texto “quando este soberano age contrariamente ao encargo que lhe confiaram, a ele perde o direito”. Segundo a interpretação de Locke o contrato social é revogável, se o soberano não cumprir e não obrigar a cumprir a Lei Natural que está obrigado, nos termos do contrato a defender. Para além de revogável, o contrato social é vinculativo, pois ambas as partes são obrigadas a obedecer aos termos do contrato e recíproco, ambos têm direitos e deveres.

2. Locke argumenta que há necessidade de constituir uma sociedade civil para garantir a segurança da propriedade privada e dos bens que estavam ameaçados no Estado Natural.O indivíduo no Estado Natural não tinha poder nem autoridade para julgar e punir quem ameaçasse a propriedade dos seus vizinhos.  Sem esta autoridade a propriedade e os bens de cada um estariam ameaçados por falta de recursos para todos. A sociedade civil por ter na sua génese um conjunto de deveres e direitos de todos para com todos e constituindo-se por delegação do poder de julgar e punir de todos para um só, ou alguns, o governo ou soberano, permite a segurança e a justiça. Todavia a sociedade civil não perde a sua liberdade em prol da segurança pois considera-se a liberdade acima da segurança, logo, contrariamente ao poder do Estado Soberano para Hobbes, que detém poder ilimitado, o Estado para Locke pode ser colocado em causa se não cumprir a Lei Natural a que é obrigado. Em relação ao "estado de natureza" em que as relações entre os homens não estão reguladas pelo direito e por um poder político que garanta o cumprimento daquele, a sociedade civil designa a organização jurídico-política das relações individuais.
No "estado civil" os homens são cidadãos, isto é, sujeitos de direitos e de deveres prescritos pela lei. Em termos gerais, não há sociedade civil desligada do Estado (estrutura reguladora que controla as relações sociais) ou Estado sem sociedade civil (aquele nada regularia e não teria base). Para Hobbes a sociedade civil constitui-se como uma necessidade de segurança e delega no Soberano Estado todos os seus poderes não podendo discutir ou depor a sua autoridade mesmo se esta for abusiva.

3. A função da posição original ou “véu da ignorância” é a de permitir que se escolha de forma imparcial e equitativa  os princípios básicos da justiça para todos, esse é o fundamento racional destes princípios. Esta posição permite-nos ver com clareza quando é que as instituições tratam os cidadãos de forma injusta. A coberto do véu da ignorância os indivíduos que hipoteticamente não teriam qualquer estatuto social nem saberiam que estatuto poderiam ter, não têm interesses a defender e podem escolher com equidade e de forma imparcial que princípios devem regular a sociedade de modo a que ninguém seja prejudicado ou beneficiado, seja pelo nascimento ou pelo mérito. Os princípios da justiça os seguintes: liberdades básicas, igualdade na distribuição dos bens e das oportunidades e princípio da diferença. São escolhidos por cidadãos numa situação de estado natural a que se chamou "véu da ignorância" que visa garantir a imparcialidade desses princípios. Distribuição equitativa dos bens básicos: liberdades, riqueza e oportunidades. O princípio da diferença introduz uma visão alternativa à igualdade na distribuição das riquezas. A igualdade  por si, não dá valor aos que se destacam pela sua formação e empenho e, sendo assim, estes não teriam qualquer incentivo social para continuar empenhando-se mais e aplicando melhor os seus talentos naturais;  então este princípio (o princípio da diferença) justifica as diferentes remunerações entre indivíduos desde que estas diferenças , seja através de impostos ou outros tipos de contribuições, permitam o benefício dos mais desfavorecidos e contribuam para a garantia do acesso dos mais desfavorecidos aos bens primários.
Rawls designa por véu de ignorância as condições iniciais de equidade. É como se os sujeitos participantes, numa situação hipotética,  não fossem indivíduos com uma história e com interesses particulares, mas uma espécie de "sujeitos universais". Só assim se poderá ter a garantia de imparcialidade na distribuição de bens e regalias sociais. Supõe-se que os participantes são racionais e igualmente desinteressados, que gozam da mesma liberdade de expressão e que chegam a um acordo amplamente partilhado acerca dos princípios de justiça.

4. Trata-se de um dilema moral. Carlos está perante dois deveres que se opõem: por um lado o dever de cumprir uma promessa feita, por outro o dever de não fazer mal a um inocente. Segundo os princípios da moral deontológica, ambas as máximas ou princípios que devem dirigir a sua acção são universalizáveis. “A priori” isto é, antes de qualquer experiência, Carlos está obrigado a cumprir a promessa feita ao seu superior. Pois a máxima: Deves sempre cumprir as tuas promessas é universalizável; por outro lado a máxima” Nunca deves infringir mal a um inocente parece ser universalizável também, isto é poderia ser uma lei universal para todos. A moral deontológica inclinar-se-ia para justificar a tortura do inocente com o cumprimento do dever para com um chefe, mas isso não poria em causa a autonomia da razão para julgar a situação? Segundo a moral utilitarista justificar-se ia moralmente desobedecer ao chefe, porque as consequências dessa desobediência permitiriam não criar sofrimento em alguém, visto que se trata de felicidade, e esta é ausência de sofrimento.

Grupo III
  1. Problema: Pensamos que os valores morais são relativos pois ninguém pode impor a sua autoridade moral a outra pessoa, visto que a moral se fundamenta na liberdade e autonomia do pensamento, e porque o nosso juízo moral pode ser diferente tendo em conta a mesma situação. Mas serão os valores morais relativos e subjectivos? Se assim fosse qualquer um poderia segundo a sua autoridade fazer a lei que lhe parecesse melhor de acordo com o seu gosto ou interesse. Será que a justiça como valor é relativa? Não haverá um valor comum de justiça?
  2. A conclusão a retirar do texto é a de que há um valores comuns e que a justiça não é um valor moral relativo ou subjectivo como o aluno defendia.
  3. Seria uma lei injusta porque se baseia num valor de justiça que é arbitrário e preconceituoso e não tem qualquer razão a fundamentá-lo. Uma lei que é igual para todos não pode ser imoral, a moral deve ser o guia da lei, pois aquilo que contraria os valores morais não pode ser correcto, ameaça a nossa razão e permite toda e qualquer arbitrariedade dependendo apenas da loucura de quem faz a lei.


Correcção do teste maio 2014 - 10G e 10E



BASKIAT

GRUPO I

1. 1. O problema colocado por Locke no texto é o seguinte:  Porque razão o homem que tem todos os direitos no Estado natural, cede esses direitos a um governante? Ou, em outras palavras porquê perder a sua liberdade ou parte da sua liberdade em favor de um governo? A resposta dada por Locke relaciona-se com os perigos da falta de autoridade no Estado natural para julgar e punir aqueles que infringem a lei natural e que, por falta de recursos ameaçam a propriedade e os bens uns dos outros. O fundamento da autoridade do Estado é o Pacto social que os cidadãos livres fazem entre si e com o governante. Este contrato é vinculativo, isto é, obriga os cidadãos ao seu cumprimento, é um compromisso de todos perante todos, neste aspecto ninguém tem o direito de o transgredir ou de o negar, pois deve sujeitar-se à vontade da maioria que o fez tendo em conta a paz e a segurança.

Enquanto para Locke existe um estado natural em que os homens gozam, cada um, de todos os poderes e de todas as liberdades mas como se sentem inacapazes de preservar o direito da propriedade privada,  têm a necessidade de um Estado que a defenda e estaleçem então um contrato social; para Aristóteles o estado natural do homem é um estado civil, na polis, sujeito a leis que possibilitem o bem comum, essas leis e essa organização são intrínsecas à natureza humana, sem elas o homem não  seria homem mas sim um animal. O Estado existe para possibilitar a formação moral do homem através da educação e do diálogo.



2. A diferença entre o Estado absolutista defendido por Thomas Hobbes e o Estado liberal defendido por J. Locke é a seguinte. No Estado liberal o Pacto social é recíproco e revogável, o que significa que se o governante ou soberano não cumprir a Lei Natural que se comprometeu a salvaguardar, os súbditos podem cancelar o contrato pois nele ambos têm obrigações e os súbditos não transferem todos os direitos nem toda a liberdade ao soberano mas só parte dela, enquanto o Pacto social no Estado absolutista há uma transferência total de todos os direitos do súbdito para o soberano e o pacto não é revogável tendo o soberano todos os poderes.



3. A função da posição original ou “véu da ignorância” é a de permitir que se escolha de forma imparcial e equitativa  os princípios básicos da justiça. Esta posição permite-nos ver com clareza quando é que as instituições tratam os cidadãos de forma injusta. A coberto do véu da ignorância São os princípios da justiça os seguintes: liberdades básicas, igualdade na distribuição dos bens e das oportunidades e princípio da diferença. São escolhidos por cidadãos numa situação de estado natural a que se chamou "véu da ignorância" que visa garantir a imparcialidade desses princípios. Distribuição equitativa dos bens básicos: liberdades, riqueza e oportunidades. O princípio da diferença introduz uma visão alternativa à igualdade na distribuição das riquezas. A igualdade  por si, não dá valor aos que se destacam pela sua formação e empenho e, sendo assim, estes não teriam qualquer incentivo social para continuar empenhando-se mais e aplicando melhor os seus talentos naturais;  então este princípio (o princípio da diferença) justifica as diferentes remunerações entre indivíduos desde que estas diferenças , seja através de impostos ou outros tipos de contribuições, permitam o benefício dos mais desfavorecidos e contribuam para a garantia do acesso dos mais desfavorecidos aos bens primários.

Rawls designa por véu de ignorância as condições iniciais de equidade. É como se os sujeitos participantes, numa situação hipotética,  não fossem indivíduos com uma história e com interesses particulares, mas uma espécie de "sujeitos universais". Só assim se poderá ter a garantia de imparcialidade na distribuição de bens e regalias sociais. Supõe-se que os participantes são racionais e igualmente desinteressados, que gozam da mesma liberdade de expressão e que chegam a um acordo amplamente partilhado acerca dos princípios de justiça.



4. A moral é um código de deveres interiores, individuais e íntimos. A transgressão é punida com censuras interiores como o sentimento de culpa ou remorso. O Direito é um código de deveres sociais e a transgressão é punida com multas e prisões. O Direito é portanto coercivo. O código das leis que constituem o Direito é firmado por um conjunto de pessoas que têm o poder de o fazer, está escrito e é aplicável a todos quer se concorde ou não com ele, enquanto as normas morais estão implícitas e colocam-se à consciência individual, podendo esta segui-las se as considerar justas ou não, sendo a consciência moral a decidir sobre o seu cumprimento.

O Direito pode estar fundado na moral ou não. Pode haver leis consideradas imorais tais como a lapidação e normas morais não contempladas na lei, tal como não mentir. A justificação do Direito não tem que ser moral pode fundar-se na observação da experiência e nos casos em que ela mostra que a lei civil se encontra inadequada e portanto necessita de ser alterada.



Grupo III

1. Segundo os princípios da moral deontológica de Kant, a acção correcta é aquela que traduz uma boa vontade, isto é, uma vontade afastada do interesse pessoal, uma vontade desinteressada, essa boa vontade não podia moldar-se pelas consequências materiais da acção mas apenas pelo cumprimento da lei. A lei moral ordena-nos que a máxima da nossa acção possa ser universalizável, e não deve ter em conta as consequências da acção mas o dever perante a lei, ora a lei diz que não se deve tirar a vida a ninguém e portanto esse é o dever absoluto e sem restrições

  Comparação das perspetivas de Kant e de Stuart Mill relativamente ao critério de avaliação das ações morais:

Para Kant, as ações são más ou boas em si mesmas, independentemente das suas consequências. O que torna má ou boa uma ação é a intenção com que é praticada.

Para Stuart Mill não há ações boas ou más em si mesmas, e a intenção com que são praticadas é irrelevante. As consequências são o único critério relevante para apreciar o valor moral das ações. Daí que toda a avaliação moral seja "a posteriori". Para Mill justificava-se pelo princípio da máxima felicidade para o maior número, que se desligasse a máquina e se fizesse o transplante de órgãos.



– Comparação de Kant e de Stuart Mill relativamente ao princípio supremo da moralidade

Para Stuart Mill a moralidade deve fundamentar-se no princípio de utilidade que afirma que são boas as ações que tendem a promover de forma estritamente imparcial a felicidade do maior número possível de indivíduos.



3. Para Kant o imperativo categórico é o princípio supremo da moralidade. Este determina que devemos agir somente de acordo com máximas universalizáveis. Ele expressa uma Lei moral  absoluta,  seja qual for a circunstância, não visa o exterior mas a obediência à lei enquanto ela é expressa "a priori" independente da experiência.




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Trabalho sobre o Génio. Textos.





 
                        Retrato de Rebecca Gratz, Thomas Sully (1783/1872)

Este conto foi inspirado num retrato do pintor americano Thomas Sully que Poe viu numa galeria da 4ª Avenida.
Para aqueles alunos que adoram uma boa história de terror

O retrato, já o disse, era o de uma jovem. Tratava-se de uma cabeça simples, com ombros, o todo no estilo a que se chama, em linguagem técnica, modo de vignette, muito ao modo de ser de Sully das suas cabeças predilectas. Os braços, o seio, e mesmo as pontas dos cabelos radiosos, fundiam-se imperceptivelmente na sombra vaga mas profunda que servia de fundo ao conjunto. A moldura era oval, magnificamente dourada e com lavores a prata de gosto mourisco. Como obra de arte, nada de mais admirável se podia encontrar do que a própria pintura. mas pode muito bem ser que não fosse nem a execução da obra, nem a beleza imortal da fisionomia, que me tivessem impressionado tão súbita e fortemente. Ainda menos devia eu acreditar em que a minha imaginação, saindo de um semi-sono, houvesse tomado a cabeça pela de uma pessoa viva. Vi primeiro que os pormenores do desenho, o estilo da vinheta e o aspecto da moldura teriam dissipado imediatamente um tal encantamento e me teriam evitado qualquer ilusão, mesmo momentânea. Enquanto fazia estas reflexões e muito vivamente, permaneci, meio sentado, meio estendido, talvez uma hora inteira. Por fim, tendo finalmente descoberto o verdadeiro segredo do seu efeito, tornei a deixar-me cair na cama. Adivinhara que o encanto da pintura era uma expressão vital absolutamente adequada à própria vida, que a princípio me fizera estremecer e, por fim, me confundira, subjugara, aterrorizara. Com um pavor profundo e respeitoso, (...) agarrei logo no volume que continha a análise dos quadros e a sua história. Indo direito ao número que designava o retrato oval, li a narrativa vaga e singular que segue:

" Era uma jovem de uma beleza rara, e que não era menos amável ou cheia de alegria. E maldita foi a hora em que viu, e amou, e desposou, o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero e tendo já encontrado uma esposa na sua Arte; ela, uma rapariga de uma beleza muito rara e não menos amável do que cheia de alegria: só luz e sorrisos, e a galhofa de um pavão novo; amando e prezando as coisas; apenas odiando a Arte que era sua rival; apenas temendo a paleta e os pincéis, e os outros instrumentos importunos que a privavam da presença do seu adorado. Foi uma coisa terrível para esta dama ouvir o pintor falar do desejo de pintar a sua jovem esposa. Mas ela era humilde e obediente, e sentou-se com doçura durante longas semanas, no sombrio e alto quarto da torre, onde a luz se filtrava pálida pelo tecto sobre a tela. Mas ele, o pintor, empenhava-se a fundo na obra, que avançava hora a hora, dia a dia. E era um homem apaixonado, estranho e pensativo, que se perdia em devaneios; de tal modo que não queria ver que a luz que tão lugubremente caía naquela torre isolada, minava a saúde e o espírito da mulher que elanguescia visivelmente para todos, excepto para ele. Contudo, continuava a sorrir, sem jamais se lastimar, porque via que o pintor sentia um prazer vivo e ardente no seu trabalho e trabalhava noite e dia para pintar o que tanto amava. Os que contemplavam o retrato falavam em voz baixa da sua semelhança, como uma maravilha e como uma prova, não menor, da força do pintor e do seu amor profundo por aquela que pintava tão miraculosamente bem. Mas, por fim, como a tarefa se aproximasse do seu termo, ninguém mais foi admitido na torre, porque o pintor enlouquecera devido ao ardor do seu trabalho, e raramente desviava os olhos da tela, mesmo para fitar a figura da mulher. E não queria ver que as cores que expunha na tela eram tiradas das faces daquela que se achava sentada perto dele. E, quando muitas semanas passaram e pouco restava para fazer, apenas um retoque na boca e uma cor clara e transparente no olhar, o espírito da dama palpitou ainda como a chama no bico de um candeeiro. E então foi dado o retoque, a cor clara e transparente foi colocada; e durante um momento o pintor manteve-se em êxtase diante do trabalho terminado; mas um minuto depois, enquanto ainda o contemplava, estremeceu, tornou-se pálido, - e foi atingido pelo pavor; gritando com uma voz retumbante: 'Na verdade, é a própria Vida!', virou-se bruscamente para encarar a bem-amada: ela estava morta!"

Edgar Allan Poe, Contos Fantásticos, Guimarães Editores, Lisboa, 2002
Tradução de João Costa

TEXTO 2 - O GÉNIO –



Há variedade de génios como há múltiplos talentos e belezas. Alguns génios são inovadores, outros são pensadores profundos, outros são pessoas de extraordinária habilidade, alguns têm uma imaginação fora de vulgar ou formas enviesadas de ver as coisas, alguns são superiormente inteligentes, outros apaixonadamente curiosos; a maioria é a combinação de, pelo menos, três destas qualidades, constituindo uma mistura volátil de dádivas intelectuais e traços de carácter. As dádivas intelectuais são a habilidade para ver as coisas de ângulos muitíssimo improváveis, de relevar o que não é essencial, e  entender o verdadeiro significado do óbvio. Os traços de carácter são a persistência, teimosia, a capacidade para se entregar a grandes esforços, e a indiferença perante o ridículo ou a hostilidade de qualquer um que pense que aqueles fins perseguidos, os objectivos  e as inovações em questão, são loucos.
A genialidade tem qualquer coisa da abertura e prontidão mental de uma criança, essa engenhosa capacidade  para ver de outro modo, para dar saltos imaginativos e combinar coisas aparentemente inconciliáveis em novos sistemas. Entre os génios, os grandes pensadores - Platão, Aristóteles, Newton, Kant, Einstein - viram para um lugar onde as raízes de coisas muito diferentes se juntam e enredam subterraneamente. Alguns génios dificilmente são conscientes do seu poder, mas criam a impressão de uma transbordante abundância de talento. Mozart era um desses. O Talento está também no génio de pintores e escultores, nos melhores cirurgiões, artesãos, jardineiros e arquitectos. Também há génios calmos: o génio dos poetas e dos grandes novelistas, e há génio visionário nos grandes homens de estado e generais. Alguns génios devem o seu sucesso ao cuidado, estudo, esforço tenaz, dedicação e "focus", determinação e coragem. outros devem-no a um flash de feliz e excêntrica inspiração no espaço e no tempo certo para ela.

Thinking of answers, A.C. Grayling, Boomsbury, London, 2011




TEXTO 3-  KANT E O GÊNIO NA FILOSOFIA  
DANILO CITRO
A introdução do génio dentro do sistema crítico é curioso. O próprio Kant o define como um dom natural, um favor da natureza. Mas poucos nascem génios, assim premiados. As definições na analítica da faculdade de juízo estética não deixam, nem de longe, dúvidas. O génio é um talento inato, ou se nasce favorecido ou não. O sujeito comum não é capaz de desenvolver a faculdade genial. É de se notar sua importância porque Kant faz um trabalho de
apuramento de todas as faculdades, os seus momentos de actividade e suas funções. Um ser humano sadio é aquele que desenvolve todas as suas faculdades. Então por que o génio, impossível de ser desenvolvido por qualquer sujeito, tem tanta importância dentro do sistema da obra crítica? Génio é um talento inato, pelo qual a natureza dá regras à arte. E a faculdade do génio é a de apresentar ideias estéticas . Uma obra de arte é produzida a partir da representação dessas ideias. Elas também são responsáveis pela beleza da arte. E, segundo o sistema kantiano, as ideias são estéticas por serem apresentadas pela imaginação. Daí a importância da imaginação na nossa análise.  É a conformidade entre imaginação e entendimento ou razão que está em jogo. A comparação, então, é entre a disposição comum dessas faculdades e a feliz disposição genial. A disposição de um sujeito comum tem uma tendência natural para o auto-desenvolvimento, a realização do sujeito em cada um de seus dois mundos (conhecimento e moral). A disposição natural do génio é a realização do acordo vivo entre esses dois mundos. Mesmo que o génio seja um sujeito especial, as suas faculdades são as mesmas do sujeito comum. O que pode ser provado porque ele tende a comunicar o seu talento, e é justamente o que a bela arte faz. Então há uma comunicação entre o  sujeito comum e o génio, as faculdades dispostas de maneira diferente,  comunicam. Por isso, o génio é capaz de satisfazer as necessidades elevadas da humanidade. Porém, em Kant, a humanidade ainda vive aquela cisão do sujeito em dois mundos distintos, pois a realização genial por meio da obra de arte bela ocorre apenas num plano simbólico, e não efectivo. O génio não resolve o problema do abismo entre dois mundos (mundo moral e do conhecimento) vivido pelo sujeito comum, mas comunica um poder natural que nenhuma teoria científica pode descrever. Comunica o Espírito na obra de arte bela.  Esse Espírito não é capaz de ser conhecido, ser definido por um conceito aplicado na experiência. Digamos que, na linguagem kantiana, a imaginação e razão não esquematizam o Espírito . Mas ele resulta da união livre entre os dois. Dentro da relação comum entre as faculdades, o conhecimento somente é efectivado através do acordo entre imaginação e entendimento, que dá possibilidade à experiência. Não é possível uma relação positiva entre imaginação e razão no processo de conhecimento. A experiência é limitada no tempo e no espaço e não corresponde a objectos pensados pela razão. Essa relação somente é possível na apreciação da obra de arte bela, num plano simbólico. Nesse plano, a arte bela do génio permite a relação entre imaginação e razão numa experiência, levando em conta que a apreciação é uma espécie de experiência. A Imaginação é a  faculdade que dá possibilidade de sensibilizar conceitos, de apresentá-los, conforme a linguagem kantiana. O génio é capaz de sensibilizar objectos que a razão pensa, e é capaz de apresentar ideias da razão numa representação de outra natureza. Tal apresentação se chama ideias estéticas . O resultado dessa união, a apresentação de ideias estéticas , é o sentimento de vivificação do ânimo.  Espírito , em sentido estético, significa o princípio vivificante no ânimo. (KANT, 2008, p. 159).

KANT E O GÉNIO NA FILOSOFIA  
DANILO CITRO