quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Texto para resumo dos alunos Madalena Silva (10ºA) e Manuel Casimiro (10ºB)



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VI.Argumentos dedutivos

Todos os argumentos que até agora apreciamos têm um certo grau de incerteza, de uma maneira ou de outra. Exemplos novos podem sempre refutar um argumento com base em exemplos, e até uma fonte informada e imparcial pode estar errada. No entanto, os argumentos dedutivos bem construídos são argumentos em que a verdade das premissas garante a verdade das conclusões.

Se não há fatores de sorte no xadrez, então o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores.
Não há fatores de sorte no xadrez.
Logo, o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores.

Se estas duas premissas são verdadeiras, então tem também de ser verdade que o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores. Para discordar da conclusão, o leitor teria de discordar também de pelo menos uma das premissas.
Os argumentos dedutivos oferecem, pois, certezas —mas apenas se as respectivas premissas forem também certas. Uma vez que as premissas dos nossos argumentos. Raramente são de fato assim, as conclusões dos argumentos dedutivos da vida real têm ainda assim de ser apreciadas com algumas (por vezes muitas!) reticências. No entanto, quando conseguimos encontrar premissas fidedignas, as formas dedutivas são muito úteis. Lembre-se da regra 3: tente começar com premissas fidedignas.
Mesmo quando as premissas são incertas, as formas dedutivas oferecem uma maneira efetiva de organizar um argumento, especialmente num ensaio argumentativo. Este capítulo apresenta seis formas dedutivas comuns com exemplos simples, cada uma com uma regra própria. Os capítulos VII-IX voltarão a tratar do seu uso nos ensaios argumentativos.

MODUS PONENS
Os argumentos dedutivos bem formados chamam-se argumentos válidos. Usando as letras p e q em representação de duas frases, a forma dedutiva mais simples é:
Se [frase p], então [frase q].
[Frase p].
Logo, [frase q].

Ou, mais sucintamente:
Se p, então q.
p.
Logo, q.

Esta forma chama-se modus ponens («o modo de pôr»: ponha p, fique com q). Se p representar «não há fatores de sorte no xadrez» e q «o xadrez depende unicamente do talento dos jogadores», o nosso exemplo introdutório é um caso de modus ponens. Verifique-o.
Muitas vezes um argumento destes é tão óbvio que não precisa de ser formulado como um modus ponens.

Uma vez que os otimistas têm mais hipóteses de terem sucesso do que os pessimistas, devias ser otimista.
Este argumento pode escrever-se assim:
Se os otimistas têm mais hipóteses de terem sucesso do que os pessimistas, devias
ser otimista.
Os otimistas têm mais hipóteses de terem sucesso do que os pessimistas.
Logo, devias ser otimista.

No entanto, o argumento é perfeitamente claro sem o pormos nesta forma. Outras vezes, no entanto; é útil escrevermos o modus ponens:

Se existem milhões de planetas habitáveis na nossa galáxia, então parece provável que a vida se tenha desenvolvido em mais do que um planeta.
Existem milhões de planetas habitáveis na nossa galáxia.
Logo, parece provável que a vida tenha evoluído em mais do que um planeta.

Para desenvolvermos este argumento temos de defender e explicar ambas as premissas e elas requerem argumentos bastante diferentes (porquê?). E útil formulá-los clara e separadamente desde o início.

WESTON, Anthony. Arte de Argumentar, Gradiva, Lisboa. Pp. 28, 29 e 30

Colocado por Professor David e Professor Rafael

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