quinta-feira, 3 de abril de 2014

Teste 10E e G



Versão B
Grupo I
(3x15Pontos)
“Enquanto acto de autoprotecção […], podemos fazer o que for necessário para nos defendermos, mesmo que isso implique a morte do atacante […]. O efeito bom é a preservação da nossa vida, sendo o efeito mau a perda da vida do atacante.”
David S. Oderberg, Ética Aplicada, Lisboa, Principia, 2009, p. 233
1.1. Relacione o texto com a noção de preferência e hierarquia dos valores.
1.2. Porque razão o relativismo cultural pode conduzir ao relativismo moral?
1.3. Retire um juízo de valor do seguinte juízo de facto:  “ Em Portugal, o ordenado das mulheres  é10%  inferior ao dos homens, para tarefas iguais”.
Grupo II
(7x35 Pontos)
1. De acordo com o relativismo cultural,
(A) os critérios valorativos não variam de cultura para cultura.
(B) existe um padrão universal para avaliar os costumes.
(C) todas as práticas culturais devem ser toleradas.
(D) os códigos morais são idênticos em todas as culturas.
2. Considerar que os valores são objectivos significa considerar que os valores são
 (A) objectos de preferência.
 (B) relativos ao sujeito que valora.
 (C) objectos estimáveis.
 (D) independentes do sujeito que valora.
3. Segundo o relativismo cultural,
 (A) os valores actuais são melhores do que os do passado.
 (B) os critérios para avaliar as acções são variáveis.
 (C) os critérios para avaliar as acções são absolutos.
 (D) os valores são espirituais e intemporais.
 4. Os valores éticos são
 (A) critérios para a escolha da melhor acção.
 (B) formas determinadas de acção.
 (C) normas legais para regular a acção.
 (D) programas orientadores de acção.
5. Kant defende que a acção moral é determinada
 (A) pela inclinação e pela boa vontade.
 (B) pelo exemplo e pelo sentimento.
 (C) pela razão e pelo dever.
 (D) pelo bem-estar e pela felicidade.
6. Stuart Mill defende que uma acção tem valor moral
 (A) sempre que o agente renuncia ao prazer.
 (B) quando a intenção do agente é boa.
 (C) sempre que resulta de uma vontade boa.
 (D) quando dela resulta um maior bem comum.
 7. Segundo o relativismo cultural,
(A) os hábitos e as tradições culturais não devem ser valorizados.
(B) há verdades morais aceites por todos os povos e culturas.
(C) os juízos morais dependem das convenções de cada sociedade.
(D) a moralidade não é uma questão de convenção social.
Grupo III
(4x30 Pontos)
“ Ora todos os imperativos ordenam ou hipotética ou categoricamente. Os hipotéticos representam a necessidade prática de uma acção possível como meio de alcançar qualquer outra coisa que se quer (ou que é possível que se queira). O imperativo categórico seria aquele que nos representasse uma acção como objectivamente necessária por si  mesma, sem relação com qualquer outra finalidade. […] No caso de a acção ser apenas boa como meio para qualquer outra coisa, o imperativo é hipotético; se a acção é representada como boa em si, por conseguinte, como necessária numa vontade em si conforme à razão, como princípio dessa vontade, então o imperativo é categórico.”
I. Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Lisboa, Edições 70, 2011
1. A partir do texto, mostre por que razão, para Kant, a acção com valor moral se fundamenta no imperativo categórico e não em  imperativos hipotéticos. Na sua resposta, integre, de forma pertinente, informação do texto.
2. Distinga, segundo a moral de Kant,  acções” por dever”, “conforme ao dever” e “contra  o dever”. Exemplifique.
3. Analise a seguinte situação tendo em conta os princípios da moral deontológica de Kant e da moral utilitarista de Stuart Mill:
Imagina uma cidade onde ocorre um crime que deixa a cidade revoltada e a exigir vingança. O polícia encarregue da investigação não tem qualquer pista, e encontra-se sem auxiliares, a população enfurecida, vai fazer o linchamento público de um idiota com problemas mentais que é agressivo e que todos pensam que é o culpado. Que deve fazer o polícia? Deixar que executem um inocente ou impedir a sua execução e sofrer uma revolta popular que ameaça todas as casas e a sua própria vida?
4.  Qual seria a posição correcta? A mais justa ou a mais segura? Justifique a sua posição.

Correcção do teste de Março 2014




 
  Grupo I
1     1. Quando o relativismo cultural admite como um facto a diversidade de culturas, e se cada cultura tem códigos morais diferentes, não havendo nenhuma cultura superior que possa ter autoridade moral, então todos os códigos morais e as práticas que os aplicam são justificadas e não podem ser julgadas, pois não existe nenhuma autoridade moral fora da cultura. Deste modo estamos a defender o relativismo moral.

2.       2. A posição que defende que os valores são subjectivos defende que estes dependem do sujeito que aprecia, sendo o valor o resultado de uma apreciação subjectiva, isto é dada por alguém num certo momento histórico e num certo contexto. A posição objectiva diz que os valores não dependem dos sujeitos particulares, que existem nas coisas, não dependem da apreciação, as acções, os objectos e as pessoas têm um determinado valor, o sujeito no seu  juízo reconhece ou descobre esse valor.

3.       3. “A pena de morte é injusta visto que pode executar inocentes". Trata-se de uma opinião que confere um valor moral à pena de morte, como tal, pode ser discutida e é normativa, isto é, quer expressar a forma como o mundo devia ser.

Grupo III

1. Segundo o texto mentir nunca é moralmente permissível, seja qual for a posição, a situação ou a necessidade de alguém, nunca é correcto mentir, nem pode haver justificação para o fazer. Pois se acção moral deve cumprir o imperativo categórico, deve ser uma acção cujo único motivo seja o respeito para com a lei moral cuja fórmula eleva o homem a ser um legislador, isto é a poder fazer da regra pela qual se segue, uma lei universal. Neste sentido a regra “Deves mentir” nunca poderia ser uma lei universal, logo não podendo ser válida para todos, não pode ter apenas valor para alguns, pois isso é impossível para Kant. O valor moral de uma acção não pode ser apenas para alguns. 

2.Acções por dever são aquelas que obedecem ao imperativo categórico, a sua finalidade única é cumprir a lei que a razão a si mesma impõe, isto é o dever, logo são isentas de interesse ou da necessidade do agente. Essas são acções com valor moral.
Acções conforme ao dever seguem a norma social, são acções legais mas não são morais porque a vontade do agente é movida por um qualquer interesse ou sentimento como retirar um proveito ou pelo medo das consequências.
Acções contra o dever, não seguem a lei moral nem a norma social, não seguem qualquer norma e são comandadas por um interesse ou sentimento momentâneo do agente.


4.      3. A situação descrita no texto apresenta uma situação de dilema moral. Um dilema moral é um problema com duas soluções.  Ambas as soluções violam princípios morais, porque um dilema coloca em termos alternativos duas soluções que não seriam escolhidas livremente pelo sujeito, qualquer uma delas implica o abandono da outra  que não é correcto abandonar.
Comparação das perspetivas de Kant e de Stuart Mill relativamente ao critério de avaliação das ações morais:
Para Kant, as ações são más ou boas em si mesmas, independentemente das suas consequências práticas ou materiais. Só a vontade é boa, pois só ela pode ser controlada pelo agente, as consequências não estão no domínio do agente, logo não contam para determinar o valor moral da acção.A avaliação é feita "a priori", isto é, independente da experiência. Para Stuart Mill não há ações boas ou más em si mesmas, e a intenção com que são praticadas é irrelevante. As consequências são o único critério relevante para apreciar o valor moral das ações. Porque a acção moral visa assegurar um bem maior para todos os que estão ao seu alcance e não apenas para o agente. Daí que toda a avaliação moral seja "a posteriori".
 Comparação de Kant e de Stuart Mill relativamente ao princípio supremo da moralidade
Para Kant o imperativo categórico é o princípio supremo da moralidade. Este determina que devemos agir somente de acordo com máximas universalizáveis
Para Stuart Mill a moralidade deve fundamentar-se no princípio de utilidade que afirma que são boas as ações que tendem a promover de forma estritamente imparcial a felicidade do maior número possível de indivíduos.
 Segundo a moral kantiana o arquitecto deve dizer a verdade, porque deve obedecer à máxima moral que diz : "Não deves mentir". Mentir é, portanto, contra a lei moral, e essa lei não muda de acordo com as situações porque é universal e anterior a qualquer experiência. Essas são as condições da acção moral, por mais dolorosas que sejam as consequências, a autonomia da pessoa coloca-se na obediência à lei da razão e não aos seus interesses e sentimentos porque se assim fosse nada na sua acção poderia ter uma máxima universal porque os interesses e os sentimentos variam de pessoa para pessoa.

Segundo a moral utilitarista o arquitecto deveria calcular as hipóteses de sofrimento e prazer que as consequências da sua acção teriam para a comunidade. Se encobrir o presidente fosse necessário para proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas, teria de ponderar, entre o sofrimento causado pelo dinheiro roubado e as consequências futuras. A sua acção poderia mudar favoravelmente a condição de muitos e isso justificaria mentir




quarta-feira, 2 de abril de 2014

Teste 10B- março 2014



VERSÃO A
Grupo I
(3x15)
  1. Diga como o relativismo cultural pode conduzir ao relativismo moral. Dê um exemplo.
  2. Distinga, no seu traço fundamental, a posição que defende que os valores são subjectivos da posição contrária.
  3. Qual o juízo de valor que poderia retirar do  seguinte juízo de facto: “ Em Portugal ,no ano de 2012, 37 mulheres morreram vítimas de violência doméstica”  ”. Justifique.
Grupo II
(7x5 Pontos)
Escreva, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.
1. Kant defende que a acção moral é determinada
(A) pela inclinação e pela boa vontade.
(B) pelo exemplo e pelo sentimento.
(C) pela razão e pelo dever.
(D) pelo bem-estar e pela felicidade.
2.Stuart Mill defende que uma acção tem valor moral
(A) sempre que o agente renuncia ao prazer.
(B) quando a intenção do agente é boa.
(C) sempre que resulta de uma vontade boa.
(D) quando dela resulta um maior bem comum.
3. Segundo Kant, a boa vontade
(A) não está influenciada pelo sentimento ou pelo interesse.
(B) é contrário à moral, porque torna as pessoas egoístas.
(C) é um princípio ético que a todos impõe a beatitude.
(D) pode fornecer regras, mas não uma lei moral.
4. Para Kant, a lei «Age de modo que a tua regra de conduta possa ser adoptada como lei por todos os seres racionais» significa que…
(A) os seres racionais estão submetidos a leis objectivas.
(B) as acções morais são avaliadas segundo as leis vigentes.
(C) as acções morais são avaliadas pelas suas consequências.
(D) os seres racionais estão submetidos às suas emoções.
5. O texto do imperativo categórico refere:
(A) as máximas da acção.
(B) as leis da vontade.
(C) regras em média correctas.
(D) o princípio da felicidade.
6. Um argumento contra o relativismo cultural é o de que:
(A) O relativismo cultural promove a tolerância entre culturas.
(B) Não há argumentos contra.
(C) O relativismo cultural conduz ao relativismo moral.
(D) Não devemos julgar as culturas.
7. O argumento das consequências indesejáveis  é defendido pela teoria:
(A) Objectivista
(B) Subjectivista
(C) Não é defendido por ninguém.
(D) Relativista moral.
Grupo III
(4x30 Pontos)

(…) Ficaria eu satisfeito de ver a minha máxima (de me tirar de apuros por meio de uma promessa não verdadeira) tomar o valor de lei universal (tanto para mim como para os outros)? E poderia eu dizer a mim mesmo: – Toda a gente pode fazer uma promessa mentirosa quando se acha numa dificuldade de que não pode sair de outra maneira? Em breve reconheço que posso em verdade querer a mentira, mas que não posso querer uma lei universal de mentir; pois, segundo uma tal lei, não poderia propriamente haver já promessa alguma […]. Por conseguinte, a minha máxima, uma vez arvorada em lei universal, destruir-se-ia a si mesma necessariamente. (…)
Immanuel Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Coimbra, Atlântida, 1960


1.       Explique, a partir do exemplo do texto, por que razão o acto de mentir nunca é moralmente permissível, segundo Kant.
2.       Distinga acções “contra o dever”, “conforme ao dever” e “por dever”  e reconheça o valor moral de cada uma delas.
3.       Imagine a seguinte situação de um dilema moral:
Um rapaz tem a promessa do presidente da câmara para realizar um bairro com jardins e centro cultural para um grupo de desfavorecidos. Por outro lado o rapaz tem provas de que o presidente é corrupto e que desviou dinheiro para a sua conta pessoal. Se depuser em tribunal contra o presidente não terá o bairro construído pois o presidente será preso, se não depuser tem a promessa que esse projecto se realizará.
Que deve fazer o rapaz? Avalie a questão segundo os princípios da ética deontológica de kant e da ética utilitarista de Stuart Mill.
4.       Qual a sua opinião, o que faria neste caso? Fundamente.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Correção do teste de Fevereiro 2014


1. Análise lógica do texto de James Rachels
Tema: Certas práticas culturais.

Problema: É errado condenar certas práticas culturais?

Tese: Não é errado condenar certas práticas culturais.

Argumento:  Porque todas as culturas têm boas e más práticas, condenar algumas delas, como a excisão, não é desprezar a cultura em que estas práticas são permitidas,  é apenas condenar o que está mal em cada cultura. É um erro pensar que não devemos condenar certas práticas só porque podemos ser mal interpretados como estando a desprezar toda a cultura.

Conceitos: práticas, cultura, excisão

2. Não é favorável ao relativismo cultural porque o autor defende que há certas práticas culturais que são más e como tal não as devemos aceitar só porque são de uma cultura diferente. Segundo o relativismo cultural não podemos julgar nenhuma prática de culturas diferentes porque nenhum juízo é neutro e estamos a julgar de acordo com os valores da nossa cultura e portanto estamos a ser parciais. Um Argumento a favor do relativismo cultural é o facto de salientar a tolerância face a diferentes manifestações culturais; um argumento contra é aquele que aponta para o relativismo moral como consequência o que nos permite justificar e aceitar práticas violentas e violadoras dos direitos universais do homem.

3. Existem três explicações sobre a natureza e origem dos valores, todas elas têm razões para as suas teses  e  todas elas são insuficientes para explicar a natureza e origem dos valores porque enfrentam sérias objecções. Geralmente e intuitivamente, somos levados a pensar que existem valores subjectivos, mas que há outros que se impõem mesmo que o sujeito não os defenda, são objectivos e ainda outros são culturais, isto é derivam da forma como a sociedade em que vivemos evoluiu ao longo do tempo. Assim as teses das três teorias extremam posições do seguinte modo: Os subjectivistas defendem que há sempre um sujeito que confere valor, daí que o valor das coisas, acções ou pessoas depende das preferências, circunstâncias e gostos de alguém particular: O sujeito.
Tem a seu favor o facto de não haver acordo de opiniões acerca do que é correcto fazer-se em cada situação particular, ou na apreciação de qualquer obra. Argumento da diversidade de opiniões. Enfrenta a objecção de, quanto aos valores morais, poder justificar moralmente certas acções indesejáveis.
AS TEORIAS OBJECTIVISTAS
Ao contrário das teorias subjectivistas, as teorias objectivistas postulam que quando atribuímos valor a uma obra, acção ou pessoa, esse valor faz parte da natureza da obra, acção o pessoa, o avaliador não lhe dá o valor, apenas reconhece o seu valor, isto é, reconhece as suas qualidades. As qualidades são objectivas e dependem do objecto e não do sujeito avaliador. Argumentos a favor: A concordância em relação  a certas práticas culturais e princípios, como a carta universal dos direitos humanos. Outro argumento: as consequências indesejáveis que pode ter defender o subjectivismo moral e o relativismo moral, porque nos pode tornar cúmplices de crimes e discriminações que causam sofrimento a muitas pessoas.

III

1.  O relativista defende que os valores morais e a sua aplicação dependem das culturas, assim não há juízos morais neutros ou imparciais, nenhuma cultura é superior a outra de modo a poder julgar pois cada juízo revela a forma de pensar de uma cultura específica. Face a este caso, uma vez que ele é tradição na cultura japonesa e não na cultura ocidental, fará sentido inserido no quadro dos valores japoneses, pois cada cultura encontra o seu código de valores de modo a sobreviver e a poder enfrentar as necessidades que se colocam em cada situação. Poder-se-ia, por exemplo, se fossemos relativistas, defender esta prática como forma dos Samurais demonstrarem a sua coragem e superioridade de modo a serem temidos para que o seu poder não fosse afrontado, essa seria uma forma de manter o poder do imperador e a ordem social.
Objecções: Julgar certas práticas culturais como incorrectas não significa julgar as culturas incorrectas, tal como pensam os relativistas, esse juízo é até necessário para não sermos cúmplices de certos actos violentos contra a dignidade humana.
O relativismo cultural pode ter como consequência o relativismo moral, e a moral não depende apenas das culturas mas podemos defender que há juízos morais universais.


2. Os valores são padrões de referência que nos permitem julgar e orientar as nossas acções, pessoas ou coisas. São  qualidades potenciais das coisas e não qualidades primárias, pois resultam da  relação com um sujeito que as aprecia ou não de acordo com os seus interesses e as suas circunstâncias. Os valores não são qualidades primárias porque estas são universais e objectivas, são essenciais ao objecto enquanto as qualidades valorativas são dependentes do sujeito e da sua reacção a determinado objecto.
Os valores são bi-polares porque têm um pólo positivo e um negativo, hierarquizáveis porque podemos organizá-los numa ordem de acordo com um critério de valores; relativos se considerarmos que dependem do gosto, cultura e circunstâncias, mas também absolutos como certos valores éticos que são independentes da cultura, do gosto e das circunstâncias.

3. “O João agiu honestamente” é um juízo de valor porque a honestidade é um valor ético, essa qualidade não é uma qualidade primária do João como o seu peso ou altura, mas uma qualidade conferida pela apreciação de um sujeito que assim demonstra os seus critérios valorativos ou reconhece uma qualidade  no João, que, possivelmente não é verdadeira para todos os que conhecem o João.  O Juízo de valor não tem valor de verdade podendo ser discutido, e é normativo na medida em que nos permite compreender que aquele que valoriza está a expor a sua norma ética: Está a dizer: “quem age como o João é eticamente correcto”.
” O João tem 1.80m “ é um juízo de facto porque descreve uma qualidade primária, isto é, uma qualidade a que todos os sujeitos dão o seu acordo, por isso é objectiva e pode ser verdadeira ou falsa. É um juízo de facto porque tem valor de verdade e traduz as propriedades primárias e inquestionáveis do objecto.



4. Heteronomia da consciência moral designa o modo como a consciência interioriza as normas e leis sociais e as reflecte como deveres impelindo o sujeito a obedecer-lhes.  No modo heterónimo o motivo da nossa acção é a obediência ao que é correcto socialmente. Neste caso a lei da acção é captada do exterior. Autonomia da consciência é o modo como a consciência é capaz de pensar de acordo com o que está correcto em cada situação e de forma independente, sem se limitar a obedecer às normas sociais. Ambos os modos contribuem para a formação da consciência moral.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Matriz para o teste de Filosofia de Fevereiro 2014


Competências:
1. Analisar logicamente um texto filosófico.
2. Expor um determinado conteúdo de forma organizada e clara.
3. Relacionar teorias.
4. Detectar argumentos, problemas e conceitos
5. Definir conceitos.
6. Aplicar conceitos e teorias a situações concretas.


Conteúdos:
I - Os valores:
a) Definir os Valores.
b) Determinar as características gerais dos valores.
c) Saber em que consiste a questão dos critérios valorativos.
d) Saber quais os tipos de valor que usamos.
e) Distinguir entre valor extrínseco e intrínseco.
e) Distinguir juízos de facto e juízos de valor.
f )Caracterizar as teorias objectivista e subjectivista e relativista dos valores.
g) Relacionar valores e cultura - o relativismo.

II- "Ética para um jovem"
1. Enunciar as teses principais da obra de Savater "Ética para um jovem"
2. Expôr as ideias, problemas e conceitos de um dos capítulos desta obra.
3. Esclarecer o significado e a utilidade da ÉTICA.
III
1. A Ética e a moral.
2. Distinguir ética e moral.
3. Compreender o domínio da ética
4. Explicar a formação e funções da consciência moral
5. Compreender os argumentos a favor e contra o relativismo dos juízos morais.
6. Analisar um dilema ético.

ESTRUTURA:
Grupo I - Texto. 3 Questões para interpretar texto e desenvolver as respostas - 30 Pontos cada.
Grupo II - 10 questões de V e falso.(30 Pontos)
Grupo III - 2 Questões para analisar uma situação e aplicar os conceitos (2x20)
Grupo IV - Dissertação/Desenvolvimento/ Ensaio sobre um tema. (40 Pontos)
BOA SORTE E BOM ESTUDO!!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Os valores. Exercício.


1ª AULA DE APOIO 10ºAno. OS VALORES. FICHA 1


O que são os valores? Dizemos que os valores não existem por si mesmos: necessitam de um depositário sobre o qual descansam. Aparecem-nos, portanto como meras qualidades desses depositários: beleza de um quadro, elegância de um vestido, utilidade de uma ferramenta. Se observarmos o vestido, o quadro ou a ferramenta, veremos que a qualidade valorativa é distinta das outras qualidades.
Como responde o texto à questão colocada?________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
Nos objectos mencionados há algumas qualidades que parecem essenciais para a própria existência dos objectos, por exemplo, a extensão. Mas o valor não confere nem agrega ser, pois a pedra existia plenamente antes de ser talhada, antes de se transformar num bem.

Enquanto as qualidades primárias não se podem eliminar dos objectos, bastam uns golpes de martelo para terminar com a utilidade de um instrumento ou a beleza de uma estátua. Antes de incorporar-se no respectivo portador ou depositário, os valores são meras "possibilidades", isto é, não têm existência real mas virtual.
Ver-se-á melhor a diferença se se comparar a beleza, que é um valor, com a ideia de beleza, que é um objecto ideal. Captamos a beleza primordialmente por via emocional, enquanto a ideia de beleza aprende-se por via intelectual.
Qual a diferença entre qualidades primárias e qualidades potenciais de um objecto ou acção ou pessoa?______________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Com o fim de distinguir os valores dos objectos ideais, afirma-se que estes são, enquanto os valores não são mas valem.
Uma característica fundamental dos valores é a polaridade. Enquanto as coisas são o que são, os valores apresentam-se desdobrados num valor positivo e o correspondente valor negativo. Assim, a beleza opõe-se à fealdade, o mal ao bem. A polaridade implica a ruptura com a indiferença. Não há obra de arte que seja neutra, nem pessoa que se mantenha indiferente a escutar uma sinfonia, ler um poema ou ver um quadro.
O que significa dizer que os valores têm polaridade?__________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
Aliás os valores estão ordenados hierarquicamente, isto é, há valores inferiores e superiores. É mais fácil afirmar a existência de uma ordem hierárquica do que indicar qual é essa ordem e quais são os critérios para a estabelecer.
Muitos são os axiólogos que têm enunciado uma tábua de valores, pretendendo que essa seja a "TÁBUA", mas a crítica mostra rapidamente os erros de tais tábuas e dos critérios usados na sua elaboração.
Além da polaridade que outra característica é evidenciada no texto?_____________________________________
___________________________Em que consiste?___________________________________________________
O homem individualmente, bem como as comunidades e os grupos culturais concretos, manejam sempre uma tábua de valores. É certo que tais tábuas não são fixas, mas flutuantes, e nem sempre coerentes; porém é indubitável que o nosso comportamento frente ao próximo, aos seus actos, às suas criações estéticas (...) é julgá-los e preferi-los de acordo com uma tábua de valores. Submeter essas tábuas de valores, que obscuramente influem na nossa conduta e nas nossas preferências, a um exame crítico, é a tarefa a que o homem moderno não pode renunciar.
Frondizi, Qué son los valores?
FINAL: DIGA ENTÃO O QUE SÃO OS VALORES._______________________________________________________
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Acrescente a cada substantivo/nome um outro adjectivo que corresponda a um possível valor que lhe confere. Estabelecendo juízos de valor. 1. A Praia é_____________; A televisão é______________; O facebook é____________; A religião cristã _____________; A Política______________; A Escola____________________

sábado, 4 de janeiro de 2014

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Correção do teste de Maio 2013



GRUPO I
1. São os princípios da justiça os seguintes: liberdades básicas, igualdade na distribuição dos bens e das oportunidades e princípio da diferença. São escolhidos por cidadãos numa situação de estado natural a que se chamou "véu da ignorância" que visa garantir a imparcialidade desses princípios. Distribuição equitativa dos bens básicos: liberdades, riqueza e oportunidades. O princípio da diferença introduz uma visão alternativa à igualdade na distribuição das riquezas. A igualdade  por si, não dá valor aos que se destacam pela sua formação e empenho e, sendo assim, estes não teriam qualquer incentivo social para continuar empenhando-se mais e aplicando melhor os seus talentos naturais;  então este princípio (o princípio da diferença) justifica as diferentes remunerações entre indivíduos desde que estas diferenças , seja através de impostos ou outros tipos de contribuições, permitam o benefício dos mais desfavorecidos e contribuam para a garantia do acesso dos mais desfavorecidos aos bens primários.
Rawls designa por véu de ignorância as condições iniciais de equidade. É como se os sujeitos participantes, numa situação hipotética,  não fossem indivíduos com uma história e com interesses particulares, mas uma espécie de "sujeitos universais". Só assim se poderá ter a garantia de imparcialidade na distribuição de bens e regalias sociais. Supõe-se que os participantes são racionais e igualmente desinteressados, que gozam da mesma liberdade de expressão e que chegam a um acordo amplamente partilhado acerca dos princípios de justiça.
2. A moral é um código de deveres interiores, individuais e íntimos. A transgressão é punida com censuras interiores como o sentimento de culpa ou remorso. O Direito é um código de deveres sociais e a transgressão é punida com multas e prisões. O Direito é portanto coercivo. O código das leis que constituem o Direito é firmado por um conjunto de pessoas que têm o poder de o fazer, está escrito e é aplicável a todos quer se concorde ou não com ele, enquanto as normas morais estão implícitas e colocam-se à consciência individual, podendo esta segui-las se as considerar justas ou não, sendo a consciência moral a decidir sobre o seu cumprimento.
O Direito pode estar fundado na moral ou não. Pode haver leis consideradas imorais tais como a lapidação e normas morais não contempladas na lei, tal como não mentir. A justificação do Direito não tem que ser moral pode fundar-se na observação da experiência e nos casos em que ela mostra que a lei civil se encontra inadequada e portanto necessita de ser alterada.
3. Existem teorias contratualistas como a que defende John Locke e teorias naturalistas como a de Aristóteles, ambas defendem a necessidade de um Estado com Autoridade sobre todos os cidadãos mas têm, contudo, justificações diferentes. Enquanto para Locke existe um estado natural em que os homens gozam, cada um, de todos os poderes e de todas as liberdades mas com o direito da propriedade privada, sentem-se incapazes de a defenderem e por isso têm a necessidade de um Estado que a defenda e estabelecem então um contrato social. Ameaçado pela falta de recursos o homem no estado natural poderia pôr em risco a propriedade de cada um e não haveria forma de punir os infractores. Para assegurar o direito de propriedade o homem abdica dos seus direitos naturais através de um contrato em que confere a um estado social o direito de executar as leis naturais, estando o cidadão vinculado a esse contrato e obrigado a obedecer-lhe, cedendo a sua liberdade em troca da segurança da sua vida e da propriedade.; para Aristóteles o estado natural do homem é um estado civil, na polis, sujeito a leis que possibilitem o bem comum, essas leis e essa organização são intrínsecas à natureza humana, sem elas o homem não o seria mas sim um animal.
O Estado é uma instituição organizada que tem um governo, um povo e um território. É constituída por uma hierarquia de poderes que se vigiam mutuamente e obedece a um conjunto de leis que é comum a governantes e cidadãos em geral. Tem o poder executivo de aplicar as leis, poder legislativo de as fazer e judicial de punir quem desobedeça. Tem como função cobrar impostos, assegurar o direito à segurança, ao trabalho, saúde e educação de todos os cidadãos, a defesa do território e das fronteiras.
Grupo II
1- C
2- D
3- A
4- D
5- C
6- A
7- B
Grupo III
1- Um Argumento a favor do relativismo cultural é o facto de salientar a tolerância face a diferentes manifestações culturais; um argumento contra é aquele que aponta para o relativismo moral como consequência o que nos permite justificar e aceitar práticas violentas e violadoras dos direitos universais do homem.
2. Revogável, Vinculativo e Recíproco: Revogável porque pode ser anulado se as partes não cumprirem, ou uma das partes não o fizer; Vinculativo significa que todos estão sujeitos à sua obediência de acordo com as regras estipuladas e Recíproco porque determina regras para os súbditos e para o soberano.
Grupo IV
A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados.
Segundo os princípios da moral deontológica de Kant, a acção correcta é aquela que traduz uma boa vontade, isto é, uma vontade afastada do interesse pessoal, uma vontade desinteressada, essa boa vontade não podia moldar-se pelas consequências materiais da acção mas apenas pelo cumprimento da lei. A lei moral ordena-nos que a máxima da nossa acção possa ser universalizável, ora mentir mesmo que seja para um bom fim, não pode ser universalizável.
Lei moral é absoluta, obedece aos princípios do imperativo categórico, seja qual for a circunstância, não visa o exterior mas a obediência à lei enquanto ela é expressa "a priori" independente da experiência.
A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados.
– Comparação das perspetivas de Kant e de Stuart Mill relativamente ao critério de avaliação das ações morais:
Para Kant, as ações são más ou boas em si mesmas, independentemente das suas consequências. O que torna má ou boa uma ação é a intenção com que é praticada.
Para Stuart Mill não há ações boas ou más em si mesmas, e a intenção com que são praticadas é irrelevante. As consequências são o único critério relevante para apreciar o valor moral das ações. Daí que toda a avaliação moral seja "a posteriori"
– Comparação de Kant e de Stuart Mill relativamente ao princípio supremo da moralidade
Para Kant o imperativo categórico é o princípio supremo da moralidade. Este determina que devemos agir somente de acordo com máximas universalizáveis
Para Stuart Mill a moralidade deve fundamentar-se no princípio de utilidade que afirma que são boas as ações que tendem a promover de forma estritamente imparcial a felicidade do maior número possível de indivíduos.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Matriz do teste de Maio de 2013 - Turmas 10D e 10H


Competências: PROBLEMATIZAÇÃO • Identificar problemas filosóficos; • Formular problemas filosóficos; • Relacionar problemas filosóficos: entre si e com outros problemas; • Justificar a relevância de um problema filosófico.
CONCETUALIZAÇÃO • Identificar conceitos filosóficos; • Clarificar o significado dos conceitos recorrendo, por exemplo, à sua definição, classificação, explicitação, contextualização; • Relacionar conceitos, por exemplo, por oposição, por interdependência, por hierarquização; • Aplicar conceitos, por exemplo, na formulação de problemas, na análise, na reconstituição, na produção de teses e de argumentos.
ARGUMENTAÇÃO • Identificar teses e teorias que sejam respostas a problemas filosóficos; • Reconhecer o alcance e os limites de teses e teorias; • Formular teses e argumentos que constituam ou se integrem em teorias filosóficas; • Comparar teses relativas a um mesmo problema filosófico; • Defender teses apresentando razões, argumentos ou exemplos; • Criticar teses apresentando argumentos, objeções ou contraexemplos; • Identificar formas argumentativas. ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E CRÍTICA • Analisar textos filosóficos; • Avaliar criticamente teorias filosóficas; • Redigir composições filosóficas.
Conteúdos: UNIDADE 2 . Os valores – análise e compreensão da experiência valorativa (30 Pontos) a) A concepção objectivista e subjectivista dos valores. b) Valores e cultura. O relativismo cultural: argumentos pró e contra. c) A dimensão universal dos valores éticos: imparcialidade, reciprocidade, responsabilidade
UNIDADE 3. Dimensões da ação humana e dos valores: A dimensão Ética(Cotação:70 Pontos)
a) A dimensão ética e moral - consigo mesmo, com os outros e com as instituições. b) A necessidade de fundamentação da moral: 3. 1. A ética deontológica de Kant - Autonomia da vontade, imperativo categórico, princípios da moral, acções conforme ao dever e por dever, ( a distinção entre moralidade e legalidade), a importância das intenções. 3.2. A ética utilitarista de Suart Mill: Princípio da maior felicidade, a importância das consequências, a distinção dos prazeres, a moral atenta às condições de vida. 3.3 Análise comparativa das teorias éticas. 3.4. Objecções.
3.5. A dimensão Política (Cotação: 100 Pontos) a) Norma moral e norma jurídica. b) Relação entre a Ética e o Direito c) Definição de Política e de Estado. d) A origem e a legitimidade do poder do Estado: As teorias naturalista de Aristóteles e Contratualista de Locke. As noções de Polis, Contrato Social, Lei Natural, Sociedade Civil; e) Uma teoria da Justiça de J. Rawls; Os princípios da Sociedade Justa e o Véu da Ignorância.
Estrutura: 7 perguntas de escolha múltipla - 35 Pontos; 3 perguntas para resposta desenvolvida -90 Pontos; Tema/Problema para argumentar e problematizar em 25 linhas - 40 Pontos; 3 perguntas de resposta curta: 35 Pontos.